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sexta-feira, 6 de junho de 2014

O SISTEMA ULPAN DE IMERSOM NA LÍNGUA HEBRAICA

O sistema ULPAN é umha rede formada por institutos ou escolas para o estudo intensivo da língua hebraica.

A funçom do ulpan é ensinar aos imigrantes adultos o hebraico, a língua nacional de Israel. A maior parte destes centros incluem didáctica da história, cultura e geografia israelita. O objetivo principal dum ulpan é ajudar os novos cidadãos a se integrar rápida e facilmente na vida social, cultural e económica do país.

A ideia de criar centros de ensino da língua hebraica teve a sua origem nos primórdios da criaçom do Estado de Israel em 1948. O novo país encarava a absorçom de ondas maciças de imigrantes, na sua maioria refugiados de guerra europeus, das comunidades judaicas orientais da África e Próximo Oriente ou doutros locais do mundo. Embora tinham em comum a sua identidade judaica, a língua e a cultura dos recém chegados era muito diferente. A passagem por um ulpan e o aprendizado do hebraico serviria de ligaçom e de ajuda para desenvolver umha identidade comum e o sentimento de pertença ao Estado israelita.

A instituiçom do ulpan segue até hoje ajudando os imigrantes recém chegados. Existem muitos centros privados, mas a maioria som geridas pola Agência Judaica, os municípios, os Kibutz e as universidades. As lições costumavam ser gratuitas para o alunado (ulpanim) e para os novos imigrantes. Na atualidade o custo pode variar segundo o tipo e duraçom do curso. Desde o estabelecimento do primeiro ulpan em Jerusalém em 1949 graduaram-se mais de 1,3 milhões de pessoas.

Como reconhecimento à sua aproximaçom inovadora do ensino da língua dumha óptica cultural, o sistema do ulpan foi adoptado por outras nações que tentam recuperar as suas línguas nacionais. Assim sendo, Gales, Escócia, Bretanha, Catalunha, a Lapônia norueguesa, Azerbaijám ou Nova Zelândia adoptaram o modelo ulpan para o ensino da língua nacional minorizada. Alguns cursos de língua em Gales e na Escócia mesmo conservam o nome ulpan (Wipan em galês e Ùlpan em gaélico-escocês). O Povo Sami da Noruega enviou umha delegaçom para Israel em 2012 a fim de testar a experiência dos ulpan e aplicar os seus métodos na conservaçom da sua cultura nacional.

Como referido, muitos Kibutz em Israel oferecem cursos de ulpan. A sua duraçom costuma ser de 5 meses, durante os quais o aluno divide o seu tempo entre o estudo da língua e as tarefas. Esta proposta também se oferece a jovens e turistas. 

Porém, um inquérito governamental realizado em 2007 mostrou que mesmo cinco meses de estudo intensivo do hebraico no ulpan, até 60% dos novos imigrantes com mais de trinta anos nom podiam ler, escrever ou falar hebraico cum nível mínimo. A situaçom entre a populaçom imigrante russa é mesmo pior, com cerca de 70% dos imigrantes incapazes de entender as notícias na televisom hebraica.

Como resultado deste inquérito, o Parlamento israelita (Knesset) estabeleceu um comité governamental para estudar a situaçom e realizar recomendações a fim de melhorar e mudar o sistema ulpan. Alguns sistemas de ensino alternativo estám a ser considerados para usar no quadro ulpan.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

BEN IEHUDA

Por Josep Lluis Carod-Rovira



Partindo da avenida Jafa começa Ben Iehuda, a zona pedonal mais central de Jerusalém. Recebe o nome de Eliezer Itzak Perelman, en hebraico Ben Iehuda, nascido em janeiro de 1858 na povoaçom lituana de Luzhki. Pergunto-me se toda esta gente que agora se move atarefada, entrando e saindo das inúmeras lojas do local, a maioria turistas, sabem que Ben Iehuda é o protagonista dum milagre. Nom se me acorre umha palavra melhor para explicar o que o seu teimudo patriotismo conseguiu, remando contra o vento do derrotismo pesimista que o rodeava: tornar o hebraico de língua morta quotidiana no idioma nacional dum povo.

A partir dos três anos começou a estudar hebraico como medida indispensável para a sua formaçom religiosa, já que este idioma sobrevivera reduzido apenas ao uso litúrgico, como língua escrita, de interesse para os eruditos e os cabalistas. Com umha saúde sempre fraca, o pai do hebraico moderno foi estudar medicina em Paris e na França, aos 21 anos, num café do bulevar Montmartre, protagonizou a primeira conversaçom íntegra nesta língua, sobre temas contemporâneos, com um amigo também judeu.

Embarcouse, entom, nunha ofensiva pessoal para a resurreiçom da língua, às vezes com medidas drásticas que geravam incomodidade, mal-estar e, sobretodo, incompreensom, no seu ambiente. Persuadido de que os judeus nom seriam nunca um povo vivo se nom falavam hebraico no seu própio país, em 1881 voltou à terra dos seus antepassados para fazer realidade o seu sonho. Ao desembarcar no porto de Jafa, dirigiu-se em hebraico ao cambista de dinheiro, ao fundista e a um estivador, constatando todos juntos que a conversaçom si era possível. Desde entom, o seu entusiasmo já nom teve travagem.

Apenas com a base das 7.704 palavras que formam o vocabulário da Bíblia, dedicou-se em corpo e alma a dar vida a umha língua morta e já nunca mais abandonou nem a tarefa nem a esperança. Incorporou neologismos para designar umha realidade que nom tinha cabida no limitado repertório bíblico, a partir da influência de diferentes idiomas. Fundou o Conselho da Língua Hebraica (1890), precursor da Academia de língua Hebraica atual, e deixou um legado impressionante nos dezassete volumes do Dicionário completo do hebraico antigo e moderno. Concebeu todo um sistema de aprendizado e melloria do idioma pensado para as crianças, para os moradores no país e os que acabavam de chegar para fazer do hebraico a língua pública comum de coesom social e identidade civil.

O seu filho, Itamar Ben Avi, nascido em 1882 em Jerusalém, tornou-se na primeira criança de língua materna hebraica da história moderna, depois de quase dous mil anos de diáspora. Ben Iehuda morreu o dezembro de 1922, poucos días depois do reconhecimento, por parte dos britânicos, do hebraico como língua oficial dos judeus na sua terra ancestral.

Hoxe é a lingua pública comum em Israel, idioma oficial do estado, como também o é o árabe, e que acompanham ao inglês nos letreiros oficiais das ruas e locais públicos. Josep Pla resumia a funçom coesionadora do hebraico na frase "O hebraico contra Babel", perante o perigo dumha dispersom linguística capaz de provocar a incompreensom e a ausência dum referente linguístico público, comum, nacional, entre umha cidadania procedente dumha de muitos países de todos os continentes. O russo é hoje a terceira língua mais falada de Israel num caleidoscópio idiomático no que também está o espanhol, o ladino, o polaco, o lituano, o ucraniano, o português e o francês, entre outros, junto ao mítico iídiche.

A diferença da Irlanda, mas como a Albánia, Bulgária e Finlândia, a independência e a criaçom do estado próprio asseguraram a plenitude da sua língua nacional. As ulpanim -escolas de imersom à língua, à cultura e ao país para a populaçom adulta- garantem a continuidade. Penso nisto enquanto cai a tarde na formosa Jerusalém e um grupo de moços, entre os quais dous soldados de uniforme, dançam danças populares no meio de Ben Iehuda. Soa muito bem, a música.


J.L. Carod-Rovira foi presidente de ERC e Vice-presidente do Governo Catalám (2006-10)


Fonte: http://www.ara.cat/ara_premium/debat/Ben-Iehuda_0_415158493.html

A RESSURREIÇOM DA LÍNGUA HEBRAICA

Breogám Cohen, sócio-linguista

Nos primórdios da nossa era a língua mais falada na Palestina era o aramaico, língua que partilha com o hebraico a sua adscriçom semítica, a língua de cultura era o grego, a língua do império e dos exércitos de ocupaçom era o latim e o hebraico era já unicamente, desde havia polo menos um século, a língua litúrgica e dos livros sagrados do judaismo. Apenas as elites religiosas, rabínicas, liam, escreviam e falavam o hebraico.

O aramaico foi a língua falada polo povo judeu até que foi removida paulatinamente polo árabe por causa da invasom árabe do século VI. Entre os anos 70 e 135 d.n.e. produziu-se um êxodo maciço de judeus para outras terras, a conhecida diáspora judaica. Neste exilo cada comunidade judaica adotou a língua do país de acolhida, na Europa, na Ásia e no norte da África, esquecendo o aramaico e conservado o hebraico, como sempre, como língua litúrgica.

O hebraico litúrgico usado na religiom polos judeus gerou umha série de “línguas mistas” caracterizadas polo uso dumha mínima percentagem de termos judaicos inseridos nas línguas de acolhida. Assim, podemos falar hoje do judeu-tamazgith, do judeu-turco, do judeu-georgiano, etc. Os “judeus” mais falados forom o iídiche (do alemao jüdisch, judeu) e o ladino.

O iídiche é a língua dos judeus asquenazes de toda a Europa central e oriental. Tem estrutura germánica e 70% de léxico alemao, 15% eslavo e só 5% de léxico hebraico. Antes da Segunda Guera mundial falavam iídiche na Europa central uns 11 milhões de pessoas. O ladino é o judeu dos sefarditas castelhanos, que chegou a ser falado a começos do século XX por dous milhões de pessoas em países das ribeiras mediterrâneas. Hoje calcula-se que terá 150.000 falantes.

Na Palestina árabe conservam-se restos de aramaico (ainda hoje se fala aramaico nalgumhas vilas das redondezas e Damasco). Na diáspora cada umha das línguas de acolhida tomou incrustações léxicas hebraicas. O povo judeu nom falou o hebraico durante quase dous milénios. O hebraico nom estava vivo, porém tampouco se poderia dizer que estava morto já que seguia sendo língua litúrgica e forçada língua veicular entre rabinos e comerciantes.

A finais do século XVIII na Alemanha houve tentativas de restaurar o hebraico, mas este tinha um léxico muito limitado, arcaico e circunscrito à vida religiosa, nada apto para a vida moderna e as ciências. Se o sonho era ter umha pátria na Palestina, essa pátria nom seria viável se cada grupo de judeus falava a língua do seu país de acolhida, era preciso umha língua e a única língua de todos os judeus fora o hebraico.

Em 1880 um grupo de idealistas judeus regressa à Palestina. Entre eles vai o lituano Eliezer Ben-Yehuda, quem acomete o labor de reelaborar o hebraico modernizando a gramática, simplificando-a, dotando-a de maior versatilidade e adatabilidade para a sua utilizaçom em novos usos, colhendo empréstimos do árabe, do aramaico e das “línguas judaicas”, criando neologismos, etc. Em 1890 Ben-Yehuda criou o embriom do que com os anos seria, em 1940, a Academia da Língua Hebraica. Ben-Yehuda inventou umha língua falada, o neohebraico, a partir dumha língua unicamente escrita, o hebraico dos livros sagrados.

Entre 1891 e 1903 chegaram à Palestina uns 30.000 judeus de diversas origens e língus. Em 1898 Ben-Yehuda funda umha rede de escolas destinadas a lecionar hebraico aos recém chegados, e assim, por volta de 1915 nascerom os primeiros judeus craidos desde o berço em hebraico desde havia 2000 anos.

Como a maioria dos judeus retornados eram asquenazes, o neohebraico teve umha forte competência com o alemao e o iídiche neste primeiro terço do século XX, pois se a maioria dos imigrantes falavam estas variedades germánicas era inecessário “forçar” o aprendizado dumha nova língua.

Ben-Yehuda conseguiu em 1918 que os britânicos declarassem o neohebraico terceira língua oficial da Palestina junto ao árabe e o inglês, de maneira que o hebraico se introduziu nas escolas, na administraçom e no poder político.

Após a Segunda Guerra mundial os próprios judeus germanófonos ou iídichófonos apreenderam voluntariamente o hebraico e renunciaram a umhas línguas “ligadas” à barbárie nazista.

Hoje em dia, embora o árabe também é língua oficial de Israel junto com o hebraico, na prática o hebraico é a única língua oficial devido aos inúmeros problemas com os que acham os usuários do árabe, nom apenas os árabes palestinos mas também uns 400.000 judeus procedentes de países árabes (Síria, Iraque, Egito, Iemem,...) que têm o árabe como língua materna e habitual. O árabe é umha língua fortemente secundarizada, pois é assimilada com a “língua do inimigo”.

Na foto "Shotê Coca-Cola, "Beba Coca-Cola" em hebraico


Para obter a nacionalidade israelita é preciso demonstrar conhecimento do hebraico. O estado de Israel inviste enormes quantidades de dinheiro em “hebraizar” linguisticamente toda essa vaga de judeus da diáspora que venhem falando inglês, russo, polaco, húngaro, ladino, árabe, tamazight, turco, farsi, amárico, tigrinha, italiano, servo-croata, grego,...

A resistência à integraçom linguística provém fundamentalmente de falantes de línguas “superiores”, quer dizer, inglês e russo. Dado que o inglês é, de facto, non de iure, língua cooficial em Israel e umha alta percentagem de israelitas também fala inglês, há muitos judeus ianques que podem prescindir de apreender hebraico a nom ser que vivam em comunidades ou vilas com judeus doutras origens. Com os russófonos (russos, ucranianos e bielo-russos) passa-se algo semelhante, de maneira que, por exemplo, em muitos canais de televisom legendam em russo o emitido em hebraico. Os russófonos andam cerca do milhom de pessoas, vivem em comunidades isoladas, som pouco ou nada religiosos e têm umha cultura bastante afastada da populaçom média.

Ainda sendo de facto a única língua oficial, o neohebraico está obrigado a competir constantemente na casa com estas duas línguas citadas, mas isto faz parte da própria dinâmica interna da sociedade israelita, com as suas fóbias, fílias, contradições e pluralidades.

O exemplo do hebraico é o exemplo de como com vontade e estado próprios umha língua pode resuscitar: de apenas um cento de neofalantes para quase seis milhões de pessoas, e só em cem anos.

* Tirado de "De Compostela a Ierushalam", revista da Associaçom Galega de Amizade com Israel.