terça-feira, 9 de outubro de 2018

LEBUÇÃO

Lebução é umha freguesia portuguesa do Concelho de Valpaços que, ao abrigo da reorganizaçom administrativa de 2012/13, foi integrada na freguesia de Lebução, Fiães e Nozelos.

Segundo o historiador Jorge Alves Ferreira para esta freguesia ter-se-ia deslocado umha comunidade de Judeus para poder continuar a prática de forma discreta dos ritos da sua cultura religiosa. De facto, só nesta aldeia foram presas 17 pessoas pola Inquisiçom.

Aqui criou-se umha comunidade muito próspera de cristãos-novos que, para além de liderar o comércio, fixaram talvez a mais importante e ativa rede de passagem de Judeus da regiom de Trás-os-Montes.

Até muito recentemente esta terra era dedicada ao comércio e a agricultura, atividades liderizadas por judeus ou descendentes de judeus, entre os quais destacou Manuel da Fonseca.

A consciência de pertença a esta comunidade foi tam forte que a tradiçom oral conserva o ditado de que, em plena guerra liberal, umha senhora desta terra chegou a dizer que "se soubesse que tinha umha costela que nom fosse judia ou liberal mandava-a arrancar".

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

MONFORTE DE RIO LIVRE

Monforte de Rio Livre foi umha vila e sede de concelho localizada na atual freguesia de Águas Livres no município de Chaves.

A importância da vila esteve ligada ao seu castelo, mandado construír polo rei Afonso III em 1253 aquando visitou a regiom. Em 1273 a povoaçom recebeu foral do mesmo rei, altura em que devem ter-se iniciado as obras de reforma do conjunto que, na sua maior parte, chegou até aos nossos dias.
Castelo de Monforte de Rio Frio. Wikipédia

Logo a seguir Afonso III alçou a vila a cabeça de território, dentro do mesmo processo de organizaçom da fronteira setentrional, e concedeu-lhe umha série de facilidades, entre as quais, um couto de homiziados, sede dumha das 4 judiarias de Trás-os-Montes (junto a Chaves, Mogadouro e Bragança) e instituiu-lhe umha feira na regiom de dous dias, célebre até recentemente.

Estes privilégios, para além dumha localizaçom perto da fronteira com a Galiza, facilitou a instalaçom de Judeus que, como no caso da Judiaria galega de Monte-Rei, moravam nom dentro da fortaleza, mas na área muradada que envolve o castelo, permitindo o desenvolvimento de toda classe de negócios. 

Porém, a zona nunca se desenvolveu muito e pensa-se que muitos dos judeus que moraram aqui no século XIV foram para Chaves. No final do século XVIII habitam junto do castelo 5 famílias judaicas.


No início do século XIX a vila encontrava-se despovoada e, numha reforma administrativa, em 1836 a sede do município é transferida para a freguesia de Lebução, e em 1853 o concelho é extinto, passando parte das suas freguesias para Chaves ou Valpaços. Com a extinçom do Concelho o castelo foi abandonado, assim como a povoaçom.

Artigo redigido a partir de informações do historiador Jorge Alves Ferreira

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

ISRAEL PERANTE A INDEPENDÊNCIA DA CATALUNHA

Há um ano que teve lugar o Referendo sobre a independência da Catalunha, conhecido como 1-O, por ter sido realizado o dia 1 de outubro de 2017, em que os eleitores catalães puderam decidir sobre se a Catalunha devia ser um estado independente em forma de república. Logo a seguir, perante o bloqueio político com o Reino de Espanha, o dia 27 de outubro o Parlamento catalão aprovou umha Declaraçom Unilateral de independência (DUI) da Catalunha. 

Embora logo após a declaraçom secessionista realizada vários países se manifestaram contra a independência defendendo a unidade do Reino de Espanha (entre os quais potências como os EUA, China, França, Reino Unido, Alemanha, Canadá, Itália, Japom ou Rússia), o governo do Estado de Israel nom tomou oficialmente posiçom, alegando a relaçom de amizade que une o Estado judeu com esta naçom sem estado em processo de libertaçom nacional.

Este artigo analisa os posicionamentos do Estado de Israel durante o conflito secessionista da Catalunha acontecido no ano 2017 e cujos rescaldos ainda persistem.
Sede da República Catalã em Bruxelas
Em 18 de janeiro de 2017 o Embaixador de Espanha em Israel, Fernando Cardenera, incomoda-se por um artigo de opiniom publicado no dia 8 desse mês polo jornal Jerusalem Post que defendia a tese de que Israel ajudasse à Catalunha na reivindicaçom soberanista e apresentava a questom catalão como umha contradiçom europeia que poderia ser utilizada geoestrategicamente polas autoridades israelitas.

O artigo, redigido por Michael Freund, ex-chefe de comunicaçom do primeiro-ministro Benjamim Netanyahu, recomendava fazer com que a Europa experimentasse "um bocadinho da sua medicina" para desvendar que impera umha certa hipocrisia relativamente ao direito de autodeterminaçom, dando apoio ao processo catalão. "Depois da aprovaçom da lei destinada a regular certas questões do solo da Judeia e Samaria (Cisjordânia para os Árabes), amigos reconhecidos de Israel na Europa nom perderam a ocasiom para carregar contra o Estado judeu em termos muito duros. Reunindo toda a muniçom disponível, que parece ser ilimitada quando o sujeito for Israel, os líderes do continente agitaram-se retoricamente de forma tam obscena como ofensiva".

No seu artigo, Freund lembrou que se a Europa quiser falar em "territórios ocupados" nom devia esquecer as suas "relíquias coloniais", citando que a Catalunha tem previsto convocar um referendo sobre a independência. "Por acaso nom é na Catalunha que o governo regional alveja celebrar um referendo sobre a independência em setembro deste ano apesar da oposiçom das autoridades espanholas? Porém, curiosamente nom parece que a aspiraçom dos Catalães pola independência provoque tanto interesse nas capitais europeias quanto a dos palestinianos, embora os primeiros têm umha melhor opçom para um Estado próprio", frisa.

"Antes de mais, o Estado catalão foi umha realidade, embora brevemente, no século XVII [a República de Pau Claris], enquanto nunca houve umha Palestina independente em toda a história. E ainda que um acredite que os palestinianos estám ocupados desde 1967, Espanha ocupa a Catalunha desde há mais de três séculos, o que faz com que seja um conflito de maior duraçom e a justiça atrasada é justiça denegada", apontou.

Finalmente, Freund propunha que na próxima vez que a Europa ponha em causa a política de Israel em Judeia e Samaria, Israel encaminhe observadores dos direitos humanos à Catalunha para confirmar que nom se vulneram os direitos da sua cidadania e mesmo preparar resoluções na ONU neste sentido.

Na sua resposta no mesmo jornal, o embaixador espanhol retorque que "Espanha nunca ocupou a Catalunha". A nota da Embaixada, intitulada "Nengumha ocupaçom da Catalunha" refere que "apenas cabe passeiar em qualquer cidade catalã para julgar por um próprio o sentido desta ideia. Nunca houve umha história de Espanha contra a Catalunha, nem em 1714 nem nos seguintes 300 anos"O embaixador reproduz o relato da historiografia oficial espanhola: "A Guerra de Sucessom espanhola foi umha guerra internacional causada pola morte sem descendência do rei Caros II de Espanha e a briga entre dous pretendentes: o francês Filipe de Bourbon, duque de Anjou, e o arquiduque austríaco Carlos de Habsburgo, pola tentativa de ocupar o trono espanhol, umha controvérsia que fazia parte das alianças mais amplas e interesses dos diferentes países da Europa nessa altura. Um século mais tarde, os catalães combateram na guerra de independência contra Napoleom pola liberdade do povo espanhol".

A Embaixada espanhola em Israel aponta também a sua oposiçom à convocatória do referendo, alegando que, "consoante a nossa constituiçom, o governo regional da Catalunha nom tem competências para convocar um referendo sobre questões políticas de especial relevo, como a definiçom de Espanha. Ao abrigo da Constituiçom, a Catalunha desfruta, ao igual que as outras 16 Comunidades Autónomas espanholas, dum dos mais altos níveis de autogoverno no mundo, com um nível de competências que pode ser comparado ao de qualquer um estado federal alemão".

Em 13 de junho de 2017 o Presidente Carles Puigdemont assiste ao ato oficial da abertura do Consulado Honorário de Israel em Barcelona. No seu depoimento, realizado a huis clos, o Presidente Puigdemont celebra a reabertura e exprime o seu desejo de que no futuro este rango seja incrementado. A abertura deste posto diplomático estava bloqueado desde janeiro de 2016 polo ministério espanhol dos Negócios Estrangeiros, pois Madrid receiava a presença de diplomáticos na Catalunha durante o processo soberanista.
O Presidente Puigdemont durante um congresso judaico em Girona

O referendo, convocado unilateralmente polo Governo catalão a 9 junho de 2017 invocando o direito à autodeterminaçom, bateu com a oposiçom ferrenha do Governo de Espanha com as reiteradas alegações de que a Constituiçom espanhola nom permitia umha votaçom sobre independência de qualquer nacionalidade histórica ou regiom espanhola, ao mesmo tempo que julgava ilegal qualquer votaçom referendária sem o seu consentimento.

O Governo catalão (apoiado por umha maioria parlamentar de 72 mandatos que receberam nas últimas eleições catalãs os votos de 48,1% dos eleitores) tentou frustrar as ações legais em nome do governo espanhol, apressando a aprovaçom dumha lei do referendo por meio do Parlamento catalão nos dias 6-7 de setembro, declarando que seria entom umha legalidade "somente catalã".

O Governo de Espanha nom aceitou a convocatória do referendo, e tentou impedir pola força a sua plena implementaçom através de várias medidas, entre as quais, o envio de contingentes das forças policiais para a Catalunha, encerramento de assembleias de voto, confisco de boletins e urnas de voto, ameaça de multar os funcionários do plebiscito, impedimento dos eleitores de entrarem em locais de votaçom, bloqueio de páginas web institucionais de apoio ao referendo, ocupaçom do centro de telecomunicações e tecnologia da informaçom do Governo catalão, impedindo, destarte, tanto o sufrágio a distância como a contagem dos votos. 

Nas vésperas do referendo, convidados polo Conselho da Diplomacia Pública da Catalunha (Diplocat), a agência catalã de assuntos internacionais, chega a Catalunha umha delegaçom parlamentar internacional com membros de até 17 países para participar como observadores do referendo de 1-O. A delegaçom está chefiada por Dimitrij Rupel, ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslovénia na década de 1990. Entre os convidados está a deputada israelita da Uniom Sionista, Ksenia Svetlova, umha jornalista prestigiada. Embora se trate dumha deputada da oposiçom ao governo de Benjamim Netanyahu, a presença dela é muito significativa e demonstra que o Governo catalão procura a conexom com Israel. Segundo J. Renyer, o facto de Ksenia Svetlova estar em Barcelona deixa em evidência os antissionistas catalães que puderam ter convidado algum dos deputados da Lista Árabe Unida ou da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) para que viessem num gesto de reprocidade entre os promotores de campanhas de solidariedade na Catalunha com a causa palestiniana.

As declarações nos dias anteriores do referendo do ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros comparando o independentismo catalão com o nazismo causam a indignaçom do Governo israelita, que faz um comunicado criticando o ministro espanhol.

No dia do referendo o Governo de Espanha nom hesitou em recorrer a cargas policiais e uso de gases lacrimogéneos, causando centenas de feridos entre a cidadania que tentava votar esse dia. Após a contagem de votos, o resultado foi de 90% de votos em prol da independência, mas com participaçom de apenas 42% dos eleitores habilitados. Logo a seguir, o Presidente catalão realizou umha declaraçom exprimindo que a Catalunha "ganhou o direito de ser independente", mas nom declarou a independência de forma clara e imediata.
Boletim de voto do referendo catalão
Numhas declarações para o jornal Arutz Sheva, o vice-ministro de Defesa de Israel, Eli Ben-Dahan, critica a repressom policial contra o referendo do 1-O na Catalunha, denunciando a hipocrisia do Governo espanhol nos seguintes termos: "Durante muitos anos Espanha deu-nos lições sobre como temos de lidar com os direitos nacionais dos árabes palestinianos. Agora vemos a sua hipocrisia, já que Espanha nem sequer permite aos catalães celebrar um referendo sobre a independência". Estas declarações mostram o mal-estar do Governo israelita porque considera que Espanha defende a independência da Palestina dumha forma unilateral e sem levar em conta as razões de Israel, enquanto reprime um processo independentista democrático e pacífico como o catalão.

Na mesma tarde do referendo, o jornal "The Times of Israel" publica umha crónica da jornada na Catalunha com as primeiras impressões da antedita observadora internacional israelita, que se mostra assustada pola brutalidade da repressom. Significativamente, o jornal também publica umha fotografia dum fascista a queimar umha estelada (bandeira independentista) levantando o braço em sinal de saudaçom nazista.


Segundo soube José E. Muñiz Gómez(1), através dum correo electrónico trocado com o Embaixador de Israel em Espanha no dia depois do 1-O, a postura israelita sobre o referendo de autodeterminaçom da Catalunha é que "Israel nom se intromete em assuntos internos".

No dia 4 de outubro a deputada israelita da Uniom Sionista que faz parte da comissom de observadores internacionais e que foi testemunha do referendo de autodeterminaçom, publica um artigo no Jerusalem Post intitulado: "Catalunha face Espanha: democracia testada".


As violentas cargas policiais contra os catalães que unicamente desejavam votar multiplicam as simpatias internacionais com o processo independentista, embora parece complicado que isto se traduza num apoio e reconhecimento a um novo Estado catalão, umha questom da realpolitik onde entram em jogo razões diplomáticas, políticas e económicas.

Nessa altura distintos âmbitos olham para as antigas repúblicas bálticas (Estónia, Letónia e Lituánia) dando por feito que teriam algum aceno com as exigências catalãs, sendo mencionado também Israel a teor das suas ligações comerciais e políticas com o Governo catalão. Porém, o único estado a manifestar certa solidariedade com o processo catalão é a Bélgica. De facto, o primeiro-ministro belga, Charles Michel, faz umhas declarações referindo que em Espanha existe umha crise política e pedindo diálogo, o que causa um profundo mal-estar do Governo espanhol. 


Seguindo o resultado, na terça-feira 10 de outubro de 2017, o Presidente do Governo catalão, Carles Puigdemont, declarou a independência catalã de forma unilateral, mas, ato contínuo, pediu que o efeito da declaraçom de independência fosse suspenso durante algumhas semanas para abrir um diálogo com Espanha e solicitar algum tipo de mediaçom internacional. Na realidade, tratou-se dum documento intitulado "Declaraçom dos representntes da Catalunha" que estabelecia a Catalunha como república independente assinado polos membros da maioria independentista. Umha vez que a assinatura nom ocorreu numha sessom plenária foi considerado um ato simbólico sem efeito legal.

O dia 12 de outubro, coincindo com a celebraçom do Dia da Hispanidade, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irão manifesta o seu apoio à unidade de Espanha nos seguintes termos: "o Irão acredita numha Espanha unida, integrada e democrática, desejando estabilidade, tranquilidade, solidariedade nacional e respeito à Constituiçom espanhola". Inquirido pola posiçom iraniana perante a violência produzida contra os votantes em 1-O, o diplomata da teocracia persa assegura que "Espanha é um dos importantes parceiros político-económicos do Irão na Europa, polo que Teerám está a acompanhar cuidadosamente os acontecimentos".

Entretanto, nestes dias o Governo catalão, através do Diplocat, tenta estabelecer vias de comunicaçom com diversos governos para preparar essa DUI. Os responsáveis pola agência da diplomacia da Generalidade encaminham-se a intermediários para fazer chegar mensagens a estes governos, entre os quais os países bálticos, Israel, algum país do norte da Europa e repúblicas ex-jugoslavas. Estes pedidos som realizados através de diferentes condutos, em ocasiões através de consultados e noutras de pessoas muito ligadas aos governos dos países que poderiam ser aliados da questom catalã. Segundo as fontes referidas, estes movimentos nom visariam o reconhecimento automático da República catalã, mas sobre "se estariam prontos a mediar com Espanha para que se poda abrir um período de negociaçom logo da rutura unilateral". Com efeito, a mediaçom dalgum país suporia o reconhecimento implícito da independência da Catalunha.

Em 16 de outubro  a Audiência Nacional espanhola decretou prisom de Jordi Sánchez (presidente da Assembleia Nacional Catalã) e Jordi Cuixart (presidente de Omnium Cultural), acusados do crime de sediçom em relaçom com dous atos de protesto realizados em setembro. Dous dias depois, Anistia Internacional pedia às autoridades espanholas a retirada da acusaçom de sediçom e a libertaçom imediata dos "Jordis".

O Governo de Espanha negou-se a fazer qualquer negociaçom com o independentismo e no dia 27 de outubro o Parlamento catalão aprova, como resoluçom parlamentar, umha Declaraçom de Independência da Catalunha da España e a fundaçom dumha República Catalã. A declaraçom é aprovada com 70 votos a favor, contra 10 e 2 em branco. Os 55 deputados da oposiçom recusaram-se a estar presentes durante a votaçom após o jurídico do Parlamento avisar que carecia de valor legal logo de ter sido suspensa polo Tribunal Constitucional espanhol.

Poucas horas depois, o presidente da Espanha, o galego Mariano Rajoy Brey, anunciou que, em uso do artigo 155 da Constituiçom espanhola que permite a dissoluçom do autogoverno, aprovado polo Senado com os votos de PP, PSOE e Cidadãos, ele destituiu o presidente catalão e o seu governo, implementou um governo provisório e convocou novas eleições catalãs no dia 21 de dezembro de 2017. Porém, Puigdemont e outros membros do seu governo nom aceitaram a destituiçom e falaram em resistência pacífica e na continuaçom do trabalho "para construir um país livre". No dia 30 o governo espanhol respondeu acusando o Governo catalão de "rebeliom".


Após a declaraçom e da dissoluçom da autonomia catalã, os independentistas, em vez de  elencar passos para garantir a consolidaçom da nova naçom no âmbito social, econômico e jurídico, entre os quais a investigaçom das responsabilidades do Governo Espanhol nos incidentes do referendo de 1 de outubro; a promulgaçom de decretos para emitir documentos atestando a cidadania catalã; a promoçom dum tratado de dupla cidadania com a Espanha; o estabelecimento dum prazo de transferência para um serviço público adequado; a criaçom dum banco público nacional; o reconhecimento doutras nações e criaçom da sua própria constituiçom, tomaram rumo do exilo (o Presidente Carles Puigdemont e cinco membros do seu governo) ou ficaram na Catalunha para submeter-se à justiça espanhola. 

Entretanto, mesmo antes de se produzir a proclamaçom da República catalã, a mídia israelita noticia que a diplomacia espanhola já estava a pressionar o Governo de Israel para que se pronuncie em contra da proclamaçom da República catalã. Assim sendo, o correspondente diplomático do canal israelita Chanel 10 News, Barak Ravid refere que "o embaixador de Espanha  [Manuel Gómez-Acebo] pediu ao governo israelita que o mais rápido possível emita umha declaraçom em contra da independência da Catalunha e dando apoio à unidade espanhola". Porém, o Governo israelita retorque esse pedido com um "no comment", alegando que "é um tema interno de Espanha e da Catalunha que tem de ser resolto polas duas partes". De resto, a diplomacia israelita nom oculta certo incomodo com o Reino de Espanha por ter-se posicionado em repetidas ocasiões contra Israel na ONU e na UNESCO.

No dia depois da DUI a mídia israelita, segundo noticia o jornal La Vanguardia, abre as suas capas com imagens de alegria vividas em Barcelona logo depois da DUI perguntando-se se isso pode provocar umha nova guerra civil. As análises e informações dizem respeito das imprevisíveis consequências da suspensom das instituições catalãs e a possibilidade de que, como o 1-O, se vivam novas imagens de repressom. Nesta linha, a jornalista Oshrat Kotler questiona "até que ponto o Governo de Madrid pode reprimir a independência da Catalunha". Um destacado jornalista israelita do portal digital Walla Yaacov pergunta-se num programa especial polos motivos do rápido crescimento do independentismo, e porque o Governo espanhol nom tenta negociar a criaçom dumha federaçom que dê mais soberania à Catalunha sem acarretar a rutura de Espanha. Nos debates, o jornalista do canal público Uri Levy assinala que a Catalunha é a vanguarda da vaga independentista que pode fazer abalar distintos territórios da Europa nos próximos anos, entre os quais o País Basco, Escocia, Baviera, Flandres e distintas áreas da Italia.

Em 29 de outubro, três dias depois da declaraçom de independência catalã, Israel segue sem ceder aos pedidos espanhóis apesar das repetidas pressões da embaixada espanhola tanto ao gabinete do primeiro-ministro, Benjamim Netanyahu, quanto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita para que faça umha declaraçom contra ao reconhecimento da República catalã. 

Nessa altura os governos da Alemanha, Andorra, Argentina, Brasil, Bulgária, Canadá, Chile, Chipre, Colômbia, Costa Rica, Estónia, Finlândia, França, Geórgia, Guatemala, Indonésia, Itália, Letônia, Lituânia, Malta, Marrocos, México, Moldávia, Noruega, Panamá, Peru, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, República da Irlanda, Sérvia, Turquia, Ucrânia e os Estados Unidos recusaram publicamente reconhecer a República Catalã como umha entidade legítima e apoiaram a integridade territorial de Espanha.


Mapa do reconhecimento da independência da Catalunha
Reconhecimento internacional da independência da Catalunha
Por enquanto, segundo noticia o Jerusalem Post, Israel nom vai ir além da posiçom de neutralidade, que é mais próxima das teses catalãs do que a oposiçom exprimida por países como a Alemanha ou a França contra a República catalã, qualificando como "muito improvável" um apoio firme a Espanha. O jornal analisa que enquanto Israel defendeu a independência do Curdistám e a existência dum Estado Curdo no Próximo Oriente, no caso catalão nom existe um interesse esse geoestratégico.

Representantes da UE acreditados em Israel defendem a postura dos 28, contrária à criaçom dumha república catalã nos seus contatos com políticos e diplomatas israelitas. Nas suas reuniões com membros do governo israelita, trasladam que "nom criamos a Europa para ter dezenas de estados novos, mas para unificar-nos".

No dia 29 tem lugar em Barcelona umha multitudinária manifestaçom em defesa da unidade de Espanha convocada por Sociedade Civil Catalã. Francisco Frutos, ex-secretário geral do Partido Comunista de Espanha (PCE) converte-se num protagonista da manifestaçom. Perguntado dias depois numha entrevista sobre a sua denúncia relativa às relações entre o soberanismo catalão com Israel, revela "financiamento que, através de personagens como o sionista George Soros, teve o independentismo. Já o disse o ex-senador Santi Vidal, que a Generalidade tinha dados dos catalães e financiamento nom europeu. Existe um lobby catalão que compara a situaçom da Catalunha com o nascimento de Israel. Um país que tem submetido o povo palestiniano, que lhe quitam as suas terras".
A questom catalã desvendou a hipocrisia da esquerda espanhola sobre o direito de autodeterminaçom
Logo depois dessa manifestaçom unionista o jornal "The Times of Israel" mostra a sua surpresa e medo porque "entre os centos de milhares de espanhóis que protestaram contra a proclamaçom da independência da Catalunha havia dúzias de neonazis que faziam a saudaçom da vitória (Sieg Heil), levandando o braço direito numha saudaçom que lembra os comícios pró-Hitler". Segundo esse jornal israelita, "a manifestaçom foi às vezes violenta, com vídeos que mostram os manifestantes a atacar a polícia e a ser batidos com golpes nas pernas e o corpo." "Numha fotografia, vê-se um manifestante com umha tatuagem dumha esvástica na mão enfrentando-se às forças de segurança catalãs".

Nessa altura, segundo o embaixador israelita em Espanha, Daniel Kutner, Israel evita pronunciar-se sobre a crise catalã para nom se intrometer num "assunto interno espanhol", frisando que Israel "sempre teve muito boa relaçom com a Catalunha e com outras zonas de Espanha". Na Catalunha "temos muitos amigos, e muitos estám deste lado, de aquele,..., mas o que acontece atualmente som assuntos que os espanhóis têm que resolver e tentamos nom intrometer-nos".

No dia 30 de outubro Espanha pede novamente que Israel acompanhe os passos dos seus aliados ocidentais para rejeitar a votaçom que declara a independência da Catalunha. Todavia, logo de abordar o caso numha reuniom, as altas autoridades diplomáticas israelitas decidem nom expressar nem rejeiçom nem apoio à independência declarada da Catalunha. 

Nos círculos políticos israelitas analisa-se que a neutralidade de Israel é umha reaçom face a hostilidade nos foros internacionais por parte de Espanha, que, aliás, é um importante financiador de organizações anti-israelitas que com frequência tem criticado as ações de Israel no conflito árabe-israelita de forma mais severa do que outros países da UE. Além disso, o apoio a Israel considera-se mais prevalente na Catalunha do que em muitas outras zonas de Espanha. Porém, na diplomacia sionista paira o alto risco que teria apoiar a independência catalã, afastando Israel dos seus aliados ocidentais.

Este posicionamento, recolhido no site de notícias NRG, refere várias razões polas quais Israel nom deve situar-se do lado de Madrid. Em primerio lugar, os residentes da Catalunha mostraram historicamente simpatia por Israel. Os israelitas visitam frequentemente Barcelona e as bandeiras israelitas estám presentes regularmente em eventos e convenções. Israel, por exemplo, -refere o relatório-, é a maior presença no Mobile World Congress, o mais importante evento no negócio da telefonia móbil que anualmente tem lugar em Barcelona.

Polo contrário, segundo dito documento, o governo espanhol tem sido durante anos muito crítico com Israel, demandando que Israel faça máximas concessões aos palestinianos. Israel tem protestado durante anos sobre a posiçom diplomática de Madrid, bem como ao facto de o país ser um dos mais importantes doadores a organizações de extrema esquerda e um centro importante da atividade diplomática palestiniana na Europa. "É simplesmente um pago pola forma em que nos têm tratado", refere umha fonte diplomática citada no relatório. "Vejamos agora como eles lidam com um levante indígena, entre uma populaçom que tem uma reivindicação muito maior de independência e à sua terra do que os palestinianos". Por isso, o Governo de Israel decidiu nom ser o primeiro a declarar o seu apoio à independência catalã, -refere o relatório-, enquanto a comunidade internacional nom reconheça o movimento, Israel ficará em silêncio.

Hispan TV, umha cadeia pública iraniana sediada em Madrid para proporcionar fundamentalmente informações e propaganda anti-israelita recolhe todas essas informações intitulando que "Israel nom apoia a Espanha ante a Catalunha pola sua postura anti-israelita". Esse dia o Ministério de Negócios Estrangeiros da Autoridade Nacional Palestiniana declara o seu apoio a umha "Espanha forte e unida" e aposta no diálogo e a Constituiçom espanhola para resolver a crise catalã nos seguintes termos: "Palestina apoia umha Espanha forte e unida e acha que o compromisso com a Constituiçom espanhola e o diálogo som a via para resolver todos os assuntos internos espanhóis". "O ministério de Negócios Estrangeiros apoia o consenso árabe e internacional na matéria", declarou a diplomacia palestiniana num comunicado.

A ACOM, umha organizaçom pró-israelita sediada em Madrid próxima do PP, contesta a ideia de que umha Catalunha independente seria amiga de Israel, alegando que o município de Barcelona, capital da Catalunha, é umha das cidades aderente à campanha do BDS e dando a conhecer algumhas expressões antissemitas de políticos catalães. A ACOM também lembra que, apesar das diferenças, Israel e Espanha som países amigos. Além disso, a Federaçom de Comunidades Judias de Espanha (FCJE), sediada também em Madrid, afirmou ser contra a tentativa secessionista da Catalunha no mesmo dia da proclamaçom da independência.

No dia 1 de novembro, o Governo de Israel, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, emite o seu primeiro comunicado oficial no que, como estava a pedir Espanha, nom há apoio à unidade de Espanha nem rejeiçom à independência da Catalunha: "Israel e Espanha estám unidas por relações estreitas, amigáveis e de longa data, arraigadas no nosso passado histórico comum e valores democráticos que partilhamos. Israel faz votos para que a crise interna de Espanha seja resolvida à brevidade, pacificamente e através dum amplo consenso nacional". Inicialmente Israel planejara nom realizar qualquer comentário sobre a crise catalã, mas logo depois de consultas com Madrid decide aceder parcialmente aos seus pedimentos, pairando no ambiente se este posicionamento público iria satisfazer os pedidos lançados polo governo espanhol.

De resto, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Emmanuel Nahsohn, rejeita que o Presidente Puigdemont tivesse pedido assilo em Israel para evitar a perseguiçom da justiça espanhola.


A abstençom de Israel perante a independência da Catalunha é devida a duas razões: a inclinaçom pró-israelita da Catalunha e a postura anti-israelita dos espanhóis. 

O pronunciamento do governo Israelita produz-se no contexto dumha visita agendada a Madrid do presidente israelita, Rueven Rivlin, com ocasiom do 30º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dous estados, o que pode introduzir mudanças nos posicionamentos do Estado judeu.

Em 3 de novembro a justiça espanhola emite umha ordem de procura europeia contra o Presidente Puigdemont acusando-o de rebeliom, sediçom, desvio de fundos públicos e desobediência à autoridade. No dia anterior oito membros do governo catalão que ficaram eram encarcerados em Madrid polos mesmos motivos, entre os quais o Vice-presidente e líder de ERC Oriol Junqueras. No dia 5 a justiça belga deixa em liberdade a Puigdemont e os conselheiros com medidas cautelares.

A 4 de novembro, na véspera da chegada do Chefe de Estado de Israel, o jornal Haaretz, num artigo assinado por um dos seus correspondentes em Barcelona, Asaf Ronel, aponta que o silêncio desde Jerusalém sobre o processo independentista catalão provoca as falsas esperanças de que Israel pudera ser o primeiro estado a reconhecer a república independente da Catalunha e que o primeiro-ministro israelita, Benjamim Netanyahu "pagaria assim" a Espanha o seu apoio à causa palestiniana. O artigo defende que o interesse catalão em Israel vai além, já que "muitos em Barcelona comparam a sua situaçom com a dos Judeus em 1948". De facto, assinala que os catalães tendem a comparar os dous povos que teriam em comum ser umha "naçom que sobreviveu centos de anos sem Estado" e arrastar "estereótipos de ser bons nos negócios" que contribuiram para que os seus desejos de independência sejam vistos como algo "de ricos" quando na realidade se alicerçam numha "profunda identidade nacional".
O jornal Haaretz analisa os paralelismos entre Israel e a Catalunha
O jornal destaca especialmente as manifestações de Alex Miquel da Omnium Cultural ao afirmar que em Espanha o franquismo nom morreu, mas que evoluiu durante a transiçom e que o 1-O evidenciou que foi derrotado nalgumhas áreas, mas nom nos assuntos territoriais. Apesar da comparança com os israelitas, os catalães rejeitam a ideia da violência para defender as suas aspirações. E, neste sentido, apontam que é "difícil acreditar que a independência seja possível sem derramar sangue".


Em 5 de novembro, no dia da chegada do presidente israelita a Espanha de visita oficial, a embaixada israelita em Madrid teima em afirmar que o seu país nom costuma reagir perante "assuntos internos doutros países", evitando manifestar mais umha vez um apoio expresso à unidade de Espanha. Em concreto, Israel nom é partidário de fazer interpretações de qualquer tipo, reconhece que mantém umha boa relaçom histórica com a Catalunha "que nada tem a ver com a questom política vivida com o Governo central" e teima em que as relações com o Reino de Espanha estám "fundadas" por "sólidas bases".

No jantar oficial oferecido o dia 6 polo rei Filipe VI, o chefe do Estado israelita destaca no seu discurso que "Espanha é um só país para nós e a sua excelência é o símbolo dessa unidade. Todos os cidadãos de Espanha som queridos para nós e nós esperamos e pregamos para que todos os conflitos sejam resolvidos pacificamente". No entanto, o chefe de Estado Israelita fala predominantemente sobre como deter a expansom do movimento BDS em Espanha ou sobre o primeiro centenário do restabelecimento da presença judaica.

No dia 7 de novembro, durante o seu discurso perante o Senado espanhol, o presidente de Israel limita-se a dizer que "a amizade entre Israel e Espanha é profunda desde há muitos anos. Espanha é um estado para nós, umha entidade estatal soberana única, e todos os problemas com os que está a lidar estes dias som assuntos internos. As nosas relações com todos os cidadãos de Espanha som muito prezadas e pregamos para que o presente desafio se resolva através do entendimento".

Na opinión do antedito José E. Muñiz, com estas declarações Israel prefere manter unha posiçom ambígua a respeito do conflito político entre o Estado espanhol e a Catalunha, talvez como umha maneira de devolver-lhe "todo o que Espanha tem feito" por Israel em nível internacional. Porém, finalmente o Governo espanhol respira aliviado logo de ver com preocupaçom e nervosismo o receio e as posturas mornas ou excesivamente neutrais do governo de Israel sobre a independência da Catalunha.

Dias depois analistas políticos da imprensa israelita refletem sobre o facto de as palavras do presidente israelita no Senado terem ido além da postura diplomática oficial do governo Netanyahu, de estrita neutralidade, e como foram amplificadas pola imprensa espanhola como umha vitória contra a Catalunha. O jornalista, que nom dá por fechada a postura israelita, finda o artigo enxergando a possibilidade de a Catalunha finalmente se tornar um Estado independente.

Entretanto, o Presidente Puigdemont em Bruxelas aceitou as eleições forçadas polo governo espanhol como um plebiscito mais à independência, desafiando o governo espanhol a aceitar os resultados das eleições. 

O dia 18 de novembro falece em Buenos Aires o Fiscal Geral do Estado espanhol, principal acusaçom dos líderes independentistas, em consequência dumha falha multiorgánica. Logo a seguir surgem boatos de que ele teria sido envenenado através dumha toxina por "agentes próximos do Mossad" como "vingança esmagadora do Estado contra o desafio secessionista catalão auspiciada polo sionismo internacional".  As informações, qualificadas de ridículas e infundadas, causam mal-estar na Fiscalia espanhola (ministério público). O Centro Wiesenthal, dedicado a documentar vítimas da Shoah, denuncia umhas declarações dum ex-fiscal espanhol nas que, numha entrevista para um jornal de extrema direita, aponta que "Israel e judeus argentinos" poderiam estar atrás da morte de dito fiscal. O Centro qualifica estas afirmações como "um exemplo extremo de obsesivo antissemitismo" e pede que o Governo espanhol condene as declarações e tome medidas.

De visita oficial em Espanha e durante um almoço oferecido polos reis de Espanha no Salom de Colunas do Palácio Real, o presidente palestiniano, Mahmud Abbas, expressa no dia 20 de novembro de 2017 a sua "firme postura de apoio à unidade do povo e o território de Espanha", posiçom ratificada na sua reuniom com o presidente Mariano Rajoy, obtendo, em troca, o compromisso de que Espanha irá trabalhar com os seus sócios da UE para que o Estado palestiniano seja realidade "nos próximos meses". Segundo recolhe a imprensa catalã, nesse encontro o monarca espanhol manifestou o seu apoio à independência da Palestina.

Embora o presidente palestiniano nom chega a pedir expressamente no seu discurso no Palácio Real o reconhecimento diplomático pleno da Palestina por parte do Reino de Espanha, sim expressa a sua confiança em que este se produza em breve. Logo de se mostrar "orgulhoso" da resoluçom aprovada polo Congresso dos Deputados em 2014 apelando para o Governo espanhol reconhecer o Estado da Palestina, acrescenta que "esperamos que seja num tempo próximo".

No seu encontro com o presidente espanhol o líder palestiniano volta a reiterar o seu apoio a "umha Espanha forte e unida no quadro da Constituiçom e as leis". Pola sua parte, o ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, Riad al Malki, numha conferência de imprensa com o seu homólogo espanhol, mostra-se "claro e firme" como, frisou, "deveria ser todo o mundo" em prol da "unidade territorial de Espanha e da Constituiçom espanhola". O chefe da diplomacia palestiniana aponta que qualquer conflito que se formular a respeito deve ser resolvido sempre consoante o que marca a Constituiçom.

Embora durante a visita oficial a Espanha do presidente palestiniano nunca surgiu a questom catalã, ERC, através do seu porta-voz no Parlamento espanhol, Joan Tardá, expressa o seu "desgosto" e protesto porque Abbas tivesse "ignorado o direito de autodeterminaçom da Catalunha", apesar da "histórica solidariedade" catalã com a causa palestiniana. Numha carta entregada ao presidente da entidade palestiniana, os republicanos assinalam que "lamentamos profundamente o seu recente comunicado de desconsideraçom com a vontade democrática do povo catalão, bem como instamos a que reconsiderem as suas palavras e façam prevaler nos seus interesses o combate polos direitos humanos e as liberdades legítimas de todos os povos oprimidos".
Carta de protesto de ERC encaminhada ao Presidente da Palestina
Numha entrevista realizada no dia 25 de novembro para o programa de investigaçom Zman Emet, do canal público israelita Canal 1 Kan, que preparou umha reportagem sobre a situaçom na Catalunha, o Presidente Puigdemont desde Bélgica define a UE como "um clube de países decadentes, obsolescentes, no que mandam uns poucos e muito ligados a interesses económicos cada vez mais discutíveis" e "onde há várias varas de medir". As suas críticas chegam ao ponto de formular que os catalães "deveriam decidir se querem pertencer a esta UE e em que condições. Vamos ver o que diz o povo da Catalunha".

Na entrevista, realizada polo jornalista israelita de origem  portuguesa, Henrique Cymerman, numha localizaçom escolhida polo presidente cessado em Bruxelas, Puigdemont confessa temer pola sua segurança e confirma que o Governo belga dispôs medidas no seu entorno. Segundo ele "ateou-se um ódio, umha espécie de fúria, contra todos nós e o que representamos" e denuncia que a sua família recebeu ameaças de morte. "Quem me garante a mim um tratamento justo num contexto no que há vídeos de dirigentes políticos reclamando o meu encarceramento e participando em manifestações com grupos neonazistas que pedem o meu afuzilamento", conclui.


Sobre a alegada existência de avisos de reaçom violenta do Estado à DUI, Puigdemont assinala que "o temor existiu". "Consta-nos a vontade do Estado de usar a violência para evitar a independência". De facto, sostém que tem conhecimento de que houve "planos para ocupar com a força policial as instituições catalãs". "Temi que o Estado espanhol nom colocasse limites ao uso da violência para travar a democracia". Relata que as cargas policias na escola à que vam as suas filhas "porque é a escola das minhas filhas e tinham de [ensañarse] aí, foram brutais".

O presidente destituido sostém que se optou pola declaraçom de independência porque "nom havia outra opçom". Segundo ele, "claro que nom é a única soluçom", mas assinala que "é dever de Espanha formular qual é a sua soluçom para este problema" . "O que nom é aceitável é que negue o problema (...), nós estamos prontos a ouvir tudo, mas há que sentar-se a falar". Nesta linha, explica que, logo da sentença do Tribunal Constitucional espanhol contra a Reforma do Estatuto de Autonomia o nacionalismo catalão optou polo itinerário do Estado próprio, que "talvez poda ser um Estado que tenha umha relaçom confederal, federal, associada com Espanha ou independente", mas a resposta sempre foi nom.

"Estávamos prontos para fazer umha transiçom nacional desde a democracia com umha situaçom de normalidade democrática, dum Estado espanhol que aceita um referendo e umha vontade popular". "Nunca contemplámos outro calendário que nom fosse longo. Nom esperávamos nengum reconhecimento internacional em horas, dias, semanas ou meses à DUI". "É algo de cozinha muito lenta", reconhece Puigdemont, que sostém que essa ausência de apoios "nom prejulga nada".


Puigdemont refere-se à sua situaçom judicial formulando um paradoxo: "se ganhar as eleições [de 21 de dezembro] e sou investido presidente, o que me teria levado a ganhar as eleições é o que me pode levar a prisom. Eu acho que a Europa nom pode aceitar isso".

Perguntado polas relações do "movimento nacional catalão" com o Estado de Israel e o povo judeu em geral, o Presidente Puigdemont refere que "na Catalunha vemos Israel como um projeto nacional e cultural muito parecido, umha naçom perseguida que teve de proteger a sua língua, que teve de combater contra mesmo grandes impérios que tentaram neutralizá-la e que teve (e tem) de lutar duramente para fazer-se um espaço no mundo e para fazer-se respeitar".


Nas eleições de 21 de dezembro de 2017, com umha participaçom de 82%, os partidos independentistas atingiram a maioria absoluta de mandatos (70 de 135) e 47,5% de votos. Os partidos espanholistas, partidários da unidade espanhola, mal alcançaram os 43,4%.  Com umha posiçom intermédia entre os dous pólos, os "comuns" (a marca catalã de Podemos) obteve 7,5%. 

As candidaturas de Puigdemont (no exilo) e de Oriol Junqueras (no cárcere) somam 66 lugares, mais um do que a soma de unionistas e Podemos. A maioria absoluta parlamentar completa-se com a CUP (4 mandatos). O PP, com 4,2%, é a última força política do Parlamento da Catalunha.

Em 25 de março de 2018 a polícia alemã deteve o Presidente Puigdemont. Porém, a 5 de abril o Tribunal Superior estadual de Eslésvico-Holsácia rejeitou extraditar Puigdemont por rebeliom, o que excluiria um processo por esta acusaçom em caso de ser entregue a Espanha, alegando a ausência de violência ou de ameaça de violência apresentada na acusaçom da justiça espanhola. Pola sua vez, a justiça belga, britânica e suíça também deixam em liberdade os independentistas catalães refugiados naqueles países.

A 19 de abril de 2018 o Presidente Carles Puigdemont parabeniza Israel polo 70º aniversário da sua independência. "A vossa luta contra a adversidade e o vosso espírito de sacrifício ganhou o nosso respeito na Catalunha", frisou numha mensagem na rede social twitter. Em resposta, a CUP contestou as palavras do Presidente catalão alegando que "nom respeitamos a forma em que Israel ocupou, violou e assassinou o povo palestiniano. Nunca aceitaremos nengum estado de apartheid ou colonialista. É umha mágoa parabenizar a este racista, sionista e assassino Estado de Israel. Tem de ser condenado e sancionado".

Despois de várias tentativas, em 10 de maio de 2018 Quim Torra é indicado como candidato à Presidência do Governo catalão por Puigdemont. No dia 14 é eleito polo Parlamento catalão como 131º Presidente da Generalidade da Catalunha, tendo tomado posse no dia 17 de maio. Destarte, dava-se cabo da aplicaçom do artigo 155 que apagara o autogoverno catalão desde o 27 de outubro de 2017.

Em 1 de junho de 2018, com a aprovaçom da moçom de censura ao governo de Mariano Rajoy, Pedro Sánchez (PSOE) foi eleito presidente do Governo espanhol com 180 votos contra 169. A eleiçom do governo socialista, que apresentou um programa favorável à "normalizaçom politica" na Catalunha, só foi possível a teor do voto dos 17 representantes do independentismo catalão.


Em 5 de setembro de 2018, durante a celebraçom dumha nova ediçom do Festival da Inovaçom Tecnológica de Televive, um dos mais prestigiados do mundo em startups, trata à Catalunha como se fosse um país independente. Na ronda de apresentaçom das delegações internacionais assistentes ao evento a Catalunha é nomeada separadamente de Espanha. E entre as bandeiras, enquanto a catalã é colocada entre a do Canadá e Chile, espanhola aparece lado a lado da Coreia do Sul. 

A Catalunha fora tratada também como umha entidade independente de Espanha durante a primeira visita oficial do Presidente Pujol a Israel em maio de 1987.

Em 13 de setembro de 2018 a imprensa catalã informa, citando fontes do jornal espanhol ABC, que Israel poderia reconhecer Catalunha como Estado caso a Espanha reconhcer unilateralmente o da Palestina, na sequência da aplicaçom polo governo hebreu dos "princípios de reprocidade e simetria nas suas relações como melhor meio para ser respeitado". Segundo esse jornal, o reconhecimento da Palestina por parte do Reino de Espanha poderia ser umha realidade pola influência do partido Podemos no Governo socialista de Pedro Sánchez. Logo a seguir, a 21 de setembro de 2018 o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, Emmanuel Nahshon, evita comentar se em caso de Espanha reconhecer de forma unilateral a Palestina como Estado, Israel irá reconhecer a Catalunha. "Nom comento especulações", diz à agência israelita JTA, sem se posicionar segundo informa o jornal Arutz Sheva.


Arutz Sheva lembra que um dos lobbies pró-israelitas mais importantes do Estado espanhol, ACOM, advertiu que Espanha estava a pressionar para que a UE reconhecesse o Estado da Palestina, especulando-se com um reconhecimento unilateral espanhol. Nessa hipótese, segundo a ACOM, entom caberia a possibilidade de que, em correspondência, Israel reconheceria a República da Catalunha.

O jornal israelita lembrou que o independentismo catalão colocara Espanha numha grande crise em outubro de 2017 e que a polícia espanhola "se enfrentou aos eleitores" num referendo sobre a independência que foi considerado ilegal. "O Parlamento aprovou depois umha moçom declarando a independência, embora o Governo central lançou umha advertência para desistir. E Madrid dissolveu o governo autonômico numha tentativa de bloquear a secessom".


(1) Investigador porto-riquenho especializado nas relações de Israel com o nacionalismo basco e catalão.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

AS RELAÇÕES ENTRE A CATALUNHA E O ESTADO DE ISRAEL

Este artigo analisa as relações históricas do movimento nacional catalão com o sionismo, bem como os posicionamentos dos representantes do Estado de Israel antes do referendo de independência da Catalunha de 1 de Outubro de 2017.

Na primeira metade do século XX a extrema direita (fascismo, nazismo, franquismo) era antissemita. Muitos judeus forom brigadistas internacionais durante a guerra civil espanhola em defesa da Segunda República em nome do ideal socialista e comunista e em contra do fascismo. Nessa altura, judaismo e sionismo significavam antifascismo, ao que se uniria o movimento coletivista dos kibutzin como plasmaçom  da utopia socialista em Israel.

Historicamente existe no seio do movimento nacional catalão umha rama muito solidária com o sionismo e o povo judeu, mormente a partir da criaçom do Estado de Israel em 1948. Israel, reconhecido pola ONU em 1949 como Estado independente, nunca reconheceu a Espanha franquista e colaboracionista no genocídio dos Judeus europeus e mesmo acolheu represaliados independentistas até a morte de Franco e mesmo mais tarde.

Assim sendo, em maio de 1949 no órgão central do Movimento Socialista da Catalunha (MSC), partido situado no campo ideológico do socialismo nom comunista surgido no ano 1945 a partir de antigos membros do POUM, aparecia um artigo definidor da postura desse partido perante o nascimento do Estado de Israel.

Esta identificaçom reafirmar-se-ia com a retórica antissemita e antijudia do regime de Franco (1939-75). Para atacar o catalanismo durante a ditadura fascista os Catalães eram acusados de serem "os Judeus de Espanha", como, de facto, fez Pio Baroja em 1907 por compartilhar umha série de valores ligados à modernidade (a cultura do trabalho, da poupança,...) que o escritor basco rejeitava em cheio. 

De facto, durante o franquismo o antissemitismo espanhol alimentou a teoria conspirativa que apontava o catalanismo como parte do complô sionista para dominar o mundo e destruir Espanha. Vultos do catalanismo como Lluis Companys e Francesc Cambó foram acusados de ser judeus, apesar deste último ter escrito artigos claramente antissemitas. Segundo Vicenç Villatoro no seu livro "Os Judeus e Catalunha" (Els jueus  i Catalunya), "o falangismo, que é antissemita sem Judeus, acaba sendo antissemita contra os catalães".

Em 1957 Josep Pla, próximo do franquismo, aportou em Telavive num barco lotado de Judeus europeus que retornavam a Israel com a ideia de construir o Estado. O Estado judeu impatou tanto a Pla que o escritor acabaria publicando a obra "Israel, 1957", um panegírico da epopeia do povo judeu no seu regresso à terra prometida. Pla nom suspeitava que o seu livro se tornaria numha obra de referência entre grande parte da classe política catalã e contribuiria para a contraditória relaçom da direita e a esquerda catalã e, em geral, europeia com Israel. Por outro lado, o antifranquista Salvador Espriu apresentava nessa altura "como a projeçom mítica da Catalunha".

Na esteira de "Israel, 1957" o nacionalismo catalám sentiu-se atraido por Israel como implementaçom dumha ideia nacionalista (o sionismo) do povo que recupera a sua terra, que cria um Estado florescente superando todo tipo de atrancos e que resuscita a sua língua nacional.

É por isso que Jordi Pujol (Barcelona, 1930) muito pronto simpatizou com as essências das aspirações nacionais dos Judeus em Eretz Israel. Esta afinidade fortaleceu-se por três razões principais: a sua proximidade da família Tennenbaum, a despreciativa comparaçom que o franquismo criara entre Judeus e Catalães e o combate do povo judeu logo depois da Shoah para criar um Estado próprio. 

David Tennenbaum era um judeu originário da Galícia que se fixara na Catalunha, onde se tornou em empresário e conheceu a Florenci Pujol, pai de Jordi Pujol, com quem criou a Banca Dorca de Olot,. O interesse do jovem Jordi Pujol por Israel foi tam grande que o Sr. Tennenbaum recomendou-lhe ler o livro "O Estado Judeu" (Der Judenstaat) de Theodor Herzl e a biografia de Chaim Weizmann. A leitura desses livros causaram-lhe um profundo impato fazendo com que começasse a ver os Judeus como umha inspiraçom; polo menos dumha perspectiva sionista. 

Em 1961 Pau Casals foi nomeado por Ben Gurion como "Cidadão de Honra de Israel" e, com ele, durante as décadas de 1950 e 1960 a maioria dos partidos catalães desde o exilo apoiaram o Estado judeu e viram nele um exemplo sócio-cultural e económico a seguir no futuro.

Em 1965 Pujol escreve, em plena clandestinidade, um artigo intitulado "Israel" no que elogia o que "os Judeus evocaram o seu passado, história, língua, cultura e religiom para criar e moldar um Estado, o que deveria ser um exemplo". Por isso achou fulcral que o novo nacionalismo catalão, na ideia de "fazer país", se alicerçasse na reativaçom da sua cultura, idioma e identidade. Por causa da sua militância catalanista esteve encarcerado dous anos e meio durante o regime franquista. A ligaçom de Pujol a Israel foi tam profunda que quatro dos seus sete filhos passaram por um kibbutz.

O filossionismo foi maioritário entre o nacionalismo catalão antifranquista até a Guerra dos Seis Dias (1967), especialmente no seio dos partidos de esquerdas. Assim sendo, Toni Gisbert, dirigente histórico do Partido Socialista de Libertaçom Nacional (PSAN) e responsável de Açom Cultural do País Valenciano, no artigo "Judaismo, Israel e Catalunha" publicado na revista "Lluita" identifica judaismo e catalanismo: "Os pontos em comum com as reflexões do judaismo som notáveis (...) umha parte importante do nosso povo reclama, como o reclama umha parte importante do judaismo, um lar nacional próprio (...). Um território onde nom somos os únicos que estamos: igual que os Judeus, fomos convertidos em minoria nalgumhas parcelas da nossa própria terra por séculos de ocupaçom (...) Mas como eles, vivemos initerrompidamente desde o nosso nascimento como povo (...) Também nom renunciamos às parcelas onde somos minoria: porque para nós a terra tem valor por ela mesma, identifica-nos e coesiona-nos".

O regime de monarquia parlamentar instaurado em 1978 durante a "transiçom" continuou a linha pró-arabe da Espanha de Franco. De facto, o presidente do governo espanhol, Alfonso Suárez, reunia-se em setembro de 1979 com o líder palestiniano, Yasser Arafat, altura em que a Organizaçom para a Libertaçom da Palestina (OLP) era considerada um grupo terrorista por Israel e Ocidente. Esta reuniom mostrou que apesar de a Espanha estar-se a mover para um "modelo político-social mais democrático", a sua aliança com os Arabes e a OLP era inquebrantável.

Em 1985, um ano antes do estabelecimento de relações diplomáticas entre o Estado do Reino de Espanha e o Estado de Israel, Pujol deixou claro que, pensando no Estado de Israel, "se Espanha quiser ingressar na Comunidade Económica Europeia deve reconhecer todos os países que os membros desta entidade reconhece". 

Em 17 de janeiro de 1986 o governo de Felipe González (PSOE) reconhece finalmente o Estado de Israel depois de 38 anos de existência. Porém, o Reino de Espanha nom envia qualquer delegaçom oficial e o reconhecimento faz-se apenas formalmente. A esquerda espanhola, como o regime franquista, é pró-árabe e os Judeus, depois de 40 anos de ditadura, som vistos como gente pouco confiável.  Relativamente ao estabelecimento das relações diplomáticas entre Espanha e Israel, Jordi Pujol manifestou que "todos sabem que fui um homem interesado com a causa sionista e que tomei partido em favor dos Judeus desde 1950". Por todo isto, Pujol, presidente do Governo catalão desde 1980, é visto polos israelitas como alguém em quem confiar plenamente dentro do Estado espanhol.

Em 10 de julho de 1986, coincidindo coa a exposiçom de chamada "Arte e Israel", promovida por Baltasar Porcel, entom presidente da Associaçom de Relações Culturais Catalunha-Israel, juntamente com Samuel Hadas, o primeiro embaixador de Israel em Espanha, Jordi Pujol convidou a um jantar na residência oficial do Presidente da Generalitat acompanhado polo historiador Joan Culla e um jovem Artur Mas. Naquele encontro Pujol afirmou "o ano que vem em Jerusalém" em referência à famosa frase judaica comumente mencoinada durante a celebraçom da Páscoa.


Nesse ano umha delegaçom de dirigentes catalães de segunda linha política e em nível mais técnico (entre os quais, Artur Mas), desloca-se a Israel para estabelecer acordos comerciais e preparar umha visita oficial do Governo catalão.



Entre os dias 5 e 9 maio de 1987 o Presidente Pujol converte-se no primeiro mandatário do Estado espanhol a fazer umha visita oficial a Israel acompanhado por umha delegaçom de 90 pessoas. Apesar de a Catalunha nom ter competências em matéria de política exterior, foi recebido polo embaixador espanhol, pois a viagem contava com o apoio e consentimento explícito do governo espanhol e o governo socialista de Felipe González enxerga umha oportunidade para abrir um canal de comunicaçom entre Espanha e Israel. 

Na visita Pujol procurou visibilizar Catalunha e demonstrar que ele era pró-Israel, a diferença dum Estado espanhol que continuava a linha pró-árabe da ditadura, e demonstrar que a Catalunha poderia ter influência na cena internacional. Com esse fim lançou umha campanha publicitária que encheu as ruas de Israel com um mapa em que se via dous estados nas duas pontas do Mediterrâneo: Israel e Catalunha. Foi nessa altura que muitos israelitas descobriram os limites da geografia catalã.

O Presidente catalão manteve contatos ao mais alto nível, sendo recebido por vários membros do governo israelita, entre os quais, o primeiro-ministro, Isaac Shamir, o ministro da Indústria, Ariel Sharon, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Shimon Peres ou polo presidente da câmara de Telavive, Shlomo Labat.

Pujol assistiu a várias palestras, onde falou sobre como investir e como fazer negócios na Catalunha. Durante umha reuniom com os membros da organizaçom ecologista mais importante de Israel, Pujol aifrmou que "temos de ter [os Catalães] a mística coletiva do povo israelita e ainda mais. Apenas os povos que acreditam em si próprio e têm umha conviçom profunda na própria história conseguem subsistir".

Num jantar que o Presidente de Israel, Chaim Herzog, lhe ofereceu teve lugar um incidente diplomático simbólico por causa da ausência da bandeira catalã. Ainda que vários membros do governo catalão abandonaram a reuniom, Pujol ficou e, durante o seu discurso deixou claro que a sua presença no Estado judeu tinha a finalidade de dar a conhecer "a existência e a história da Catalunha". Porém, quase no final da viagem teve lugar um episódio único para Pujol: durante umha feira internacional a Catalunha foi mencionada junto a outros países que participavam no evento sem referir que era parte de Espanha, o que causou a inquietaçom do embaixador espanhol em Israel.

Na viagem travaram-se umha série de acordos com um impato positivo, tanto em nível cultural como económico para a Catalunha. Entre os quais, destaca:
- A assinatura dum documento de cooperaçom agrária (oficialmente umha carta de intenções) entre a Generalitat catalã e o governo israelita; 
- Um acordo de colaboraçom em "investigaçom agroflorestal e espécies subtropicais" entre a Universidade Ben Gurion e o Departamento de Agricultura do Governo catalão.
- Um acordo polo qual Israel ajudaria ao Governo catalão a estabelecer o modelo dos kibbutzim em certas áreas rurais da Catalunha.
- O compromisso da criaçom dumha cátedra de catalão na Universidade de Telavive.
- A realizaçom dum facsímil sobre o uso do catalão na comunidade judaica.
- Um acordo de intercâmbio de produções televisivas entre TV3 e a televisom pública israelita.
- A promessa de doar meio milhom de peixes de água doce do Rio Ebro para repovoar o Mar Morto.
- O estabelecimento dumha ligaçom aérea direta entre Telavive e Barcelona.

Em consequência, muitas empresas israelitas mostraram interesse em investir na Catalunha. Nom por acaso a Catalunha já era a Comunidade Autônoma que mais exportava a Israel, e mais de 20.000 catalães visitaram Israel em 1987, contribuindo para que estes setores se fortaleceram ainda mais depois da visita.

Depois do seu regresso à Catalunha, seguindo o modelo do Museu da Diápora da Universidade de Telavive, o Presidente Pujol embarcou-se no projeto do Museu de História da Catalunha.


O Presidente Pujol viajará novamente a Israel nos anos 1994 e 2003. Em todas estas visitas oficiais o presidente catalão seguiu a particular norma política e diplomática de nunca visitar os territórios palestinianos. 

Com as visitas do Presidente Pujol ao Estado de Israel (1987, 1994 e 2003) criou-se umha série de ligações e políticas com a Catalunha.


Em maio de 1988 o grupo parlamentar de CiU impediu que se votasse no Parlamento catalão umha condenaçom contra a repressom israelita em Gaza e Cisjordânia. O Governo de Pujol concedeu a Cruz de Sant Jordi ao ex-embaixador de Israel em Espanha, Samuel Haddas.

Em 1992, durante um encontro aberto com jornalistas celebrado em Barcelona durante os preparativos dos Jogos Olímpicos, Jordi Pujol manifestou abertamente que se sentia sionista, ciente de que entre as pessoas presentes havia um grupo de correspondentes árabes vindos de Madrid.

Em 20 de dezembro 2003 Pasqual Maragall (PSC), presidente da Câmara Municipal de Barcelona entre 1982-97, é  eleito presidente do Governo catalão com o apoio de ERC e ICV-EUiA, dando cabo com o longo período de governo de Jordi Pujol (1980-2003).


Entre o 19 e 22 de maio de 2005 o presidente Maragall e o presidente de ERC, Josep Lluis Carod-Rovira, realizam umha visita oficial  de quatro dias a Israel, Palestina e Jordânia. Pola primeira vez, rompendo a tradiçom de Pujol, um presidente catalão visitava os territórios palestinianos. Na delegaçom catalã também vai o conselheiro de Economia e Finanças, Antoni Castells, o publicista Lluis Bassat (judeu catalão) junto com umha representaçom empresarial.

Durante a sua estada, para além de manter reuniões com os máximos dirigentes de Israel, entre os quais o Presidente de Israel, Moshe Katzav e os vice-primeiros ministros, Shimon Peres e Ehud Holmert, houve encontros com os líderes palestinianos e jordanos ao mais alto nível, bem como entrevistas com representantes das distintas sociedades civis.

Em Jerusalém visitam o museu do Holocausto e em Ramallah o túmulo de Y. Arafat. A delegaçom catalã também visita um campo de refugiados em Gaza e as obras de reabilitaçom do bairro de Nasser.

Durante a visita Carod-Rovira, muito interessado com o eficaz sistema de ensino o hebraico, protagonizou umha grande polémica ao se fotografar com umha coroa de espinhas em Jerusalém e provocar umha conflitiva "guerra de bandeiras" nos atos oficiais perante a ausência da bandeira catalã. O líder de ERC evitou participar numha homenagem ao primeiro-ministro israelita assassinado Isaac Rabin porque no evento apenas estava a bandeira espanhola. O mesmo dia o embaixador espanhol em Israel retirou umha bandeira espanhola com a legenda da Generalitat da Catalunha para evitar problemas com a delegaçom catalã polo que foi expedientado.


A viagem oficial do Governo catalão de 2005 contribuiu para que se incrementassem notavelmente as relações entre Israel e Catalunha, bem como a cooperaçom tecnológica através da Fundaçom Catalã para a Investigaçom.

A presença dum líder independentista da esquerda catalã provocou a reaçom da esquerda pró-palestiniana. O coletivo Palestina Resiste (Palestina Resisteix) lembrou a Carod-Rovira o passado "terrorista" de Isaac Rabin, que ao mando de unidades militares realizava "operações de limpeza étnica". Carod-Rovira tem-se mostrado simpatizante do Partido Trabalhista de Israel, chegando mesmo a convidar o embaixador de Israel a alguns dos seus comícios eleitorais na campanha eleitoral de 2006.

Concidindo com a visita da delegaçom do Governo catalão a Israel, Rosa Bonás e Joan Puigcercós, deputados de ERC no Parlamento espanhol, apresentaram umha proposiçom no Congresso dos Deputados pedindo a suspensom de todas as ajudas do Estado espanhol a Israel, incluíndo todo tipo de cooperaçom cultural em protesto pola "política genocida" de Ariel Sharon e contra a "ocupaçom dos territórios palestinianos de Gaza e Cisjordânia". Carod-Rovira resolveu o assunto pedindo perdom numha carta (a Embaixada de Israel protestou publicamente) na que cualificava a iniciativa parlamentar como "um erro político grave que, aliás, nom é coerente de nengumha maneira com as minhas próprias convições".

A capa do nº70 de "Esquerra Nacional" (abril-maio de 2006), revista oficial de ERC, inclui umha entrevista com Jaume Fernández, historiador e republicano, onde explica o balanço dumhas jornadas sobre sionismo e catalanismo nas que participarom membros do Governo da Catalunha. Segundo Fernández, nas jornadas denunciou-se o "pensamento único" contra Israel "ancorado numha posiçom ideológica herdeira dum marxismo trasnoitado".

ERC desde a época de Pilar Rahola e Angel Colom (1989-96) e principalmente durante a liderança de Carod-Rovira (1996-2008) é um partido independentista de esquerdas tradicionalmente favorável às teses israelitas. Porém, na medida em que se foram integrando elementos da extremaesquerda nacionalista provenientes do PSAN e Terra Lliure, as teses pró-palestinianas foram ganhando terreno, o que tem provocado conflitos internos nom resolvidos. É por isto que ERC nunca se manifestou publicamente em favor da Palestina, a diferença da sua organizaçom juvenil (JERC) ou durante o breve período de liderança de Joan Puigcercós (2008-11).

Segundo o historiador Joan Culla, "com o debate do Estatuto de Autonomia catalão (2006-07), surgiram alguns dos tiques antissemitas aplicados aos catalães". Neste sentido iam as declarações do conselheiro de Comércio, Turismo e Consumo, Josep Huguet, quem chegou a comparar o boicote aos produtos catalães promovidos pola direita espanholista com a situaçom dos Judeus quando, sob o regime nazista, eram marcadas as suas lojas com a etrela de David. "No pensamento de setores radicais do espanholismo, os Catalães ocupamos o local dos Judeus", frisou ele.


Num discurso intitulado "De Sefarad a Israel: trajetória dum nom judeu" perante o Parlamento israelita (Knesset) com motivo da entrega do prémio Samuel Toledano a 28 de outubro de 2007, o ex-presidente Jordi Pujol reconhece ser profundamente sionista desde a sua mocidade.

"Como lhes dizia eu nom entrei apenas em contacto com o judaismo. Também, e num certo sentido sobretodo com o sionismo. E nom dumha forma superficial. Com mal 17-18 anos lei "Der Judenstaat" de Herzl e um livro de Chaim Weizmann, muito completo, que conta toda a luta sionista, desde o congresso de 1903 -o da rejeiçom da proposta do Uganda- até a constituiçom do Estado de Israel (...)

Há que ter presente para explicar o meu grande interesse polo sionismo que eu era e sou um nacionalista catalão. Isto é, eu sinto-me profundamente catalão, noutras palavras, cidadão dum país que durante os últimos três-quatro séculos foi submetido a umha dura política de perseguiçom linguística e cultural e em geral de desnacionalizaçom (...)

O sionismo tinha, aliás, outra característica que o tornava interessante: nom só se propunha a liberdade nacoinal dos Judeus, mas também construír um país (...) E eu pessoalmente, como catalão, como catalanista, como nacionalista catalão, já desde sempre tivera este tema: construir Catalunha. Construi-la espiritualmente, politicamente, economicamente, culturalmente e socialmente".

Pujol lembrou no seu depoimento que o discurso antissemita do franquismo e a comparança despetiva que alguns setores do regim faziam entre catalães e judeus aproximou-no do sionismo.

Logo depois, apoiando-se na sua prolongada militância sionista e na sua inquebrantável amizade com Israel, com um tom bastante crítico e diante da presidenta da câmara, Dalia Itzik e do ex-chefe do Estado Isaac Navon, defendeu a criaçom dum Estado palestiniano.

"Os senhores devem compreender que os palestinianos precisam umha soluçom. (...) Tenho sido e sou defensor de Israel, compreendo e apoio as suas razões, mas há que encontrar outros caminhos para sair desta terrível a ameaçadora situaçom. Parece-me bem a criaçom de dous estados, um israelita e um outro palestiniano".

"Para os Judeus, e esse é também o meu ponto de vista, o Estado só se podia criar em Israel, nem no Uganda, nem na Sibéria, nem na Argentina. Mas nesta terra vivia gente nom judia desde há muitos séculos. E também era a sua terra".

Os palestinianos, afirmou, "despertam simpatia na opiniom pública de muitos países nom apenas por razões ideológicas, mas porque som os mais fracos". (...) "Isto é muito difícil depois de tantos anos de confrontos e terrorismo mas a desconfiança também nom resolveu o problema". "Por isso celebro, que cada vez mais gente, também em Israel, aceite que nom se pode seguir com as mesmas formulações".

Sem chegar a pronunciar em nengum momento a palavra "ocupaçom", Pujol aludiu a umha cita de Yeshaian Leibovitz para afirmar que Israel deveria ter devolto há muito tempo os territórios conquistados em 1967 e também ter assinado a paz.

As palavras do ex-presidente catalão provocaram surpresa entre muitos dos asisstentes à entrega dos prémios. De facto, Isaac Navon, presidente dos prémios e umha das máximas autoridades da língua ladina em Israel, disse-lhe a Pujol que "algumha gente do público seguramente nom gostou do que disse".

Antes do evento no Parlamento, Pujol entrevistara-se com o presidente de Israel, Shimon Peres e com a presidenta da Knesset, Dalia Itzik.


No dia 17 de novembro de 2008 o Vice-presidente da Catalunha, o republicano Josep Lluis Carod-Rovira é recebido por Shimon Peres. Na reuniom, o vice-presidente catalão agradeceu ao presidente do Estado de Israel o seu apoio à eleiçom de Barcelona como sede da Uniom polo Mediterrâneo (UpM). Os dous mandatários concordaram na importância do diálogo e a negociaçom para gerir "a diversidade cultural, linguística e religiosa e resolver conflitos".
Josep Lluis Carod-Rovira e Shimon Peres

Israel considera ao Vice-presidente catalão "um bom amigo" que tem visitado o país diversas vezes na sua condiçom de membro da Associaçom para os Vínculos Culturais entre Israel e Catalunha.


O Vice-presidente do Governo catalão destacou que tanto Barcelona como a Catalunha som "um quadro acaído para  encarar diálogos em chave de vez", afirmando que a secretaria da UpM terá como um dos eixos principais abordar o conflito  entre Israel e a Palestina. Precisamente, o vice-presidente destacou que o Governo catalão está de acordo com a política da UE para o Próximo Oriente, que aposta em encontrar umha "soluçom negociada baseada em dous povos, dous estados". Carod-Rovira também  expressou a sua admiraçom pola "tenacidade" do povo judeu para conseguir ao longo de dous mil anos o reconhecimento da sua "identidade" e "personalidade", bem como o logro dum Estado, destacando que se devem distinguir todos os valores positivos "que todos os povos têm, do mesmo jeito que todos cometem erros".

A reuniom entre o Vice-presidente do Governo catalão e o Presidente de Israel também serviu para seguir avançando na cooperaçom entre os dous países em ámbitos como as novas tecnologias da comunicaçom e a gestom da água. Carod-Rovira anunciou o próximo deslocamento dumha visita oficial do Governo e empresários catalães para relançar as relações bilaterais e travar acordos de cooperaçom nestes âmbitos.

Após a reuniom com Peres, em declarações à imprensa,  o Vice-presidente catalão defendeu "a legitimidade da açom exterior da Catalunha", lembrando que é realizada consoante o Estatuto e exercida com "eficácia e total normalidade". Pola sua vez, descartou a possibilidade de que a Catalunha vaia abrir um escritório de representaçom em Israel, alegando que o desdobramento já "está bem definido" e "como muito haverá outras duas mais" para além das existentes ou agendadas na Europa e América.

Durante a sua estada em Israel, que durou um dia,  Carod-Rovira também se reuniu com o vice-ministro de Negócios Estrangeiros, Majali Whbee, e visitou o Museu da História do Holocausto em Jerusalém, onde realizou umha oferenda às vítimas da Shoah.

No dia seguinte Carod-Rovira desloca-se para Jordânia, onde se reúne com o ministro dos Negócios Estrangeiros e participa na reuniom anual da Mesa de Doadores da Agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA).

Em 14 de maio de 2009, ​​coincidindo com o 60º da criaçom do Estado de Israel, uma centena de pessoas participam em Barcelona na fundaçom da Associaçom Catalã de Amigos de Israel (ACAI).

Na introduçom da declaraçom constituinte os fundadores afirmam que "ao longo dos Países Catalães e durante o século passado, houve personalidades eminentes, como Josep Carner, Antoni Rovira i Virgili e Salvador Espriu e partidos como Açom Catalã e Movimento Socialista da Catalunha expressaram a sua simpatia dumha boa parte dos Catalães com consciência nacional com a causa do povo judeu. No entanto, nos últimos trinta anos, este sentimento permaneceu constante face a preponderância aparente de vozes perante as vozes que negam o Estado de Israel, nom apenas o seu caráter democrático, mas o próprio facto da sua existência legítima.

Em janeiro passado, na sequência do conflito em Gaza, as reações contra Israel e os Judeus em geral, e os catalães solidários com eles atingiu níveis de agressividade que nunca como até agora em democracia tinha sido. O antissionismo alastrou polas ruas com a impunidade assegurada, a cobertura da mídia (TVE3 proeminente) e a cumplicidade explícita de membros do Governo catalão como Joan Saura (ICV). Neste ponto, os catalães democratas que se opõem a qualquer regime totalitário de tipo religioso, ideológico e político decidimos organizar-nos numha associaçom que tem como objetivo preservar e difundir os valores democráticos que têm caracterizado historicamente o pensamento jurídico e político Catalão, a  liberdade primeiro.

Consequentemente negamo-nos a aceitar passivamente o enraizamento na sociedade catalã de atitudes racistas e discriminatórias contra qualquer coletivo identitário que quiser contribuir para umha comunidade nacional catalã que queremos soberana, diversa e plural. A divulgaçom dos valores fundadores do Estado de Israel, a identidade judaica, a recuperaçom do componente hebraico da nossa pátria e a projeçom da liberdade dos indivíduos e dos povos som os objetivos que guiam a partir de agora a associaçom que constituímos".

Em 28 de junho de 2010 umha sentença do Tribunal Constitucional espanhol declara inconstitucionais vários artigos do Estatuto de Autonomia catalão (aprovado em referendo em 2006), o que provoca um movimento de rejeiçom ao status quo constitucional no seio da sociedade catalã. Na esteira deste movimento social de protesto, Artur Mas, que até entom se reconhecia como "nacionalista tolerante e moderno integrado no conjunto de Espanha",  declara-se partidário do direito da Catalunha a decidir o seu futuro, o que, polas suas palavras é "o direito de todo povo à autodeterminaçom".

Em 23 de dezembro de 2010 Artur Mas, que fora conselheiro nos governos de Jordi Pujol entre 1995-2003, é investido Presidente da Catalunha, contando com os votos favoraveis do grupo parlamentar de CiU (62 mandatos) e a abstençom do PSC. Durante seu mandato como o 129º Presidente da Catalunha acentuar-se-iam as relações entre o Governo catalão e Israel. 

Em setembro de 2011 a entom vice-presidenta do Governo catalão, Joana Ortega (UDC), faz umha viagem institucional a Israel para intensificar as "relações e a cooperaçom entre os dous países". Durante a sua estada encontra-se com o vice-primeiro-ministro na altura, Silvan Shalom, pactuando com ele iniciar os trabalhos para a assinatura de convénios de colaboraçom económico-empresarial.

Assim sendo, meses depois desse encontro é assinado um convénio de cooperaçom para a promoçom industrial, a investigaçom e o desenvolvimento entre ACC1Ó, a agência pública catalã dedicada à internacionalizaçom empresarial, e a Agência Nacional de Investigaçom e Desenvolvimento de Israel (MATIMOP)Doravante, empresas dos dous países poderám colaborar na posta em marcha de projetos conjuntos de I+D+i industrial. O acordo contempla uma ajuda de até 250.000 euros para a parte catalã de cada projeto. 

Em novembro de 2011 o secretário geral de CDC, entom Oriol Pujol, viaja a Israel para reunir-se, entre outros, com o presidente hebreu, Simon Peres, quem lhe confessou a vontade de "colaborar com Catalunha nos âmbitos político, econômico e institucional".
Oriol Pujol e Shimon Peres
Oriol Junqueras, líder de ERC desde setembro de 2011, afirma no jornal Nació Digital ter mantido a 26 abril de 2012 umha reuniom "intensa e positiva" com Oren Bar-El, ministro-conselheiro de assuntos políticos da Embaixada israelita em Espanha.

Numha entrevista para o jornal "Nació Digital" em 20 de maio de 2012, o embaixador de Israel em Espanha, Alon Bar, perguntado polo que Israel faria se a Catalunha realizasse um referendo de independência, aconselha ao independentismo catalão "poder fazer um estado de acordo com os seus vizinhos e entornos, fazer um estado negociando com todos".

Numha viagem realizada a Massachusetts (Estados Unidos) em junho de 2012 o Presidente Mas anuncia a sua vontade de associar a Catalunha com esse Estado norte-americano e com Israel através da formaçom de convénios para potenciar a economia do conhecimento e as TICs. "Israel é um exemplo para o mundo, é um país pequeno, que o passou muito mal, que deve dedicar enormes esforços à sobrevivência da sua identidade e da sua cultura e que ao mesmo tempo é pioneiro e ponta de lança da indústria tecnológica mundial".

Em plena crise económica e de relaçom com o governo espanhol, o Presidente Mas à frente e com o apoio do partido CDC, inicia um viragem independentista a favor da autodeterminaçom da Catalunha. A 25 de setembro de 2012, após umha massiva Diada de 11 de Setembro, convoca as eleições antecipadas ao Parlamento catalão para 25 de novembro, após a impossibilidade de conseguir um melhor cenário político, bem como um mais justo pacto fiscal para a Catalunha (ao nom conseguir acordos na reuniom em Madrid com o presidente do Governo espanhol Mariano Rajoy) e articula o seu programa eleitoral em redor do soberanismo.

Em 28 de setembro  de 2012 o redator chefe de internacional do jornal israelita Haaretz, Adar Primor, sob o título "Viva Catalunha, Viva Israel" escrevia umha reportagem assegurando que "a Catalunha vai ser muito cedo o Estado do povo catalão, da mesma forma que Israel é do povo judeu". A publicaçom israelita ia mais longe ao descartar para Catalunha umha outra forma territorial que nom seja a independência plena: "nom haverá futuro para um estado binacional, nem para umha federaçom, nem para umha confederaçom nem muito menos para umha autonomia ou para um cantom". O redator fechava a crônica na que explica os motivos dos catalães para se independizar com a proclama: "Visca Israel, Visca Catalonia".

Aliás, a reportagem incluia umha entrevista com o daquela porta-voz de Solidariedade Catalã pola Independência, Alfons López Tena, quem declarava que "a título pessoal, eu sou pró-israelita e pró-sionista. [...] No mínimo, metade dos membros do meu partido som da Associaçom Catalã de Amigos de Israel. Israel é um estado democrático e nós apoiamos todos os passos que tem de fazer para sobreviver. Nom temos a intençom de criticar o Governo de Israel. Procuramos a cooperaçom com Israel e esperamos que Israel apoie o movimento pola independência da Catalunha. Está claro que a Catalunha independente será um amigo muito estreito de Israel. Disso nom há dúvida nengumha". Além disso, o deputado Tena referiu que "a nossa honra e liberdade som fundamentais" e que "mesmo sem a crise económica haveria umha maioria certa em prol da independência".
O jornal Haaretz informa sobre o processo independentista catalão
O jornal afirmava que "o boomerang já botou a andar: os catalães darám a sua resposta no 25 de novembro", data prevista para as eleições catalãs, para acrescentar que "os catalães estám decididos a eludir a Constituiçom espanhola e celebrar um referendo de independència". Umha consulta que o Haaretz qualifica como "umha batata quente que acabará nas saias da UE". 

O jornal aproveita a reportagem para lembrar os conflitos semelhantes que existem atualmente aos que se vivem entre Catalunha e Espanha. "A última vitória dos separatistas do Quebeque, Canadá, os contiuados esforços para desmantelar o reino da Bélgica e o referendo nacional que se celebrará na Escócia em 2014 som apenas alguns exemplos que o demonstram".

A reportagem destaca, assim mesmo, que o segundo equipamento do Barça seja das cores da bandeira catalã, bem como o facto de os catalães estarem já cansados de que as regiões pobres de Espanha vivam à custa da Catalunha e que, por conseguinte, esta sinte-se "roubada" polo Estado espanhol. Por isso, segundo o jornal israelita, exigem "cobrar os seus próprios impostos" para que os 9% do PIB catalão "nom fuja para as arcas do governo central em Madrid".

Finalmente, a perda de 12 mandatos de CiU nas eleições catalãs de 25 de novembro foi interpretada como um fracasso da aposta da coaligaçom de centro nacionalista para ser o guia do processo soberanista na Catalunha. No dia 18 de dezembro de 2012 os partidos soberanistas CiU (50 mandatos) e ERC (21) chegam a um acordo de governaçom chamado polos seus signatários de Pacto pola Liberdade. O texto indica que a data do referendo de independência da Catalunha seria acordada entre os dous partidos, os quais se comprometeriam a tentar levar a cabo em 2014 "exceto se o contexto socioeconómico e político requerer umha prorrogaçom". Como parte do acrodo, Artur Mas tomou posse do cargo de presidente do Governo catalão para um segundo mandato por 71 votos a favor e 63 em contra (PSC, PP, ICV-EUiA, Cidadãos e CUP).

Em 3 junho de 2013 o embaixador de Israel em Espanha e Andorra, Alon Bar, reune-se no Parlamento catalão com os membros da Comissom de Exteriores aos que lhe traslada, literalmente, que "Israel respeitará a vontade exprimida pola Catalunha". Nessa reuniom de troca de posições o embaixador pareceu ter interiorizado as procuras da maioria da Catalunha: que se respeite a vontade popular e que se deixe exprimi-la democraticamente num referendo.

As posições do independentismo catalão, em palavras de Rubén Novoa, ressumem-se em que "nom queremos que Israel saia prejudicado nas sus relações com Espanha como contrapartida por tê-las com a Catalunha. Com isto quero dizer que nom visamos deterioras as relações diplomáticas entre Espanha e Israel pola questom catalã. Nom esqueçamos que o senhor Alon Bar é o embaixador de Israel em Espanha e deve seguir procurando manter uma boa imagem e melhores relações de Israel com o país em que está acreditado. O comum, em qualquer corpo diplomático de qualquer país. Simplesmente agradecemos que o seu posicionamento sobre esta questom seja estritamente em defesa da democracia e o respeito mútuo. Para nós é suficiente. Apenas pedimos que nos deixem votar e que se respeite o que decidamos entre todos através das urnas".

"Num mundo dominado polos interesses naquilo que respeita às relações internacionais, acho que a Catalunha pode encontrar um sólido aliado em Israel o dia depois da nossa independência. Temos a vantagem de nom partir de zero e de poder construir em cima dos alicerces das instituições que recuperamos a partir do nosso Estatuto de Autonomia. Pola sua parte, Israel ganharia um país aliado no sul da Europa e na ribeira ocidental do Mediterrâneo. Cabe lembrar que o índice de antissemitismo dos espanhóis supera a escandalosa cifra de 60%. Com estes dados, contar com umha Catalunha amiga de Israel na nossa zona geoestratégica deveria de ser um assunto de interesse nacional para Israel", frisou R. Novoa.

Em outubro de 2013 Alon Bar anuncia que a próxima embaixada que Israel abrirá na Europa vai ser na Catalunha, alegando a percepçom cultural e o número de turistas israelitas que diariamente visitam esse país. 

Em novembro de 2013 umha delegaçom do Governo catalão encabeçada polo Presidente Mas em companhia do conselheiro de Economia, Andreu Mas-Colell; o presidente da câmara municipal de Barcelona, Xavier Trias, bem como outros cargos políticos e representantes dumha trintena de empresas privadas catalãs de tamanho mediano realizou umha viagem de cinco dias a Israel.

Mas reune-se na residência oficial de Jerusalém com o Presidente de Israel, Simom Peres, e com o ministro das Finanças, Yair Lapid. De acordo com vários informes sobre aquela reuniom com o chefe do Estado de Israel, o Presidente catalão explicou-lhe o seu desejo de lograr mais autonomia e falou no "processo de construçom do Estado catalão", mas desconhece-se a opiniom do presidente israelita. Surpreendentemente, com bae nos logros da viagem a Israel, e a forma como foi recebido, é muito provável que o Presidente Mas tivesse recebido algum apoio, especialmente de Shimon Peres. De facto, o governo espanhol nom gostou da passividade mostrada polo Chefe de Estado israelita.
O Presidente Artur Mas e Shimon Peres
Contrariamente ao protocolo diplomático, como acontecera nas visitas prévias de Carod-Rovira ou Oriol Pujol, nesse encontro de diálogo esteve ausente a bandeira espanhola, que foi substituída por duas bandeiras israelitas.

Depois de juntar-se com Lapid, o presidente Mas declara à Agência de Notícias da Catalunha que "Israel é um país estratégico para Catalunha em muitos sentidos", precisando que o objetivo do Goberno catalão era "fortalecer a nossa cooperaçom e manter as boas relações entre os dous países".

O chefe do Governo catalão define Israel como "exemplo" e "referente" tanto no que diz repeito à criaçom dum Estado quanto em matéria económica, acrescentando que a Catalunha queria ser "a porta de entrada na Europa dos israelitas". Numha palestra pronunciada na Universidade de Telavive o Presidente Mas disse que Catalunha escolhera Israel como "um modelo" a seguir e como "um sócio para a inovaçom".

Além disso, numha tentativa de consolidar umha aliança de validaçom internacional ao processo soberanista, o Presidente Mas visitou os sítios sagrados do judaismo.

Durante a visita o departamento de Economia e Conhecimento assinou memorandos de acordo com o Instituto e Ciência Weizmann, a Universidade de Telavive, Technion-Instituto de Tecnologia de Israel e a Universidade Hebraica de Jerusalém.

O concelho de Barcelona também travou acordos com instituições israelitas, particularmente o Acordo de Amizade e Cooperaçom entre a capital catalã e Televive (nom renovado em dezembro de 2015 polo atual governo municipal).

Todavia, durante a estada de cinco dias em Israel, o chefe do Governo catalão, como outrora fizera Jordi Pujol, evitou reunir-se propositadamente com qualquer representante palestiniano da ANP e mesmo negou-se a responder qualquer pergunta que tivesse a ver com os palestinianos na conferência de imprensa que realizou naquela visita. 

As declarações dele ou a visita realizada a Jerusalém Leste causaram as críticas da oposiçom de esquerdas e de coletivos pró-palestinianos catalães. Para um porta-voz da ANP "de forma consciente ou inconsciente Mas ajudou a legitimar umha ocupaçom que reconhecem todos os organismos oficiais internacionais", acrescentando que "sabemos que o senhor Mas nom é líder dum Estado. Porém, e independentemente da sua condiçom de presidente autonómico, o direito internacional rege para todos. O que fez o presidente da Generalitat é umha grave falta".

A viagem institucional a Israel dá umha grande exposiçom internacional do movimento independentista catalão, o que provocou a inquietaçom do ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol, que chegou a anunciar a tramitaçom dumha nova normativa legal que proiba os presidentes autonômicos viajar ao estrangeiro em representaçom da sua Comunidade Autônoma.

No dia 12 de dezembro de 2013 foi anunciado um projeto de referendo sobre a independência da Catalunha, polo Presidente catalão, Artur Mas (CiU, primeira força política), que contou com o apoio dos partidos representados ERC (segunda força política mais votada), Iniciativa por Catalunha Verdes (quinta força política), UDC (parceiros de coligaçom da CiU), Esquerda Unida e Alternativa (parceiros políticos de coligaçom com ICV) e CUP (nona força política). O apoio destes partidos à realizaçom do referendo confere umha maioria de 88 deputados dentro dos 135 do Parlamento catalão. Segundo o projeto, a data para o referendo estava definida para 9 de novembro de 2014 e iria conter umha pergunta com duas partes: "Quer que a Catalunha seja um Estado? e "se sim, quer que este Estado seja independente?". O Governo espanhol declarou pouco depois a sua intençom de bloquear o referendo, afirmando que este "nom seria ser realizado" por ser considerado ilegal.

Em janeiro de 2014 o conselheiro de Empresa e Emprego do Governo catalão, Felip Puig, reconhece a existêmcia dum informe do CESICAT (Centro de Segurança da Informaçom da Catalunha), dependente do Centro de Telecomunicações e Tecnologias da Informaçom), para criar umha Agência Nacional de Segurança (ANS). Em concreto, esse informe faz referência à necessidade de "entrar em contato com os serviços de inteligência de Israel para conhecer a organizaçom da sua agência de Cibersegurança", destacando que "a Ertzaintza tem bons contatos com empresas e o mundo governamental israelita". Além disso, também recomenda "entrar em contato com o Massachusetts Advanced Ciber Security Center com o objetivo de conhecer o seu funcionamento, organizaçom e atividades e formular um possível quadro de colaboraçom". 

É que o Estado de Israel figura em boa parte dos documentos elaborados polos soberanistas para  preparar a transiçom para a independência. Para além de entrar em relaçom com os serviços de informaçom de Israel, noutra documentaçom assinala-se que os membros da futura força aérea catalã deveriam formar-se em Israel que é o país "que assegura a melhor formaçom possível". 

Em abril de 2014 o Governo catalão abre umha "antena tecnológica" em Telavive com o objetivo de trabalhar conjuntamente com o MATIMOP e "procurar empresas israelitas interessadas em projetos de I+D catalães e, ao invês, identificar programas internacionais de suporte aos projetos de i+D e promover atividades bilaterais". O entom conselheiro delegado de ACC1Ó, Joan Tarradellas, afirmou que a iniciativa era umha "grande oportunidade" porque "Israel é um país ponteiro nos âmbitos da inovaçom e o emprendimento, e tem umha forte capacidade de investimento em desenvolvimento de tecnologia".

Em maio de 2014 várias associações da comunidade judia da Catalunha e associações de amizade com Israel apresentam umha queixa coletiva contra 17.500 usuário sde Twitter por publicar comentários antissemitas logo depois da vitória do Maccabi de Telavive contra o Real Madrid na Final Four de basquetebol.

Em 10 julho de 2014 o Parlamento catalão, com o apoio do grupo parlamentar de CiU chumba umha proposta de resoluçom, promovida por ICV-EUiA e as CUP, fazendo um chamado às sanções e ao fim dos convénios com o Estado de Israel. O texto chumbado, que incluia o direito de autodeterminaçom do povo palestiniano, demandava que o Governo catalão nom impulsasse nengum acordo com empresas e instituições israelitas "que tiverem um papel direto e demonstrado na ocupaçom e colonizaçom ilegal de territórios palestinianos".

Em 2014 o jornal israelita "The Jerusalem Post" informa que o juíz do Supremo Tribunal de Barcelona e militante de ERC, Santiago Vidal, reconhecera numha entrevista ao semanário "Periodic Delta" que Israel e Alemanha poderiam ser a chave para o financiamento inicial dum Estado catalão independente. Vidal previu que o Estado catalão poderia estabelecer-se no prazo de quatro ou cinco anos, sempre através de "meios legais, políticos e pacíficos".

Porém, reconheceu que "nós nom poderemos ir à Banca Central Europeia para financiar a dívida porque ainda nom seremos membros da UE", polo que a soluçom seria que "um outro estado solvente, e nós falamos em Israel e na Alemanha, nos formeçam o financiamento durante um certo tempo".

Inquirido sobre o risco de acreditar que Israel iria apoiar a causa catalã, o magistrado retorquiu alegando que "a questom palestiniana caracteriza-se pola violência, enquanto a questom catalá é caracterizada polas lições cívicas, o pacifismo e o fazer das cousas boas que estamos a dar ao mundo inteiro. E isto é algo do que os israelitas gostam muito".

Nessa altura no independentismo catalão especulava-se com a chegada dum crédito israelita de aproximadamente 20.000 milhões de euros que substituisse os fundos da linha de crédito criada polo Governo espanhol para o financiamento das Comunidades Autónomas com problemas financeiros (FLA). Seja como for, foi desacreditado polo Govern. 

Santiago Vidal seria eleito senador em dezembro de 2015 por ERC logo de ser sancionado polo Conselho Geral do Poder Judiciário espanhol por ter colaborado na redaçom dumha constituiçom catalã.

Entretanto, o Tribunal Constitucional de Espanha impediu a realizaçom do referendo sobre a independência da Catalunha previsto para o dia 9 de novembro de 2014, bem como a alternativa encontrada polas autoridades catalãs da realizaçom dumha consulta popular. No entanto, o ministro da Justiça espanhol admitiu que nada faria para impedir a consulta popular na Catalunha caso esta fosse promovida e observada por organizações independentes de cidadãos e desde que o governo da Catalunha nom interviesse na organizaçom do processo.

Assim, no dia 9 de novembro de 2014, foi realizada umha consulta popular sobre a independência da Catalunha, sem caráter vinculativo. Os resultados desta consulta, onde participaram 2,3 milhões dos 6,3 milhões de catalães com direito a voto, deram vitória de 80,72% ao "sim" em ambas as perguntas formuladas.

Dous dias depois do referendo, Michael Freund, diretor de comunicaçom do Escritório do Primeiro-ministro de Israel, B. Netanyahu, denunciava num artigo de opiniom intitulado "De Gaza a Catalunha: a insofrível hipocristia da Europa" e publicado no "Jerusalem Post" a dupla moral da UE ao promover o reconhecimento do Estado palestiniano enquanto ignora o clamor do povo catalão.

O alto funcionário do executivo israelita dizia a respeito do referendo de independência catalão o seguinte:
No passado domingo, milhões de homens e mulheres na regiom norte-oriental de Espanha realizaram um histórico berro de liberdade. Desafiando corajosamente brutais ameaças e a intimidaçom de Madrid, mais de dous milhões de Catalães participaram num referendo sobre a independência, exercendo pacificamente o seu direito fundamental de decidir o seu próprio futuro.
E os resultados foram decisivos. Mais dos 80% de votantes apoiaram a independência da Catalunha da Espanha, o que incitou o líder catalão Artur Mas para declarar que a votaçom "deixou muito claro que queremos governar-nos nós próprios". "Merecemos votar num referendo legal e obrigatório", declarou Mas, acrescentando: "Eis o que vamos fazer".
Porém, curiosamente, os anseios de independência dos Catalães nom parece interessar ao resto da Europa tanto como os dos Palestinianos, embora os primeiros possuam umha melhor história para terem o seu próprio estado.
Para começar, existiu um Estado catalão no século XVII, embora por um breve período de tempo, enquanto nunca houve um Estado da Palestina independente em toda a história. Mesmo se considerarmos que os árabes-palestinianos vivem sob ocupaçom desde 1967, a Espanha ocupa a Catalunha desde há 300 anos, tornando-a num conflito mais longo. A justiça atrasada é justiça denegada.


Depois do referendo, a 25 de novembro de 2014, o Presidente Mas propôs a criaçom dumha lista combinada de partidos políticos, sociedade civil e profissionais (especialistas reconhecidos) a favor do sim para as eleições que conduziu, em boa parte, ao anúncio de 14 de janeiro de 2015 dum acordo com ERC e outras entidades soberanistas de convocar eleições para 27 de setembro de 2015. É assim como desaparece a federaçom CiU (UDC era contrária à separaçom de Espanha) e se constitui a lista soberanista Juntos polo Sim com ERC e outras formações independentistas.

Em 1 de junho de 2015 o jornal israelita "Yedioth Ahronoth", o de mais tiragem em todo o país, informa aos seus leitores dos apupos recebidos polo hino espanhol numha partida de futebol com o explícito título de "Revolta catalã: os fans deshonram o Rei de Espanha". O jornal explica o acontecido no campo do Barça, expõe a reaçom imediata do governo espanhol e a réplica do Presidente catalão, Artur Mas, qualificando de "ridícula" a postura de Mariano Rajoy.

O jornal oferece umha explicaçom histórica do acontecido: "As relações entre a Catalunha e o governo central de Espanha pasaram polos seus altos e baixos nos últimos anos, com a demanda de desconexom sempre de fundo. A Catalunha foi ocupada polo rei Filipe I a 11 de setembro de 1714, cancelando-se desde entom todo signo de independência e proibiu-se o catalão. Com os anos, a Catalunha recebeu o estatuto de autonomia, mas quando o general Franco tomou o poder em Espanha em 1939, depois dumha guerra civil sangrante, suprimiu-o e reprimiu qualquer signo de nacionalismo catalão. Em 1978, depois da morte de Franco e a adoçom da nova Constituiçom espanhola, o Estauto de autonomia foi restaurado".

Em 17 julho de 2015 o Governo catalão decide converter a antena tecnológica de Telavive num Escritório Exterior de Comércio e Investimentos. A delegaçom encarregar-se-ia de identificar "oportunidades e inovaçom no país que encaixem com projetos de empresas catalãs", potenciar a presença das companhias do Principat em Israel, organizar missões empresariais  e fomentar a mobilidade de investigadores catalães em centros tecnológicos e de investigaçom israelitas. 

Segundo Núria Betriu, conselheira-delegada de ACC1Ó, a presença em Israel é "vital para posicionar a tecnologia catalã no mundo". "Temos a oportunidade de partilhar experiências com um país que soube transformar as suas limitações em oportunidades, desenvolvendo algumhas das tecnologias mais avançadas do mundo nos campos da água, agricultura e a energia, e que se está a posicionar em setores como a cibersegurança, a Internet das cousas, a tecnologia financeira, o big data e as tecnologias da automoçom". 
Rede comercial internacoinal do Governo da Catalunha
Com esta abertura o Governo catalão conta com 35 Escritórios Exteriores de Comércio e Investimentos em todo o mundo que oferecem umha rede comercial em mais de 90 mercados.

Em contra da estratégia de colaboraçom com o Estado judeu, em 2015 constitui-se a Coaligaçom Chega de Cumplicidade com Israel agrupando organizações e movimentos catalães que trabalham na defesa dos direitos humanos da populaçom palestina. Esta entidade tem como eixo estrutural a campanha da BDS a Israel que reclama o isolamento deste Estado enquanto nom cumpra a lei internacional. Aliás, perante as eleições catalãs o Movimento BDS-Catalunha faz um chamado para nom votar três nos partidos independentistas (CDC, ERC e Solidariedade pola Independência) que, segundo esta organizaçom anti-israelita, "invocam a criaçom dum futuro Estado catalão mostram simpatia e referência com o Estado de Israel".

Nas eleições catalãs de 27 de setembro , JxSí consegue 62 lugares de 135, o que faz com que a reeleiçom de Artur Mas por um terceiro mandato à chefia do Governo catalão nom esteja garantida por causa da oposiçom dos 10 deputados das CUP. Finalmente, a 9 de janeiro de 2016, mediante um acordo de Juntos pelo Sim e de CUP, Artur Mas anuncia que seria substituído como presidente do Governo catalão por Carles Puigdemont (CDC).

Em fevereiro de 2016 o Parlamento catalão rejeita, com os votos de Juntos polo Sim duas moções que, por um lado, reclamava a Israel dar cabo da "ocupaçom e colonizaçom de todas as terras ocupadas em junho de 1967 (Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Leste), do bloqueio sobre a Faixa de Gaza e destruir o muro" e, por outro, que o Estado hebreu reconhecesse os direitos fundamentais da cidadania arabo-palestina em "total igualdade", para além de respeitar, proteger e promover o direito dos refugiados palestinianos a retornar às suas casas.

Em abril de 2016 Daniel Kutner, embaixador israelita em Espanha, recebe um convite do Presidente Carles Puigdemont para um  jantar privado no palácio da Generalitat. Embora nom tenha transcendido nada das conversas, o acesso de Kutner nom aparece refletido na agenda de visitantes da Generalitat. O embaixador esteve acompanhado polo ministro-conselheiro Yinan Cohen e Puigdemont por Aleix Villatoro, secretário geral de Negócios Estrangeiros do Governo catalão.

Em 13 maio de 2016, durante a comemoraçom do Yom Ha'atzmaut, a festa da independêncdia de Israel, a Comunidade Israelita de Barcelona, junto com a Associaçom Catalã de Amizade com Israel (ACAI), outorga-lhe ao ex-presidente Artur Mas um prémio por ter "promovido a colaboraçom" entre Israel e a Catalunha. 

No quadro desse evento, Artur Mas disse que "como em Israel, na Catalunha também há um povo determinado a ser livre". Mas lembrou a primeira vez que visitou Israel, em 1986, e apontou que voltou várias vezes na década de 1980: "Desde a Ctalunha recuperada reparávamos em Israel. Organizavamos jornadas em Israel quando nom estava na moda, mas era preciso para umha naçom como a catalã". O líder de CDC defendeu a viagem oficial realizada a Israel em 2013 "porque, como com Massachusetts e Califórnia, devíamo-nos de fixar nos melhores".

A morte de Shimon Peres em setembro de 2016 é recebida com muito pesar polos soberanistas catalães, que o consideravam um grande conhecedor da sua realidade. Para Toni Florido, presidente da ACAI, "o Presidente Peres era bom conhecedor da realidade da Catalunha. Todos lembram como acolheu o Governo catalão e como e como recebeu o Presidente Mas (...) Era um homem positivo e um referente que inspirava todos aqueles que queriam conseguir retos difíceis a partir do diálogo e o compromisso democrático" (...) "Peres era um bom amigo da Catalunha e os Catalães guardam um grande respeito pola memória dele". Carod-Rovira também guarda umha boa lembrança dele: "Fui falar com ele com toda normalidade da situaçom na Catalunha (em 2008) e nom percebi nem o mais mínimo grau de hostilidade. Ousaria a dizer que mais bem todo o contrário" (...) Logicamente nom tomou partido. Cabe levar em conta que para Israel, Espanha é um referente que nom querem como inimigo, por causa do grande número de sefarditas. Ja me encarguei de sublinhar as semelhanças entre Judeus e Catalães, bem como o anticatalanismo e o antissemitismo de Espanha".

Em 30 de setembro de 2016 as CUP no Concelho de Barcelona demandam que se ponha fim ao acordo de Amizade e Colaboraçom tripartido com Telavive e Gaza para limitá-lo à cidade palestiniana. A presidenta da câmara, Ada Colau (próxima de Podemos), rejeitou o pedido alegando que o "irmandamento fora assinado [em 1998 por Joan Clos] para reforçar o suporte ao Processo de Paz de Oslo", acrescentando que "é positivo mantê-lo a três bandas, mas queremos demandar o fim da ocupaçom da Palestina". Porém, o governo de Barcelona nom renovou em novembro de 2015 o acordo de Amizade e Colaborçom entre Barcelona e Telavive. Atualmente continuam vigentes o referido Acordo Tripartido de Amizade e Colaboraçom entre Barcelona, Gaza e Telavive e entre o Instituto Municipal de Educaçom e a Autoridade para a Lembrança dos Mártires e Heróis do Holocausto (Yad Vashem) em suporte das vítimas do nazismo.

Em novembro de 2016 umha delegaçom do Governo catalão viaja a Israel para conhecer as técnicas em cibersegurança mais avançadas do setor. Esta delegaçom, formada por Mossos d'Esquadra, reune-se com membros do Mossad. Estes tipos de contactos foram realizados também por membros doutras polícias autonómicas como a Ertzaintza. Esta visita fortaleceu a teoria de que Israel poderia estar ajudando à polícia catalã a criar umha unidade de contra-inteligencia em caso de a Catalunha se separar de Espanha.

Tal vez por isso, o ministério espanhol dos Negócios Estrangeiros, duvidava na hora de permitir a abertura do novo Consulado Honorário de Israel em Barcelona. Esta é provavelmente a razom pola que o cônsul recentemente nomeado em Barcelona foi António Sánchez Molina, advogado catalão nom independentista próximo da burguesia espanholista barcelonesa. Para cobrir a vaga do Consulado Honorário de Israel em Barcelona, vacante desde 1997, baralharam-se vários nomes de pessoas alinhadas com a estratégia soberanista. Estas pessoas foram o publicista Lluis Bassat (ex-publicista de Jordi Pujol que acompanhara as delegações catalãs de visita a Israel durante a presidência de CiU e do PSC), David Madí (mão direita de Artur Mas) e Carles Vilarrubí (vice-presidente do FC Barcelona). Mas a pessoa escolhida polo Embaixador de Israel em Espanha e Andorra, Daniel Kurner, e aceite polo ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol foi o antedito Sánchez Molina. Com efeito, a política diplomática do embaixador de Israel em Espanha tem sido muito diferente à do seu antecessor, Alon Bar, que fizera inúmeros acenos de simpatia com os movimentos nacionalistas tanto catalães como bascos.

A reabertura do Consulado de Israel na Catalunha, prevista desde o mês de janeiro, produz-se finalmente em 2 de dezembro de 2016 logo de serem concedidos os permisos diplomáticos outorgados polo governo espanhol. Israel está considerado polo Governo espanhol um dos países que poderia reconhecer a independência catalã.

O novo consulado terá um carácter honorário, isto é, com um nível diplomático inferior ao dum consulado regular e sem imunidade diplomática. Porém, representa um primeiro passo para estabelecer relações diplomáticas na capital da Catalunha, como têm os principais países. Barcelona é a quinta cidade do mundo sem ser capital dum Estado independente com mais consulados por causa do peso económico e a situaçom geopolítica depois de Hong Kong, Nova Iorque, Los Angeles e Hamburgo.

Israel ja abriu um consulado honorário em Barcelona em 1994. O cônsul foi David Melul Benarroch até o seu passamento em 1997. Desde entom nom houve consulado israelita em Barcelona. A presença diplomática israelita na Catalunha é umha reivindicaçom do Governo catalão e de diversos setores empresariais pola crescente presença do turismo israelita na Catalunha e polo incremento dos intercâmbios comerciais.

Em dezembro de 2016 o Reino de Espanha, que presidia o Conselho de Segurança da ONU, vota em favor da resoluçom 2334 que condenava e declarava ilegal todos os colonatos israelitas na Cisjordânia. Mesmo relativamente a Jerusalém, Espanha nom apoiara a Israel na ONU anteriormente e mesmo chegou a apoiar as diversas resoluçõs que negam as ligações judias com a capital de Israel.

Na véspera do referendo de autodeterminaçom da Catalunha entre o Principat e Israel habia 13 convénios de colaboraçom, 5 dos quais travados durante missom de Artur Mas em 2013. Dos oito restantes, um data da segunda legislatura de Jordi Pujol (1984-88), quatro doutros momentos da presidência de Artur Mas (2010-16) e os três restantes foram assinados durante a presidência de Carles Puigdemont (2016-17). Os acordos comerciais e institucionais Generalitat-Israel estám basicamente ligados a projetos de investigaçom, à promoçom industrial ou económica ou à colaboraçom entre centros educativos.

As ligações do soberanismo catalão despertara receus entre os unionistas. Num artigo publicado em "Jerusalem Post", Juan Girauta, um dos líderes partido unionista Cidadãos, recomendava aos israelitas que se opuseram ao referendo de independência da Catalunha porque os aliados do Governo catalão som anti-israelitas, em alusom às CUP.

Segundo o jurista Jaume Renyer, "o facto certo é que hoje o fator Israel é chave para identificar as tensões internas da sociedade catalã atual, ja que nele se projeta, em favor ou em contra, a pugna entre os que, por um lado, querem construir um estado alicerçado na identidade nacional do povo que se autodetermina, o seu carácter democrático e um sistema social e económico orientado à prosperidade, e por outro, os que tencionam construir um estado totalitario que para poder implementar-se precisa excluir os que nom encaixam nos parámetros ideológicos do anticapitalismo sobre os quais se quer edificar".