sexta-feira, 27 de setembro de 2019

PERSISTE BLOQUEIO EM ISRAEL APÓS SEGUNDAS ELEIÇÕES


Pola segunda vez no mesmo ano Israel foi a eleições legislativas no passado 17 de setembro. A convocatória antecipada de novas eleições foi causada pola incapacidade do líder do Likud e primeiro ministro, Benjamin Netanyahu (no poder desde 2009), de formar a coaligaçom de governo com os seus aliados tradicionais (Shas, Israel Nossa Casa, Judaísmo da Torá e Direita Unificada) no prazo marcado polo presidente israelita Reuven Rivlin.

O principal ponto de desacordo nas negociações e que impediu o acordo foi a exigência do partido Israel Nossa Casa (Yisrael Beitenu), partido comandado por Avidgor Lieberman (da minoria russa), de aplicar a nova lei de serviço militar que estabelece o recrutamento, como o resto da sociedade civil, da minoria religiosa. Sem chegar a acordo com os partidos religiosos, fortemente contrários à lei do recrutamento, e logo após a rejeiçom, quer de trabalhistas, quer dos liberais do Azul e Branco, a 29 de maio o primeiro-ministro viu aprovar a dissoluçom do Parlamento (Knesset) e assim provocar eleições antecipadas que foram marcadas para 17 de setembro. Enquanto os trabalhistas rejeitaram qualquer acordo com a direita, os centristas de Azul e Branco rejeitaram coaligar-se com Netanyahu visto os casos judiciários por corruçom que afetam o líder do Likud.

Com 100% dos votos apurados, a coaligaçom liberal Azul e Branco foi a candidatura mais votada (33 cadeiras), mais umha do que o Likud, que obteve 7 cadeiras a menos do que nas eleições de abril.

Em consequência dos resultados (55 aliados Netanyahu, 46 centro-esquerda, 13 árabes e 8 Israel Nossa Casa), nengum bloco consegue obter umha maioria governista.

Umha hipótese seria a formaçom dum governo de coaligaçom entre o centro-esquerda, Israel Nossa Casa (54 lugares) que contasse com o apoio dos partidos árabes (13 lugares). De facto, o líder da Lista Unificada (coaligaçom árabe) anunciou que 10 deputados da sua bancada (salvo os 3 do Balad) iriam apoiar o candidato centrista, Benny Gantz. Porém, Lieberman rejeitou essa hipótese alegando que nunca iria conformar um bloco nem com os ultraortodoxos haredim e judeus messiânicos por serem "os nossos adversários politicos" nem com os Árabes por serem "os nossos inimigos".

Assim sendo, a única opçom que se enxerga para a formaçom dum novo governo é um executivo de unidade nacional entre Azul e Branco e o Likud (65 lugares), mas essa hipótese apenas seria possível sem a presença de Netanyahu.

Perante esta situaçom de impasse, a 25 de setembro o presidente israelita encargou a Netanyahu a formaçom dum novo governo sob a fórmula de governo de uniom nacional sob umha direçom política rotativista. Para aproximar os dous blocos, o presidente sugeriu que Netanyahu se retirasse temporariamente caso seja finalmente inculpado. 

Um governo de uniom nacional tornaria a Lista Árabe na principal força da oposiçom em Israel. Os Árabes constituem por volta de 20% da populaçom do Estado judeu e, segundo X.L. Méndez Ferrín, político, escritor galego, "gozam da plena cidadania israelita, votam livremente nas eleições e têm os seus partidos bem representados num parlamento pluralista". De facto, nas eleições aumentaram a sua representaçom ao conseguir eleger mais 3 deputados do que nas eleições de abril. 

Como referido, com o anúncio de apoiar a candidatura de Benny Ganzt (Chefe do Estado-Maior Geral das Forças de Defesa de Israel entre 2011-15) à chefia do governo israelita, é a primeira vez desde 1992 que os partidos árabes decidem envolver-se na política nacional de Israel e abandonar a sua estratégia abstencionista.

Por enquanto, ficamos à espera.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O CONTRIBUTO DA PRESENÇA JUDAICA EM MONTE REI

Entre os dias 4 e 5 de outubro o Centro Associado à UNED (Universidad Nacional de Educación a Distancia) em Ourense organiza umhas jornadas sob o título "O contributo da comunidade judaica à historia da vila de Monte Rei".
Hexagramas judaicos na igreja de Sta. Maria Graça dentro do recinto do Castelo de Monte Rei.
A atividade, dirigida por Enrique Cantera Montenegro, Catedrático de História Medieval da UNED e coordenado por Julio Prada Rodríguez, professor da Universidade de Vigo, tem por objetivo visibilizar a presença da comunidade judaica na história da Galiza e potenciar este país como destino do turismo judaico.

O evento, que se inicia a 4 de outubro às 16h, decorrerá no Parador Nacional (Pousada) de Monte Rei, abrange 10 horas letivas e inclui umha visita guiada pola vila de Monte Rei e o seu cemitério judaico. Para assistir é preciso cadastra-se e pagar umha propina de 15€ (inscrições até 1 de outubro) .

O elenco de relatores está formado por Felipe Aira Pardo, historiador e investigador encargado do estudo sobre a comunidade hebraica e de conversos de Monforte de Lemos, Glória de António Rúbio, doutora em História pola UNED e investigadora do Instituto de Estudos Galegos Padre Sarmiento (CSIC), Anselmo Lópes Carreira, doutor em História Medieval e polo doutor em Análise Política Diego Valor Bravo e membror da Sociedad de Ciências das Religiões da Universidad Complutense de Madrid.

O evento conta com a colaboraçom da Associaçom Galega de Amizade com Israel (AGAI).

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

TUI ADERIU À REDE ESPANHOLA DE JUDIARIAS

Segundo se informou na atualizaçom da postagem de Tui, logo depois de o Pleno da Corporaçom municipal de Tui ter aprovado em 27 de setembro de 2018 promover a candidatura desta cidade galega para se integrar na associaçom Red de Juderías de España- Caminos de Sefarad (doravante Rede de Judiarias), iniciou-se o processo segundo o estabelecido nas bases de "Critérios de admissom e protocolo de atuaçom para a aceitaçom de novas cidades à Red de Juderías de España-Caminos de Sefarad".

9 de janeiro: A delegaçom municipal de Tui é convocada em Madrid para defender a candidatura da cidade. A redaçom de toda a documentaçom necessária, nomeadamente a Memória, é realizada por Suso Vila, historiador local com experiência no estudo e divulgaçom da herança judaica de Tui. Para além disso, o Concelho elabora umha brochura mostrando o roteiro judaico de Tui.


15 de janeiro: A Comissom de Admissom de Novas Cidades da Rede de Judiarias elege a candidatura de Tui como finalista.

25 de fevereiro: Visita do "Comité de admissões" da Rede de Judiarias a Tui, realizando um percurso guiado polos locais mais proeminentes da herança judaica da cidade minhota, entre os quais, os Sambenitos, alojados no museo catedralicio.

27 de março: A Assembleia Geral da Rede de Judiarias aprova a entrada de Tui como cidade membro da associaçom. Para além de Tui, foram admitidas as cidades de Béjar (Salamanca), Lorca (Múrcia) e Sagunt (País Valenciano), ficando fora Calatayud (Saragoça) e Vitoria-Gasteiz (País Basco).

30 de junho: A segunda Assembleia Geral da Rede de Judiarias aprova de forma efetiva a entrada de Tui, ficando constituída a entidade por 22 municípios.

Destarte, Tui une-se às outras duas cidades galegas que fazem parte da Rede de Judiarias: Monforte de Lemos e Ribadávia.


Segundo Carlos Vasques Padim, na altura presidente da câmara municipal de Tui e entusiasta promotor da iniciativa, "a entrada de Tui na rede pode supor um antes e um depois na importância no panorama turístico da cidade se os sucessivos governos souberem aproveitá-lo e para isso é requerido um trabalho sério de longo prazo, começando pola implementaçom do Plano Diretor e Estratégico de Turismo que também encarguei durante o meu periodo como responsável de Turismo no Concelho". Oxalá!



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

TEORIA JUDAICA SOBRE A ORIGEM GALEGA DE CRISTÓVÃO COLOMBO

A origem de Cristóvão Colombo é um enigma para muitos estudiosos do tópico. O seu próprio filho, Fernando Colombo (batizado Hernando Colón em Espanha) obscureceu a pátria e origem de Colombo, afirmando que o seu genitor nom queria que fossem conhecidas tais informações. Por este motivo foram surgindo múltiplas teorias sobre a origem e lugar de nascimento de Colombo. Destas, destacam-se a hipótese galega e portuguesa.

Celso Garcia de la Riega (1844-1914), historiador e escritor galego nascido em Ponte Vedra, é considerado o iniciador e impulsor da tese galega de Colom e foi o primeiro a desmontar abertamente a teoria genovesa numha palestra realizada em Madrid em 1898 a pedido da Sociedad Geográfica da capital espanhola. A sua teoria foi prosseguida e reconhecida por outros historiadores galegos.
Celso G. de la Riega foi o primeiro historiador a desmontar a teoria genovesa da origem de Colom
Os seus argumentos para localizar a terra de origem de Colombo na Galiza são os seguintes: 
1. Havia na Galiza vários judeus galegos com o nome de "de Collon", "Collon" e/ou "Colon".
2. A cidade galega de Ponte Vedra tem o maior número de Colóns.
3. O idioma escrito de Colom inclui muitos vocábulos galego-portugueses e expressões da variante galega do diassistema galego-português.
4. A homotoponímia existente entre as localidades da área das Rias Baixas galegas com as das Antilhas.
5. Documentos de Ponte Vedra com o apelido Colon.

A tese galega tem um enorme impulso quando, em 1898, som publicadas umhas "Actas" descobertas na cidade de Ponte Vedra, tendo na altura causado grande impacto. 

A teoria sobre a origem galega de Cristóvão Colom foi publicada por Celso Garcia de la Riega em La Gallega, nave capitá de Colón en el primer viaje de descubrimiento (1899), e que posteriormente alargou no livro intitulado Colón, español. Su origen y patria (Madrid, Sucesores de Rivadeneira, 1914) incluindo 23 documentos antigos e elementos da tradiçom oral que relacionavam os Colons oriundos de Ponte Vedra com o descobridor da América. 

O estudo chega à conclussom de que Cristôvão Colom pôde ter nascido em Ponte Vedra e serem os seus pais Domingos de Colón, O Moço, e Susana Fonterosa.

Impugnações
Logo a seguir a tese de De la Riega foi impugnada com acusações de ter falsificado os documentos que alicerçavam a sua teoria.
  • O primeiro relatório acusatório foi elaborado por Manuel Serrano y Sanz num artigo publicado na revista "Archivos y Bibliotecas" (março-abril de 1914) [De la Riega morre em 4 de fevereiro desse ano], declarando a manipulaçom dos documentos que apareciam no livro "Colón español. Su origen y patria".
  • O seguinte inquérito é realizado em 1917 por Eladio Oviedo Arce, cônego da catedral de Santiago de Compostela, Chefe do Arquivo Regional da Galiza, Correspondente da Real Academia da História e membro de número da Real Academia Galega (RAG). O relatório, intitulado Documentos Pontevedreses, considerados como fonte do tema Colón espanhol, proposto primeiramente por D. Celso García de la Riega e agora renovado polos seus continuadores e apresentado perante a RAG denuncia a falsificaçom e manipulaçom de tais documentos.
  • Posteriormente, em 1928, um relatório da Real Academia Espanhola da Historia, redigido com base nos anteditos relatórios, confirma que na sua quase totalidade eram falsos ou foram falsificados.

Doravante estas impugnações serviram para deslegitimar e descartar perante a comunidade científica e estudiosos a teoria da origem galega de Cristóvão Colom formulada por De la Riega. Segundo Carlos Fontes "os espanhóis que haviam acusado os italianos de falsários estavam a aprender rapidamente a arte da aldrabice.  O assunto acabou por ser esquecido pelos historiadores".

Reaçom portuguesa
Em 1914 um seguidor de Celso Garcia de La Riega, Enrique de Arribas y Turull, fez umha prelecçom na Sociedade de Geografia de Lisboa afirmando que Colombo era galego, baseando-se para o efeito nos documentos encontrados em Ponte Vedra por Celso G. de La Riega.

Na sua comunicaçom, consoante as teses do seu mestre, Arribas y Turull apresenta um rol de topónimos dados por Colombo às terras que descobriu no Novo Mundo e fá-los corresponder a topónimos galegos, pretendendo com isso demonstrar que Colombo teria dado às terras que descobriu os nomes da sua própria terra, afirmando mesmo que nom deu nenhum topónimo português ou italiano às suas descobertas, embora reconhecendo que nom se pode fazer história com base em homonímias.

A "descoberta" causa grande impacto em Portugal e, como reaçom à tese galega, em 1915 Patrocínio Ribeiro defende pola primeira vez a hipótese de Colombo ter sido natural de Portugal numha conferência apresentada à Academia das Ciências de Portugal.

Para demonstrar a fragilidade da argumentaçom da tese galega defendida em Lisboa por Arribas y Turull, Patrocínio Ribeiro repete o mesmo exercício, desta vez com topónimos dados às terras a que os portugueses chegaram no Atlântico anteriores às viagens de Colombo e depois faz o mesmo exercício com terras do Alentejo, concluindo que os nomes atribuídos polo Almirante são alentejanos, e que -pola lógica toponímica- essa seria a terra do navegador.

Admiram, todavia, as brigas existentes entre os defensores quer da teoria galega, quer da portuguesa, a respeito tanto da língua escrita quanto da toponímia utilizada por Cristóvão Colombo polo facto de terem neglicenciado a identidade linguística existente entre as variantes galega e portuguesa da língua comum galego-portuguesa na altura do século XV.

Desagravo histórico
Porém, numha nova análise, os documentos de Celso de La Riega foram analisados em 2013 polo Instituto de Património Cultural Espanhol (IPCE), organismo estatal dedicado ao restauro de materiais (pedra, madeira, pintura e papel). A 23 de maio de 2013, Maria del Carmen Hidalgo Brinquis, Chefa do Serviço de Património Documental do IPCE, fez as seguintes revelações:
  • O papel dos documentos era do século XV, com marca d'água da época.
  • As tintas correspondem com as tintas usadas no século XV.
  • A partir de fotografias comprovou-se que os papéis nom foram raspados nem riscados, com intençom de enganar; isto é, nom havia intençom fraudulenta (dolosa) por parte de Garcia de la Riega.
  • Em colaboraçom com a polícia científica, ficou comprovado que o escrito por acima era o mesmo que aparecia em baixo; quer dizer, o que fez Garcia de la Riega foi avivar ou enfatizar por em cima as letras que já estavam escritas a fim de ressaltar os nomes que apareciam nos documentos, isto é, os apelidos "de Colón".

Origem judaica
Para explicar porque é que o Cristóvão Colom fazia mistério em torno das suas origens, nunca as tendo mencionado, o Prof. José Hermano Saraiva afirmou que o facto de Colombo nom gostar de falar do seu passado só tem uma explicaçom lógica: é que Colombo era de origem judaica e os Judeus já eram perseguidos, precisamente polos Reis Católicos. Se soubessem que ele era judeu nunca o nomeariam Almirante e o seu destino teria sido o Tribunal do Santo Ofício da Inquisiçom Espanhola.

Independentemente da origem geográfica de Colombo, as teorias galega, portuguesa ou mesmo catalã (excluída como hipótese ao abrigo dos estudos de DNA promovidos pola Universidade de Granada), concordam na origem judaica do "descobridor" da América.

Assim sendo, referem umha origem judaica as teorias de muitos estudiosos do assunto (Salvador de Madariaga, Menéndez Pidal, Blasco Ibáñez, J.M. Lacalle, Simon Wiesenthal), entre os quais, De la Riega, as hipóteses portuguesas de Patrocínio Ribeiro (Colombo seria Cristóvão de Colos) ou Mascarenhas Barreto (Colom seria Salvador Fernandes Zarco), bem como a catalá que defende que Colombo nasceu na ilha da Ibiza e era judeu.

Outras teorias galego-portuguesas
A segunda tese galega deve-se a Alfonso Philipot Abeledo. Formulada em 1977 a partir das teorias de Celso G. de La Riega, parte da constataçom que o apelido Colón, no século XV, era muito divulgado na Galiza. Depois que Colombo nom era um plebeu, mas um nobre, ligado a umha família de almirantes galegos e a Portugal. Identifica Cristóvão Colombo com Pedro Alves de Soutomaior, filho bastardo de Eanes de Soutomaior, senhor da casa dos Soutomaior do Toronho (*). Pedro Alves, também conhecido  por Pedro Madruga, entre 1441-46 esteve no Convento de S. Domingos em Tui. Em 1459 andou ao serviço da Casa de Anjou, como mercenário. Em 1463 veio para Portugal, tendo no ano seguinte se casado com D. Teresa de Távora. Muito ligado a Portugal, D. Afonso V deu-lhe o título de Conde de Caminha. Entre 1467-69 andou envolvido em lutas na Galiza durante a Revolta Irmandinha dos populares contra a nobreza feudal. Em 1474 toma o partido de Joana, a Excelente Senhora, dita "a Beltraneja" em Castela, e defende a legitimidade de D. Afonso V de Portugal como soberano dos seus domínios. Em 1476 é preso por ter combatido por Portugal na Batalha de Toro.  D. Afonso V consegue a sua libertaçom tendo regressado a Portugal. Intimamente relacionado com a corte portuguesa, teve acesso ao seus segredos marítimos. Em 1486, no mais completo segredo, apresentou o seu plano, ou melhor dizendo, o segredo de terras a Ocidente, aos reis espanhóis, tendo adoptado nome de Cristobal Colón depois de ter combatido o domínio dos reis espanhóis na Galiza. 

Segundo Carlos Fontes a principal consistência desta tese galega "reside na exploração das ligações de um nobre galego a Portugal e a portugueses. Tantas são as ligações que é a dificuldade consiste em seleccionar qual o nobre que melhor se encaixa". 

A tese portuguesa coerente mais recente é a de Manuel da Silva Rosa, historiador açoriano estabelecido nos EUA. Após trinta anos de pesquisas sobre a vida de Cristóvão Colombo, Silva Rosa publicou os livros O Mistério Colombo Revelado (2006), Colombo Português Novas Revelações (2009), La Historia Nunca Contada (2009) e, mais recentemente,  Portugal e o segredo de Colombo (2019).

De forma paralela a Alfonso Philipot Abeledo a respeito de Pedro Madruga, Manuel Rosa defende a teoria que Cristóvão Colombo era o nome falso de Segismundo Henriques, filho de Henrique Alemão e de sua esposa Senhorinha Annes. 

O pai deste "descobridor" da América teria sido, na realidade, Ladislau III da Polónia, alegadamente morto em Varna (atual Bulgária) combatendo os Turcos. Para afastar os castelhanos da rota portuguesa à Índia o filho dele, Segismundo Henriques, num conluio com o rei D. João II de Portugal, teria reencarnado em Cristóvão Colombo logo após ter sido dado como morto num naufrágio.

Enquanto Alfonso Philipot liga a origem judaica de Pedro Madruga/Cristóvão Colombo ao facto de o nobre galego ter sido filho bastardo de Eanes de Soutomaior com umha judia de Ponte Vedra de apelido Collon/Colon, Manuel Rosa descarta essa hipótese apesar da tradiçom existente nas anteriores teorias portuguesas.


* A Terra de Turonium (em romance, Toronho) é um antigo condado ou reguengo situado no Sudoeste da atual Comunidade Autónoma da Galiza (Reino de Espanha), abrangendo entre o Rio Verdujo e a Ria de Vigo (a Norte) e o Rio Minho (a Sul). Toronho é a única regiom do Convento Bracarense que nom se sumou a Portugal no momento da sua independência (1128 e 1139). Desde os alvores da nacionalidade, Portugal tentou corrigir esta anomalia histórica em diferentes ocasiões ao largo da nossa História (Guerra de Sucessom à Coroa de Castela (1475-79), guerra da Restauração da Independência de Portugal (1640), Guerra de Sucessom Espanhola (1701-13) ou Tratado de Madrid (1750)) sem obter nunca um sucesso duradoiro.

sábado, 10 de agosto de 2019

PRESENÇA GALEGA NO SEGUNDO CONGRESSO TERRA(S) DE SEFARAD

Entre os dias 19 e 23 de junho decorreu no município transmontano de Bragança a segunda ediçom de Terra(s) de Sefarad-Encontros de Culturas Judaico-Sefarditas.

Durante o evento desenvolveram-se atividades ligadas à cultura sefardita: exposições, seminários, cinema judaico, música sefardita, mercado kosher, foro económico e um congresso internacional.

O projeto aproveita os equipamentos culturais da cidade de Bragança, nomeadamente o Centro de Interpertaçom da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano, dependente da Câmara Municipal de Bragança, Memorial e Centro de Interpretaçom Documentaçom "Bragança Sefardita", mas também a herança material e imaterial com vestígios e referências à cultura judaica na regiom transmontana.

A coordenaçom científica foi responsabilidade da Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste da Faculdade de Artes da Universidade de Lisboa.

No quadro das atividades agendadas, sob o título Herança Longínqua, no dia 19 teve lugar um concerto de música e canções sefarditas com Magna Ferreira (voz e percussom), Jed Barahal (violoncelo), a voz da cantora galega Uxia Senlle e a guitarra e percurssões de Sérgio Tannus, músico brasilego de ascendência libanesa.

Sérgio Tannus (1º à esquerda) e Uxia Senlle (2ª à esquerda)

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A ORIGEM JUDAICA DE CRISTÓVÃO COLOMBO


Poderia ter sido Colombo judeu?*
Guillermo García de la Riega

O tema da possível origem judaica de Colombo tem sido estudado extensivamente por vários autores, entre os quais, Celso García de la Riega. Provavelmente pode haver tantos argumentos em prol do seu judaísmo quanto tantos outros contra, isto é, que nom está absolutamente esclarecido.

Entre os autores que defendem que Colombo era judeu estão: Salvador de Madariaga, Menéndez Pidal, Blasco Ibáñez, José María Lacalle, Simon Wiesenthal... Há referências muito anteriores desta origem judaica de Colombo, a primeira referência escrita que o Almirante era judeu aparece num documento diplomático. Cinquenta anos depois de sua morte, o embaixador francês na Espanha, Burdau, escreve ao seu país sobre "Colombo judeu".

Há duas possibilidades do judaísmo de Colombo: que ele era um converso, isto é, que ele se juntou ao cristianismo abandonando toda a prática judaica, ou que ele era um marrano, ou seja, aqueles Judeus que se convertiam mas que ainda continuavam a praticar escondidamente alguns ritos judaicos.

Relativamente aos apelidos utilizados polos Judeus galegos, nos séculos XIII, XIV e XV, podiam-se diferenciar vários grupos, mas entre eles temos os documentos em que aparece a extensom "O Velho" implicando que com o mesmo nome é documentada a existência doutra pessoa mais nova. Nos documentos fornecidos por Celso García de la Riega havia dous que eram: Domingo de Collón o velho e Domingo de Collón "o moço", isto é, conforme o antedito, Domingo de Collón o moço e o velho seriam judeus.

Apoio de Judeus em favor de Cristóvão Colombo

Os esforços dos Judeus sefarditas para ajudar Colombo foram manifestos; no começo, ele teve o apoio mal sucedido de Isaac Abrabanel e Abraham Sênior, vultos importantes dentro do judaísmo e cuja influência e riqueza eram tam reconhecidas que os seus correligionários encarregaram-nos de negociar com os Reis Católicos para nom serem expulsos.

A situaçom melhorou para Colombo quando se envolveram Judeus conversos como Luis de la Cerda, o duque de Medinaceli. Quando ele conheceu Colombo, interessou-se com os seus projetos e alojou-o na sua casa durante dous anos. Juan Cabrero, o camareiro de Fernando, um dos amigos mais próximos do rei, repetidamente recomendou os planos de Colombo. Juan Coloma, Secretário de Estado do Reino de Aragón de origem judaica pola linha materna, assinou a Capitulaçom de Santa Fe e a Carta de Privilégios de 1492. Luis de Santángel, notário da Ración do Reino de Aragón. Gabriel Sánchez, tesoureiro-mor do reino de Aragão. Frei Diogo de Deça, ilustre teólogo, apresentou-o ao astrônomo hebreu Abrahám Zacuto, professor de astronomia na Universidade de Salamanca. De Deça sempre apoiou Colombo, de modo que o almirante escreve aos Reis: "Desde que cheguei a Castela, esse prelado aumentou o meu prestígio. A ele, junto com Chamberlan Cabrero, suas majestades devem a posse das Índias". Beatriz Fernández de Bobadilla e o seu marido Andrés Cabrera, Marqués de Moya. Juana de Torres, confidente da rainha Isabel e aia do príncipe herdeiro D. Juan.

Colombo deliberadamente adiou a partida de sua expediçom até 3 de agosto de 1492, apesar de todo estar pronto para a véspera, que era o dia do jejum no dia 9 de Ab, dia que comemora a destruiçom dos Templos de Jerusalém por Nabucodonosor e também por Tito, porque ele esperou até o dia seguinte, 10 Ab, meia hora antes do abrente? Se calhar porque o dia anterior era de azar para os Judeus, e nengum judeu iria começar nada. Estava Colombo ciente desse aniversário e dessa tradiçom?

Factos e escritos que podem ligar Colombo ao judaísmo

A um conhecido converso, Diego Rodríguez Cabezudo, encarregou Colón o cuidado do seu filho Diogo quando chegou a Castela, em 1485.

Numha carta de Hernando de Talavera, entom prior do mosteiro de Prado e depois arcebispo de Granada, na véspera da descoberta, escreveu à rainha pedindo-lhe a cancelaçom da viagem projetada por Colombo. No final da carta Talavera despachava-se escrevendo: "Se Vossa Alteza confiar Colombo às mãos da Inquisiçom, posso assegurar-lhe que seu destino nom será um navio"

A lista de nomes bíblicos na toponímia colombina é outro factor a levar em conta, exemplos: a enseada de Abrahám na Isabela, a ponta de Isaque na ilha de Santa Maria a Antigua, o Cabo Salomom em Guadalupe, a enseada de David em Jamaica e o Monte Sinai em Granada. Esse conhecimento bíblico era, nessa altura, suspeito e perigoso para umha pessoa cristã.

O almirante estava possuído por uma ideia fixa: a conquista de Jerusalém e a reconstruçom do Templo. A reconstruçom do templo tam desejada por Colombo é umha crença que nom se ajusta à ortodoxia cristã, mesmo que seja parte da escatologia da Igreja, umha vez que o construtor do Templo deve ser o Anticristo, o Messias judeu.

Na biblioteca de Colombo há livros sobre o judaísmo como "A Guerra dos Judeus" de Flávio Josefo, obra do ex-rabino Samuel Ibn Abbas, do qual ele copiou capítulos, e de "Nativitatibus", do erudito Abraham Ibn Esras. Nas suas leituras preferia "O Livro dos Profetas", que ele copiou em parte e que cita no diario e nas suas cartas.

Chama a atençom o seu extenso conhecimento do Antigo Testamento e das escrituras sagradas; num dos seus livros, "Historia rerum ubique gestarum" do papa Pio II, mostra que está familiarizado com a cronologia hebraica. Depois de se referir ao ano de 1481, aquele em que ele estava a escrever o comentário, logo a seguir regista o correspondente do cálculo hebraico, 5421, a idade que o mundo tinha entom de acordo com a Bíblia e daí passa a referir que Adám morreu aos 130 anos, e que a destruiçom do segundo templo que ele chama -segunda casa-, denominaçom tipicamente hebraica, nunca usada por nom-judeus teria acontecido 1413 anos atrás. Como essa nota conservam-se muitas outras. Prova que Colombo dominava a história hebraica.

Colombo, que cita e medita com fruiçom os textos sagrados, nunca usou a palavra Jesus Cristo; ele falou do Senhor e, nas suas interjeições e comentários, cita nomes bíblicos como: Israel, David, Jerusalém, Judá e o Rei de Israel. Numha carta a Diogo Deça, o preceptor do príncipe Juan, escreve: "dê-me o nome que quiserem, que David, o rei muito sábio, guardou ovelhas e depois tornou-se Rei de Jerusalém; eu sou servo daquele mesmo Senhor que colocou David neste estado" e noutro escrito: "Eu sou um servo do mesmo Deus que criou David".

O diário da primeira viagem contém umha página muito significativa, datada de 23 de setembro de 1492. A viagem demorava-se e ainda nom havia terra. Entom Colombo comenta: "de modo os altos mares foram muito necessários para mim, que nom pareceu, salvo o tempo dos Judeus quando deixaram o Egito contra Moisés, que os tirou do cativeiro".

Poderia um cristão da época ter escrito todas as anotações de Colombo sobre os seus conhecimentos judaicos? Seria mais fácil para um judeu converso exagerar o seu zelo católico, mencionando amiudadamente a Santíssima Trindade, nas suas variadas expressões, do que para um católico escrever abertamente sobre factos ou eventos judaicos.

Por outro lado, apesar da religiosidade do almirante e de sua constante observaçom dos deveres religiosos, tanto próprios como alheios, umha das acusações mais sérias que cairam contra foi a de ter-se recusado a batizar numerosos povos indígenas ou ter colocado todos os atrancos possíveis para realizar esses batismos, contrariando seriamente umha das principais razões da conquista e colonização: a expansom do cristianismo em terras desconhecidas. Porque seria isso? Talvez por querer ter mais Judeus do que católicos nas terras descobertas por ele.

*Fonte: PontevedraViva (1/08/2018)
Original em espanhol traduzido para o galego-português por CAEIRO.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

ENCONTRO DE ESCRITORES E JORNALISTAS PORTUGALEGOS


No próximo dia 13 de julho realiza-se o IX Encontro de Escritores e Jornalistas do Alto Tâmega, Barroso e Galiza, em Chaves, no Auditório do GATAT.

No quadro desse encontro, o Prof. Jorge José Alves Ferreira, a convite da Direção do Fórum Galaico Transmontano, apresentará a comunicaçom "Judeus, Cristãos-novos e Marranos no Alto Tâmega", conforme programa.
A participação é livre e gratuita.