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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

PARLAMENTO GALEGO APROVA DECLARAÇOM NO DIA INTERNACIONAL DA LEMBRANÇA DO HOLOCAUSTO

Em 1 de novembro de 2005, a Assembleia Geral das Nações Unidas, na sua 42ª sessom plenária, reafirmou que o Holocausto, que teve como resultado que um terço do povo judeu e inúmeros membros de outras minorias morreram assassinados, será sempre um aviso para todo o mundo dos perigos do ódio, do fanatismo, do racismo e dos preconceitos.

E também decidiu designar em 27 de janeiro como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, todos eles vítimas do nazismo, entre as som contados galegos e galegas.


O Holocausto é o resultado dum programa de perseguiçom, aprisionamento e extermínio realizado polo nazismo que matou mais de seis milhões de pessoas. Teve a sua origem na tentativa de eliminaçom da dissidência política e ideológica e resultou num genocídio que contou com a colaboraçom da Ditadura franquista e que perseguiu milhares de homens e mulheres que fugiram do Estado espanhol depois da derrota da República em 1939 e após a instauraçom dum regime fascista

Em particular, este Parlamento quer lembrar os mais de 10.000 republicanos espanhóis que foram deportados nos campos nazistas pola colaboraçom do ditador Francisco Franco com o nazismo alemão e o fascismo italiano. Segundo algumhas fontes historiográficas, cerca de 200 deles eram originários da Galiza e morreram lá ou foram libertados, mas nunca puderam regressar porque a ditadura franquista, que tinha retirado previamente a sua nacionalidade, lhes negou o direito de regressar ao seu país de origem.

Por tudo isso, o Parlamento da Galiza faz sua a declaraçom da Assembleia Geral das Nações Unidas em que rejeitou qualquer negaçom, parcial ou total, do Holocausto como um facto histórico. E condenou sem reservas, condena também este Parlamento faz sua, todas as manifestações de intolerância religiosa, incitaçom, assédio ou violência contra as pessoas ou comunidades com base na origem étnica ou nas crenças religiosas, tenham lugar onde tenham lugar.

O Parlamento da Galiza acha, com a Assembléia Geral das Nações Unidas, que a ignorância e o desprezo dos direitos humanos originam atos de barbárie que ofendem a consciência humana.

O Parlamento da Galiza, mais um ano e de acordo com a letra e o espírito da Declaraçom de 1 de novembro de 2005 da 42ª Assembleia Geral das Nações Unidas, chama à Junta da Galiza para trabalhar arreu contra os possíveis surtos de racismo, xenofobia, antissemitismo e outras discriminações com base na origem étnica ou crenças religiosas, e aos cidadãos e às suas organizações para permanecem vigilantes para que, nunca mais, um regime como o que produziu o Holocausto possa estabelecer-se entre nós e em qualquer lugar do mundo.

Santiago de Compostela, 30 de janeiro de 2019

Fonte: Parlamento da Galiza

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

NAZISTAS, JIADISTAS E O ÓDIO DO JUDEU

David Patterson

Na véspera de seu suicídio, Adolf Hitler lançou um apelo à humanidade para continuar a "resistir impiedosamente ao envenenador de todas as nações, a Judiaria internacional". [1] Aqueles que mais fervorosamente prestaram atençom a esse chamado nom foram os neonazistas, mas os jiadistas islâmicos. A ligaçom entre o nacional-socialismo e o jiadismo islâmico remonta Hasan al-Banna, o fundador da Irmandade Muçulmana em 1928, o grupo que geraria a maioria dos principais movimentos jiadistas do nosso tempo. Os slogans exaltando os nazistas faziam parte da campanha de propaganda da Irmandade durante a Revolta Árabe Palestiniana de 1936-39, que foi instigada por Amin al-Husayni, o Mufti de Jerusalém, com o apoio financeiro dos nazistas. [2] Em abril e maio de 1938, a Irmandade liderou manifestações violentas contra as comunidades judaicas egícias. Em outubro de 1938 eles hospedaram a Conferência Parlamentar dos Países Árabes e Muçulmanos no Cairo, onde distribuíram traduções árabes de "Mein Kampf" e "Os Protocolos dos Sábios de Siom".

Com o início da guerra na Europa, os membros da Irmandade tornaram-se ainda nos mais ávidos defensores dos nazistas. Em 1945 eles converteram-se num híbrido de nazismo e do islamismo para formar o jiadismo islâmico, tornando o extermínio dos Judeus nom apenas um objetivo político ou territorial, mas um elemento definidor de sua cosmovisom: nom se podia fazer parte da Irmandade ou de qualquer outro grupo islâmico jihadista, assim como nom se podia ser um nazista, sem defender o extermínio dos Judeus. Quando, em 20 de junho de 1946, o rei Farouk concedeu asilo a al-Husayni, agora procurado como criminoso de guerra nazista, al-Banna aplaudiu a decisom, declarando que "em Berlim, ele [al-Husseini] realizara pura e simplesmente a jihad [como os nazistas tinham feito]." [3] O Mufti assim tornou-se numa fonte de inspiraçom para os jiadistas pola sua identificaçom ao extermínio dos Judeus pelos nazistas. Em al-Husayni, entom, existe umha chave importante para as ligações entre nazistas, jiadistas e o ódio aos Judeus.

Em 8 de maio de 1921, o governador do Mandato Britânico sobre a Palestina, Herbert Samuel, nomeou Amin al-Husayni como Grande Mufti de Jerusalém. Dous meses após a nomeaçom de Hitler como Chanceler da Alemanha em 30 de janeiro de 1933, Al-Husayni teve seu primeiro encontro com o Cônsul geral alemão Heinrich Wolff em Jerusalém. A revolta árabe de Al-Husayni "ocorreu no contexto da suástica: folhetos árabes e sinais nas paredes estavam proeminentemente marcados com este símbolo nazista; as organizações juvenis... desfilaram como "nazistas-escoteiros" e crianças árabes cumprimentavam-se com a saudaçom nazista". [4] Em 2 de outubro de 1937, al-Husayni encontrou-se com Adolf Eichmann na Palestina. Em 13 de outubro, ele fugiu da Palestina, procurado por incitar o levante contra o governo do Mandato britânico. Dous anos mais tarde, agora financiado pola Alemanha nazista, ele montou sua base de operações em Bagdá. Num memorando datado de 5 de fevereiro de 1941, o Alto Comando da Wehrmacht assegurou a al-Husseini que a Alemanha podia prometer "tudo o que [os árabes] queriam" na soluçom da questom judaica na Palestina". [5] Em 3 de abril de 1941, orquestrou um golpe nazista contra o governo iraquiano, com o qual rebentou a matança de 600 Judeus em Bagdá; 911 casas foram destruídas e 586 empresas saqueadas. [6] O golpe falhou, entretanto, e algumas semanas mais tarde o Mufti apareceu em Berlim.
Amin al-Husayni, durante encontro com Hitler em novembro de 1941
Depois do seu encontro inicial com o Führer em 28 de novembro de 1941, ele registou no seu diário a teimosia de Hitler em que os nazistas e os Árabes estavam envolvidos na mesma luta, isto é, exterminar os Judeus. Os nazistas deram a al-Hussein seis estações de rádio para espalhar a sua propaganda ao mundo árabe. Nas suas transmissões ele repetidamente exortava o muçulmanos para matar os Judeus em todos os lugares. Em 11 de dezembro de 1942, ele fez um apelo ao "martírio" como aliados da Alemanha na guerra contra os Ingleses e os Judeus. "O sangue derramado dos mártires", gritava ele, "é a água da vida" e, se a Inglaterra e os seus aliados ganharem a guerra, "Israel governará o mundo inteiro"; se os nazistas ganhassem, "o perigo judeu" seria derrotado. [8] Naturalmente, ele fez mais do que transmissões de rádio: já em janeiro de 1941, Al-Husseini deslocara-se a Bósnia para convencer os líderes muçulmanos de que umha divisão das SS muçulmana traria glória ao Islã. Dalin e Rothman estimam que ele recrutou até 100.000 muçulmanos para lutar pelos nazistas. [9] A maior das unidades de matança muçulmanas foi a 13ª Divisom de Montanha da Waffen SS Handschar de 21.065 homens. Entraram em açom em fevereiro de 1944. [10] Depois da guerra, "a sua associaçom com o Eixo contribuiu para melhorar, em vez de destruir, o seu halo" no mundo muçulmano. [11] Em 1946 abraçou Yasser Arafat, futuro chefe da OLP, como o seu protegido e trouxe um ex-oficial nazista para o treinamento militar do seu sobrinho Arafat.
al-Husayni passa em revista tropas de voluntários muçulmanos da SS (nov 1943)
As sementes plantadas durante o reinado do Terceiro Reich cresceram em todo o mundo jiadista. "Em 1969", por exemplo,"a OLP recrutou dous ex-instrutores nazistas, Erich Altern, líder da seçom de assuntos judaicos da Gestapo, e Willy Berner, que era oficial da SS no campo de extermínio de Mauthausen. Um outro ex-nazista, Johann Schuller, forneceu armas a Fatah". [12] Abraçando a ideologia de Hitler, o Dr. Yahya al-Rakhawi escreveu no jornal egípcio Al-Ahrar em 19 de julho de 1982: "Esse grande homem Hitler, deus tenha misericórdia dele... que, por compaixom pola humanidade, tentou exterminar todos os Judeus" [13]. O estudioso egípcio Ahmad Ragab expressou a única reserva que os Árabes muçulmanos parecem ter sobre Hitler: "Agradecemos ao falecido Hitler, quem operou, antecipadamente, a vingança dos Palestinianos sobre os vilões mais desprezíveis na face da terra. No entanto, repreendemos Hitler polo facto de a vingança ter sido insuficiente". [14] Assim sendo, os intelectuais árabes -e nom apenas as massas muçulmanas "pobres"- adotam a linha ideológica do Führer sobre a "natureza" do judeu. Muito mais do que uma questom de raça, é uma questom de essência. E a essência nom pode ser alterada nem redimida.

Os jiadistas também aprenderam a liçom de Hitler de que "algo da mentira mais insolente sempre permanecerá e ficará", [15] acusando os Judeus de tudo, desde o libelo de sangue até à conspiraçom secreta para dominar o mundo. Num seminário da ONU sobre tolerância religiosa, o representante saudita Dr. Maruf al-Dawalibi, por exemplo, afirmou: "Se um judeu nom beber todos os anos o sangue dum homem nom-judeu, entom ele será condenado por toda a eternidade" [16]. O Grande Xeque da Universidade Al-Azhar, Muhammad Sayed Tantawi, sustenta que os Judeus estavam por trás das revoluções francesa e russa e ambas as guerras mundiais, que eles controlam os meios de comunicaçom do mundo e a economia mundial, que eles tentam destruir a moralidade ou que eles criam bordéis em todo o mundo. Noutras palavras, os Judeus estám por trás de todo mal que ameaça a sociedade [17]. "Nos olhos islâmicos", diz Küntzel, "nom é que tudo o que for judeu é mal, mas que todo o mal é judeu". [18] É por isso que os Judeus devem ser odiados e finalmente exterminados: é umha necessidade moral e religiosa. Assim como a guerra nazista contra os Judeus, a guerra jiadista contra os Judeus é muito mais do que umha guerra contra a "entidade sionista". Transcendendo contingências políticas ou questões de bodes expiatórios, é umha guerra metafísica. Assim, em 17 de janeiro de 2009, na televisom egípia Al-Rahma, Muhammad Hussein Yaqoub declarou: "Se os judeus nos deixassem a Palestina, começaríamos a amá-los?... Eles som os nossos inimigos nom porque ocuparam a Palestina. Eles teriam sido os nossos inimigos mesmo que nom ocupassem nada... A nossa luta com os Judeus é eterna..., até que nengum judeu ficar na face da Terra" [19], - isto é em nome de Deus.

Se a Bíblia Jiadista é o Alcorám e nom o "Mein Kampf", entom o mal Jihadista transcende o mal nazista, na medida em que o Alcorám é a Escritura, umha revelaçom de deus, e nom apenas os pronunciamentos do Führer. Estabelecendo umha base bíblica para as suas ações, os jiadistas podem justificar qualquer açom. Eclipsando deus, os nazistas eclipsam a proibiçom absoluta contra o assassinato imposta do além, de modo que a vontade interior e a imaginaçom de dentro colocavam os únicos limites das suas ações. Em contraste, ao apropriar-se de deus, os jiadistas apropriam-se da autoridade para impor o que eles determinaram ser a vontade de deus, o que nom é umha questom de vontade humana, mas umha obrigaçom absoluta. Entre os estudiosos e intelectuais de hoje o silêncio sobre essas ligações é esmagadora. Muito antes da queixa de John Kerry relativamente a que os meios de comunicaçom som os culpados polo problema terrorista porque falam nele e chateam as pessoas [20], a maioria dos estudiosos do mundo tem ficado calado sobre as ligações entre o nacional-socialismo e o jiadismo islâmico. A ligaçom mais fundamental acha-se no antissemitismo exterminacionista que impulsiona ambos. Até nomearmos o Jiadismo Islâmico e entendermo-lo nos termos desta forma de antissemitismo, seremos impotentes para lidar com ele.

Notas

[1] Citaçom em David Welch, Hitler (London: UCL Press, 1998), 97.

[2] Conferir Ziad Abu-Amr, Islamic Fundamentalism in the West Bank and Gaza: Muslim Brotherhood and Islamic Jihad (Bloomington: Indiana University Press, 1994), 1.

[3] Matthias Küntzel, Jihad and Jew-Hatred: Islamism, Nazism and the Roots of 9/11, trans. Colin Meade (New York: Telos Press, 2007), 46.

[4] Matthias Küntzel, “National Socialism and Anti-Semitism in the Arab World,” Jewish Political Studies Review (17, Spring 2005): http://www.jcpa.org/phas/phas-kuntzel-s05.htm.

[5] Lukasz Hirszowicz, The Third Reich and the Arab East (London: Routledge & Kegan Paul, 1966), 122.

[6] Conferir Bernard Lewis, Semites and Anti-Semites: An Inquiry into Conflict and Prejudice (New York: W. W. Norton, 1999), 158.

[7] Joseph B. Schechtman, The Mufti and the Fuehrer: The Rise and Fall of Haj Amin el-Husseini (New York: Thomas Yoseloff, 1965), 306.

[8] Jeffrey Herf, The Jewish Enemy: Nazi Propaganda during World War II and the Holocaust (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2006), 173.

[9] David G. Dalin and John F. Rothman, Icon of Evil: Hitler’s Mufti and the Rise of Radical Islam (New York: Random House, 2008), 55.

[10] Jeffrey Herf, Nazi Propaganda for the Arab World (New Haven, Conn.: Yale University Press, 2009), 201.

[11] Schechtman, 182.

[12] Dalin and Rothman, 134-35.

[13] Lewis, 232.

[14] Citaçom em Serge Trifkovic, The Sword of the Prophet: Islam: History, Theology, Impact on the World (Boston: Regina Orthodox Press, 2002), 188.

[15] Adolf Hitler, Mein Kampf, trans. Ralph Manheim (Boston: Houghton Mifflin, 1971), 232.

[16] Conferir Lewis, 194.

[17] Conferir Küntzel, Jihad and Jew-Hatred, 94.

[18] Ibid., 5.

[19] Muhammad Hussein Yaqoub, “We Will Fight, Defeat, and Annihilate Them,” Al-Rahma TV, 17 January 2009, http://memri.org/bin/latestnews.cgi?ID=SD227809.

[20] Katie Pavitch, “John Kerry: You Media People Should Stop Reporting on Terrorism So People Don’t Know What’s Going On,” Townhall, 30 August 2016, available at http://townhall.com/tipsheet/katiepavlich/2016/08/30/john-kerry-you-media-people-should-stop-reporting-on-terrorism-n2211810.

Fonte: ISGAP, traduzido livremente para o galego-português por CAEIRO.

David Patterson tem a cátedra Hillel A. Feinberg em Estudos sobre o Holocausto no Centro Ackerman de Estudos sobre o Holocausto na Universidade do Texas em Dallas. Ele é o Series Editor da Série de Antissemitismo para a Academic Studies Press, bem como o coeditor, com John K. Roth, da Weinstein Series nos Estudos sobre o Pós-Holocausto na Universidade de Washington Press. Vencedor do National Jewish Book Award e do Koret Jewish Book Award, ele publicou mais de 35 livros e mais de 200 artigos, ensaios e capítulos de livros. Os seus livros mais recentes incluem "The Holocaust and the Non-Representable" (em breve), "Anti-Semitism and Its Metaphysical Origins" (2015); "Genocide in Jewish Thought" (2012) e "A Genealogy of Evil: Anti-Semitismo from Nazism to Islamic Jihad" (2011).

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O PARLAMENTO GALEGO E PORTUGUÊS NO DIA DE MEMÓRIA DO HOLOCAUSTO

No Dia de Memória do Holocausto o Parlamento galego e a Assembleia da República portuguesa realizaram atos de evocaçom.

Por um lado, o Parlamento da Galiza aprovou umha declaraçom institucional em memória das vítimas da Shoah.

Em 1 de novembro de 2005, a Assembleia Geral das Nações Unidas, na sua 42ª sessom plenária, reafirma que o Holocausto, que teve como resultado que um terço do povo judeu e inúmeros membros doutras minorias morreram assassinados, será sempre umha advertência para todo o mundo dos perigos do ódio, o fanatismo, o racismo e os preconcebidos. E também decidiu designar o 27 de janeiro como Dia Internacional de comemoraçom anual em memoria das vítimas do Holocausto, todas elas vítimas do nazismo, entre as quais se contam também galegos e galegas.

A Assembleia Geral rejeitou, e este Parlamento a endossa, toda a negaçom, quer parcial quer total, do Holocausto como facto histórico. E condenou sem reservas, condena que também este Parlamento endossa, todas as manifestações de intolerância religiosa, incitaçom, assédio ou violência contra as pessoas ou comunidades com base na origem étnica ou nas crenças religiosas, tenham lugar onde tiverem lugar.

O Parlamento da Galiza constata, com a Assemblea Geral das Nações Unidas, que o desconhecimento e o menosprezo dos direitos humanos originam atos de barbárie aldrajantes para a consciência humana.

O Parlamento da Galiza, mais um ano e de acordo com a letra e com o espírito da Declaraçom de 1 de novembro de 2005 da 42ª Assembleia Geral das Nações Unidas, chama o Governo da Xunta para trabalhar arreu contra os possíveis surtos de racismo, xenofobia e discriminações baseados na origem étnica ou nas crenças religiosas, e os cidadãos e as suas organizações para permanecerem vigiantes para que nunca mais um regime como o que produziu o Holocausto possa nem assentar entre nós nem em nengum lugar do mundo.

Santiago de Compostela, 27 de janeiro de 2016


Por outro lado, o Parlamento português assinala o Dia de Memória do Holocausto, instituído em 2010 por Resoluçom da Assembleia da República, com as seguintes iniciativas:

- Inauguraçom da "Exposição Evocativa da Memória do Holocausto" (patente no Andar Nobre até 10 de fevereiro) – apresentaçom polo Deputado João Rebelo.

-​ Intervenções do Presidente da Assembleia da República​, Eduardo Ferro Rodrigues, da Embaixadora de Israel em Lisboa, Tzipora Ramon, e do Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, José Oulman Carp.

-​ Exibiçom, no Salão Nobre, do filme "Labirinto de mentiras", realizado por Giulio Ricciarelli, que relata a história dos julgamentos de Auschwitz.

No dia 29 de janeiro, é apreciado, em Plenário, um voto relativo ao Dia de Memória do Holocausto. A seguir reproduz-se, na íntegra, o conteúdo desse voto de pesar apresentado polo PSD, PS, BE, CDS-PP, PCP e PE.

A Assembleia da República associa-se, pela sexta vez, à evocação internacional que relembra as vítimas do Holocausto. Para além da consagração do dia 27 de janeiro como “Dia Internacional da Memória das Vítimas Holocausto”, o Parlamento português assumiu o compromisso de promover a sua memória e educação nas escolas e universidades, comunidades e outras instituições, “para que gerações futuras possam compreender as causas do Holocausto e refletir sobre as suas consequências”, de forma a “evitar futuros atos de genocídio”.

Esta evocação contém uma lição que tem atualidade para o nosso tempo, pois reflete a vitória da vida e da humanidade sobre o lado negro da natureza humana, esclarece-nos sobre o que fomos e o que somos, e ajuda-nos a saber reconhecer a história e a afirmar o valor do diálogo entre os homens, entre as religiões, entre as culturas e entra as civilizações, para que o Holocausto nunca mais se repita.

Neste sentido, a Assembleia da República presta a sua homenagem a todas as vítimas do Holocausto, que perderam as suas vidas pelas mãos dos carrascos nazis e dos seus cúmplices, e lembra esta data, confirmando a sua responsabilidade de não esquecer.


Os Deputados

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

PARLAMENTO GALEGO APROVA DECLARAÇOM INSTITUCIONAL SOBRE O DIA DE COMEMORAÇOM ANUAL EM LEMBRANÇA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

No Pleno de 11 de fevereiro, o Parlamento galego aprovou umha declaraçom institucional em lembrança das vítimas do Holocausto.


A seguir reproduz-se, na íntegra, o texto aprovado:


Em 1 de novembro de 2005 a Assembleia Geral das Nações Unidas, na sua 42ª sessom plenária, reafirma que o Holocausto, que teve como resultado que um terço do povo judeu e inumeráveis membros doutras minorias morressem assassinados, será sempre umha advertência para todo o mundo dos perigos do ódio, o fanatismo, o racismo e os preconcebidos. E também decidiu designar o 27 de janeiro como Dia Internacional de lembrança anual en memória das vítimas do Holocausto, todas elas vítimas do nazismo, entre as que se contam também galegos e galegas.

A Assembleia Geral rejeitou, e este Parlamento faz sua tal rejeiçom, toda negación, quer parcial, quer total, do Holocausto como facto histórico. E condenou sem reservas, condenaçom que também este Parlamento faz sua, todas as manifestações de intolerância religiosa, incitaçom, assédio ou violência contra as pessoas ou comunidades baseadas na origem étnica ou nas crenças religiosas, tenham lugar onde tiverem lugar.

O Parlamento da Galiza constata, com a Assembleia Geral das Nações Unidas, que o desconhecimento e o menosprezo dos direitos humanos originam atos de barbárie aldrajantes para a consciência humana.

O Parlamento da Galiza, enfim, mais un ano e de acordo com a letra e com o espírito da Declaraçom de 1 de novembro de 2005 da 42ª Assembleia Geral das Nações Unidas, chama o Governo da Xunta para trabalhar arreu contra os possíveis surtos de racismo, xenofobia e discriminações baseados na origem étnica ou nas crenças religiosas, e os cidadãos e as suas organizações para permanecerem vigiantes para que nunca mais um regime como o que produziu o Holocausto possa assentar-se entre nós nen e qualquer outro lugar do mundo.

Santiago de Compostela, 11 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O IRÁM CONVOCA UM CONCURSO DE CARICATURAS SOBRE O HOLOCAUSTO

A teocracia iraniana vem de convocar um novo "concurso internacional de caricaturas sobre a negaçom do Holocausto" em resposta às caricaturas de Maomé publicadas polo semanário satírico Charlie Hebdo logo depois dos ataques islamo-fascistas de Paris. Isso foi o que noticiou o jornal britânico The Independent a partir dumha notícia breve publicada polo Tehran Times a 24 de janeiro.

Capa do Charlie Hebdo logo após do ataque sofrido. AFP PHOTO / JUSTIN TALLIS
Os organizadores do concurso som os mesmos da anterior convocatória, a Casa da Caricatura do Irám e o Centro Cultural Sracheshmeh, com prémios de 12.000 dólares para o primeiro, 8.000 dólares para o segundo e 5.000 dólares para o terceiro.

Em fevereiro de 2006 fora lançada umha convocatória semelhante, em resposta também à publicaçom no jornal dinamarquês "Jyllands-Posten" de 12 caricaturas do profeta Maomé. Estes desenhos estiveram na origem dum surto de violência no mundo muçulmano contra a Dinamarca.

Nessa altura o comité de organizaçom iraniano recebeu 1.193 desenhos procedentes de antijudeus, antissionistas, antissistemas, fascistas, islamitas e nazislamitas de todas as partes do mundo, mormente do Irám, Turquia e do Brasil.

Os nazislamitas iranianos e de todo o mundo nom perdoam que no número do Charlie Hebdo publicado logo após o atentado jihadista aparecesse novamente umha caricatura do profeta Maomé na capa da revista dizendo que tudo estava perdoado (tout est pardonné).

Em fevereiro de 2006 o Charlie Hebdo, como outros jornais europeus, reproduziram as 12 desenhos de Maomé publicados polo antedito jornal dinamarquês. Desde entom, o jornal francês foi alvo de ameaças recorrentes de grupos islamitas por caricatuzar Maomé que se tornaram realidade no passado 7 de janeiro.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

JOSÉ FERNÁNDEZ VÁZQUEZ, O COMANDANTE SOTOMAYOR, UM GALEGO EM AUSCHWITZ

Este ano comemora-se o 70º aniversário da libertaçom polos soviéticos do campo de extermínio de Auschwitz. Neste artigo aproximamo-nos da figura de José Fernando Fernández Vazquez, o Comandante Sotomayor, um galego que esteve nesse campo da morte industrial desenhado polo nazismo.
O Comandante Sotomayor fardado com o uniforme usado para o sequestro do Santa María
FOTO: blogue de Farruco Sesto
Como é que chegou a Auschwitz?
Militar republicano, no fim da guerra civil espanhola acabou internado no campo de refugiados de Saint Cyprien na França. Iniciada a Segunda Guerra mundial, com umha França ocupada, participa na resistência francesa contra os nazistas. 


Detido pola GESTAPO, foi deportado como prisioneiro para o campo de concentraçom de Auschwitz onde realizou trabalhos forçados. No momento da sua libertaçom polas tropas soviéticas em abril de 1945, mal pesava 37 quilogramos.
Inícios
José Fernández Vázquez nasceu na Póvoa do Caraminhal en 1904. 
Filho de António Sottomayor e de Maria Portela. De pequeno “lia mais do que dormia”, segundo os que o conheceram.

De ofício pedreiro, sendo moi novo aderiu voluntário á Marinha espanhola, entom enquadrada ao serviço dum regime monárquico.
Engajamento político
Sendo alferes de navio, à idade de 24 anos é confinado para Marrocos pola sua militancia republicana durante a ditadura militar de Primo de Rivera (1923-30).
En 1930 abandona o exército depois do seu envolvimento na Sublevaçom republicana de Jaca. A escolha que enfrentara era entre deixar o exército ou ser submetido a um conselho de guerra.

Depois de receber influência ideológica da revoluçom russa, filia-se ao PSOE e em 1931 participa na constituiçom da Agrupaçom Socialista da P. do Caraminhal. Com a implantaçom da República, em abril 1931, constitui uma junta municipal revolucionária que tenta impedir a tomada de posse do alcalde de Caraminhas, eleito na lista monárquica.

Em 1932 publica o livro "Ideias socialistas" em que aponta ideias sobre a técnica do golpe de Estado e em 1933 abandona o PSOE para ingressar no Partido Comunista de Espanha (PCE). Nas eleições gerais de novembro desse ano candidata-se por esse partido sem conseguir ser eleito.

Guerra civil
Ao se produzir o golpe de estado nazi-fascista de julho de 1936 morava em Vila-Garcia de Arousa, onde tentou organizar a resistência ao levante militar. É elevado para tenente de navio com a misom de defender a ria de Arousa. Porém, a rápida vitória das forças fascistas na Galiza faz com que se tenha de refugiar na serra do Barbança.

Lá ficou com um grupo de milicianos armados até outubro de 1937, altura en que foge para Portugal, onde colaborou, no Porto, no afundamento dum buque da Kriegsmarine carregado com armamento para o bando franquista.
Toma rumo para a França, chegando a Bordéus a 12 de dezembro desse mesmo ano. Logo a seguir consegue passar de novo para a zona republicana. Em Barcelona reincorpora-se na marinha republicana e participa nas ações navais do Mediterrâneo, destacando a sua atuaçom no afundamento do cruceiro franquista "Baleares" em março de 1938. 

Nessa altura é conhecido como Noé ou Jorge de Sotomayor (Soutomaior). Diz que adotou esta alcunha porque achava que os Sotomayor, antiga linhagem nobiliária galega, faziam parte dos seus antepassados, o que diz muito da sua personalidade mitómana e imaginativa.

Antes do fim da guerra foi destinado como Adido Naval para a embaixada da Espanha republicana em Paris.

Após a Segunda Guerra mundial
Logo a seguir da sua libertaçom do campo de Auschwitz instala-se em Paris, onde trabalha como operário de montagem na fábrica automobilística Renault. Lá integra-se em agrupações e entidades republicanas do exilo. 

Em 1948 abandona a sua militância no PCE como medida de protesto polo abandono da resistência armada polos comunistas espanhóis.

Nessa altura emigra para Venezuela, onde é acolhido em Puerto Caballo e realiza vários trabalhos como motorista gabarra, eletricista na construçom e serrador de madeira. Também atua politicamente nas organizações "Libertad para España" e "Lar Galego". Assim sendo, entra em contato com Xosé Velo Mosquera, militante galeguista refugiado e que fundara a Uniom de Combatentes Espanhóis Antifranquistas Nacionalistas Galegos. 

Com elementos do antisalazarismo (Henrique Galvão) em 1959 fundaram a Direçom Revolucionária Ibérica de Libertação (DRIL).
O Santa María
Entre o 22 de janeiro e 2 de fevereiro de 1961 participou, juntamente con Xosé Velo e Humberto Delgado, no comando formado por 24 pessoas que sequestrou o Santa Maria, um navío transatlântico propriedade do Estado português. O sequestro do Santa Maria, que chamou amplamente as atenções internacionais, alvejaba o derrocamento das ditaduras franquista espanhola e do Estado Novo português. 
Nom conseguiram os seus objetivos, mas obrigaram a intervir à ONU e aos EUA que, após umhas duras negociações, conseguiram que o sequestro acabasse sem vitimar pessoas e os seus assaltantes em total liberdade.

Como o resto de companheiros, o Comandante Soutomaior obteve asilo político no Brasil, pais onde mora até 1962, decidindo regressar a Venezuela perante a perda de força da DRIL. Porém, é expulso por dar treinamento militar a membros do MIR.

Posteriormente, entre 1963-68 passou uns anos em Cuba, onde lecionou como professor universitário.
Foi membro permanente do Grupo Latino-Americano da Tricontinental (Organizaçom de Solidariedade dos Povos da África, Ásia e América Latina), viajando como representante a China, Laos, Camboja e Vietname, países onde se desenvolve a revoluçom comunista.

Últimos anos
Em 1979 regressa ao Estado espanhol para apresentar o seu livro de memórias (Eu roubei o Santa Maria).




Casado em primeiras núpcias com Eva Villalonga, de quem teve um filho: Franklin. Casa em segundas núpcias com Margarita Ackermann, umha alemã, de quem terá dous filhos: Federico e Enrique; Casa pola terceira vez, em 1958, com Sacramento de Jesus Peña.
Finou em Caracas em 11 de fevereiro de 1986.


Homenagem

Sob o título "Umha travessia no século XX", em 2007 umha exposiçom organizada polo Arquivo da Emigraçom Galega do Conselho da Cultura Galega (CCG) lembrou a figura do Comandante Sotomayor com umha parte dos fundos cedidos ao CCG por Federico Fernández Ackermann, um dos seis filhos de Soutomaior.

Os fundos constam de material gráfico, correspondência entre o Comandante Sotomayor e Celso Emílio Ferreiro, José Velo, documentaçom pessoal que recolhe os treze dias do sequestro do Santa Maria. Esta exposiçom evidencia as relções entre os exilados galegos e portugueses na América.

Mais informações: 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

AUSCHWITZ, A MORTE INDUSTRIAL



Libertado polos soviéticos em 27 de janeiro de 1945, Auschwitz-Birkenau foi o maior dos campos de extermínio nazistas. Neste complexo da morte industrial instalado perto da pequena cidade polaca de Oswiecim foram mortos, de acordo com cálculos do historiador Franiciszek Piper, 1,1 milhões de pessoas, entre os quais 960.000 judeus, 75.000 Polacos, 21.000 Ciganos e 15.000 prisioneiros de guerra soviéticos. Estes números constituem agora um consenso entre os historiadores. Como escrito por Annette Wievorka, "Auschwitz designa doravante a metonímia da Shoah/Holocausto". O campo representava o esteio do sistema de morte industrial que abrangia outros campos de extermínio (Treblinka, 750.000 vítimas, Belzec, 550.000, Sobibor, 200.000, Chelmno, 150.000, Majdanek, 50.000). Estes campos de extermínio eram diferentes dos campos de concentraçom onde foram deportados centenas de milhares de inimigos do regime e os resistentes. A singularidade da "soluçom final", que matou de 5 a 6 milhões de Judeus, bem como de 200.000 a 400.000 Ciganos, foi apagada ou mesmo negada após a guerra e até a década de 60.


Quando os nazistas decidiram exterminar os Judeus?

A maioria dos historiadores acham que "a soluçom final para a questom judaica" foi oficialmente decidida a 20 de janeiro de 1942 na Conferência de Wannsee, perto de Berlim. Foi gradualmente que este projeto de extermínio foi desenvolvido. "Estava potencialmente presente dos anos 20 na mente de Hitler, mesmo que apenas pudesse ser perpetrado em circunstâncias especiais", diz o historiador Florent Brayard, observando que "somente nos primeiros meses de 1942, depois de várias arbitragens, é que os líderes nazistas passaram dum projeto político de extinçom dos judeus europeus no plano mais ou menos de longo prazo para um projeto de extermínio no prazo de um ano". Os nazistas tinham pensado primeiro forçar os Judeus a emigrar para fora da Europa, mas nengum país estava disposto a os albergar. Entom estudaram a possibilidade de deportações forçadas para Madagascar. Após a ocupaçom da Polônia começaram a estacioná-los em "reservas" e guetos. Mas essas soluções pareciam-lhes insuficientes, particularmente após a invasom em junho de 1941 da Uniom Soviética. "1942 foi o ano mais trágico para os judeus europeus, diz Florent Brayard. Mais de metade provavelmente das 5-6 milhões de vítimas foram exterminadas" nos campos, guetos ou à bala.

Como é que foi implementada esta política?

Polo menos 1 milhom de Judeus foram mortos de jeito "artesanal" polos Einsatzgruppen, as "equipas móveis de matança" que acompanhavam o exército alemão no seu avanço, liquidando sistematicamente as populações judaicas. Mas estes massacres a fuzil e metralhadora colocavam problemas de "rentabilidade". Durante o verão de 1941, os nazistas começaram a converter os camiões em câmaras de gás utilizando os gases de escape. Entom eles criaram na Polônia, nos campos de Chelmno e Belzec, instalações permanentes para o gaseamento com monóxido de carbono. Até agora "regional", depois de Wannsee, o genocídio tornou-se sistemático em todos os territórios controlados polo Reich. "A soluçom final prosseguiu com etapas escalonadas cada umha das quais resultou de decisões tomadas por inúmeros burocratas no seio dumha vasta máquina administrativa", escreveu Raul Hilberg na sua suma "A Destruiçom dos judeus europeus". País por país, era preciso primeiro identificar os judeus, concentrá-los, deportá-los e, finalmente, assassiná-los. O sistema funcionou até o fim, mesmo quando o Reich estava a desabar.

Quando foi estabelecido o campo de Auschwitz?

Originalmente, em junho de 1940, tratava-se dum pequeno campo de concentraçom para os polacos e, um ano mais tarde, para prisioneiros soviéticos. Em dezembro de 1941 foi organizado o primeiro gaseamento homicida "teste" com Zyklon B (ácido cianídrico) sobre os Russos classificados como "fanáticos comunistas" e doentes "irrecuperáveis". Rudolf Hoess, comandante de Auschwitz julgado e enforcado após a guerra, fala nas suas memórias da sua entrevista, no início da soluçom final, com Himmler, chefe da SS, quem lhe explica que "os centros de extermínio já existentes zona oriental nom estám em estado de realizar até o fim as grandes ações planejadas". Auschwitz foi escolhido tanto pola boal ligaçom ferroviária quanto polo do facto de que "podia ser facilmente isolado e camuflado." Os nazistas atribuíram a Auschwitz duas funções: o assassinato daqueles que nom precisavam e o trabalho até a exaustom mortal para os outros. A mão-de-obra de deportados do campo de trabalho I será utilizada para construir um segundo campo a três quilómetros de distância. Ao contrário do campo de concentraçom, o campo de extermínio de Birkenau (Auschwitz II), "inaugurado" em outubro de 1941, nom tinha outro propósito que a morte industrial. Num terceiro campo, Auschwitz III-Monowitz, foi instalada umha fábrica da IG Farben.

Como era o extermínio?

As primeiras câmaras de gás de Birkenau funcionaram a partir de julho de 1942. Os corpos eram entom ainda queimados em valas abertas. O ritmo de assassinatos acelerou-se e, na primavera de 1943, quatro novos conjuntos de câmaras de gás com fornos crematórios adjacentes foram construídos pola empresa Kopf que obtivera o contrato. Os recém-chegados eram rapidamente classificados. Homens e mulheres em estado de trabalhar partiam para Auschwitz I ou III. Todos os outros, crianças, velhos, doentes, mulheres com filhos, aqueles que nom passavam a "seleçom" eram mortos imediatamente. As SS "tratavam", por vezes, até 20.000 pessoas por dia. Os deportados despiam-se e depois, a golpes, eram guiados em direçom para o que eram chamadas de salas de duche. Eles eram trancados em salas herméticamente fechadas onde eram deitados cristais de Zyklon B que os asfixiavam ao cabo de minutos na agonia. Os Sonderkommandos, grupos de prisioneiros judeus forçados a este trabalho e regularmente elimiados, esvaziavam as câmaras de gás e logo a seguir queimavam os corpos nos crematórios, apos ter recuperado os cabelos e os dentes em prata ou ouro, metais preciosos que eram utilizados para o esforço de guerra do Reich. Alguns homens do Sonderkommandos que tentaram revoltar-se antes de serem mortos eles também conseguiram manter diários, encontrados nas cinzas de Auschwitz.

Artigo tirado de LIBERATION, traduzido para o galego-português por CAEIRO.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

EM LEMBRANÇA DO HOLOCAUSTO

Há 70 anos, em 27 de janeiro de 1945 o Exército Vermelho libertava os perto de 7.000 prisioneiros que restavam no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Semanas antes, as SS iniciaram o desmantelamento e demoliçom deste campo tentando assim encobrir este horrível crime contra a Humanidade. Destruiram as câmaras de gás e os crematórios e queimaram documentos. Os prisioneiros ainda com algumha força foram levados para outros campos na Alemanha.
A inscriçom ARBEIT MACHT FREI (o trabalho liberta) sobre o portom de
Auschwitz I tornou-se num ícone fácil de reconhecer
Porém, antes da libertaçom do campo as autoridades do campo nom tiveram tempo de enviar para a Alemanha ou de destruir os restos de haveres que pertenciam aos assassinados. É por isso que ainda se conservam as malas de Judeus deportados e exterminados. Também nom tiveram tempo de fazer desaparecer as latas que continham o Cyclon B, um gás usado ate 1941 como desinfectante e que entre agosto e setembro do mesmo ano passou a ser usado como meio de extermínio em massa de pessoas. Era fornecido em latas especiais para evitar contaminações acidentais. 


Latas que continham o gás Cyclon B
Estima-se que tenham sido deportados para este campo da morte mais de 1,1 milhões de Judeus oriundos de toda a Europa ocupada, perto de 150 Polacos, prisioneiros políticos na sua maioria, cerca de 23.000 Ciganos, mais de 15.000 prisioneiros de guerra soviéticos, assim como umhas dezenas de milhares de prisioneiros oriundos doutras nações. A grande maior parte destes prisioneiros morreu neste campo.


Auschwitz, o campo de extermínio mundialmente reconhecido como símbolo de terror, genocídio e Holocausto (Shoah), foi erguido em 1940 polo sistema nazista nas redondezas da cidade de Oświęcim, ocupada na altura polo exército alemão; assim como toda a Polónia durante a Segunda Guerra mundial. O nome da cidade foi mudado de Oświęcim para Auschwitz ficando o campo com o mesmo nome. A cidade, na altura com metade de populaçom judaica (de facto, em iídiche era chamada Oshpitsin), foi esvaziada para contruir essa fábrica da morte.

O campo de concentraçom/extermínio foi aumentado nos anos seguintes e dividido em três partes: Auschwitz I, Auschwitz II-Birkenau, Auschwitz III-Monowitz, existindo também mais de 40 subcampos. De início eram Polacos os deportados e assassinados nesse campo. Depois seguiram-se prisioneiros de guerra soviéticos na frente oriental, Ciganos e doutras nacionalidades. A partir de 1942 este campo tornou-se no maior lugar de extermínio em massa de Judeus em toda a história da Humanidade, parte do projeto Nazi de extermínio total deste povo. A maior parte de Judeus deportados era imediatamente exterminada nas câmaras de gás de Birkenau.

AUSCHWITZ I

O local onde se levantou este campo em meados de 1940 encontrava-se um quartel do Exército polaco. As razões principais que levaram as SS a abrir o campo para prisioneiros políticos polacos neste local foram a possibilidade de usufruir de imediato as instalações desertas, o aumento de detenções em massa de Polacos e o estado de superlotaçom das prisões.

Neste campo encontrava-se a primeira câmara de gás e crematório. O crematório funcionou entre agosto de 1940 e julho de 1943 e, consoante os cálculos das autoridades nazis, nele poderiam ser cremados 340 corpos por dia. No compartimento ao lado encontrava-se a primeira câmara de gás. Nelas as SS eliminaram milhares de Judeus, assim como vários grupos de prisioneiros de guerra soviéticos usando Cyclon B. A câmara de gás tinha capacidade de exterminar várias centenas de pessoas dumha só vez. No tecto estavam os orifícios polos quais era lançado o Cyclon B.

Umha vez que em 1943 foram construídos crematórios novos e de maior capacidade em Auschwitz II-Birkenau, os nazis deixaram de cremar neste crematório

AUSCHWITZ II- BIRKENAU

Os nazis deram início à construçom deste campo de extermínio no outono de 1941 na localidade de Brzezinka, situada a 3 km de Oświęcim, da qual foram evacuados os seus habitantes e as suas habitações demolidas. Neste campo foi instalada a maior parte da maquinaria de extermínio e nele assassinadas a maior parte das vitimas do campo.


Porta da Morte de Auschwitz II - Birkenau através da qual entravam
os comboios com deportados
A porta de entrada deste campo, mais conhecida polos prisioneiros como "Porta da Morte", achava-se no principal edifício de vigia. Os deportados que lá chegavam eram metidos em duas filas separadas: umha para mulheres e crianças e outra para homens. Entre estes os fortes e saudáveis eram separados dos idosos, doentes, das grávidas e das crianças. Os declarados polos médicos das SS para realizar trabalhos forçados ficavam no campo, sendo encaminhados para um edifício conhecido por Sauna onde era efetuada a desinfeçom e inscriçom. Os restantes (70-75%) eram conduzidos direitinhos às câmaras de gás e exterminados. A partir de 1944 os comboios que transportavam os Judeus como gado entravam no campo através da rampa que dava à porta principal do KL Birkenau. Antes os comboios paravam fora do campo.

Auschwitz-Birkenau supôs umha melhora tecnológica em todos os níveis. Por exemplo, foram construídas novas câmaras de gás com maior capacidade e nelas foi levado a cabo o extermínio em massa de Judeus. Segundo a empresa que construiu os crematórios nos dous campos, nos novos fornos era possível queimar 4.576 pessoas por dia (a capacidade de forno velho era de 340 cadáveres/dia).

O crematório possuia 5 fornos e ainda um adicional chamado de Müllverbrennungsofen (forno para queimar o lixo) no qual eram queimados os haveres de pouco valor deixados polos exterminados, tais como documentos pessoais, carteiras de senhora, livros, brinquedos,... Este forno encontrava-se junto da cheminé. No armazem do carvom estavam também as escadas que davam acesso ao sótão onde eram secados os cabelos já desinfectados das mulheres exterminadas.

Ao lado da câmara de gás e crematório IV existia umha represa de água para a que se transportava, em vagões, as cinzas dos corpos cremados.

Nos finais de 1944, vendo que estava perdida a guerra, os nazis desmantelaram os crematórios com a intençom de eliminar as provas dos crimes cometidos. No entanto, nom conseguiram desmantelar por completo o edifício que entretanto tinha sido dinamitado a 20 de janeiro de 1945.

As pessoas aptas para  trabalho eram apinhadas em barracas de tijolo, cheias de gemidos, moribundos, cheiro a suor, corpos sujos e excrementos, fazendo com que estivessem infestadas de pulgas e ratazanas. Em cada prateleira tinham de dormir 5 pessoas. No bloco nº10 o ginecólogo alemão, prof. dr. Carl Clauberg, levava a cabo pesquisas criminosas como esterilizaçom de mulheres judias prisoineiras. Nas imediações do campo feminino encontrava-se a orquestra do campo que tocava marcha durante a saída para o trabalho e durante o retorno do mesmo. Os sons da música chegavam às rampas onde os médicos nazis peneiravam os recém-chegados.

Na seçom de quarentena ergueram-se barracas de madeira onde eram amontoados centenas de prisioneiros. O objetivo da quarentena era introduzir os recém-chegados ao sistema de terror existente no campo, obrigando-os a umha obediência total.

Para além das câmaras de gás e dos fornos crematórios, da rampa do comboio, o campo de Birkenau era composto também polos chamados setores, nos quais existiam 9 campos separados por arame farpado, conhecidos por campos ajudantes.

A fim de nom permitir fugas de prisioneiros foi construída umha vedaçom dupla eletrificada em arame farpado. Houve pessoas esgotadas polo clima de terror dentro do campo que preferiram "ir ao arame farpado" que na gíria do campo queria dizer cometer suicídio atirando-se aos arames morrendo eletrocutados. Enquanto vedaçom de auschwitz I tinha mais de 2 km, a de Auschwitz II- Birkenau era quase de 12 km.


Vedaçom dupla eletrificada
Aquando a sua inscriçom, os nazis tiravam fotografias dos prisioneiros. A partir de 1943 em vez de fotografias eram tatuados números de campo no antebraço esquerdo. Nengum dos fotografados sobreviveu.


Em 1967 no local onde anteriormente se encontrava outro monumento foi erguido um monumento em honra das vítimas do campo de extermínio de Auschwitz. Este museu foi o segundo lugar de memória -depois de Majdanek, a ser aberto na Europa de pós-guerra. O seu objetivo principal é recordar as vítimas do nazismo deixando que os terrenos dos antigos campos possam ser visitados.

Em abril de 2001 abriu ao público umha exposiçom de fotografias de família pertencentes a Judeus deportados. Foram encontradas logo a seguir à libertaçom do campo numha das malas que os nazis nom tiveram tempo a destruir.

Em 2002 a UNESCO declarou oficialmente as ruinas de Auschwitz-Birkenau como Património da Humanidade.


Junto à represa de água quatro lápides de granito negro em 4 línguas (polaco, inglês, hebraico e iídiche) lembram a memória das vítimas. 

Em 1 de novembro de 2005, durante a 42º sessom plenária da Assembleia Geral das Nações Unidas, foi aprovada a resoluçom 60/7 que designa o 27 de janeiro de cada ano, dia da libertaçom de Auschwitz polas tropas soviéticas, como Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

Malas de Judeus deportados e exterminados
No terreno do antigo campo há lugares onde ainda hoje podem-se encontrar provas visíveis deste terrível crime contra a humanidade (ossos, cinzas,...).