Neste dia em 1497, o rei D. Manuel I decretou o batismo forçado de todas as crianças judias com idades entre os 4 e os 14 anos, num dos episódios mais trágicos da história da comunidade judaica em Portugal.
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📷 Capa da obra homónima, Editora Vega (1998) |
Confrontado com a condiçom imposta polos reis católicos da Coroa de Castela e Aragom para casar com D. Isabel, filha dos monarcas espanhóis, D. Manuel I comprometeu-se a expulsar os Judeus de Portugal.
Assim sendo, a 5 de dezembro de 1496, era assinado o Édito de Expulsão dos Judeus de Portugal, estipulando um prazo de dez meses para os Judeus deixarem o Reino. Aqueles que desobedecessem estariam sujeitos à pena de morte e ao confisco dos seus bens.
A concessom de tal prazo já sinalizava as tentativas que seriam feitas para impedir a saída dos Judeus. Pois D. Manuel nom queria a partida daquela minoria tão necessária à expansom ultramarina, em pleno auge, e que faria de Portugal um dos países mais ricos e poderosos da Europa.
No período entre o decreto de expulsom e o prazo máximo estipulado para a partida, o rei tentou oferecer umha série de vantagens aos judeus na vã tentativa de convencê-los a adotar o cristianismo. A medida principal era a concessom dum prazo de 20 anos, durante o qual os conversos estariam livres de qualquer inquiriçom sobre o seu comportamento religioso, ou seja, nom haveria acusações quaisquer sobre a prática clandestina do seu judaísmo.
Mesmo assim, os Judeus preferiam o exílio à conversom e prepararam-se para deixar Portugal. A ideia dumha conversom forçada foi levantada, em fevereiro 1497, polo monarca e os seus conselheiros. O mais cruel dos atos governamentais contra os Judeus aconteceria durante Pessach desse ano.
Ao invés de permitir umha saída organizada, o monarca adotou outra estratégia: como primeiro passo ordenou o batismo compulsivo das crianças judias, separando-as das suas famílias para as entregar a famílias cristãs e forçando a conversom ao cristianismo. Mais umha vez, menores inocentes eram usados para exercer pressom.
Pouco tempo depois, os jovens de até 25 anos que estavam em Lisboa, em trânsito, foram batizados à força.
Batizados em pé foi o nome que a si mesmos atribuíram os muitos milhares de Judeus que, tendo preferido a expulsom de Portugal à alternativa da conversom, foram arrastados pola força às igrejas e aí batizados em massa.
Este e outros actos de pressom, psicológica e física, sofridos nesta época polos Judeus portugueses, estão na origem e luta dos cristãos-novos do Reino de Portugal.
Este evento marcou o início dum período de perseguiçom e violência, culminando no Massacre Judaico de 1506 e da criaçom da Inquisiçom Portuguesa em 1536.
Muitos Judeus foram forçados a praticar a sua fé em segredo como cristãos-novos, que herdariam todos os preconceitos antes reservados aos hebreus. A conversom forçada atirara brutalmente umha grande e próspera comunidade na clandestinidade, no segredo, na desconfiança e no medo. Mas nom foi capaz de extingui-los. Pois, apesar da Inquisiçom e de toda a perseguiçom, muitos deles secretamente preservaram sua religiom e identidade até que conseguiram fugir para outras terras. Como escreveu Garcia de Resende, "para terras onde, publicamente, logo se tornarão judeus..."
📸 “Da Contenda Cristã ocorrida no ano do Senhor de 1506 em Lisboa, capital de Portugal, entre cristãos e cristãos-novos ou Judeus, por causa do Deus Crucificado”. Gravura. Domínio Público.
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