sexta-feira, 17 de setembro de 2021

RETIRADA AMERICANA E A CONSTRUÇOM DUM NOVO PRÓXIMO ORIENTE

 Para ser justo com o atual presidente norte-americano, a intençom de retirar todas as tropas dos EUA do Afeganistão nom é umha ideia da sua autoria. Polo menos nom originalmente. Os seus dous antecessores – Barack Obama, de quem foi vice-presidente, e Donald Trump – manifestaram essa vontade. Por mais que os espectros ideológicos sejam absolutamente opostos, Obama e Trump pretendiam encerrar a presença norte-americana no país. Mas entre intenções e atos existe um abismo enorme. Nem Obama, nem Trump levaram o projeto adiante. 

Um helicóptero militar dos EUA sobrevoa Cabul durante a evacuação de pessoal a 15/8/2021

Basta ter em mente que Obama anunciou em 1 de dezembro de 2009 que em 18 meses a partir daquela data iniciaria a retirada das forças dos EUA. Fez mençom a este plano noutras ocasiões ao longo do mandato e também durante a vitoriosa campanha de reeleiçom. Obama acreditava que esta decisom poderia “acabar” com a guerra. Mas ele conhecia as repercussões e os riscos envolvidos e, por isso, desistiu. 

Trump também queria retirar as tropas. Como sistematicamente fez campanha contra incursões internacionais de maneira ampla (e também contra a própria atuaçom internacional do país, inclusive em relaçom a despesas com política externa e apoio a aliados), evidentemente o Afeganistão entrava na mira das críticas. No entanto, Trump também nom levou adiante a empreitada. De algumha maneira, também foi convencido – ou ele mesmo chegou à conclusom – de que deixar o Afeganistão e abrir caminho para umha óbvia retomada do país pelo Talibã enviaria a mensagem errada para aliados e inimigos no Próximo Oriente e além. 

Biden, no entanto, tomou para si a responsabilidade de encerrar a presença norte-americana em território afegão. E as consequências de sua decisom som muito claras (nom era exatamente difícil imaginá-las); os inimigos dos EUA celebram o que já definem como uma grande derrota norte-americana e um feito da “resistência”. 

No Próximo Oriente mais interessado no conflito com Israel, as respostas som similares: o Hamas publicou um comunicado de congratulações à “naçom muçulmana afegã pola queda da ocupaçom americana”

O recém-empossado presidente iraniano, Ebrahim Raisi, disse que “a derrota militar e a retirada norte-americana devem oferecer umha oportunidade de restaurar a vida, a segurança e a paz duradoura ao país”. O mesmo caminho foi seguido por Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Exteriores iraniano que está a deixar o cargo. “Violência e guerra – como ocupaçom – nunca resolvem problemas”, escreveu no Twitter. Na segunda-feira, Zarif teve um encontro em Teerã com o enviado especial chinês para o Afeganistão. 

Está claro que existe um processo acelerado de incorporaçom deste novo-velho Afeganistão do Talibã ao projeto hegemônico regional iraniano. Mais ainda, há a clara intençom de aliança de forças opostas aos EUA com este novo-velho regime. 

Esta é umha derrota inegável da administraçom Biden; depois de 20 anos de presença norte-americana no país, o Afeganistão será rapidamente incluído num esquema que atende a muitos objetivos dos inimigos dos EUA. Nom se trata apenas do Irã, mas do posicionamento estratégico de China e Rússia que pretendem forjar um novo sistema internacional a partir do enfraquecimento norte-americano. A retomada do Afeganistão pelo Talibã facilita este plano nom apenas do ponto de vista objetivo, mas também levando-se em conta a desconstruçom do imaginário sobre os EUA. 

A 16 de agosto a China convertia-se na primeira potência a manifestar a vontade de travar "relações amigáveis" com os talibãs

E o imaginário é um aspecto fundamental também em relaçom ao conflito entre israelitas e palestinianos. Nom por acaso a celebraçom da tomada do país pelo Talibã por parte de dous dos atores mais importantes do conflito com Israel: Hamas e Irã. 

Vale mencionar também a declaraçom de Moussa Abu Marzouk, membro sênior do Hamas [15/8/2021]. Ele nom poderia ter sido mais explícito: “O Talibã confrontou a ‘América’ e os seus agentes, e recusou-se a assumir compromissos com eles (os norte-americanos). Eles (os membros do Talibã) nom foram enganados por manchetes brilhantes sobre ‘democracia’ e ‘eleições'”, disse. 

Na década de 1990 apenas três lugares no mundo tinham um Comité para a Prevençom do Vício e a Promoçom da Virtude: Arábia Saudita, o Afeganistão dos talibãs e a Faixa de Gaza.

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh ligou o lider talibã Mullah Baradar para o parabenizar pola "derrota da ocupaçom dos EUA". Segundo Haniyeh: "A derrota da ocupaçom dos EUA no Afeganistão é o prelúdio da derrota da ocupaçom israelita na terra da Palestina"

O Hamas apressou-se a publicar umha fotografia dum encontro entre Haniyeh e Baradar, líderes islamitas refugiados/protegidos no Catar

No final das contas, a decisom de Joe Biden está a ser cooptada ideologicamente polo eixo de oposiçom aos EUA. Irã e Hamas usam o termo “ocupaçom” porque nom iriam perder a oportunidade de vincular EUA e Israel e traçar paralelos entre a presença norte-americana no Afeganistão e a israelita na Cisjordânia. 

Hamas e Irã querem aproveitar ao máximo este momento para estabelecer relações de causalidade, muito embora sejam situações distintas: se depois de 20 anos os EUA deixaram o Afeganistão, portanto seria possível conceber que a “derrota” israelita ocorreria com o tempo, quase como um fenômeno natural vinculado nom a negociações e engajamento com os israelitas, claro, mas à manutençom da “resistência”. Mas há problemas neste raciocínio; os principais som as definições e as visões distintas a partir desta linha narrativa de ambos (Irã e Hamas). 

A pergunta principal que se encaixa nesta questom é simples, mas de resposta distinta: o que significaria derrotar Israel (e faço uso aqui do termo “derrotar” porque assim está a ser interpretada a retirada norte-americana do Afeganistão)? 

Para parte da comunidade internacional, a derrota israelita seria a criaçom dum estado palestiniano em Gaza e na Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como capital, além da retirada das colónias israelitas da Cisjordânia (ou Judeia e Samária, como definem os Judeus). A questom aqui é que esta nom é – nem nunca foi – a visom do Hamas e Irã. Para ambos, a própria existência de Israel é o problema. 

E, portanto, na visom de ambos (Irã e Hamas) derrotar Israel significa acabar com o estado judeu. Ninguém é capaz de responder ao certo qual seria o destino da populaçom judaica nesta configuraçom, mas dado o nível de hostilidade no discurso, o histórico de atentados terroristas cometidos por Hamas e Irã (inclusive contra comunidades judaicas fora de Israel), a ideia de fraternidade entre judeus e muçulmanos no dia seguinte a esta imaginada derrota de Israel nom passa de ilusom. 

A queda do Afeganistão a mãos dos talibãs coloca umha pergunta: se Israel se retirasse da Cisjordânia, os terroristas do Hamas tomariam o poder tam rapidamente como os talibãs tomaram cota do Afeganistão?

O Idlib, território sírio controlado por "islamitas moderados" e o Hamas foram os dous primeiros movimentos ou protoestados a felicitar publicamente os Talibã.

De qualquer maneira, de modo a retornar ao cenário afegão e às repercussões internacionais a partir da retirada dos EUA, este projeto de Irã e o Hamas ganha um impulso nom planejado. E, evidentemente, as novas potências nom regionais em atuaçom – China e Rússia – cada vez mais se consolidam na posiçom de liderança deste novo Próximo Oriente.

Fonte: CONEXÃO ISRAEL

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

VÍCTOR JARA, AMIGO DE ISRAEL

Víctor Jara y Quilapayún, amigo de Israel, foi assassinado polos fascistas a 16 de setembro de 1973. Detido logo depois do golpe de Pinochet, houve um boato de que teria tido as suas mãos cortadas como parte do "castigo" dos militares ao seu trabalho de conscientizaçom social dos setores mais carenciados da sociedade chilena. Porém, na exumaçom do corpo do cantor de intervençom, realizada em junho de 2009, foi confirmado que, na verdade, as suas mãos foram esmagadas por coronhadas dos soldados.

Em 1967, o ano da Guerra dos Seis Dias, quando Victor Jara e Quilapayun gravaram o popular tema israelita: "Erev Shel Shoshanim" (Noite das Rosas), como demonstraçom de solidariedade com o Estado judeu permanentemente ameaçado na sua existência polo imperialismo dos estados árabes vizinhos.



Em 10 de setembro, Victor Jara cantou em público pola última vez antes de seu assassinato no golpe fascista de 11 de setembro de 1973.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

OS NEGACIONISTAS DA VACINA EM ISRAEL

A seguir reproduzimos o que a jornalista Daniela Kresch escreveu sobre os negacionistas israelitas para o Instituto Brasil-Israel:

  Israel, a moderna Startup Nation, também tem os seus negacionistas da vacina. O país tem 9,3 milhões de habitantes, sendo que 7,4 milhões deles estám acima dos 12 anos e podem receber a vacina no momento em que quiserem. É só marcar hora num dos 4 kupot cholim (planos de saúde universal) e ir, de graça, receber o imunizante da Pfizer. Mas, apesar da facilidade e da disponibilidade, mais de 1,1 milhom de israelitas elegíveis nom foram receber nem a primeira dose, até agora. Isso significa 15% dos que se podem vacinar e 12% da populaçom total do país.

Quem som eles e por que colocam as suas vidas e as vidas de outros em perigo? 

Eles fazem parte das principais minorias do país (Árabes, Russos, ultraortodoxos e Etíopes), além dos jovens em geral e dos negacionistas-raíz (anti-vaxers em geral). Já-já explico as motivações de cada um desses grupos, de acordo com reportagens recentes da imprensa local.

Até um mês atrás, Israel vivia umha espécie de paraíso em comparaçom a países como o Brasil. Os níveis de infecçom, internações e mortes estavam baixíssimos, com zero falecimentos e apenas 20 pessoas, em todo o país, internadas em estado grave por causa da Covid-19. A economia reabriu geral e as máscaras foram abolidas. Mas, desde meados de julho, com a chegada da variante Delta e da quarta onda de Covid-19, tudo mudou e os números sobem ladeira acima. Agora, som mais de 5 mil infectados por dia, 160 mortos só desde o começo de agosto e quase 430 pessoas internadas em estado grave. 

Segundo estimativas do próprio governo, se tudo continuar assim, em setembro haverá 2.400 pessoas em estado grave. Levando-se em consideraçom que um quarto dos internados vem a falecer, pode ser que Israel tenha 600 mortos nalgumhas semanas. Até agora, desde o começo da pandemia, foram 6,593 (a 12 de agosto). Diante de tudo isso, a expectativa é que o governo imponha um quarto lockdown em setembro, mesmo que Israel tenha começado a vacinar os maiores de 60 anos com a terceira dose (a partir de 2 de agosto).


Em Israel, 17% da populaçom elegível nom quis tomar a vacina. Hoje, eles representam 65% dos casos graves no país. Metade dos doentes graves (internados e entubados em hospitais) é árabe.

Antes do advento da variante Delta, os especialistas diziam que bastavam cerca de 60% de vacinados para que Israel alcançasse a imunidade coletiva. Algo como 5,6 milhões de pessoas. No momento, Israel tem 5,4 milhões de imunizados com as duas doses: 59%. Isso bastava, quando se tratava do vírus original (Alfa) e das variantes Beta e Gama. Mas a Delta mudou tudo. É muito mais contagiosa. Agora, os especialistas dizem que será necessário umha imunizaçom de 90% da populaçom para alcançar a imunidade coletiva, o que incluirá crianças com menos de 12 anos também (quando isso for aprovado).

Então, se antes ninguém se importava com os negacionistas, os amantes de conspirações e fake news e os apenas irresponsáveis ou ignorantes, agora tudo mudou. É claro que há quem nom pode mesmo vacinar-se por questões de saúde. Mas, e os outros que insistem em colocar a sociedade toda em perigo?  

Grupos contrários à vacinaçom

Segundo reportagem do Canal 12 da TV israelita, eles fazem parte dos seguintes grupos:

1) Árabes-israelitas, principalmente os beduínos do Sul do país, por desconfiança nas autoridades, desconexom com o país e tendência a acreditar nas fake news que circulam polo mundo árabe. Metade dos internados e entubados em hospitais, atualmente, é árabe. Mais de 570.000 árabes-israelitas com mais de 12 anos nom se vacinaram, metade do total dos nom imunizados. 

2) Haredim (ultraortodoxos), que tendem a achar que já adoeceram ou que o seu destino está nas mãos de Deus, nom da ciência. Nas primeiras ondas de Covid, esse grupo foi o mais problemático, mas o seus líderes entraram em acordo com as autoridades de saúde e eles passaram a colaborar mais. Pode ser que isso volte a acontecer, agora.

3) Imigrantes da ex-URSS, que tendem a acreditar em fake news e teorias conspiratórias que circulam em redes sociais russas e só tomariam a vacina russa (Sputnik V). Em geral, os imigrantes mais antigos estám mais inseridos na sociedade, mas os recém-chegados assistem canais de TV e ouvem rádios da Rússia, sendo influenciados por umha cultura conspiracionista que existe entre os russos.

4) Imigrantes da Etiópia, que desconfiam das autoridades médicas por causa de como foram tratados quando chegaram ao país, principalmente a ideia de que houve tratamentos de esterilizaçom em massa de mulheres etíopes. Afirmam ser vistos como cidadãos de segunda classe e que nom há motivos para acreditar no establishment, agora.

5) Jovens, que se pensam invencíveis e que, se adoecerem, terám apenas sintomas leves. No momento, só 10% dos israelitas com mais de 50 anos nom se vacinaram. Mas quando se olha para quem tem menos de 50 anos, os percentuais explodem. Entre 20 e 49 anos, 25% nom se vacinaram. E entre 12 a 19 anos, 58% nom foram imunizar-se.

6) Anti-vaxxers e “esotéricos”, em geral, que nom acreditam em vacinas em geral, creem em conspirações como a presença de chips nas vacinas e a intençom chinesa de dominar o mundo ou que esnobam e repelem a medicina moderna. A imprensa israelita está falando deles só agora, com reportagens e identificaçom dos principais distribuidores de fake news na internet. Até porque esses grupos – que som marginais, pequenos – estám a fazer muito barulho em protestos em frente as casas de autoridades de saúde.

Fazem parte desse último grupo médicos que perderam o diploma por charlatanismo, representantes de cultos como Cientologia e outras figuras. Infelizmente, o cantor e compositor Matti Caspi, tam querido entre a comunidade brasileira em Israel por amar a música brasileira, é um deles. Depois do começo da pandemia, ele foi morar na Itália e recusa-se a voltar a Israel antes que acabem todas as instruções de distanciamento social e uso de máscaras. Como o Eric Clapton, ele considera a pandemia um engodo.


Só agora, um ano e meio depois do começo da pandemia, Israel começa a lidar com essas populações, que até agora não eram tão problemáticas. Mas com a variante Delta, ficou claro que a sociedade como um todo precisa de solidariedade para enfrentar o vírus. Será que Israel será um exemplo de sucesso ou de fracasso? E mais: é possível o sucesso quando a maior parte dos países do mundo também lida com grupos parecidos? Veremos.

Fonte: Quem são os negacionistas da vacina em Israel e porque eles importam tanto?

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

FUGA DE PRESOS PALESTINIANOS DUM CÁRCERE DE ALTA SEGURANÇA EM ISRAEL

 João Koatz Miragaya

A fuga de seis prisioneiros palestinianos foi uma das maiores vergonhas da história do serviço de segurança de Israel, com traços de tragicomédia e vergonha alheia. 

Os factos

Seis presos escaparam da madrugada de domingo 6 de setembro para segunda 7 de setembro do presídio de segurança máxima de Gilboa, no norte de Israel. Todos eram palestinianos, cinco deles membros da Jihad Islâmica e um era Zakarie Zebaiye, comandante da Brigada de Mártires de Al-Aqsa, braço armado do Fatah.

Quatro dos seis presos cumpriam pena de prisom perpétua, tinham graves crimes nas costas (atentados terroristas, principalmente), e alguns encontravam-se em Gilboa desde a Segunda Intifada (2001-2005).

A prisom de Gilboa está a 4 km da linha verde (dúvida com Cisjordânia) e 14 km da Jordânia.

Como foi a fuga? 

Clássica: Os presos cavaram um túnel e escaparam por baixo da terra, igual que nos filmes de Hollywood. Mas esse filme atual tem elementos de comédia pastelom mesclados com a total negligência do sistema de segurança de Israel.

A história já começa mal com a localizaçom: 4 dos 6 presos som originalmente de Jenin, cidade que fica a 15 km da prisom. Dous, inclusive, som irmãos. Colocar presos tam próximos do quintal de casa nom é algo muito recomendável. Mas isso é só o início da história.

O presídio de Gilboa foi construido durante a segunda Intifada para absorver a grande quantidade de presos palestinianos. Nom foi projetado com o cuidado necessário, e a sua planta chegou a ser divulgada num site pola construtora (o que nom provocou mudanças na estrutura do presídio).

Pra piorar, era sabido que o presídio tem vários espaços vazios, ocos mesmo, abaixo do piso. Ou seja: você quebra facilmente o piso e depara-se com um túnel natural. Facilita muito a fuga, nom precisa quebrar concreto.

Em 2014, houve uma tentativa idêntica de presos que tentaram escapar cavando um túnel, e foram descobertos no último minuto por um guarda que fazia a vigia. Mesmo sabendo dessa tentativa de fuga, nom só nom taparam com concreto os espaços vazios, como nom havia vigia na torre.

Como se nom bastasse, nom havia fiscalizaçom constante nas celas para monitorar tentativas de fuga. Umha fuga dessas demora entre seis meses e um ano desde o planeamento até a execuçom, e ninguém detectou o problema.

A cereja do bolo

Um taxista da regiom viu a fuga, avisou a Polícia, que demorou duas horas para checar o ocorrido e iniciar as buscas, dando aos fugitivos umha enorme vantagem de tempo. Em suma, um festival de incompetência que se estende por anos.

Pois bem, depois de dias de buscas, temor na regiom da Baixa Galileia, euforia na sociedade palestiniana e muito mais, encontrarem dous dos presos na cidade de Nazaré. Umha denúncia anônima ajudou a busca. Os outros quatro seguem desaparecidos.



Na madrugada de 11 de setembro , na regiom de Uhm al-Fahm, foram presos outros dois fugitivos, entre eles Zacaria Zabayie. Fica, portanto, um preso ceive.

Tudo isso gerou umha série de repercussões em Israel, tensões entre o exército e manifestações de palestinianos na Cisjordânia, revolta de outros presos e muito mais. 


Apenas um dado positivo em todo este evento bizarro: foi graças à colaboraçom da populaçom árabe de Israel contrária ao terrorismo palestiniano que permitiu a localizaçom de 5 dos 6 fugidos.

domingo, 12 de setembro de 2021

INAUGURADO MEMORIAL DO POVO JUDEU EM VILARINHO DOS GALEGOS

 Hoje foi inaugurado um monumento em memória do povo Judeu de Vilarinho dos Galegos (Mogadouro) em honra à herança judaica e o património cultural da terra, ficando a memória judaico transmontana mais rica e avivada.

O monumento consiste numha Menorá localizada na entrada da povoaçom e mostra o texto dumha oraçom judia recolhida em Vilarinho dos Galegos em 1933 ou 1934 por Moisés Abrantes, Moreh, publicada no Jornal Ha-Lapid em 1934 (de Antero Neto 2016).


Em memória do Povo Judeu de Vilarinho

O senhor me dê bons dias

e boas manhãs e boas horas alvas,

claras, ricas e boas.

Paz e liberdade a todo o mundo!

Assim como o  senhor apartou o dia da noite,

aparte nossa alma de manchas e pecados,

o corpo de inquisições e trabalhos.

De todos os trabalhos e perigos me queira

livrar

pela nossa misericórida santa do senhor.

Ámen.

No evento houve intervenções de vários historiadores, habitantes e representantes da Rede de Judiarias, músicas e mais. Entre os oradores estiveram o Presidente da Junta de Freguesia, Jorge Alves Ferreira, António Júlio Andrade e Antero Neto, bem como Maria Colzelmann (mecenas do monumento), Isabel Ferreira Lopes e Afonso Maganeta.


Como referido, entre os convidados esteve António Júlio Andrade, vereador na Câmara Municipal de Torre de Moncorvo. 

A seguir reproduzimos um resumo do seu breve depoimento:

Possivelmente, nengumha regiom de Portugal tem desenvolvido e publicado estudos sobre as suas raizes judaicas como o noreste transmontano.

Para além de muitas obras antigas e modernas, de Alexandre Herculano até Barros Basto, Elvira Mea e muitos outros estudosos contemporâneos, alguns dos quais estám hoje aqui. 

Devo dizer que para a publicaçom dumha dúzia de livros, duas dúzias de artigos em revistas e sobre quatrocentas páginas de jornais, Fernanda Guimarães e eu tivemos de ler cerca de 1500 processos da Inquisiçom, durante vinte anos.

Ao mesmo tempo, o Nordeste Transmontano está a ser dotado de centros de documentaçom, espaços museísticos e monumentos em memória dos seus Judeus.

Lembro:

- O Museu Judaico de Carção. O mais genuino e autêntico de todos. Foi desenhado e construído pola gente do povo, sem qualquer ajuda. Todos os objetos expostos pertencem ao povo, foram oferecidos pola gente da terra, que os guardaram religiosamente durante séculos, junto com orações, canções, hábitos alimentares e costumes judaicos. E o Museu nasceu e cresceu a partir do estudo dos processos da Inquisiçom e a publicaçom do livro Carção Capital do Marranismo, em 2007.

- O Centro de Interpretaçom da Cultura Sefardita no Nordeste Transmontano e o Memorial Bragança Sefardita, ambos na cidade de Bragança, inaugurados no verão de 2016, durante um congreso de estudos sefarditas.

- A Rota dos Judeus, em Torre de Moncorvo, que se desenrola entre a antiga Sinagoga e a Casa dos Jesuitas, onde se instalou o inquisidor Jerónimo de Sousa em 1583, durante a primera grande embestida do santo oficio em Torre de Moncorvo e outros locais no Nordeste Trasmontano, inaugurado oficialmente no verão de 2021.

E hoje, em Vilarinho dos Galegos, estamos a criar outro monumento desta Rota dos Judeus em Trás-os-Montes.

Tenho grandes esperanças de que os exemplos dêm os seus frutos e que umha verdadeira Rede de Centros de Documentaçom anime umha Rota de Turismo Cultural que achegue a pessoas do Brasil e do exterior a este Trasmontano Patológico 

Sim, disse: Nordeste Transmontano Patológico, porque, carregando umha grande história, umha herança cultural tam importante, ainda nom podemos traçar umha Rota de Turismo Cultural a partir desta memória e deste património que coloca a nossa comarca no mapa de viagens turísticas.

Meus caros amigos. Os transmontanos levamos lembranças da maravilhosa aventura dos sefarditas que construiram o mundo moderno.

Os Judeus que fugiram de Trás-os-Montes foram grandes em todo o mundo.

Chegou o momento de que os sefarditas de todo o mundo descubram esta terra "prometida" de Sefarad, que os seus antepassados ​​se viram obrigados a abandonar devido à intolerância religiosa e política.

Depende de nós ter a casa arrumada para os poder receber. É assim que se constrói um futuro de cultura e progresso.


ISRAEL CONTINUA A LIDAR COM A PANDEMIA SEM MUITO SUCESSO

 Nas últimas cinco semanas produziram-se 276.112 novos contágios de Covid-19 em Israel e 822 óbitos. Hoje há mais 54.601 casos ativos do que na última postagem da QJ sobre a situaçom epidemiológica por causa da pandemia no Estado judeu.


O que aconteceu? 

Com certeza existem múltiplas causas. Em primeiro lugar, logo dumha bem sucedida campanha de vacinaçom, cabe destacar que Israel deixou de encabeçar a lista de países máis imunizados do mundo. De facto, foi superado por Portugal (86,70%, dos quais 7,06% com apenas umha dose) ou países como Espanha, Uruguai, China, Chile, Irlanda, Canadá, França ou Reino Unido. Israel tem hoje 68,69% da populaçom vacinada (5,67% com apenas umha dose). 

Por outro lado, comprovou-se que a vacina aplicada no Estado Judeu (a Pfizer/BioNTech) perde efetividade após seis meses de receber a segunda dose. É por isso que, a partir do mês de agosto, Israel está a administrar umha terceira dose às pessoas com mais de 40 anos.

De resto, existe umha parcela muito significativa da populaçom que rejeita a vacina. Quer por questões religiosas, quer por simples negacionismo, umha importante faixa está desprotegida perante a propagaçom das variantes do Coronavirus.

Apesar deste panorama desalentador nos últimos dias evidencia-se um recuo na taxa de contágios.

Novos contágios de Covid-19 em Israel 1/8/2021-5/9/2021

Casos graves de Covid-19 em Israel. Julho-Setembro de 2021


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

IV SIMPÓSIO SOBRE JUDAISMO EM TRÁS-OS-MONTES

 Logo de ser adiado em março do ano passado por causa da pandemia de Covid-19, a IVª ediçom do Simpósio sobre a História e Patrimónios judaicos de (em) Trás-os-Montes vai ter lugar os vindouros días 15 e 16 de outubro.

O evento, organizado pola Academia Montsefarad e Centro de Estudos Judaicos do Alto Tâmega, terá lugar em Chaves, com passagem por Lebução (Valpaços) e Rebordelo (Vinhais), e contará com reputados investigadores.

Desde a Questom Judaica animamos a juntar-se a este evento. A gente vai gostar de conhecer um pouco melhor parte da História que ainda se encontra um pouco escondida. Pode fazer a sua inscriçom clicando aqui (é obrigatória, mas grátis!).