sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

A UNICIDADE DA SHOAH

 João Koatz Miragaya

Hoje, 27/01, comemora-se o Dia Internacional do Holocausto (que eu chamarei polo seu nome hebraico - Shoa).

Por que a Shoa foi um evento único?


Circula nos últimos anos a tese de que a Shoah nom seria mais do que os males do colonialismo europeu realizados em território europeu - e por isso teriam chocado tanto. Sem relativizar a imensa crueldade do colonialismo europeu, eu nom concordo.

Pode ser que houve genocídios mais cruéis do que a Shoah durante a história, mesmo na própria história contemporânea. Nom é o meu objetivo julgar crueldade do verdugo de forma comparativa, mas sim apontar o que faz da Shoah um caso único. Vamos a eles.


*Um adendo: Shoa é o genocídio dos Judeus polos nazistas, mas podemos englobar o Samudaripen (genocídio cigano) na minha explicaçom, pois foram quase idênticos. O meu pouco estudo sobre o caso impede-me de dar mais exemplos. 

O processo de genocídio dos Judeus foi gradual. A maioria dos pesquisadores crê que nom havia um plano de extermínio dos Judeus tam bem arquitetado desde o início, ele foi construíndo-se durante os anos, e a situaçom de guerra foi decisiva para que se desse.

Primeiro foi a propaganda racista e conspiracionista, transformando os Judeus no inimigo nacional (e mundial). Depois, a legislaçom racista (leis de Nuremberga). Judeus foram desumanizados aos poucos, por todos os meios possíveis.

A lei, o sistema educacional e os boicotes promovidos com apoio da sociedade civil, paulatinamente faziam do judeu menos que um animal. Vieram os incentivos para deixarem o país, expulsões, até que chegaram os guetos.

Nos países ocupados, os Judeus eram confinados em guetos, áreas delimitadas de onde nom poderiam sair. Recebiam uma dieta que variava (depende do gueto) de 200 a 800 calorias por dia. A superpopulaçom gerou doenças, que, aliadas à fome, matou muita gente.

Nom fosse o contrabando de comida, o número de mortos seria ainda maior. Além disso, Judeus eram privados de todos os seus direitos individuais, os que os transformava em escravos. O trabalho, inclusive, era umha serventia para manter-se vivos.

Nom havia direitos sociais, políticos ou civis. E os direitos comunitários também foram reprimidos: Judeus pegos a educar crianças eram presos, e muitas vezes mortos. Atividades culturais e desportivas também eram proibidas.

Agora imagine: 200 mil pessoas confinadas num ambiente onde antes viviam 30 mil, a consumir ¼ das calorias necessárias para a sobrevivência, expostos a frio (nom havia como se aquecer), calor, insalubridade, sendo proibido até cantar.


Era tanta gente que havia mão e contramão nas calçadas. Umha pessoa morria na rua, e a primeira cousa que os outros faziam era pegar as suas roupas. Livros eram jogados na lareira para aquecer as casas. E as pessoas morriam aos milhares.

Os muros do gueto nom permitiam que o resto da sociedade visse essas cenas, mas nom era segredo para ninguém as péssimas condições dos Judeus nos guetos. Quem nom vê, sente menos. Essa era parte da estratégia.

Mas tudo podia piorar. Os guetos nom eram eficientes para a produçom nazista como poderiam ser. E aumentava a quantidade de Judeus a cada lugar conquistado após a Operaçom Barbarossa, em 1941. Neste contexto veio a Conferência de Wannsee.

Os nazistas reuniram-se, apresentaram umha tabela com a quantidade de Judeus que habitaria cada país da Europa, para que fossem atrás de cada um deles, e os exterminassem. Esse documento existe, foi encontrado e ratificado. Isso é bizarro demais.

Eu nom tenho conhecimento de outro genocídio com um objetivo tam sistematizado: eles mapearam todos os locais onde habitava polo menos um único judeu, para ir atrás dele e matá-lo. E eles foram, como em pequenas ilhas na Grécia, atrás do judeu.

A totalidade da Shoah é única. A chamada “Soluçom Final” entrava em prática. E tal extermínio total nom foi executado primeiramente através dos campos, mas sim por meio de fuzilamentos e fossas comuns, sobretudo em território soviético invadido polos nazistas.


Ao entrar em países como a Lituânia, a Ucrânia, a Romênia e outros, os nazistas, além de meterem os Judeus em guetos para trabalhar, também começaram a estratégia de extermínio. Como era isso?

Os Judeus que nom iam para guetos (ou campos de trabalho forçado) eram levados para bosques, despidos - para que ficassem totalmente indefesos - e afuzilados. Mas antes, eles cavavam fossas onde se deitavam e, posteriormente, eram queimados.


Sabemos disso porque os nazistas confessaram os seus atos, e porque alguns conseguiram escapar. O método nom era infalível, alguns poucos sobreviviam. Essa foi umha das razões para que este método nom continuasse por mais tanto tempo. Mas havia outros motivos.


Os soldados que executavam as matanças recebiam doses de álcool para tomar, a fim de esquecer o que tinham feito. Mas muitos tiveram pesadelos, um ou outro recusou-se a fazê-lo. E o sistema era caro.

Foi entom que os campos de extermínio foram introduzidos (primeiro Chelmno, depois os outros): entrava em cena a indústria da morte. Começou com o gás monóxido de carbono, e passou pro Zyklon B.


Em Treblinka, por exemplo, os Judeus chegavam e deixavam tudo o que tinham. Era-lhes prometido um lugar de trabalho respeitável, para que eles cooperassem. Uns poucos eram selecionados para o trabalho do campo. Qual era?

Organizar os bens dos presos (roupas, jóias, sapatos, etc), fundir metais preciosos, costurar, fazer a organizaçom do campo (separá-los em homens de um lado e mulheres mais crianças do outro, etc). Cabia aos sonderkommando o trabalho mais difícil.

Eram eles quem separavam todos, raspavam seus cabelos e os metiam na câmara de gás. E depois de gaseificados, eram eles quem levavam os seus corpos para o crematório. Eram os únicos que recebiam álcool dos nazistas.

Esse esquema de industria da morte, além de mais barato (e até lucrativo), isentava os alemães de qualquer contato com a vítima. Cabia ao oficial da SS apenas colocar a lata de gás no lugar e apertar o botom. Nom escutava gritos, sofrimento, nada.


Sem ver os mortos, era muito mais fácil. Os sonderkommando que sobreviveram contavam que às vezes era necessária umha mangueira à jato para separar os corpos da mãe dos filhos, de tam forte que ela os abraçava.


Marcas de unha nas paredes, pessoas desesperadas tentando respirar. Mortas simplesmente porque eram judias. Sem um pingo de humanidade. E os sonderkommando, após 3-4 meses, também eram mortos nas câmaras.


Em Auschwitz-Birkenau o modelo industrial foi ainda mais moderno: enquanto Birkenau eliminava os que nom tinham funçom, centenas de milhares de Judeus foram destinados ao trabalho escravo em Auschwitz.


Umha rede de indústrias de diversos setores foi instalada ali, somente pra aproveitar essa mão de obra. Os escravos morriam de fome, más condições, doenças, tiros ou nas câmaras. E vinham outros substituí-los.


E os nazistas até mesmo designaram os kapos, soldados judeus a quem lhes era prometida a sobrevivência caso entregassem os outros e os controlassem. Jogavam uns contra os outros, e os kapos morriam da mesma maneira.

Eu poderia descrever aqui a desumanidade até depois de amanhã, mas vocês podem encontrar essas informações numha vastíssima literatura. O meu ponto aqui é só comentar sobre as particularidades desse triste evento histórico.

Eu nom conheço outro genocídio com planos tam totais, de exterminar toda a populaçom, e tudo isso documentado. E a execuçom foi extremamente eficiente, levando em consideraçom preço, custo, velocidade e questões humanas, como os efeitos emocionais que isso faria no assassino. Enquanto os alemães eram poupados de ver o sofrimento das vítimas, os Judeus eram obrigados a executar quase todo o processo.


Repito: eu nom sei se houve algo igual na história, mas incomoda-me as falsas equivalências que fazem entre a Shoah e eventos sem absolutamente nengumha semelhança. A comparaçom pode ser importante, os eventos históricos estám aí para que nos aprendamos com eles, saibamos identificar os processos que culminaram na barbárie. Eu sou totalmente a favor da comparaçom dessa maneira. A comparaçom dialética, analítica.


Porque a história é feita polos seres humanos, e se humanos foram capazes de algo assim umha vez, podem fazer outra vez. E até pior. 


Convido vocês ao debate honesto. Eu provavelmente cometi alguns pequenos erros, mas nom na essência.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

DECLARAÇOM INSTITUCIONAL DO PARLAMENTO GALEGO SOBRE O DIA DE COMEMORAÇOM ANUAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

 Em 1º de novembro de 2005, a Assembleia Geral das Nações Unidas, na sua 42ª sessom plenária, reafirmou que o Holocausto, que resultou no assassinato de um terço do povo judeu e de inúmeros membros doutras minorias, será sempre um alerta para todo o mundo dos perigos do ódio, fanatismo, racismo e preconceito.

E também decidiu designar o dia 27 de janeiro, em memória da libertaçom polas tropas aliadas soviéticas do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau em 27 de janeiro de 1945, como o Dia Internacional da Comemoraçom Anual em Memória das Vítimas do Holocausto, todos que foram vítimas do nazismo, entre os quais se contam também os galegos.

O Holocausto é resultado dum programa de perseguiçom, prisom e extermínio levado a cabo polo nazismo que assassinou mais de seis milhões de pessoas. Teve origem na tentativa de eliminar a dissidência política e ideológica e o racismo, e resultou num genocídio que contou com a colaboraçom da Ditadura de Franco e que perseguiu milhares de homens e mulheres que fugiram do Estado espanhol após a derrota da República em 1939 e após o estabelecimento dum regime fascista; que provocou, segundo as fontes historiográficas, a deportaçom para os campos de trabalho e extermínio nazistas de 10.000 republicanos espanhóis, dos quais cerca de duzentos eram originários da Galiza. A maioria deles morreu lá ou, se sobreviveu, nunca conseguiu retornar ao seu país de origem.

Por tudo isto, o Parlamento da Galiza adopta a declaraçom da Assembleia Geral das Nações Unidas na qual rejeita qualquer negaçom, parcial ou total, do Holocausto como facto histórico. E condenou sem reservas, condenaçom que este Parlamento também faz sua, todas as manifestações de intolerância religiosa, incitaçom, assédio ou violência contra pessoas ou comunidades com base na origem étnica ou nas crenças religiosas, e que ocorram onde quer que ocorram.

Exorta a Xunta de Galicia para trabalhar arreu contra possíveis surtos de racismo, xenofobia, antissemitismo e outras formas de discriminaçom baseadas na origem étnica, nas crenças religiosas ou em qualquer outra circunstância, e os cidadãos e as suas organizações a permanecerem vigilantes para que nunca mais um regime como o que produziu o Holocausto se poda estabelecer entre nós ou em qualquer lugar do mundo.


Santiago de Compostela, 25 de janeiro de 2023


> Confira o texto original

ANTISSEMITISMO

 Você sabe o que é antissemitismo?


Fonte: Israel no Brasil (umha página dedicada a promover as relações diplomáticas, o crescimento econômico e de amizade entre o Estado de Israel e o Brasil. 🇮🇱🇧🇷)

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

DEZ ANOS DA QUESTOM JUDAICA

 Hoje é o décimo aniversário deste blogue devotado às reflexões e acontecimentos da Questom Judaica. Assim sendo, 1 de janeiro de 2013 este blogue iniciava a sua andaina com umha primeira postagem sobre o bundismo.

A seguir mostramos os principais dados sobre como foi o primeiro decénio de existência deste espaço na rede.


Principais estatísticas

En todo este tempo foram postadas 627 mensagens (média de 63 mensagens/ano), recebemos um total de 152 comentários dos nosso público, registando um total de 234363 visualizações.


Mensagens mais visualizadas

Segundo o número de visualizações registadas, as dez postagens mais vistas foram:

1. Judiaria do Porto | 3,83 mil | Dezembro de 2013 (actualizada a 31/12/2018)

2. Casas de Judeus e conversos | 2,79 mil | 25/1/2013

3. Os Judeus portugueses e os piratas do Caribe | 2,07 mil | 11/1/2016

4. Judiaria de Vilarinho dos Galegos | 1,73 mil | 31/12/2013

5. Judiaria de Rebordelo | 1,56 mil | 8/3/2016

6. Judiaria de Lagoaça | 1,5 mil | 17/2/2016

7. Presença judaica na língua portuguesa | 1,49 mil | 5/9/2016

8. Alguns momentos históricos significativos da conspiraçom judia | 1,47 mil | 8/8/2016

9. A inquisiçom portuguesa | 1,45 mil | 18/9/2016

10. Judiaria de Braga | 1,45 mil | 10/1/2014


Principais tópicos

O blogue está estruturado en 16 etiquetas abrangendo quatro eixos temáticos:


Portugaliza

> Galiza: Judiarias e presença judaica na Galiza

> Portugal: Judiarias e presença judaica em Portugal

> Brasil: Judiarias e presença judaica no Brasil

> Diáspora: As comunidades judaicas de origem galego-portuguesa espalhadas polo mundo

> Judiarias: História e localizaçom das judiarias galego-portuguesas


Israel

> Estado de Israel: Acontecimentos sobre Israel

> Covid-19: Seguimento da pandemia em Israel (2020-22)

> Língua nacional: O hebraico e as línguas dos Judeus


Socialismo judaico

> O Bundismo: História concisa do movimento autonomista judaico na Europa do leste (Iidichelândia)

> Conceçom materialista: Traduçom na íntegra para o galego-português da obra-prima de Abraham Leon

> Mundo Obrero: A posiçom do Partido Comunista de Espanha (PCE) na altura da independência de Israel

> Socialismo: Visões de pensadores socialistas sobre os Judeus, o  sionismo e Israel

> Socialistas judeus: Lideranças socialistas de origem judaica de todos os tempos

> Simone de Beauvoir: Opiniom sobre os Judeus, Israel e o sionismo da maior pensadora


Antissemitismo

> An allem sind die Juden schuld: Reflexões sobre o socialismo dos parvos (Der Antisemitismus ist der Sozialismus der dummen Kerle)

> Shoah: Reflexões sobre o Holocausto


Localizações principais

Durante o primeiro decênio da Questom Judaica os 85,7% de visualizações  localizam-se em seis países (40% em países de língua galego-portuguesa): EUA (27,7%), Portugal (24,7%), Brasil (15,3%), Espanha (8,0%), França (5,2%) e Rússia (4,7%).


Muito obrigado por estardes aí!!


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

QUEM É QUEM NO NOVO GOVERNO DE ISRAEL

 Conforme informamos na QJ, no passado 1 de novembro houve eleições em Israel em que se produziu umha vitória do Likud de B. Netanyahu e dos seus aliados de direita do sionismo religioso e partidos ultra-ortodoxos. 


Lideranças do novo governo:
Acima: Itamar Ben-Gvir (Força Judaica), Arie Dery (Shas) e (?) [quem souber o nome do cara à direita do Bibi deixe nos comentários ou contate com o CAEIRO]
Abaixo: Betzalel Smotrich (Sionismo Religioso), Itzhak Goldknopf (Judaísmo da Torá) e Avi Maoz (Noam).

Embora os dous blocos em que está dividida a sociedade israelita obtiveram praticamente a mesma votaçom, a falta de alianças no de Lapid e a divisom entre os partidos da esquerda sionista e partidos árabes deram ao bloco pró-Bibi 64 nos 120 mandatos, permitindo a sua eleiçom como primeiro-ministro do Estado judeu e a tomada de posse do 37º Governo de Israel o passado 30 de dezembro de 2022.

Relativamente às eleições cabe referir, segundo apontou Jaume Renyer, três considerações prévias imprescindíveis:

1) A livre participaçom dos partidos árabes, com candidatos que expressam explicitamente o seu suporte à luta armada palestiniana (caso de Ofer Cassif), contrariando com factos as acusações infames de apartheid.

Neste sentido cabe destacar também o crescimento da participaçom da comunidade árabe, a mais alta jamais produzida e que premiou a Lista Árabe Unida de Mansour Abbas (partido Ra'am), o mais em prol de cooperar na governança de Israel (4,07% e 5 mandatos). Os partidos pró-palestinianos do Hadash-Tal que chamam cinicamente a encarar o "fascismo" e o "racismo" dos Judeus, quando eles som pola destruiçom de Israel e som aliados da Russia, China e o Irám (com a cumplicidade do progressismo mediático e político ocidental) ficaram em segundo lugar do voto árabe com 3,75% e 5 lugares.

2) O crescimento dos partidos sionistas religiosos (ditos de extrema-direita) de partida nom põe em causa o carácter democrático do Estado de Israel, apesar de defenderem reformas em aspectos fundamentais como o sistema judiciário.

3) O papel emergente de Israel na cena internacional (suporte humanitário à Ucrânia, acordo gasístico com o Líbano, cooperaçom estratégica com os Emirados Árabes Unidos e retomada de relações diplomáticas com a Turquia) nom se verá afectado polos resultados eleitorais.


A seguir reproduzimos a análise de João Koatz Miragaya, escritor e editor do site Conexão Israel, cujos fios sobre Israel no Twitter som um referente na Questom Judaica.


QUEM E QUEM NO NOVO GOVERNO DE ISRAEL

Antes dos personagens:

A coalizão conta com 64 dos 120 parlamentares da Knesset. São parlamentares do direitista Likud, dos ultra-nacionalistas religiosos Sionismo Religioso e Força Judaica, e dos ultra-ortodoxos Shas (sefaradita) e Judaísmo da Torá (ashkenazita).

Nenhum partido secular ou mais ao centro aceitou sequer negociar participar da coalizão com Netanyahu, e ele dependia de cada um desses partidos para formar a coalizão. Sem uma segunda alternativa, Netanyahu virou refém de todas as suas exigências.

FOTO: By רונן143

São 37 ministros e vice-ministros, ministérios que foram divididos para atender às demandas de 4 partidos e dos membros do Likud (spoiler: muitos não gostaram do que receberam). Conheça cada um dos ministros nesse fio agora. 

1º Ministro/Binyamin Netanyahu (Likud): Entrando em seu 16º ano (não consecutivos), Netanyahu comandou várias outras pastas. Seu principal feito foram os Acordos de Abraham (relações com EAU, Bahrein e Marrocos). É réu em 3 casos de corrupção. 

Defesa/Yoav Galant (Likud): General da reserva, ex-ministro da Educação. Quase foi nomeado chefe do Estado Maior das FFAA em 2011, algo que não aconteceu por uma denuncia de corrupção envolvendo o terreno de sus casa. 

Finanças*/Betzalel Smotrich (Sionismo Religioso): Advogado, ex-ministro dos Transportes. Vive num assentamento na Cisjordânia, é radicalmente contrário ao Estado Palestino e adepto de uma economia ultraliberal. Em 2005 foi denunciado e inocentado por tentativa de atentado.

Exterior**/Eli Cohen (Likud): Ex-ministro da Indústria e Comércio e da Inteligência, é muito popular no seu partido. Parlamentar respeitado, de tendência moderada. 

Interior-Saúde*/Arie Dery (Shas): Ultraortodoxo sefaradita, Dery já foi ministro do Interior várias vezes. Líder do partido há anos, foi preso por recebimento de suborno, liberado e novamente condenado (está em condicional). Teve de mudar a lei para poder ser ministro.

Educação/Yoav Kish (Likud): Ex-piloto da força aérea, é parlamentar desde 2015. Foi vice-ministro da Saúde e é visto como um moderado no partido. Assumirá um ministério relativamente esvaziado. 

Segurança Nacional/Itamar Ben-Gvir (Força Judaica): Ultra-radical da extrema direita israelense, Ben-Gvir é o primeiro dos herdeiros do rabino Meir Kahane a tornar-se ministro. Leia mais sobre ele no fio abaixo. 

Transportes/Miri Regev: Ex-porta-voz do IDF, ex-ministra da Cultura e do Esporte, assume pela segunda vez a pasta dos transportes. Mulher mais votada nas primárias do Likud, é barulhenta e emite opiniões fortes e preconceituosas. Não tem tanta confiança de Netanyahu. 

Construção Civil/Itzhak Goldknopf (Judaísmo da Torá): Lider do partido ultraortodoxo ashkenazita, é novo na Knesset. Assume o cargo frente a uma série de acusações de corrupção sobre sua gestão como diretor de uma rede de jardins de infância.

Indústria e Comércio/Nir Barkat (Likud): Ex-prefeito de Jerusalém, multimilionário e com sonho de ser 1º ministro um dia. Também faz parte dos moderados do Likud, e ocupa posição relevante no partido

Justiça/Yariv Levin (Likud): Número 2 do partido e braço direito de Netanyahu, promete uma reforma na Justiça a fim de "equilibrar os poderes". Já foi presidente da Knesset, ministro do Turismo, da Segurança Pública e da Articulação. 

Meio Ambiente/Idit Silman (Likud): Ex-líder do governo na Knesset pelo partido Yamina, de Bennett, a deputada sionista-religiosa assume o que supostamente lhe foi prometido para abandonar o governo anterior: uma pasta de segundo escalão.

Diáspora-Igualdade Social/Amichai Shikli (Likud): Educador, é outro desertor do partido Yamina. Recebeu dois ministerios pequenos pela coragem e lealdade a Netanyahu.

Energia**/Israel Katz (Likud): Ex-ministro dos Transportes, do Exterior e das Finanças, havia ameaçado fazer um escândalo caso não assumisse um ministério do primeiro escalão, mas teve de recuar.

Bem-Estar Social***/Yaakov Margi (Shas): Ex-ministro de Questões Religiosas, homem de confiança de Arie Deri. 

Inovação, Ciência e Tecnologia/Ofir Akunis (Likud): Homem de confiança de Netanyahu, está na Knesset desde os anos 1990. Já foi ministro do Bem-Estar Social

Agricultura/Avi Dichter (Likud): Ex-chefe do Shabak (Serviço de Segurança Nacional), foi também ministro da Segurança Pública. Discípulo de Ariel Sharon, não conta com muita confiança de Netanyahu. 

Comunicações/Shlomo Karhi (Likud): Ministro pela primeira vez, é o parlamentar de retórica mais extremista do Likud. Ataca frequentemente o Judiciário, a imprensa, a esquerda e prometeu fechar o departamento de comunicação do conglomerado público Kan.

Cultura e Esporte/Miki Zohar (Likud): Ex-líder do governo na Knesset, vem tentando se mostrar mais moderado com relativo sucesso. Ainda sustenta posturas extremistas, como ser favorável à anexação da Cisjordânia por Israel.

Ministro da Alia e da Absorção/Ofir Sofer (Sionismo Religioso): Major da reserva, passou por diversos partidos do campo do sionismo religioso até conseguir se eleger. Seu partido é favorável à mudança na Lei do Retorno, impedindo quem não tenha mãe judia de imigrar.

Desenvolvimento do Neguev e da Galiléia/Itzhak Wasserlauf (Força Judaica): Deputado pela primeira vez, já foi diretor geral do partido. Se notabilizou pela campanha para expulsar refugiados africanos de Israel. 

Vice-Ministro no Ministério do 1º Ministro: Avi Maoz (Noam): Único representante de um partido abertamente racista e homofóbico, recebeu os programas educacionais extra-classe e de identidade judaica do exército (além de outras coisas). 


Outros:

- Legado: Amichai Eliahu (Força Judaica)

- Inteligência: Gila Gamlieli (Likud)

- Missões Nacionais: Orit Struck (Sionismo Religioso)

- Turismo: Chaim Katz (Likud)

- Assuntos Religiosos: Michael Machlieli (Shas)

- 2º ministro da Educação: Haim Biton (Shas)

- Ministério do 1º Ministro: Galit Distal-Atvarian (Likud)

- Questões Estratégicas: Ron Darmer (Likud)

- 2º Ministro do Bem-Estar Social: Yoav Ben-Tzur (Shas)

- Vice-Ministro da Agricultura: Moshe Abutbul (Shas)

- Vice-Ministro do Interior e da Saúde: Moshe Arbel (Shas)

NOTAS:

(*) Smotrich e Dery trocam de ministérios depois de 2 anos.

(**) Eli Cohen estará no Exterior por um ano, depois trocar com Katz, que ficará dois anos, e depois tornam a trocar.

(***) Ben-Tzur e Marghi trocam de ministérios depois de dois anos.


Presidente da Knesset: Amir Ohana (Likud): Ex-ministro da Segurança Pública e da Justiça, o primeiro LGBT+ a presidir o parlamento em Israel.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

COMO OS JUDEUS, A VALURA É UM POVO MALDITO

Os Valuros ou Baluros eram umha comunidade ou tribo de sacerdotes de origem pre-cristã procedentes da Valura ou Valúria, localizada na atual Terra Chã e que protagonizarom umha heresia que chegou aos  séculos XVII e XVIII. Segundo a tradiçom provinham da cidade de Véria, assolagada por maldiçom divina sob a lagoa de Santa Cristina e dali espallaram-se polo resto de país e fundaram inúmeras Baloiras.

Localizaçom da Comarca da Terra Chã na Galiza

Segundo António Reigosa, escritor, divulgador e investigador da mitologia popular e da literatura galega de tradiçom oral, os valuros tinham a consideraçom de seita ou povo maldito. Exerciam de curandeiros, feiticeiros, usurários, agoireiros, esmoleiros vagabundos, predicadores e santeiros, comerciantes da arte e do engano, chegando a suplantar ou concorrer com os cregos, polo que alguns bispos galegos decretaram excomunhões que fizeram com que se dispersassem e exercessem as suas artes secretamente.

Existem várias hipóteses sobre a sua localizaçom na atual comarca galega da Terra Chã. Para Vicente Risco a Terra de Valura abrangia desde Germar (Cospeito) até Ribeiras de Leia e desde Castro de Rei até Pino (Cospeito). Manuel Amor Meilán, segundo recolheu Risco, localiza-a no concelho de Cospeito, onde diz que esteve a palafita vila alagada de B(V)éria chegando à paróquia de Triabá em Castro de Rei e talvez algumha outra próxima. Eduardo Lence-Santar assigna-lhe à Valura umha extensom que abarcaria o concelho de Cospeito e algumhas paróquias de Castro de Rei, Pastoriça e Abadim.

Porém, segundo recolhe o escritor Xosé Otero Canto, a melhor aproximaçom seria a realizada por Manuel Navarrete e Ladrón de Guevara, bispo da diocese de Mondonhedo entre 1699 e 1705, quem, no seu livro de visitas do ano 1700 definiu para a área da Valura umha abrangência de até 42 freguesias na Terra Chã: 22 do arciprestado da Montanha, 9 no de Azúmara, 7 em Baroncelhe, 3 no de Parga e 1 no de Vilalva segundo a seguinte distribuiçom:

ARCIPRESTADO DA MONTANHA: Ansemar, (Castro de Rei), Barredo (anexo de Meda em Castro Verde), Bendia (Castro de Rei), Bestar (Cospeito), Oriçom (Castro de Rei), Damil (Begonte), Duancos (Castro de Rei), Duarria (Castro de Rei), Felmil (Begonte), Germar (Cospeito), Lamas (Cospeito), Ludrio (Castro de Rei), Meda (Castro Verde), Silva (Pol), Sobrada (Outeiro de Rei), Taboi (Outeiro de Rei), Triabá (Castro de Rei) e Viladonga (Castro de Rei).

ARCIPRESTADO DE AZÚMARA: Baltar (anexo de Pousada em Castro de Rei), Bazar (Castro de Rei),Castro de Rei (anexo de Azúmara), Justás (Cospeito), Santa Locaia (Castro de Rei), Moimenta (Cospeito), Outeiro (Castro de Rei), Pácios (anexo de Outeiro em Castro de Rei), e Prevesos (Castro de Rei).

ARCIPRESTADO DE BARONCELHE Aldixe (anexo de Baroncelhe em Abadim), Corbelhe (Vilalva), Cospeito, Santa Cristina (anexo de Cospeito), Goá (Cospeito), Momám (Cospeito) e Seixas (anexo de Pino em Cospeito).

ARCIPRESTADO DE PARGA: Gaibor (anexo de Ilhám em Begonte), Santa Locaia de Parga (anexo de S. Breixo de Parga em Guitiriz) e Saavedra (Begonte).

ARCIPRESTADO DE VILALVA: Xoibám (anexo de Trobo em Vilalva).


No século XVIII os bispados de Ourense, Tui e Mondonhedo condenaram as prácticas e abusos dos Valuros como usurpadores das funções e benefícios próprios dos clérigos. En 1750 Antonio Alejandro Sarmiento Sotomayor, bispo de Mondonhedo, deu Cartas Pastorais contra eles, sendo também citados no parágrafo 12 das Constituciones dadas em 1665 à diocese de Tui o bispo Fr. Juan de Villamar nos seguintes termos: "Deseando vivamente ocurrir a los gravisimos daños que en las almas sencillas ocasionan los questores que el vulgo llama Baluros, ya con predicación de milagros, revelaciones, profecías, promesas é indulgencias fingidas, oraciones y exorcismos supersticiosos, ya con engaño, amenaza y vanas descomuniones que fulminan para atemorizar á los rústicos y sacarles su dinero y alhajas, mandamos..."


Ao igual que Otero Canto, perguntamo-nos qual foi o mecanismo desatado e quem foi o responsável pola caracterizaçom dos Valuros como "raça" ou "povo" maldito, tirando a mesma conclussom que o autor da Ponte de Outeiro: como no caso do povo judeu, o carimbo de maldito aplicado aos Valuros foi obra da religiom cristã,  "moi dada desde a antigüidade a maldicir persoas e pobos".

 Ver: A misteriosa e incógnita Valura (16) 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

O CONCELHO DA CORUNHA VISA A COMPRA DA CASA DA RUA SINAGOGA

 A presidenta da Câmara Municipal da Corunha, Inês Rei Garcia, anunciou na quarta-feira 21 de dezembro a aprovaçom de um acordo para que o Concelho adquira a conhecida como a Casa da Sinagoga, um imóvel de grande valor histórico localizado na Cidade Velha que, dede que se completar o processo de compra com os atuais proprietários, passará a titularidade municipal.

Inês Rei Garcia, presidenta da Câmara Municipal da Corunha | Concelho da Corunha

Assim sendo, a Junta de Governo Local autorizou a compra direta das parcelas 4 e 4-A localizadas na Rua da Sinagoga, onde provavelmente, segundo os informes elaborados polos técnicos municipais, estaría localizada a sinagoga da Judiaria da Cidade Vella

No ano 2019, descubriram-se sob a casa o espólio  dumha antiga cisterna de água documentado em meados do século XIX e que podería ser umha mikva, um espaço para as imersões rituais que prescreve o judaísmo.

A autarca, Rei Garcia, destacou este achado arqueológico, "pois no mundo há catalogadas algo mais de 350 mikvés; em Espanha, que se tenha conhecimento no dia de hoje, três. Por isto, e porque falamos num ióvel que é testemunha dumha arquitetura que se pode documentar entre os séculos XVI e XVIII, o Concelho pôs toda a sua vontade en adquirí-lo, porque é umha herança que acrescenta umha peça fundamental na evoluçom histórica da cidade".

A compra da antiga casa da Sinagoga, que se levará a cabo de mútuo acordo com as cinco pessoas propiátarias do imóvel, vai comportar um investimento de 420.000 €, correspondentes aos orçamentos de 2022.

Prédio da alegada Esnoga da Corunha | GoogleMaps

Seguindo as recomendações da área municipal de Cultura, o Governo de Rei Garcia valorará a possibilidade de reconverter a casa num centro de interpretaçom da religiosidade medieval na Cidade Velha, que explique, de resto, a evoluçom urbanística e populacional do bairro.

Fonte: Concelho da Corunha