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sábado, 3 de setembro de 2016

XVII DIA EUROPEU DA CULTURA JUDAICA EM PORTUGALIZA

Sob o lema "As línguas dos Judeus", o XVII Dia Europeu da Cultura Judaica vai ser celebrado este domingo, dia 4 de setembro, nas diferentes vilas e cidades de até 30 países.

Desde a sua criaçom em 1996, o objetivo desta data é dar a conhecer melhor a cultura judaica e as suas tradições nos países europeus através de atividades relacionadas com a presença judaica.

Para essa data estám agendados eventos nas principais vilas galegas com herança judaica (Ribadávia, Monforte de Lemos e Tui). Porém, este ano em Portugal, país que participava nesta comemoraçom desde 2014, nom está programada (*) a celebraçom de qualquer atividade ao abrigo deste quadro.


MONFORTE DE LEMOS

Visitas guiadas à Judiaria de Monforte de Lemos
Data: 4 de setembro
Horário: 11:30 e 18:00h
Local: Escritório Municipal de Turismo (R. Comércio)
Organiza: Concelho de Monforte de Lemos
Gratuita



Festival e Música ARTEFICIAL

Data: 3 de setembro

Horário: 12:30-23:00h

Local: Bairro judeu-A Madalena-Auditório do Castelo-Museu Sefardita

Organiza: Concelho de Ribadávia-Arteficial-Escritório de Informaçom Juvenil-Escritório de Turismo

Entrada gratuita

Música ponte entre culturas (klezmer, alternativa, jazz, blues,...). Feira da ladra de gastronomia



Visitas guiadas à Judiaria de Ribadávia


Data: 4 de setembro

Horario: 12h (em espanhol); 17h (em galego)

Local: Escritório Municipal de Turismo (Pr. Maior)

Organiza: Concelho de Ribadávia-Escritório de Turismo

Gratuita

Percurso singular da Judiaria de Ribadávia, profundando na história da presença hebreia durante a Idade Média. Visita a um forno antigo de elaboraçom de respostaria hebraica tradicional e artesã.


Visita ao Museu Sefardita da Galiza


Data: 4 de setembro

Horário: 10:30 h 20h

Local: Escritório de Turismo de Ribadávia

Organiza: Museu Judeu da Galiza-Escritório de Turismo

Dia de Portas Abertas. Poder-se-á conhecer a história dos Judeus e a sua presença na Galiza ao longo da história. Interessante mostra que ajuda a compreender a evoluçom dum povo que fez parte da Galiza durante séculos.




Visitas guiadas à Judiaria de Tui

Data: segunda-feira (5 de setembro) a sexta-feira (9 de setembro); sábados, domingos e feriados

Horario: 12h

Local: Pr. da Imaculada

Organiza: Concelho de Tui-Concelharia de Turismo

* CAEIRO foi incapaz de encontrar qualquer atividade ou evento agendado com motivo da celebraçom deste Dia Europeu da Cultura Judaica. Caros/as leitores/as portugueses/as, agradeceria  grandemente esclarecimentos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A LÍNGUA DOS JUDEUS DE PORTUGAL

O Judeu-português ou judeo-português é umha língua extinta, que era falada polos Judeus sefarditas de origem portuguesa. Essa forma linguística era vernacular e de uso corrente aos Judeus de Portugal antes do século XVI, quando as comunidades judias foram expulsas por causa da pressom política exercida polos reis católicos espanhois, e sobreviveu em muitas comunidades da diáspora dos Judeus da Nação Portuguesa.
Judiaria de Castelo de Vide
Embora seja muito desconhecida a língua falada polos Judeus antes do édito de expulsom, o léxico do judeu-português era composto basicamente por palavras portuguesas, acrescentando-se palavras hebraicas. Também recebeu empréstimos do ladino ou judeu-espanhol por influência da língua dos Judeus espanhóis, mas era muito distinta dessa, já que os Judeus lusos nunca foram expulsos do seu país, antes forçados à conversom.

A existência dalguns de textos anteriores à expulsom permite fazer umha análise. Os textos eram escritos em letras hebraicas (aljamiado português) ou latinas. O documento mais antigo conhecido (1262) é um tratado sobre a arte do manuscrito iluminado, escrito em português com caracteres hebraicos, "O livro de como se fazem as cores". Trata-se dum documento de grande importância para a história do iluminismo manuscrito hebraico, sendo utilizadas as instruções contidas no texto para a iluminaçom da Bíblia Kennicott escrita na Corunha em 1476.

O texto litúrgico mais antigo é um Mahzor espanhol escrito em hebraico e publicado em Portugal por volta de 1485 que inclui instruções rituais em português aljamiado. Entre outros documentos, destacam um tratado médico de oftalmologia de 1300, localizado na Biblioteca Pública Municipal do Porto, um livro de pregações espanhol do século XV com instruções em português, localizado na Biblioteca Bodleian de Oxônia e um tratado de astrologia médica que contém umha parte em português do século XV, localizado no Seminário Teológico Judaico de Nova Iorque.

Relativamente a fontes nom judias dos séculos XV-XVI, Gil Vicente, considerado o primeiro grande famoso dramaturgo português, apresenta umha passagem judeu-portuguesa na sua obra o "Auto da Barca do Inferno": "Alça manim dona, o dona, ha", onde "manim" parece umha mistura da palavra espanhola mano com o sufixo habitual hebraico do plural -im. Destarte, Gil Vicente apresentava numha só frase a influência de duas palavras nom portuguesas na língua dos Judeus portugueses.

Muitos dos Cristãos-novos continuaram secretamente a observar o judaísmo e preservar a língua até que Inquisiçom se estabeleceu em Portugal em 1536, provocando umha vaga onda migratória dos conversos para Flandres, o norte da Alemanha, Holanda, França, Itália, Inglaterra e as Américas. 

Assim sendo, o judeu-português na diáspora desenvolveu-se a partir do século XVI nos locais onde os cristãos-novos portugueses regressaram ao judaismo e desenvolveram florescentes comunidades judaicas. O judeu-português foi conhecido como a língua dos Judeus da Nação Portuguesa e foi a língua oficial falada e escrita nas comunidades da Diáspora. Na Europa ocidental foi usado en inúmeros âmbitos: doméstico, transações comerciais, administraçom, cerimónias formais, cumprimentações, pregações, discursos, intercâmbios legais, registos, inscrições funerárias, relatórios comunitários,... Apenas depois de meados do século XIX, com a introduçom das escolas públicas, foi que diminuiu o seu uso, limitando-se ao uso familiar ou às celebrações religiosas.

Em geral, nas comunidades judias portuguesas exiladas as traduções dos textos litúrgicos do hebraico faziam-se para o espanhol. Mas no século XVII apareceram muitos textos seculares judeu-portugueses nos campos da filosofia, literatura moral, drama e poesia. Estes textos foram publicados na Itália e Alemanha, bem como em Amsterdão, que se tornou num centro judeu da actividades literária e científica. Mendes dos Remédios fez umha coletânea dos textos judeu-portugueses publicados em Amsterdão.

Apesar das escassas investigações feitas sobre as características lingüísticas do judeu-português da diáspora, segundo um estudo de Germano realizado aos textos de Amesterdão e Hamburgo entre os séculos XVIII e XX, a variedade judia do português incluia formas mais arcaicas do que o padrom da época. O linguista português B.N. Teesma (1975) chama à linguagem do século XVIII de Mendes-Franco de "português fossilizado". O texto de Mendes-Franco, escrito em letras latinas, inclui numerosos empréstimos hebraicos, mormente nos campos semânticos da tradiçom judaica e vida comunitária. As palavras hebraicas aparecem tanto em caracteres hebraicos quanto em transliterações.

Na América foi a língua habitual das comunidades sefarditas de origem portuguesa em Recife, Nova Iorque, Aruba, Curação, Bonaire e Costa do Estado venezuelano de Falcón. Nos Estados Unidos da América a variante judeu-portuguesa foi apoiada principalmente após a migraçom dos Judeus do Brasil Holandês.

Devido à sua similaridade, o Judeu-Português morreu logo em Portugal, mas sobreviveu na Diáspora como língua do dia-a-dia até os princípios do século XIX. Também sobrevive em forma de substrato no papiamento e saramaca, já que alguns dos donos portugueses de escravos eram Judeus.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A VER NAVIOS...

Ficar a ver navios é umha expressom ou dizer popular da língua portuguesa que tem a sua origem na presença judaica. 

Em março 1492 foi determinado que os Judeus que nom se convertessem teriam de deixar os Reinos de Espanha até ao fim de julho. Centenas de milhares entom fixaram-se em Portugal. O casamento do rei D. Manuel com umha filha dos Reis Católicos em 1496, levou-o a aceitar a exigência espanhola de expulsar todos os Judeus residentes em Portugal que nom se convertessem ao catolicismo, num prazo que ia de janeiro a outubro de 1497. 

Porém, o rei Dom Manuel precisava dos Judeus portugueses, pois eram toda a classe média e toda a mão-de-obra, além da influência intelectual. Se Portugal os expulsasse logo como fez Espanha, o país passaria por umha crise terrível. Na realidade D. Manuel nom tinha qualquer interesse em expulsar a comunidade hebraica, que entom constituía um destacado elemento de progresso nos setores da economia e das profissões liberais. A sua esperança era que, retendo os Judeus no país (nessa altura por volta de 15% da populaçom), os seus descendentes pudessem eventualmente, como cristãos, atingir um maior grau de aculturaçom. 

Para obter os seus fins lançou mão de medidas extremamente drásticas, como ter ordenado que os filhos menores de 14 anos fossem tirados aos pais a fim de serem convertidos. Entom fingiu marcar umha data de expulsom na Páscoa e fechou todos os portos para que ninguém saisse. Quando chegou a data do embarque dos que se recusavam a aceitar o catolicismo, alegou que nom havia navios suficientes para os levar e determinou um batismo em massa dos que se tinham concentrado em Lisboa à espera de transporte para outros países. No dia marcado, estavam todos os judeus no porto esperando os navios que nom vieram. Todos foram convertidos e batizados à força, em pé. Daí a expressom: “ficaram a ver navios”. O rei entom declarou: nom há mais Judeus em Portugal, som todos cristãos (cristãos-novos). Muitos foram arrastados até a pia batismal polas barbas ou polos cabelos, outros preferiram cometer suicídio antes de renegar da sua cultura religiosa.

Posteriormente a expressom ligou-se aos Portugueses que ficavam a ver navios, na esperança de que um dia voltasse à pátria o rei Dom Sebastião, protagonista da batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos, em que tropas portuguesas foram derrotadas polos marroquinos em violento combate em 1578. Após o desaparecimento de Dom Sebastião na luta, difundiu-se a crença que um dia regressaria a Portugal, para levar o país de volta a umha época de conquistas. Multidões que frequentavam algum dos altos de Lisboa, confiantes no regresso do rei, ficavam a ver os navios que chegavam. Esta história originou o termo sebastianismo, tipo de messianismo à portuguesa que serve para indicar situaçom ou pessoa em cujo retorno se deposita a expetativa dumha naçom.

Hoje esta expressom é utilizada como expressom dumha expetativa frustrada, de espera por algo que nom vem ou, simplesmente, como sentimento de desilusom e deceçom.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A QUESTOM JUDAICA EM PORTUGAL

Prof. José Hermano Saraiva

Origens

Os Judeus estavam na Península desde o tempo romano. Tolerados umhas vezes, perseguidos outras, as suas comunidades eram populosas e numerosas já na época visigótica. Representaram sempre umha elite cultural; o Talmude diz: "Toda a cidade onde as crianças nom forem à escola está destinada a perecer".

A obra de irradicaçom violenta e total das culturas religiosas opostas à cultura cristã dominante fez com que a cultura judaica, ao igual que a árabe, experimentasse um processo de destruiçom na sequência da reconquista. O único que chegou até hoje foram três ou quatro lápides funerárias (que se salvaram porque estavam enterradas) e que constituem todo o recheio do museu judaico aberto há alguns anos em Tomar para recolher os vestígios dumha civilizaçom que se sabe ter sido brilhante.


Séculos XII-XIV

Durante o século XII foram violentamente perseguidos nas regiões dominadas polos Árabes e muitos deles procuraram refúgio nos Estados cristãos. Afonso VI acolheu-os, favoreceu-os e utilizou-os para a formaçom dos quadros superiores da administraçom estadual.

Afonso Henriques seguiu essa mesma linha. Sabe-se que depois da conquista de Santarém deu três casais a um judeu notável; um filho desse judeu desempenhou o importante cargo de almoxarife-mor de Sancho I. Até ao século XIV os reis mantiveram essa orientaçom.

As profissões que exigiam maior preparaçom (sobretodo a medicina) e grande parte do comércio eram exercidas por Judeus. Condenados pola Igreja e segregados polas populações, formavam, apesar disso, umha camada superior da sociedade, privilegiada dos pontos de vista do saber e do dinheiro.


Séculos XV-XVI

Em 1492, os Reis Católicos decretaram a expulsom dos Judeus dos seus Estados no prazo de quatro meses e sob pena de morte. Muitos dos Judeus súbditos procuraram refúgio em Portugal. D. João II autorizou a instalaçom das famílias mais ricas a troco de altas quantias. Mas os refugiados eram umha verdadeira invasom: cerca de 100.000. O rei autorizou-os, também mediante umha propina por cabeça, a ficarem oito meses em Portugal seguindo depois os seus destinos. Os que nada puderam pagar foram reduzidos a escravos.

A maior parte dos refugiados ficou no País, engrossando enormemente a populaçom judia, que já era numerosa. Muitas crianças, retiradas à força aos pais, foram mandadas povoar a ilha de S. Tomé. Poucas sobreviveram.

Em 1496, D. Manuel seguiu o exemplo dos Reis Católicos; ordenou a expulsom de todos os Judeus, tanto os castelhanos como os portugueses. Fê-lo por exigências no decurso das negociações com a filha dos monarcas espanhóis; mas parece que os seus conselheiros se deram conta dos prejuízos que a medida acarretava:
  • Perda dos enormes produtos que os Judeus pagavam;
  • Sangria dos valores que levariam consigo;
  • Saída de milhares de úteis artesãos.
O rei adoptou umha politica de compromisso aparente: os Judeus ficavam, mas deixavam de ser Judeus. Para o conseguir, ordenou o batismo forçado dos filhos, recusou meios de transporte para a saída por mar (o que equivalia à proibiçom de sair, por a passagem por Espanha nom ser possível) e deu a todos a garantia de que, durante vinte anos, nom seriam perseguidos por motivos religiosos. Era, portanto, a imposiçom da conversom aparente e umha forma de iludir a obrigaçom contraída nos acordos com os Reis Católicos.

As Judiarias foram extintas, as sinagogas transformadas em igrejas, os Judeus passaram, oficialmente, a ser cristãos. Para distinguir uns dos outros, passou a falar-se em cristãos-novos e cristãos-velhos.


[Em 1500] o nome que os descobridores deram à nova terra, Vera Cruz, foi rapidamente substituído pola designaçom do principal produto que de lá se trazia [Brasil]. A principal riqueza da terra recém-descoberta foi, durante muitos anos, o pau-brasil, árvore cujo cerne, intensamente vermelho, tinha aplicaçom na tinturaria e cuja madeira, dumha grande resistência, era usada na construçom de móveis e de navios.

Em 1502 o comércio do pau-brasil foi arrendado a um cristão-novo, Fernão de Noronha, que ficou obrigado a enviar em cada ano umha frota de seis navios, a explorar também anualmente trinta léguas de costa e a instalar feitorias nos lugares mais apropriados. Começou entom a instalaçom dos primeiros núcleos de portugueses no litoral brasileiro.

Alguns atribuem a Fernão de Noronha a mudança dos nomes cristãos de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz para Brasil dessa antiga colónia portuguesa. Entretanto, tal facto carece de base histórica e está originado por ideias antissemitas.


O problema dos cristãos-novos iria arrastar-se durante muito tempo. A fusom entre os dous grupos, que durante séculos tinham vivido separados, foi lenta e dificil. 

Em 1506 houve em Lisboa motins em que os cristãos-novos foram ferozmente perseguidos. O número de mortos foi cerca de dous mil. Apesar da garantia de nom perseguiçom os Hebreus foram objeto de numerosas discriminações. À antiga distinçom da populaçom em duas nações, cristã e judaica, que permitiu aos Judeus viver em paz durante séculos, sucedeu-se umha falsa unidade.


Monumento em Lisboa em homenagem aos Judeus mortos no massacre de 1506
Fonte: Wikipedia
A partir de 1534 [com a instituiçom da Inquisiçom em Portugal] as perseguições foram constantes e sistemáticas e levaram à formaçom de duas mentalidades viciosas e inimigas: a do cristão-velho, detentor da verdade, inimigo da inovaçom, farejador de erros alheios, dogmático e repressivo, e a do cristão-novo, dissimulado, messianista, acossado, intimamente revoltado, nom solidário com o conjunto da comunidade nacional que o repele e que ele no fundo nom reconhece como sua. Essa fratura da consciência nacional chegaria até muito tarde.

[Doravante] muitos Judeus [e cristãos-novos], procurando escapar às perseguições de que eram alvo em Portugal, foram instalar-se no Brasil.


*José Hermano Saraiva (1919-2012) foi um advogado, professor e historiador português que desenvolveu um imenso trabalho como divulgador em prol da História, da Cultura e da Literatura. Passagens tiradas da "História concisa de Portugal", transcritas para o galego-português.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O BREXIT FAZ AUMENTAR OS PEDIDOS DE NACIONALIDADE PORTUGUESA ENTRE OS JUDEUS SEFARDITAS

Segundo revelações da Comunidade Israelita do Porto à agência Efe, cerca de 400 descendentes britânicos de Judeus sefarditas portugueses pediram a nacionalidade portuguesa desde a vitória do “Brexit”, contra apenas 5 solicitações em 2015.

A legislaçom portuguesa permite que os descendentes de sefarditas de origem portuguesa possam pedir a nacionalidade. Segundo essa agência noticiosa, a perspetiva da saída do Reino Unido está a fazer com que muitos dos Judeus sefarditas portugueses tentem umha forma de manter os direitos no quadro da Uniom Europeia.

"É inevitável concluir que os Judeus sefarditas que residam na Inglaterra correm o risco de perder os direitos da UE e, por isso, é natural que usem um direito que a lei portuguesa lhes concede", disse um porta-voz da Comunidade Israelita do Porto. A Comunidade Israelita do Porto é umha das entidades autorizadas para expedir o certificado de descendência portuguesa e que é necessário para ativar o processo de acesso à nacionalidade.

Desde que foi anunciado o triunfo do “Brexit”, na sequência do referendo realizado no Reino Unido no passado dia 23 de junho, que a Comunidade Israelita do Porto recebeu 400 petições, contrastando com os 5 pedidos registados desde 2015, altura em que a Assembleia da República aprovou a lei sobre os direitos dos sefarditas de origem portuguesa.

Como qualquer Estado-membro da UE, os cidadãos com nacionalidade portuguesa têm o direito de circular livremente, residir e trabalhar em qualquer país comunitário sem necessidade de fazer accionar o processo de solicitaçom, obrigatório para os cidadãos extracomunitários. Os britânicos vam perder os direitos a partir do momento em que o Reino Unido abandonar a UE e, no contexto do bloco europeu, vam passar a reger-se polas normas que se aplicam à cidadania dos países nom-comunitários.

A Comunidade Israelita do Porto disse à Efe que calcula que, dos 350.000 judeus que residem no Reino Unido, cerca de 50.000 som sefarditas (de ascendência portuguesa ou espanhola), apesar de se desconhecer até ao momento quantos podem utilizar o direito de pedido de nacionalidade em Portugal. A lei portuguesa de acesso à nacionalidade, ao contrário da legislaçom espanhola, que também permite a obtençom da nacionalidade aos sefarditas, nom estabelece um prazo limite para a solicitaçom, polo que o número de pedidos pode vir a aumentar até á saída do Reino Unido da UE.

Em todo o mundo existem, cerca de 3,5 milhões de descendentes sefarditas de origem portuguesa e espanhola. 

Fonte: PÚBLICO e RPT.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A IDENTIFICAÇOM DAS JUDIARIAS NA GALIZA E PORTUGAL

A identificaçom das judiarias, isto é, recuperar a pegada histórica dos bairros judeus, quer na Galiza, quer em Portugal, nem sempre é tarefa fácil.

Do ponto de vista histórico muitos estudiosos som capazes de relatar a história dos Judeus que viveram em Portugaliza até a sua expulsom. O contributo de estudos recentes realizados por historiadores, entre os quais a existência de documentos que demonstram essa pegada judaica, estám a permitir a localizaçom mais ou menos exata da implantaçom urbana dessas áreas habitadas por Judeus, isto é, a localizaçom das judiarias e a sua representaçom planimétrica.

A localizaçom exata da posiçom física em que viviram esses Judeus da Naçom galega e portuguesa permite averiguar se se conservam restos que demonstrem a existência dumha comunidade hebraica. Em muitos casos a realidade arquitetônica é complementada com os documentos e com os planos que representam a pegada urbana das judiarias.

O governo de Castelo Branco, umha das cidades portuguesas em que a herança judaica é muito marcante, teve recentemente um debate a respeito da localizaçom da sua judiaria. Mais concretamente, no tocante à pertença ao bairro judeu dumha das suas ruas ao abrigo de novas investigações. Assim sendo, a Rua d'Ega foi trocada pola Rua Nova como rua principal da antiga judiaria albicastrense. A seguir reproduz-se, graças à ajuda de Ricardo Nunes, a crônica desse debate realizada polo jornal Povo da Beira.


Destarte, nalgumhas vilas e cidades (entre as quais Monforte de Lemos) onde nom existiu umha zona delimitada e fechada (como na maioria do casos), em vez de falar em judiaria ou bairro judeu, fala-se em áreas de "âmbito judaico", isto é, onde a populaçom era maioritariamente hebraica mas nom segregada. 

terça-feira, 8 de março de 2016

REBORDELO

Freguesia da regiom de Trás-os-Montes, pertencente ao concelho de Vinhais, com cerca de 620 habitantes.

Nom muito longe da Galiza, esta povoaçom transmontana é bastante antiga e assume-se como “terra de judeus”. A sua sede autárquica, a vila de Vinhais, apesar de ter sido também moradia de judeus, já nom possui vestígios desta presença e apenas há registos desta freguesia como detentora deste património.

Em Rebordelo os testemunhos patrimoniais remanescentes, apesar de nom constituírem um número muito relevante, destacam-se pola sua singularidade pois som raros em toda a regiom.


Moradia com caraterísticas da arquitetura judaica em Rebordelo, entre as quais, portas
e janelas desalinhadas, vãos de portas e janelas e ombreias biseladas. ANA C. PINTO
Destaca-se assim um hexagrama ou Estrela de David, situada num pilar de granito numha moradia no Bairro das Pereiras que terá sido em tempos casa do senhor Moisés Abrão Gaspar, cristão-novo. Esta marca em alto-relevo, apesar da vegetaçom que possui em volta, encontra-se bastante preservada polo tempo e de fácil observaçom.

Além desta marca existe ainda umha outra moradia que terá pertencido ao filho de Moisés Abrão Gaspar, Abrão Gaspar e que apresenta umha arquitetura única na localidade e que exalta umha certa grandiosidade.


Casa que pertenceu ao cristão-novo Moisés Abraão Gaspar. ANA C. PINTO
Hexagrama no pilar de granito na casa de Abraão Gaspar. ANA C. PINTO
ANA C. PINTO
Também umha outra moradia, com enfeites nas janelas será de descendentes da família Gaspar, onde também está colocada uma placa com o nome da rua “A. Gaspar” que poderá ser uma homenagem a umha destas pessoas.

Apesar de Rebordelo apresentar umha zona mais antiga com diversas casas notoriamente mais arcaicas, nom existem muitas mais marcas identificativas de presença judaica.

Esta localidade foi também umha das quais o Capitão Barros Basto visitou várias vezes, tendo estabelecido um núcleo de movimento, o que nos remete para a importância que a comunidade judaica de Rebordelo terá tido em tempos.

Entre 1660 e 1753 estám registados cerca de dezasseis Autos de Fé pola Inquisiçom de Lisboa e Coimbra.

Artigo elaborado com base no trabalho JUDEUS, JOIA DA COROA TRANSMONTANA - PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA ROTA CULTURAL DOS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES de Ana Catarina Pinto (2015)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

LAGOAÇA

Freguesia do concelho de Freixo de Espada à Cinta, na regiom de Trás-os-Montes, com cerca de 410 habitantes.

Lagoaça foi também um importante centro de Judeus, sendo umha das primeiras povoações a albergar hebreus expulsos dos reinos de Espanha, tendo-se instalado os mais abastados.

Depois do Decreto de Expulsom em 1496, em que oficialmente deixaram de existir judeus em Portugal foi nesta e outras localidades mais recônditas de Trás-os-Montes que os depois cristãos-novos se mantiveram e continuaram o seu culto. Ainda assim, diz-se que em Lagoaça desde sempre viveram judeus escondidos ocultando a sua identidade.


Rua dos Judeus de Lagoaça. ANA C. PINTO
Em relaçom aos vestígios que se podem encontrar em Lagoaça, existe numha das casas situada na que seria a “Rua dos Judeus”, diversos cruciformes em cima da porta principal que seriam as marcas de cristianizaçom, isto é, de afirmaçom marrana. Há várias ombreiras cortadas em bisel e nalgumhas moradias pode-se observar as marcas dumha rosa/cruz, símbolo judaico e cabalístico. Num dos vãos dumha antiga moradia está também umha gravaçom na pedra da data “1856” e umha cruz.
Cruciforme em vão de janela em Lagoaça. ANA C. PINTO
Pola Inquisiçom de Coimbra, no Auto de 18 de dezembro de 1701, está registado o Auto de Fé que condena António Garcia, solteiro, filho de Manuel Garcia, natural de Lagoaça.

Artigo elaborado com base no trabalho JUDEUS, JOIA DA COROA TRANSMONTANA - PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA ROTA CULTURAL DOS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES de Ana Catarina Pinto (2015)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

FELGUEIRAS

Freguesia transmontana pertencente ao concelho de Torre de Moncorvo, com cerca de 440 habitantes.

Segundo as informações do Abade de Baçal, o autor da história mais completa do distrito de Bragança, em Felgueiras ainda existiria a prática da circuncisom com algumha frequência nas crianças em casos especiais (prepúcios de cabeça coberta, como vulgarmente se dizia) como medida higiénica. Esta prática seria rodeada de muito secretismo, devido às habituais pressões que a igreja católica exercia sobre a comunidade judaica lá fixada. A circuncisom era umha das principais práticas judaicas mas que ao longo dos tempos acabou por se extinguir por completo.

Os judeus marranos em Felgueiras dominariam a indústria moageira, do ferro e de panificaçom, abastecendo grande parte do concelho de Torre de Moncorvo. Estes judeus eram proprietários da maioria dos moinhos existentes na ribeira de Santa Marinha em Felgueiras e no ribeiro dos moinhos no Felgar–Larinho. O mesmo acontecia na indústria da tecelagem, linho e da seda ou no fabrico de sabom.

A atividade dos cerieiros em Felgueiras era também bastante importante, chegando a constituir-se como o centro de fabrico de velas, exportando para quase todo o norte do país. Ainda hoje, esta atividade tem grande importância para a populaçom que aqui reside.

O lagar da cera de Felgueiras situado na ribeira de Santa Marinha é o exemplo hoje visível que testemunha esta presença judaica nesta localidade, este seria um lugar comunitário de prensa de vara, onde todos os cerieiros iriam fazer a cera.
Lagar da Cera de Felgueiras. Fonte: Torre de Moncorvo in blog
Lagar da Cera de Felgueiras. Fonte: Dourovalley
Ainda que muito provavelmente tenham havido mais Autos de Fé contra os judeus de Felgueiras, no tomo V das memórias de Abade de Baçal apenas um é referenciado. Terá sido o Auto de Fé de 2 de agosto de 1551 pola Inquisiçom de Évora a Lourenço Luís, trabalhador, viúvo de Apolónia Maria, natural de Felgueiras e morador na freguesia de S. Tiago, termo da vila de Terena (distrito de Évora), acusado de ser culpado por reincidências de curas e bênçãos supersticiosas.

Artigo elaborado com base no trabalho JUDEUS, JOIA DA COROA TRANSMONTANA - PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA ROTA CULTURAL DOS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES de Ana Catarina Pinto (2015)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O PARLAMENTO GALEGO E PORTUGUÊS NO DIA DE MEMÓRIA DO HOLOCAUSTO

No Dia de Memória do Holocausto o Parlamento galego e a Assembleia da República portuguesa realizaram atos de evocaçom.

Por um lado, o Parlamento da Galiza aprovou umha declaraçom institucional em memória das vítimas da Shoah.

Em 1 de novembro de 2005, a Assembleia Geral das Nações Unidas, na sua 42ª sessom plenária, reafirma que o Holocausto, que teve como resultado que um terço do povo judeu e inúmeros membros doutras minorias morreram assassinados, será sempre umha advertência para todo o mundo dos perigos do ódio, o fanatismo, o racismo e os preconcebidos. E também decidiu designar o 27 de janeiro como Dia Internacional de comemoraçom anual em memoria das vítimas do Holocausto, todas elas vítimas do nazismo, entre as quais se contam também galegos e galegas.

A Assembleia Geral rejeitou, e este Parlamento a endossa, toda a negaçom, quer parcial quer total, do Holocausto como facto histórico. E condenou sem reservas, condena que também este Parlamento endossa, todas as manifestações de intolerância religiosa, incitaçom, assédio ou violência contra as pessoas ou comunidades com base na origem étnica ou nas crenças religiosas, tenham lugar onde tiverem lugar.

O Parlamento da Galiza constata, com a Assemblea Geral das Nações Unidas, que o desconhecimento e o menosprezo dos direitos humanos originam atos de barbárie aldrajantes para a consciência humana.

O Parlamento da Galiza, mais um ano e de acordo com a letra e com o espírito da Declaraçom de 1 de novembro de 2005 da 42ª Assembleia Geral das Nações Unidas, chama o Governo da Xunta para trabalhar arreu contra os possíveis surtos de racismo, xenofobia e discriminações baseados na origem étnica ou nas crenças religiosas, e os cidadãos e as suas organizações para permanecerem vigiantes para que nunca mais um regime como o que produziu o Holocausto possa nem assentar entre nós nem em nengum lugar do mundo.

Santiago de Compostela, 27 de janeiro de 2016


Por outro lado, o Parlamento português assinala o Dia de Memória do Holocausto, instituído em 2010 por Resoluçom da Assembleia da República, com as seguintes iniciativas:

- Inauguraçom da "Exposição Evocativa da Memória do Holocausto" (patente no Andar Nobre até 10 de fevereiro) – apresentaçom polo Deputado João Rebelo.

-​ Intervenções do Presidente da Assembleia da República​, Eduardo Ferro Rodrigues, da Embaixadora de Israel em Lisboa, Tzipora Ramon, e do Presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, José Oulman Carp.

-​ Exibiçom, no Salão Nobre, do filme "Labirinto de mentiras", realizado por Giulio Ricciarelli, que relata a história dos julgamentos de Auschwitz.

No dia 29 de janeiro, é apreciado, em Plenário, um voto relativo ao Dia de Memória do Holocausto. A seguir reproduz-se, na íntegra, o conteúdo desse voto de pesar apresentado polo PSD, PS, BE, CDS-PP, PCP e PE.

A Assembleia da República associa-se, pela sexta vez, à evocação internacional que relembra as vítimas do Holocausto. Para além da consagração do dia 27 de janeiro como “Dia Internacional da Memória das Vítimas Holocausto”, o Parlamento português assumiu o compromisso de promover a sua memória e educação nas escolas e universidades, comunidades e outras instituições, “para que gerações futuras possam compreender as causas do Holocausto e refletir sobre as suas consequências”, de forma a “evitar futuros atos de genocídio”.

Esta evocação contém uma lição que tem atualidade para o nosso tempo, pois reflete a vitória da vida e da humanidade sobre o lado negro da natureza humana, esclarece-nos sobre o que fomos e o que somos, e ajuda-nos a saber reconhecer a história e a afirmar o valor do diálogo entre os homens, entre as religiões, entre as culturas e entra as civilizações, para que o Holocausto nunca mais se repita.

Neste sentido, a Assembleia da República presta a sua homenagem a todas as vítimas do Holocausto, que perderam as suas vidas pelas mãos dos carrascos nazis e dos seus cúmplices, e lembra esta data, confirmando a sua responsabilidade de não esquecer.


Os Deputados

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

AZINHOSO

Freguesia portuguesa da regiom de Trás-os-Montes que, com cerca de 310 habitantes, faz parte do concelho de Mogadouro.

Embora atualmente seja umha aldeia também afetada pola desertificaçom motivada pola emigraçom, entre 1386 e o início do século XIX foi sede de concelho.

Apesar de, alguns edifícios terem sido modificados por reconstruções do século XIX, ainda hoje se identificam algumhas casas com marcas distintivas dos hebreus, bem como vestígios que se pensa estarem relacionados com a sua passagem.
Cruciforme em moradia. ANA PINTO
As marcas até agora registadas nesta freguesia som umha moradia com um cruciforme que apesar de ter sido restaurado apresenta-se como umha evidência, umha outra casa com duas rosáceas no vão da porta e ainda umha casa que é apontada polos habitantes como sendo o local da antiga sinagoga, onde existe um cruciforme e os vãos das portas e janelas estão desalinhados, caraterísticas apontadas como típicas das habitações judaicas.


Portas e janelas desalinhadas em Azinhoso. ANA PINTO
Cruciforme no prédio que terá sido a antiga sinagoga em Azinhoso
Fonte: Marcas arquitetónicas judaicas e vítimas da Inquisição no concelho de Mogadouro, Lema D’origem
ANTERO NETO
A presença hebraica nesta terra foi no passado bastante marcante principalmente a nível económico pois, existiam os “peleiros” que trabalhavam as peles, oficio este que gerava bastante dinheiro. Ainda hoje existe em Azinhoso, o local de “pelames” que comprova isto mesmo. 


Local de Pelames. ANA PINTO
Existe ainda um edifício onde está localizado o Museu de Arte Sacra, que também apresenta marcas judaicas como as portas em estilo manuelino e os crucifixos rasurados nas paredes, à semelhança do que acontece no Museu de Arte Sacra em Gouveia (Guarda), onde se encontra o símbolo mais importante da presença judaica escrito em hebraico naquela cidade.

No entanto, as marcas visíveis em Azinhoso nom representam certezas científicas se haverá ligaçom ou nom pois, que seja do conhecimento ainda nengum estudo foi elaborado neste sentido.

Nos registos do livro do Abade Baçal estám assinalados dous Autos de Fé, nos anos de 1696 e 1755 pola Inquisiçom de Coimbra contra Branca Lopes, originária de Castela, casada com António Lopes, tratante, natural de Azinhoso e Clara Maria, moradora em Bragança, casada com Francisco José, tecelão, natural de Azinhoso.

Artigo elaborado com base no trabalho JUDEUS, JOIA DA COROA TRANSMONTANA - PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA ROTA CULTURAL DOS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES de Ana Catarina Pinto (2015)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

OS JUDEUS PORTUGUESES E OS PIRATAS DO CARIBE

Este post conta como foi que os judeus sefarditas de origem portuguesa foram dar às ilhas da Jamaica e Barbados e como alguns deles se tornaram em corsários ou piratas do Caribe.

Jamaica

A Jamaica foi umha colónia espanhola desde a sua "descoberta" em 1494 até 1655. Sob o domínio espanhol a ilha passou a ser considerada umha propriedade particular da família Colombo. Assim sendo, em novembro de 1509, Diogo Colombo (português, filho de Cristovão Colombo e de Filipa Moniz), autoriza Juan de Esquivel para conquistar e povoar a ilha, o que fez de jeito bárbaro. A maioria dos primeiros cerca de 1.500 habitantes europeus da Jamaica eram portugueses, provenientes sobretodo dos Açores e da Madeira, tendo-se dedicado no inicio à gadaria. 

A partir de 1576 é autorizada a criaçom dumha colónia de Judeus/cristãos-novos, vindos na sua maioria de Portugal. A diferença do resto da populaçom, os Judeus constituem umha comunidade formada principalmente por mercadores e comerciantes. Para ocultar a sua identidade autodenominavam-se como "portugals", independentemente da sua origem portuguesa ou espanhola, forçados a viver umha vida clandestina

Depois de 1580, sob o dominio filipino, os portugueses usaram Jamaica como um ponto de ataque ao Império espanhol, facilitando a penetraçom e os ataques de ingleses, holandeses e franceses nas Antilhas e no continente americano. 

No século XVII as ilhas do Caribe eram conhecidas por "Portugals".

Em 1655 os britânicos tomaram o controlo da ilha constatando os novos ocupantes a presença lá de muitos judeus ("portugueses"), aos que lhe foi concedida a cidadania por Cromwell, sendo confirmada em 1660 polo rei Carlos.

Por conta da perseguiçom na Europa, na altura de 1660 a Jamaica tornou-se um refúgio para os Judeus no Novo Mundo, atraindo também aqueles que tinham sido expulsos de Espanha e Portugal. Depois que os britânicos assumiram o governo da Jamaica, os Judeus da ilha decidiram que a melhor defesa contra umha possível tentativa de reconquista por parte da Espanha era contribuir para que a colónia britânica se tornasse umha base para os piratas do Caribe.

Com os piratas instalados em Port Royal, os espanhóis seriam dissuadidos de atacar. Os líderes britânicos concordaram com a viabilidade desta estratégia para evitar uma agressom externa. 

Os primeiros governadores ingleses da Jamaica enviavam livremente cartas de corso para os bucaneiros, enquanto o crescimento de Port Royal dava a estes bucaneiros um lugar muito mais rentável e agradável para poderem vender o seu espólio. Henry Morgan, um dos mais implacáveis, notórios e bem sucedidos bucaneiros de sempre que assaltava colónias espanholas e conquistou a Cidade do Panamá, foi cavaleiro e governador da Jamaica. Bartolomeu Português foi um dos mais famosos piratas portugueses de todos os tempos. Tinha a patente de corso do governador da Jamaica e na década de 1660 envolveu-se em inúmeras ações contra os espanhóis. Foi responsável polo estabelecimento do primeiro código de regras popularmente conhecido como "O Código da Pirataria".

Moisés Cohen Enriques, conhecido como Don Moisés, sefardita de origem portuguesa, foi o pirata judeu mais afamado que atuou com base na Jamaica atacando os navios espanhóis que ligavam Cuba e Cádis.

O período em que os piratas foram mais bem sucedidos foi de 1660 a 1730, quando começaram a ser combatidos polos britânicos. 

Embora a populaçom judaica da Jamaica nunca foi muito importante, o seu contributo à vida económica e comercial da ilha superou a de qualquer outro grupo étnico e tamanho comparável. Um estudo recente estima que cerca de 424.000 jamaicanos (aproximadamente 15% da populaçom) som descendentes de judeus sefarditas vindos de Portugal e Espanha a partir de 1494. 

A presença portuguesa na Judiaria da Jamaica testemunha-se quer na língua em que estám escritas as lápides dos cemitérios, quer nos registos da sinagoga, quer nos apelidos judaicos comuns, entre os quais, os Lindo, da Silva, Souza, Decosta, Henriques ou Rodriques.

Barbados

Ilha do Caribe descoberta polos espanhóis e batizada em 1538 polos exploradores portugueses, talvez, polo facto de terem entom visto figueiras com longas raízes que lembravam as "barbas".

Colonizada polos britânicos a partir de 1627, logo a seguir produziu-se a chegada dos primeiros judeus sefarditas  de origem portuguesa vindos da Inglaterra, Alemanha ou como refugiados das Guianas ou do Pernambuco (de onde chegaram 300 pessoas a partir de 1654). 

Os refugiados judeus vindos do Brasil trazeram consigo a experiência na produçom e cultivo da cana sacarina e do café, o que contribuiu grandemente para o desenvolvimento de Barbados como um grande produtor de açúcar, fazendo com que a ilha se tornasse num dos territorios europeus mais ricos das Índias Ocidentais. Porém, diferentemente do Suriname (Guiana holandesa), apenas umha pequena parte dos judeus portugueses de Barbados eram proprietários das plantações.  

Dado o pequeno tamanho da ilha, toda a terra disponível já estava ocupada na década de 1660. Em consequência, os Judeus fixaram-se em Bridgetown, a capital da colónia, como mercadores e umha parcela formou umha outra comunidade na vila de Speightstown. Em 1680 os Judeus constituam os 13,3% da populaçom de Bridgetown.

Em 1654 constituiu-se em Bridgetown umha comunidade religiosa, sendo levantada a sinagoga sefardita de Nidhei Israel (Os Dispersos de Israel). Entre os seus rabinos  (1774-77) destaca Rafael Hayyin Isaque Carregal, originário de Hebrom (Palestina).
Esnoga de Bridgetown (Barbados). Wikipédia
Enquanto o governo britânico considerava os Judeus acaídos para o comércio e os negócios, promovendo, de facto, os assentamentos hebraicos, os mercadores britânicos lá fixados nom gostavam dos Judeus, aos que acusavam de comércio ilegal e de preferir os mercadores holandeses em vez dos britânicos.

Em 1661, três comerciantes judeus em Barbados conseguiram travar rotas comerciais com o Suriname (entom colónia britânica e onde tinham redes pessoais). A partir desta empresa os judeus ganharam muita riqueza, mas criou mais irritaçom entre muitos comerciantes britânicos. 

Como no caso da Jamaica, entre os piratas judeus destaca Yacoob Mashaj e a sua esposa Deborah, casal que nos Barbados faziam parte dum grupo de portugueses que mostrava o seu orgulho envolvendo-se em ataques contra os espanhóis. Os seus túmulos no cemitério judaico de Bridgetown ostentam simbolos de piratas.


Logo depois de a colónia britânica do Suriname passar para o domínio holandês em 1667, muitos Judeus deslocaram-se para Barbados a fim de conservar a cidadania britânica. Barbados foi o primeiro território britânico em os Judeus obtiveram igualdade de direitos.

A teor dos atritos entre colonos britânicos e Judeus, em outubro de 1668 os hebreus de Barbados foram proibidos de se envolver no comércio a retalho estrangeiro ou local. Também se proibiu que comprassem escravos e foram forçados a viver num gueto. Todas as leis discriminatórias seriam removidas polo governo colonial de Barbados em 1802.

A comunidade sefardita de origem portuguesa de Barbados esmoreceu grandemente durante todo o século XIX até desaparecer de vez em 1929, altura em que abandonou a ilha o último dos descendentes dos judeus vindos do Pernambuco. Em consequência, a sinagoga da comunidade esmoreceu polo desuso produzido por umha emigraçom maciça para os EUA. 

A presença judaica retomar-se-ia depois da Segunda Guerra mundial com a chegada de 30 famílias de refugiados Judeus asquenazitas vindos da Europa do Leste.

Em 1987, a esnoga de Nidhei Israel foi reedificada num novo local e foi restaurado o velho cemitério judaico de Bridgetown. O antigo edifício do templo Nidhe Israel, considerada umha das sinagogas mais antigas do hermisfério ocidental, é hoje utilizado como biblioteca e museu. O museu exibe um banho ritual (mikveh) do século XVII, descoberto em 2008 durante as obras de construçom dum parque de estacionamento.

O cemitério judaico de Barbados, considerado o cemitério mais antigo do hemisfério ocidental, possui túmulos dos anos 1660 e incluem alguns indivíduos proeminentes, como Samuel Hart, filho de Moisés Hart, e Moisés Neemias (o primeiro judeu a viver na Virginia, EUA).

Umha análise da lista telefônica de Barbados permite testemunhar ainda hoje a presença portuguesa nos apelidos das pessoas descendentes dos judeus sefarditas de origem portuguesa vindos do Pernambuco.