sexta-feira, 3 de julho de 2020

SEGUNDA VAGA POR COVID-19 EM ISRAEL: ALARMANTE AUMENTO DE CASOS

Na sequência da segunda vaga por COVID-19, a contagem de novos casos em Israel aumentou novamente na noite de quinta-feira em 1.107, para um total de 27.542, dos quais 9.618 estão ativos. 

Os casos graves também estavam chegando aos 70. O número de mortos subiu para 325. O número de testes aumentou de cerca de 20.000 por dia para 24.404. 

Na noite de quinta-feira, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o ministro da Saúde, Yuli Edelstein, anunciaram novas restrições à aglomeraçom (nom mais que 50 pessoas) em qualquer evento ou local público.


sábado, 20 de junho de 2020

ALERTA DE SEGUNDA VAGA POR COVID-19 EM ISRAEL

O aumento atual do nível de infecçom por coronavírus, se persistido, levaria Israel a mil novos casos por dia e muitas centenas de mortes, salvo que novas restrições fossem impostas, alertou o hoje o Centro de Dados de Coronavírus da Diretoria Nacional de Inteligência.

O Centro deu o alarme depois de confirmar que Israel está a passar pola sua segunda onda da doença com características diferentes, mas igualmente sérias. O novo pico de infecçom exige pensar em se preparar para um segundo confinamento, apesar dos danos à economia. O Centro recomenda que este tendência possa ser evitada por meio de certas medidas urgentes, entre as quais, a reconsideraçom das decisões mais recentes para reabrir a economia, aplicaçom mais rigorosa das regras de saúde, mais informações para o público, restabelecimento de centros de quarentena em hotéis, e impulsionar testes epidemiológicos e pesquisas para reduzir as cadeias de infecçom.

O relatório leva em consideraçom o preço económico das restrições mais rígidas, mas afirma que, se as autoridades agirem rápida e decisivamente, as consequências económicas e sociais poderám ser comparativamente moderadas. 

Na terça-feira passada, depois que o centro pediu a suspensom de mais relaxamentos, os ministros prosseguiram e aprovaram a reabertura de teatros e locais de lazer.


Outros 304 casos foram registrados entre sexta e sábado, elevando o total para 20.500, incluindo 4.300 casos ativos. Eles incluem 40 em estado grave, dos quais 28 precisam respiradores.

sábado, 6 de junho de 2020

JUDAÍSMO MESSIÁNICO É CRISTIANISMO DISFARÇADO DE JUDAISMO

Na sua origem, grande parte do movimento "Jews for Jesus" ou o "judaísmo messiánico" tinha um único fim: converter Judeus em cristãos. "Emascarando" serem Judeus, acompanhando as suas práticas e costumes, inculcavam a crença em Jesus como o Messias. O seu fim é proselitista.

Porém, nos últimos trinta anos muitos ex-católicos na maioria de casos começaram acompanhar pastores evangélicos que, num determinado momento, começaram a "redescobrir o judaismo" e começaram a fazer um sincretismo esquisito.

No seu discurso, sem abandonar a crença em Jesus como o Messias (doutrina central cristã), defendem que as Igrejas malinterpretaram a mensagem de Jesus, sendo que ele nunca abandonara o judaismo, polo qual propõem viver como Judeus, acreditando em Jesus como Messias.

E qual é o problema? Na realidade som muitos.

1. Este "sincretismo" judaico-cristão era genuino 1950 anos atrás, quando muitos Judeus, sem abandonar a sua prática judaica, começaram a acreditar em Jesus como o seu messias. Esta foi a primeira geraçom após a sua morte. Porém, nos finais do século I d.n.e. o judaismo "oficial" rejeitou Jesus como o Messias e os seus seguidores também começaram a rejeitar o judaismo, as suas práticas, instituições e doutrinas. Paulo de Tarso e os seus seguidores dam o golpe final da separaçom.

2. O Judaísmo nos últimos 1900 anos de forma unánime, apesar de todas as diferenças internas, caracterizou-se pola sua rejeiçom a Jesus e o cristianismo teologicamente apresentou-se como umha suepraçom do judaísmo e as suas práticas.

3. Existem dezenas de incongruências nos discursos das lideranças messiánicas. Alguns dizem que os próprios textos rabínicos aceitam realmente a Jesus como o Messias e outros dizem que os textos rabínicos som "invenções" de Judeus que odiavam Jesus, ergo falsos.

Os que conhecem realmente o Talmude sabem que existe umha rejeiçom absoluta da figura de Jesus como Messias. Para o judaísmo rabínico Jesus foi um rabino errado "pecou e fez pecar"; isto é, fez com que Judeus abandonassem o judaismo. Mais nada. E se defendem que os textos rabínicos som falsos muitos dos costumes que adotam como "judeus messiánicos" som rabínicas e nom bíblicas, polo qual isto também é umha clara incongruência.

Em resumo; acho que existem Judeus messiánicos mal-intencionados, aqueles que procuram converter os Judeus a acreditar em Jesus, e outros bem-intencionados que acham realmente que este é o caminho religioso correto. Gostaria de dizer algo aos "bem-intencionados": nom se pode ser umha cousa ou a outra. Ou se é judeu ou se é cristão. Ambas estám bem, ambas som formas válidas de se aproximar de Deus. O que devem ter muito claro é que o que fazem nom é judaismo.

Nom é judaismo porque os Judeus rejeitamos há miles de anos a Jesus como o Messias e nom vamos começar a fazê-lo 2000 anos depois. 

Nom é judaismo porque os Judeus somos nom apenas umha religiom, mas um povo, e a maior parte deste grupo é foránea ao "povo judeu".

Nos meus encontros com messiánicos, salvo honrosas exceções, tenho deparado com muita ignorância, tergiversaçom, fanatismo cristão "difarçado de devoçom judaica", muito de aspiracional, ideias básicas e corrompidas do judaismo.

Em poucas cousas sou tam enfático como neste tema porque alastra a mentira, a desinformaçom, o abuso de poder, a loucura messiánica, o fanatismo, os pastores vende-fumo...

O judaismo messiánico ou messianismo segue a ser cristianismo "disfarçado de judaísmo".

Traduzido para o galego-português por CAEIRO

sexta-feira, 5 de junho de 2020

ISRAEL ESTÁ NO TOPO MUNDIAL DA DESPESA DE I&D

O Estado de Israel está no topo da lista de países/regiões por gastos em investigaçom e desenvolvimento (I&D) em termos reais e confome os dados mais recentes disponíveis relativamente à porcentagem de Produto Interno Bruto (PIB) e de despesas em I&D per capita (em US$ PPP)


Porém, no que diz respeito ao gasto em I&D (em miles de milhões US$ PPP), Israel ocupa o posto número 17, umha posiçom situada entre o Reino de Espanha e os Países Baixos.

PPP: Paridade do poder de compra

quarta-feira, 27 de maio de 2020

MORREU ALBERT MEMMI

Herdeiro dumha tripla cultura  (judaica, berber e francesa), o escritor, pesquisador e ensaista Albert Memmi finou no passado 22 de maio em Paris. O pensador da "judeidade" e dum sionismo de esquerda, durante a vida inteira tentou construir pontes entre o oriente e ocidente e entre Judeus e Árabes.

Albert Memmi (1920-2020)

Nascido em 15 de dezembro 1920 na Tunísia colonial, o seu talento foi reconhecido muito cedo por Albert Camus e Jean-Paul Sartre, que precederam os seus primeiros trabalhos. O primeiro romance, "The Salt Statue" (1953), ele maravilhava-se ao sofrer de várias identidades, como seu personagem principal, Alexandre Mordekhaï Benillouche.

O Retrato do colonizado, precedido polo "retrato do colonizador", um ensaio publicado em 1957, no qual expressava a interdependência existente entre o colonizador e o colonizado. Um livro, cuja vencedora do prêmio Nobel, a sudafricana Nadine Gordimer, escreveu o prefácio da traduçom para o inglês, e do qual o presidente senegalês Léopold Sedar Senghor disse estar "entusiasmado". "Um documento ao qual os historiadores da colonizaçom terão de se referir", frisou o o primeiro presidente senegalês.
Retrato do Colonizado precedido do Retrato do Colonizador

Albert Memmi nasceu em Tunes, o segundo filho de treze irmãos, numha família judia de língua árabe mas de cultura berber muito modesta. Ele frequentou umha escola rabínica muito jovem e depois a escola primária da Aliança Israelita, onde aprendeu francês. Estudante brilhante, recebeu umha bolsa de estudos que lhe permitiu ingressar no liceu francês de Tunes.

Durante a Segunda Guerra Mundial, logo após o desembarque dos Aliados na Argélia em 1943, os alemães invadiram a Tunísia e ele foi enviado para um campo de trabalhos forçados.

No final da guerra ele partiu para Argel para estudar filosofia, estudos que ele perseguiria na Sorbonne em Paris.

Casou-se com umha francesa e estabeleceu-se com ela em Tunes, onde dirigia um laboratório de psicossociologia, ensinou filosofia e dirigiu as páginas culturais do semanário L'Action (a futura Jeune Afrique).

Mas após a independência da Tunísia em 1956, e apesar de apoiar o movimento de emancipaçom do seu país, Memmi nom consegue mais encontrar o seu lugar nesse novo estado que se tornou muçulmano.

Ele entom partiu para Paris, onde se tornou professor de psiquiatria social na École Pratique des Hautes Etudes e pesquisador do CNRS.

Exclusão e compromisso

Na França, dividido entre suas diferentes culturas, ele também nom encontrará seu lugar, ele, a criança pobre, o magrebino desprezado.

Ele descreve esse doloroso "entre dous mundos" numha passagem de "A estátua de sal" enquanto ele passa o Grau em Filosofia, o seu estômago grita fome e ele sente-se desconfortável, desamparado, excluído, entre todos esses filhos burgueses abastados que falam num tom pedante de perguntas abstratas ... Ele entom percebe que estará "em casa", mas nunca "um dos seus".

Ele recebeu reconhecimento internacional ao publicar o seu ensaio Retrato do colonizado em 1957, um dia após a independência da Tunísia. Nesta obra-prima deixa umha elaboraçom teórica que permite explicar as consequências últimas da dominaçom dum povo por outro. Analisa os efeitos sociológicos e psicológicos da opressom para abrir caminhos de liberdade e achega categorias doutrinais decisivas na conformaçom do pensamento de movimentos de libertaçom nacional como o galego.

Capa da traduçom para o galego do Retrato do Colonizado | Laiovento

Na altura da publicaçom d'O Retrato a França estava mergulhada na guerra da Argélia e ele encontrou sérias dificuldades com o governo, que o censurava polo seu envolvimento com os "colonizados" e recusava a naturalizaçom francesa. Ele só a conseguiu em 1973, com a ajuda de Edgar Pisani, também nascido em Tunis.


Com o editor Maspéro, ele dirige a coleçom "Domaine maghrébin". Memmi também publicará a partir de 1965 uma "Antologia das literaturas do Magrebe".

No início da década de 1970, ele refletiu sobre suas origens judaicas e, em seguida, fundou o conceito de judaidade (em francês judéité) como alicerce do seu trabalho exploratório, um conceito que mais tarde seria usado por muitos intelectuais.

Ele também fundou o conceito de heterofobia, que ele desenvolve no seu livro "Racismo", como "a recusa de outros em nome de qualquer diferença".

Ele também publicou vários ensaios: "Retrato de um judeu", "A libertação do judeu", "O homem dominado", "Judeus e Árabes", "Dependência".

Mais recentemente, Albert Memmi nom compartilhara o entusiasmo de muitos de seus contemporâneos relativamente ao o surgimento da "Primavera Árabe" em 2011. "Se os muçulmanos árabes nom querem o secularismo, e o problema nunca é resolvido, nom vai ser sério (...) e se nom combatermos a corrupçom, serão fofocas ", afirmou ele em entrevista na televisão, rindo do" tipo de delírio que 'agarrou intelectuais e jornalistas ".

Para o jornal galego NÓS DIARIO o seu passamento produz-se num contexto de silêncio da oficialidade mas tamén das correntes políticas e de pensamento devedoras dos seus importantes contributos e dos seus esforços por ofrecer um quadro de compreensom da condiçom dos dominados. A sua obra teórica contextualiza-se num movimento da história da humanidade no que as nações exploradas polo colonialismo iniciam um novo caminho libertadas dos grilhões das metrópoles. O seu contributo doutrinal liga à produçom de autores como Frantz Fanon, Aimé Cesaire ou Paul Baran, e responde à mesma preocupaçom de dotar de razões os movimentos de libertaçom nacional.


Albert Memmi, referente sionista deste blogue, sempre defendeu a existência de Israel a partir do humanismo. A suas reflexões aparecem recolhidas nos seguintes artigos:

Israel por Albert Memmi


A esquerda e o conflito israelo-árabe


Teses e antiteses sobre o sionismo
Tese 1ª: O sionismo é um movimento reacionário e imperialista
Tese 2ª: Israel recebe dinheiro americano
Tese 3ª: Israel desenvolve-se mais rapidamente
Tese 4ª: Israel é um posto avançado, umha consequência do imperialismo americano
Tese 5ª: Israel é um guerreiro agressor com o melhor exército do mundo
Tese 6ª: Israel ocupa territórios árabes e existem refugiados

sexta-feira, 15 de maio de 2020

A DEMAGOGIA DO BDS NA PANDEMIA

No passado 9 de maio, o PRAVDA, o principal jornal da Uniom Soviética e órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista da Uniom Soviética (PCUS) entre 1918 e 1991 e  do Comité Central do Partido Comunista da Federaçom Russa a partir de 1997, publicou um artigo respeitante à fasquia marcadamente antissemita do Movimento BDS. 

O artigo de opiniom, de especial significância politica, produz-se no dia do 75º aniversário da ratificaçom da rendiçom alemã no quartel soviético em Berlim-Karlshorst,

Por Floriano Pesaro, sociólogo


O movimento antissemita BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) contra o Estado de Israel - e, também por isso, antissemita - dispensa apresentações e não nos brinda com mínimas expectativas de grandeza, haja vista sua própria natureza. Contudo, no início de abril - quando escrevo essa reflexão - chamou-me atenção a desfaçatez do fundador do movimento, Omar Barghouti, ao dizer que "se Israel encontrar a cura para o câncer, por exemplo, ou qualquer outro vírus, então não há problema em cooperar com Israel para salvar milhões de vidas" durante um "webinar", seminário virtual, do BDS. O movimento, ainda na descrição do evento, acusava também Israel de "continuar explorando os trabalhadores palestinos sem a mais simples proteção" e acusava os oficiais palestinos de "normalizarem" a cooperação com Israel.

Ora, a desfaçatez e a demagogia já costumeiras desse movimento ultrapassaram os limites do bom senso em muitos aspectos, mas quero ater-me aqui a dois deles: a desfaçatez do movimento ao abordar a posição de Israel frente a um desafio humanitário e a propositada omissão do papel de Israel no desenvolvimento dos tratamentos de saúde.

Comecemos pela insuspeita Organização das Nações Unidas (ONU) que, por tantas vezes, já emitiu comunicados e decisões parciais que desconsideravam a história, o legado e a legitimidade dos pleitos israelenses, dessa vez viu-se impelida em reconhecer, nos mais variados níveis, os esforços de Israel na cooperação com os oficiais palestinos. Esse reconhecimento veio, inclusive, no pronunciamento do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que mencionou a estreita cooperação entre Jerusalém e Ramallah durante uma conferência de imprensa anunciando o lançamento do "Plano Global de Resposta Humanitária COVID-19".

Contudo, quero destacar o que os antissemitas do BDS nem sequer mencionaram: o ramo palestino do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, longe de ser um órgão imparcial, publicou em seu primeiro "relatório de emergência" que existe uma "cooperação sem precedentes nos esforços destinados a conter a pandemia entre as autoridades israelenses e palestinas" enfatizando o trabalho feito pelo Coordenador de Atividades Governamentais de Israel nos Territórios (COGAT) na organização de treinamentos para as equipes médicas palestinas, da doação de mais de 1 mil kits de testes e milhares de equipamentos de proteção individual (EPIs) e da liberação de US$ 25 milhões para as autoridades palestinas conterem os impactos econômicos da crise - isso tudo, vale salientar, num momento em que os países se estranham mundialmente em buscas desses mesmos suprimentos (testes, EPIs e recursos financeiros) que Israel doa, independentemente de retribuição sequer amigável, para o outro lado da fronteiras.

Além de omitirem os esforços humanitários israelenses na cooperação apesar das incessantes violações e ataques contra Eretz Israel de grupos terroristas abrigados nesses mesmos territórios que hoje recebem ajuda humanitária hebraica, o fundador do BDS chega ao segundo ponto que quero enfatizar: supõe que Israel pode, no futuro, desenvolver curas e tratamentos de saúde dos quais seria legitima - mesmo que o movimento tente promover a escassez de recursos e parcerias contra Israel - sua utilização pelos antissemitas. Barghouti parece esquecer que Israel já fizera centenas de inovações na área de saúde - muitas delas sobre as quais me aprofundei em recente artigo nesse mesmo espaço - que, certamente, gozam de uso dos defensores do BDS sem qualquer constrangimento. Não era necessária, portanto, a "autorização" do líder para que o oportunismo fosse posto em prática.

Israel sempre quis e continua querendo paz e respeito a sua história e seu território e esse é mais um episódio que escancara o antissemitismo do BDS e de setores da oficialidade palestina que sonegam informações e criam falsas narrativas que tentam impor a Israel um papel que não lhe cabe na complexa relação com seus vizinhos. É preciso reiterar que essa é hora de humanismo e os israelenses estão mostrando isso de uma maneira bela e altamente desprendida. Esperamos que, no futuro os defensores do BDS sejam, ao menos, corajosos para assumir sua incoerência quando lhes convêm."

Floriano Pesaro
SITE: floriano45.com.br
Facebook: Floriano Pesaro
Twitter: @Floriano45

Foto: By Diebold Schilling - Heritage. Civilization and the Jews by w:Abba Eban p.160 Credit: Burgerbibliothek, Lucerne, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=757451