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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

TUI

Cidade galega situada à beira do rio Minho na regiom do Baixo Minho e que tem cerca de 17.300 habitantes. É sede episcopal e foi capital dumha das sete províncias do Reino da Galiza até 1833. 

Tui teve desde da Idade Média umha grande importância. O seu papel na história galega foi determinante polo seu carácter fronteira do Minho, o que lhe deu umha grande importância militar. Além disso, durante da Idade Média Tui foi centro comercial de importância ligado ao porto fluvial.
A cidade de Tui coroada pola catedral-fortaleza
A atual localizaçom deve-se ao traslado da cidade que, com motivo da carta foral de 1170, levou a cabo o Rei Fernando II no século XII, encerrando-a em muralhas (acabadas no século XIII) e das que ainda se conserva a Porta da Pia.

A sua catedral-fortaleza, iniciada no século XII, está situada no local mais alto da cidade e acha-se circundada pola cidade velha. No claustro gótico da Catedral pode-se observar umha inscriçom, ainda clara, dum candelabro judaico de sete braços (menorah) frente à entrada da sala capitular, do século XII. Polo seu tamanho e significaçom, a gravura desta menorah nom pode ser confundida com a marca do pedreiro. 

A presença de Judeus em Tui está documentada desde os séculos XIV e XV, com umha Judiaria de certa importância, existindo nela duas sinagogas, cemitério e açougue. Porém, pouco se sabe da comunidade hebraica de Tui, embora se ache que foi bastante importante, dando-lhe umha grande mobilidade geográfica, ao estar próxima doutras cidades e portos importantes como Vigo, Baiona ou Salvaterra do Minho, onde houve assentadas e prósperas colónias judias.

Existem duas teorias sobre a localizaçom da Judiaria de Tui: por um lado, que esta estaria localizada fora da cidade, num bairro denominado de Saraiva e, por outro lado, que estaria intramuros. A hipótese da localizaçom extramuros nom se corresponderia com qualquer modelo de distribuiçom geográfica da populaçom judaica e, mais bem, poderia fazer referência aos campos pertencentes à comunidade hebraica ou, mesmo, ao seu cemitério.

A documentaçom existente situa os Judeus a morar dentro da muralha, nom num bairro judeu como tal, mas espalhados dentro do perímetro murado da cidade, ao abrigo da catedral-fortaleza e sob a proteçom do bispado. 
Porta Bergám na atual rua Tilve. GoogleMaps
No quadro doutras cidades, a Judaria de Tui achar-se-ia no entorno da Rua da Oliveira, muito próxima da Porta Bergám, e que muda o seu nome para o de Porta Nova, dando passagem à Rua Nova, nome habitual que receberam as ruas habitadas por Judeus após a segregaçom habitacional. 
Planta medieval de Tui com indicaçom das ruas com presença judaica
Mais concretamente a Judiaria de Tui abrangeria as Ruas Fornos, Entre-fornos (atual Rua do Prazer), Ruela da Soidade, Rua e Ruela do Ouro. Também é possível que os negócios hebraicos mais prósperos de Tui estivessem localizados nas arcadas da Rua Corredoura.
R. da Soidade na Judiaria de Tui.
R. do Prazer e R. do Ouro na Judiaria de Tui. GoogleMaps
Ruela do Ouro (à esquerda) e escadas na Rua do Ouro na Judiaria de Tui
GoogleMaps
A Sinagoga de Tui estava localizada ao pé da Porta da Pia da muralha medieval, cujo nome “Pia” provém do banho ritual judaico ou micvé que estava na sua proximidade. Com umhas dimensões de 25m2, estava escavado na rocha e provavelmente nascia no seu fundo um manancial, consoante as prescrições religiosas. Na muralha de Tui a existência dumha torre chamada “do Judeu” evidencia a presença judaica. De resto na Rua Entre-fornos (antiga Triparia) achava-se o açougue judaico, o único documentado na Galiza.

Nas ruas do bairro judeu de Tui ainda existem casas manuelinas do seculo XV, algumhas com falsos arcos conopiais, nalgum caso coroados com umha cruz nas portas ou janelas, como na casa situada no nº9 da Rua de S. Telmo. 
Casa do séc. XV com lintel manuelino com cruz. Foto: E. Fonseca Moretón
No número 46 da Rua Carpentaria umha casa de nova construçom conserva sobre a porta de entrada o antigo lintel da habitaçom medieval que está decorado também com um falso arco conopial coroado por umha cruz. 
Lintel manuelino do séc. XV com cruz numha casa de Tui. Foto: E. Fonseca Moretón

Algumha destas casas do século XV têm cruzes gravadas nas suas fachadas, como a que dá ao nº82 da Rua Lorenço Cuenca ou de Abaixo.

Também, umha casa da R. Pároco R. Vasquez, localizada em frente do Albergue de Peregrinos, apresenta inscrições cuja origem ainda nom foi determinada (1), um pássaro da vida (2) e um cruciforme (3) característico de judeus ou cristãos-novos.
CAEIRO
Cruciforme da R. Pároco R. Vasquez de Tui. CAEIRO

Antes da expulsom dos Judeus de 1492, na altura de 1464, estima-se que por volta de 7 por cento da populaçom de Tui fosse judaica, tornando-se, destarte, na percentagem mais elevada da Galiza. A documentaçom conservada refere que os Judeus de Tui ocuparam-se no artesanato, em tarefas relacionadas diretamente com a catedral e o cabido, registando-se a existência de pedreiros e de ourives que trabalharam para o cabido.

Após a expulsom dos Judeus de Portugal (1496), Tui começou a receber inúmeras quantidades de cristãos-novos refugiados em Portugal quando o édito de expulsom dos Reis Católicos. Com a passagem dos anos quase todos converteram-se ao catolicismo, ingressando grande parte na igreja até ascender na hierarquia eclesiástica. De facto, a sé episcopal de Tui solicitou o estabelecimento do Estatuto de limpeza de sangue em 1609 para travar a ascensom na hierarquia dos cristãos-novos. O pedido, reiterado em 1616, foi desouvido pola Câmara de Castela da que dependia a igreja galega. 

Porém, a atividade da Inquisiçom testemunha-se na coleçom de “sambenitos” existente no Museu Diocesano, os únicos que se conservam nom apenas na Galiza, mas no Estado espanhol.
Coleçom de "sambenitos" no Museu Diocesano de Tui
Na atualidade e graças ao crescente interesse polo passado hebraico da Galiza, a vila de Tui aderiu-se à rede espanhola de judiarias dentro do programa Caminhos de Sefarad.

O Pleno do Concelho de Tui aprovou, no dia 27 de setembro de 2018, a solicitude de admisom  na Rede de Judiarias espanhola "Caminhos de Sefarad". Caso ser admitida a candidatura, a Judiaria de Tui passaria a fazer parte do grupo de cidades que pertencem a essa rede, entre as quais estám as galegas de Ribadávia e Monforte de Lemos.

O dia 28 foi remetida oficialmente a candiatura tudense, um passo extraordinário, em palavras do historiador Suso Vila, "para a reabilitaçom do património de Tui e a sua divulgaçom. (...) Agora apenas fica a avaliaçom por parte da Rede de Judiarias". Com efeito, a entrada nesta rede comportaria muitos benefícios no tocante à valorizaçom do património, o conhecimento e difusom da sua história, a promoçom turística ou o intercâmbio cultural.

A preparaçom da memória para que a candidaturafosse possível foi realizada por Suso Vila consoante as condições impostas pola associaçom Caminos de Sefarad. "Esta candidatura nom é cousa de agora, nem espontânea", frisou ele. "Ha muitos anos tentando Tui entrar na rede".

terça-feira, 9 de outubro de 2018

LEBUÇÃO

Lebução é umha freguesia portuguesa do Concelho de Valpaços que, ao abrigo da reorganizaçom administrativa de 2012/13, foi integrada na freguesia de Lebução, Fiães e Nozelos.

Segundo o historiador Jorge Alves Ferreira para esta freguesia ter-se-ia deslocado umha comunidade de Judeus para poder continuar a prática de forma discreta dos ritos da sua cultura religiosa. De facto, só nesta aldeia foram presas 17 pessoas pola Inquisiçom.

Aqui criou-se umha comunidade muito próspera de cristãos-novos que, para além de liderar o comércio, fixaram talvez a mais importante e ativa rede de passagem de Judeus da regiom de Trás-os-Montes.

Até muito recentemente esta terra era dedicada ao comércio e a agricultura, atividades liderizadas por judeus ou descendentes de judeus, entre os quais destacou Manuel da Fonseca.

A consciência de pertença a esta comunidade foi tam forte que a tradiçom oral conserva o ditado de que, em plena guerra liberal, umha senhora desta terra chegou a dizer que "se soubesse que tinha umha costela que nom fosse judia ou liberal mandava-a arrancar".

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

MONFORTE DE RIO LIVRE

Monforte de Rio Livre foi umha vila e sede de concelho localizada na atual freguesia de Águas Livres no município de Chaves.

A importância da vila esteve ligada ao seu castelo, mandado construír polo rei Afonso III em 1253 aquando visitou a regiom. Em 1273 a povoaçom recebeu foral do mesmo rei, altura em que devem ter-se iniciado as obras de reforma do conjunto que, na sua maior parte, chegou até aos nossos dias.
Castelo de Monforte de Rio Frio. Wikipédia

Logo a seguir Afonso III alçou a vila a cabeça de território, dentro do mesmo processo de organizaçom da fronteira setentrional, e concedeu-lhe umha série de facilidades, entre as quais, um couto de homiziados, sede dumha das 4 judiarias de Trás-os-Montes (junto a Chaves, Mogadouro e Bragança) e instituiu-lhe umha feira na regiom de dous dias, célebre até recentemente.

Estes privilégios, para além dumha localizaçom perto da fronteira com a Galiza, facilitou a instalaçom de Judeus que, como no caso da Judiaria galega de Monte-Rei, moravam nom dentro da fortaleza, mas na área muradada que envolve o castelo, permitindo o desenvolvimento de toda classe de negócios. 

Porém, a zona nunca se desenvolveu muito e pensa-se que muitos dos judeus que moraram aqui no século XIV foram para Chaves. No final do século XVIII habitam junto do castelo 5 famílias judaicas.


No início do século XIX a vila encontrava-se despovoada e, numha reforma administrativa, em 1836 a sede do município é transferida para a freguesia de Lebução, e em 1853 o concelho é extinto, passando parte das suas freguesias para Chaves ou Valpaços. Com a extinçom do Concelho o castelo foi abandonado, assim como a povoaçom.

Artigo redigido a partir de informações do historiador Jorge Alves Ferreira

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

LOUROSA DE BESTEIROS

Santiago de Besteiros é umha freguesia portuguesa do concelho de Tondela. Com 1331 habitantes, está situada na Beira Alta, numha regiom que segundo documentos dos séculos X, XI e XII designava-se por Terra de Besteiros.

O lugar de Lourosa de Besteiros, referido nas Inquirições do rei Afonso III, já tinha em 1258 quatro casais, um deles umha honra e os outros três que tinham pertencido a umha quinta. Em 1504 é autorizada a criaçom dumha estalagem a um membro da nobreza pertencente à estirpe de Riba de Vizela.

Pesquisadores portugueses descobriram no cimo das vergas dumha casa de antigos lavradores da povoaçom de Lourosa de Besteiros umha inscriçom formada por 3 frases escritas na pedra que faz referência três figuras da Torá: 
"Quem enfraqueceu a Sansão" 
"e desacreditou a David" 
"e fez néscio a Salomão". 

Este trítico de mensagens parece sintetizar toda a história, cultura e religiom de Israel na Diáspora e, ao mesmo tempo, parece retratar o receio polo fim do Povo Judeu.

O facto que se repetiu em mais casas do lugar levou aos investigadores Luis Filipe Pereira e António Domingos Pereira, professor de história, a levantarem a hipótese de ali ter sido, polo menos ao longo do século XVII, umha importante comunidade judaica assente na existência dum complexo social, comunitário e administrativo composto pola sinagoga, tribunal, cadeia e cemitério judaicos.
Localizaçom da área judaica em Lourosa de Besteiros
A sinagoga, identificada em 2013, apresenta a antedita inscriçom em pedra servindo de torça na porta de entrada e era constituída por dous pisos sem qualquer divisom. O piso superior onde funcionaria como local de culto e reuniom da comuna e o piso inferior onde funcionaria o tribunal e a parte administrativa. 

O edifício, de planta quandrangular conforme a tradiçom sefardita, encontra-se isolado e inserido na área da quinta rodeado dum vasto espaço verde afastado do núcleo habitacional. 
Sinagoga de Lourosa de Besteiros - Tondela
Por iniciativa do seu proprietário, foi objeto de obras de conservaçom, fazendo com que o seu espaço esteja hoje reabilitado e notabilizado, bem como o espaço museológico situado no piso térreo.

No interior do edifício da sinagoga encontra-se um Hechal (também designado por Aron, armário judaico ou simplesmente "Arca"), sendo constituido por 15 blocos de granito, sendo três frontais, que definem dous nichos de contorno retangular.
Armário judaico na sinagoga de Lourosa de Besteiros
Em Lourosa de Besteiros estám referenciadas até vinte marcas cruciformes e 3 monogramas de israel dispersos pola aldeia, compostos pola gravaçom da letra I entrelaçada à letra S.


Cruciformes em Lourosa de Besteiros

O texto e fotografias deste artigo foram tiradas da Candidatura do núcleo judaico de Lourosa para classificação como Conjunto Interesse Público (CIP), elaboradas por Luís Filipe S. Neves S. Pereira no seu Projeto de Mestrado em Gestão Turística dirigido polas Professoras Doutoras Cláudia Seabra e Odete Paiva da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Viseu-Instituto Politécnico de Viseu (maio de 2016).

No livro "O Leão de Judá Rugiu em Lourosa de Besteiros", de características inéditas, os pesquisadores Luis Filipe Pereira e António Domingues Pereira desvendam muitos dos mistérios desta judiaria numha tentativa de interpretar os sinais do passado.

CAEIRO quer exprimir o seu agradecimento a D. Luís Filipe Pereira por tê-lo informado da existência desta judiaria e convidado a aproximar-se deste testemunho da presença judaica em Portugal.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

VIMIOSO

Vila portuguesa com 1285 habitantes situada na regiom da Terra Fria do Alto Trás-os-Montes. Sede do municipio do Vimioso, nas freguesias de Argozelo, Carção e Vimioso existem vestígios de presença judia.

Em 1492 o território do concelho de Vimioso viu chegar grande afluência de Judeus expulsos dos reinos de Leom e Castela. Depois de acamparem durante três anos sem ordem nengumha num local que conservou o nome de Campo das Cabanas, entre as atuais povoações de Caçarelhos e Vimioso, os Judeus foram autorizados a se derramar por essas terras à volta, estabelecendo-se em várias aldeias e vilas da regiom, nomeadamente Argozelo, Carção e Vimioso, evitando vilas como o Algoso (antiga cabeça do município) pola existência de justiças e autoridades católicas.
Campo das Cabanas onde estiveram os Judeus encurralados entre 1492-95
Convertidos à força à religiom católica logo depois do édito de expulsom do rei D. Manuel em 1496, constituiram nessas localidades comunidades importantes que pouco se misturaram com o resto da populaçom até meados do século XX. Os Judeus, assim chamados até hoje, distinguiam-se dos lavradores polos ofícios exercidos, ligados mormente ao artesanato e comércio.

sábado, 3 de setembro de 2016

XVII DIA EUROPEU DA CULTURA JUDAICA EM PORTUGALIZA

Sob o lema "As línguas dos Judeus", o XVII Dia Europeu da Cultura Judaica vai ser celebrado este domingo, dia 4 de setembro, nas diferentes vilas e cidades de até 30 países.

Desde a sua criaçom em 1996, o objetivo desta data é dar a conhecer melhor a cultura judaica e as suas tradições nos países europeus através de atividades relacionadas com a presença judaica.

Para essa data estám agendados eventos nas principais vilas galegas com herança judaica (Ribadávia, Monforte de Lemos e Tui). Porém, este ano em Portugal, país que participava nesta comemoraçom desde 2014, nom está programada (*) a celebraçom de qualquer atividade ao abrigo deste quadro.


MONFORTE DE LEMOS

Visitas guiadas à Judiaria de Monforte de Lemos
Data: 4 de setembro
Horário: 11:30 e 18:00h
Local: Escritório Municipal de Turismo (R. Comércio)
Organiza: Concelho de Monforte de Lemos
Gratuita



Festival e Música ARTEFICIAL

Data: 3 de setembro

Horário: 12:30-23:00h

Local: Bairro judeu-A Madalena-Auditório do Castelo-Museu Sefardita

Organiza: Concelho de Ribadávia-Arteficial-Escritório de Informaçom Juvenil-Escritório de Turismo

Entrada gratuita

Música ponte entre culturas (klezmer, alternativa, jazz, blues,...). Feira da ladra de gastronomia



Visitas guiadas à Judiaria de Ribadávia


Data: 4 de setembro

Horario: 12h (em espanhol); 17h (em galego)

Local: Escritório Municipal de Turismo (Pr. Maior)

Organiza: Concelho de Ribadávia-Escritório de Turismo

Gratuita

Percurso singular da Judiaria de Ribadávia, profundando na história da presença hebreia durante a Idade Média. Visita a um forno antigo de elaboraçom de respostaria hebraica tradicional e artesã.


Visita ao Museu Sefardita da Galiza


Data: 4 de setembro

Horário: 10:30 h 20h

Local: Escritório de Turismo de Ribadávia

Organiza: Museu Judeu da Galiza-Escritório de Turismo

Dia de Portas Abertas. Poder-se-á conhecer a história dos Judeus e a sua presença na Galiza ao longo da história. Interessante mostra que ajuda a compreender a evoluçom dum povo que fez parte da Galiza durante séculos.




Visitas guiadas à Judiaria de Tui

Data: segunda-feira (5 de setembro) a sexta-feira (9 de setembro); sábados, domingos e feriados

Horario: 12h

Local: Pr. da Imaculada

Organiza: Concelho de Tui-Concelharia de Turismo

* CAEIRO foi incapaz de encontrar qualquer atividade ou evento agendado com motivo da celebraçom deste Dia Europeu da Cultura Judaica. Caros/as leitores/as portugueses/as, agradeceria  grandemente esclarecimentos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A QUESTOM JUDAICA EM PORTUGAL

Prof. José Hermano Saraiva

Origens

Os Judeus estavam na Península desde o tempo romano. Tolerados umhas vezes, perseguidos outras, as suas comunidades eram populosas e numerosas já na época visigótica. Representaram sempre umha elite cultural; o Talmude diz: "Toda a cidade onde as crianças nom forem à escola está destinada a perecer".

A obra de irradicaçom violenta e total das culturas religiosas opostas à cultura cristã dominante fez com que a cultura judaica, ao igual que a árabe, experimentasse um processo de destruiçom na sequência da reconquista. O único que chegou até hoje foram três ou quatro lápides funerárias (que se salvaram porque estavam enterradas) e que constituem todo o recheio do museu judaico aberto há alguns anos em Tomar para recolher os vestígios dumha civilizaçom que se sabe ter sido brilhante.


Séculos XII-XIV

Durante o século XII foram violentamente perseguidos nas regiões dominadas polos Árabes e muitos deles procuraram refúgio nos Estados cristãos. Afonso VI acolheu-os, favoreceu-os e utilizou-os para a formaçom dos quadros superiores da administraçom estadual.

Afonso Henriques seguiu essa mesma linha. Sabe-se que depois da conquista de Santarém deu três casais a um judeu notável; um filho desse judeu desempenhou o importante cargo de almoxarife-mor de Sancho I. Até ao século XIV os reis mantiveram essa orientaçom.

As profissões que exigiam maior preparaçom (sobretodo a medicina) e grande parte do comércio eram exercidas por Judeus. Condenados pola Igreja e segregados polas populações, formavam, apesar disso, umha camada superior da sociedade, privilegiada dos pontos de vista do saber e do dinheiro.


Séculos XV-XVI

Em 1492, os Reis Católicos decretaram a expulsom dos Judeus dos seus Estados no prazo de quatro meses e sob pena de morte. Muitos dos Judeus súbditos procuraram refúgio em Portugal. D. João II autorizou a instalaçom das famílias mais ricas a troco de altas quantias. Mas os refugiados eram umha verdadeira invasom: cerca de 100.000. O rei autorizou-os, também mediante umha propina por cabeça, a ficarem oito meses em Portugal seguindo depois os seus destinos. Os que nada puderam pagar foram reduzidos a escravos.

A maior parte dos refugiados ficou no País, engrossando enormemente a populaçom judia, que já era numerosa. Muitas crianças, retiradas à força aos pais, foram mandadas povoar a ilha de S. Tomé. Poucas sobreviveram.

Em 1496, D. Manuel seguiu o exemplo dos Reis Católicos; ordenou a expulsom de todos os Judeus, tanto os castelhanos como os portugueses. Fê-lo por exigências no decurso das negociações com a filha dos monarcas espanhóis; mas parece que os seus conselheiros se deram conta dos prejuízos que a medida acarretava:
  • Perda dos enormes produtos que os Judeus pagavam;
  • Sangria dos valores que levariam consigo;
  • Saída de milhares de úteis artesãos.
O rei adoptou umha politica de compromisso aparente: os Judeus ficavam, mas deixavam de ser Judeus. Para o conseguir, ordenou o batismo forçado dos filhos, recusou meios de transporte para a saída por mar (o que equivalia à proibiçom de sair, por a passagem por Espanha nom ser possível) e deu a todos a garantia de que, durante vinte anos, nom seriam perseguidos por motivos religiosos. Era, portanto, a imposiçom da conversom aparente e umha forma de iludir a obrigaçom contraída nos acordos com os Reis Católicos.

As Judiarias foram extintas, as sinagogas transformadas em igrejas, os Judeus passaram, oficialmente, a ser cristãos. Para distinguir uns dos outros, passou a falar-se em cristãos-novos e cristãos-velhos.


[Em 1500] o nome que os descobridores deram à nova terra, Vera Cruz, foi rapidamente substituído pola designaçom do principal produto que de lá se trazia [Brasil]. A principal riqueza da terra recém-descoberta foi, durante muitos anos, o pau-brasil, árvore cujo cerne, intensamente vermelho, tinha aplicaçom na tinturaria e cuja madeira, dumha grande resistência, era usada na construçom de móveis e de navios.

Em 1502 o comércio do pau-brasil foi arrendado a um cristão-novo, Fernão de Noronha, que ficou obrigado a enviar em cada ano umha frota de seis navios, a explorar também anualmente trinta léguas de costa e a instalar feitorias nos lugares mais apropriados. Começou entom a instalaçom dos primeiros núcleos de portugueses no litoral brasileiro.

Alguns atribuem a Fernão de Noronha a mudança dos nomes cristãos de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz para Brasil dessa antiga colónia portuguesa. Entretanto, tal facto carece de base histórica e está originado por ideias antissemitas.


O problema dos cristãos-novos iria arrastar-se durante muito tempo. A fusom entre os dous grupos, que durante séculos tinham vivido separados, foi lenta e dificil. 

Em 1506 houve em Lisboa motins em que os cristãos-novos foram ferozmente perseguidos. O número de mortos foi cerca de dous mil. Apesar da garantia de nom perseguiçom os Hebreus foram objeto de numerosas discriminações. À antiga distinçom da populaçom em duas nações, cristã e judaica, que permitiu aos Judeus viver em paz durante séculos, sucedeu-se umha falsa unidade.


Monumento em Lisboa em homenagem aos Judeus mortos no massacre de 1506
Fonte: Wikipedia
A partir de 1534 [com a instituiçom da Inquisiçom em Portugal] as perseguições foram constantes e sistemáticas e levaram à formaçom de duas mentalidades viciosas e inimigas: a do cristão-velho, detentor da verdade, inimigo da inovaçom, farejador de erros alheios, dogmático e repressivo, e a do cristão-novo, dissimulado, messianista, acossado, intimamente revoltado, nom solidário com o conjunto da comunidade nacional que o repele e que ele no fundo nom reconhece como sua. Essa fratura da consciência nacional chegaria até muito tarde.

[Doravante] muitos Judeus [e cristãos-novos], procurando escapar às perseguições de que eram alvo em Portugal, foram instalar-se no Brasil.


*José Hermano Saraiva (1919-2012) foi um advogado, professor e historiador português que desenvolveu um imenso trabalho como divulgador em prol da História, da Cultura e da Literatura. Passagens tiradas da "História concisa de Portugal", transcritas para o galego-português.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A IDENTIFICAÇOM DAS JUDIARIAS NA GALIZA E PORTUGAL

A identificaçom das judiarias, isto é, recuperar a pegada histórica dos bairros judeus, quer na Galiza, quer em Portugal, nem sempre é tarefa fácil.

Do ponto de vista histórico muitos estudiosos som capazes de relatar a história dos Judeus que viveram em Portugaliza até a sua expulsom. O contributo de estudos recentes realizados por historiadores, entre os quais a existência de documentos que demonstram essa pegada judaica, estám a permitir a localizaçom mais ou menos exata da implantaçom urbana dessas áreas habitadas por Judeus, isto é, a localizaçom das judiarias e a sua representaçom planimétrica.

A localizaçom exata da posiçom física em que viviram esses Judeus da Naçom galega e portuguesa permite averiguar se se conservam restos que demonstrem a existência dumha comunidade hebraica. Em muitos casos a realidade arquitetônica é complementada com os documentos e com os planos que representam a pegada urbana das judiarias.

O governo de Castelo Branco, umha das cidades portuguesas em que a herança judaica é muito marcante, teve recentemente um debate a respeito da localizaçom da sua judiaria. Mais concretamente, no tocante à pertença ao bairro judeu dumha das suas ruas ao abrigo de novas investigações. Assim sendo, a Rua d'Ega foi trocada pola Rua Nova como rua principal da antiga judiaria albicastrense. A seguir reproduz-se, graças à ajuda de Ricardo Nunes, a crônica desse debate realizada polo jornal Povo da Beira.


Destarte, nalgumhas vilas e cidades (entre as quais Monforte de Lemos) onde nom existiu umha zona delimitada e fechada (como na maioria do casos), em vez de falar em judiaria ou bairro judeu, fala-se em áreas de "âmbito judaico", isto é, onde a populaçom era maioritariamente hebraica mas nom segregada. 

terça-feira, 8 de março de 2016

REBORDELO

Freguesia da regiom de Trás-os-Montes, pertencente ao concelho de Vinhais, com cerca de 620 habitantes.

Nom muito longe da Galiza, esta povoaçom transmontana é bastante antiga e assume-se como “terra de judeus”. A sua sede autárquica, a vila de Vinhais, apesar de ter sido também moradia de judeus, já nom possui vestígios desta presença e apenas há registos desta freguesia como detentora deste património.

Em Rebordelo os testemunhos patrimoniais remanescentes, apesar de nom constituírem um número muito relevante, destacam-se pola sua singularidade pois som raros em toda a regiom.


Moradia com caraterísticas da arquitetura judaica em Rebordelo, entre as quais, portas
e janelas desalinhadas, vãos de portas e janelas e ombreias biseladas. ANA C. PINTO
Destaca-se assim um hexagrama ou Estrela de David, situada num pilar de granito numha moradia no Bairro das Pereiras que terá sido em tempos casa do senhor Moisés Abrão Gaspar, cristão-novo. Esta marca em alto-relevo, apesar da vegetaçom que possui em volta, encontra-se bastante preservada polo tempo e de fácil observaçom.

Além desta marca existe ainda umha outra moradia que terá pertencido ao filho de Moisés Abrão Gaspar, Abrão Gaspar e que apresenta umha arquitetura única na localidade e que exalta umha certa grandiosidade.


Casa que pertenceu ao cristão-novo Moisés Abraão Gaspar. ANA C. PINTO
Hexagrama no pilar de granito na casa de Abraão Gaspar. ANA C. PINTO
ANA C. PINTO
Também umha outra moradia, com enfeites nas janelas será de descendentes da família Gaspar, onde também está colocada uma placa com o nome da rua “A. Gaspar” que poderá ser uma homenagem a umha destas pessoas.

Apesar de Rebordelo apresentar umha zona mais antiga com diversas casas notoriamente mais arcaicas, nom existem muitas mais marcas identificativas de presença judaica.

Esta localidade foi também umha das quais o Capitão Barros Basto visitou várias vezes, tendo estabelecido um núcleo de movimento, o que nos remete para a importância que a comunidade judaica de Rebordelo terá tido em tempos.

Entre 1660 e 1753 estám registados cerca de dezasseis Autos de Fé pola Inquisiçom de Lisboa e Coimbra.

Artigo elaborado com base no trabalho JUDEUS, JOIA DA COROA TRANSMONTANA - PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA ROTA CULTURAL DOS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES de Ana Catarina Pinto (2015)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

LAGOAÇA

Freguesia do concelho de Freixo de Espada à Cinta, na regiom de Trás-os-Montes, com cerca de 410 habitantes.

Lagoaça foi também um importante centro de Judeus, sendo umha das primeiras povoações a albergar hebreus expulsos dos reinos de Espanha, tendo-se instalado os mais abastados.

Depois do Decreto de Expulsom em 1496, em que oficialmente deixaram de existir judeus em Portugal foi nesta e outras localidades mais recônditas de Trás-os-Montes que os depois cristãos-novos se mantiveram e continuaram o seu culto. Ainda assim, diz-se que em Lagoaça desde sempre viveram judeus escondidos ocultando a sua identidade.


Rua dos Judeus de Lagoaça. ANA C. PINTO
Em relaçom aos vestígios que se podem encontrar em Lagoaça, existe numha das casas situada na que seria a “Rua dos Judeus”, diversos cruciformes em cima da porta principal que seriam as marcas de cristianizaçom, isto é, de afirmaçom marrana. Há várias ombreiras cortadas em bisel e nalgumhas moradias pode-se observar as marcas dumha rosa/cruz, símbolo judaico e cabalístico. Num dos vãos dumha antiga moradia está também umha gravaçom na pedra da data “1856” e umha cruz.
Cruciforme em vão de janela em Lagoaça. ANA C. PINTO
Pola Inquisiçom de Coimbra, no Auto de 18 de dezembro de 1701, está registado o Auto de Fé que condena António Garcia, solteiro, filho de Manuel Garcia, natural de Lagoaça.

Artigo elaborado com base no trabalho JUDEUS, JOIA DA COROA TRANSMONTANA - PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA ROTA CULTURAL DOS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES de Ana Catarina Pinto (2015)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

FELGUEIRAS

Freguesia transmontana pertencente ao concelho de Torre de Moncorvo, com cerca de 440 habitantes.

Segundo as informações do Abade de Baçal, o autor da história mais completa do distrito de Bragança, em Felgueiras ainda existiria a prática da circuncisom com algumha frequência nas crianças em casos especiais (prepúcios de cabeça coberta, como vulgarmente se dizia) como medida higiénica. Esta prática seria rodeada de muito secretismo, devido às habituais pressões que a igreja católica exercia sobre a comunidade judaica lá fixada. A circuncisom era umha das principais práticas judaicas mas que ao longo dos tempos acabou por se extinguir por completo.

Os judeus marranos em Felgueiras dominariam a indústria moageira, do ferro e de panificaçom, abastecendo grande parte do concelho de Torre de Moncorvo. Estes judeus eram proprietários da maioria dos moinhos existentes na ribeira de Santa Marinha em Felgueiras e no ribeiro dos moinhos no Felgar–Larinho. O mesmo acontecia na indústria da tecelagem, linho e da seda ou no fabrico de sabom.

A atividade dos cerieiros em Felgueiras era também bastante importante, chegando a constituir-se como o centro de fabrico de velas, exportando para quase todo o norte do país. Ainda hoje, esta atividade tem grande importância para a populaçom que aqui reside.

O lagar da cera de Felgueiras situado na ribeira de Santa Marinha é o exemplo hoje visível que testemunha esta presença judaica nesta localidade, este seria um lugar comunitário de prensa de vara, onde todos os cerieiros iriam fazer a cera.
Lagar da Cera de Felgueiras. Fonte: Torre de Moncorvo in blog
Lagar da Cera de Felgueiras. Fonte: Dourovalley
Ainda que muito provavelmente tenham havido mais Autos de Fé contra os judeus de Felgueiras, no tomo V das memórias de Abade de Baçal apenas um é referenciado. Terá sido o Auto de Fé de 2 de agosto de 1551 pola Inquisiçom de Évora a Lourenço Luís, trabalhador, viúvo de Apolónia Maria, natural de Felgueiras e morador na freguesia de S. Tiago, termo da vila de Terena (distrito de Évora), acusado de ser culpado por reincidências de curas e bênçãos supersticiosas.

Artigo elaborado com base no trabalho JUDEUS, JOIA DA COROA TRANSMONTANA - PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA ROTA CULTURAL DOS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES de Ana Catarina Pinto (2015)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

AZINHOSO

Freguesia portuguesa da regiom de Trás-os-Montes que, com cerca de 310 habitantes, faz parte do concelho de Mogadouro.

Embora atualmente seja umha aldeia também afetada pola desertificaçom motivada pola emigraçom, entre 1386 e o início do século XIX foi sede de concelho.

Apesar de, alguns edifícios terem sido modificados por reconstruções do século XIX, ainda hoje se identificam algumhas casas com marcas distintivas dos hebreus, bem como vestígios que se pensa estarem relacionados com a sua passagem.
Cruciforme em moradia. ANA PINTO
As marcas até agora registadas nesta freguesia som umha moradia com um cruciforme que apesar de ter sido restaurado apresenta-se como umha evidência, umha outra casa com duas rosáceas no vão da porta e ainda umha casa que é apontada polos habitantes como sendo o local da antiga sinagoga, onde existe um cruciforme e os vãos das portas e janelas estão desalinhados, caraterísticas apontadas como típicas das habitações judaicas.


Portas e janelas desalinhadas em Azinhoso. ANA PINTO
Cruciforme no prédio que terá sido a antiga sinagoga em Azinhoso
Fonte: Marcas arquitetónicas judaicas e vítimas da Inquisição no concelho de Mogadouro, Lema D’origem
ANTERO NETO
A presença hebraica nesta terra foi no passado bastante marcante principalmente a nível económico pois, existiam os “peleiros” que trabalhavam as peles, oficio este que gerava bastante dinheiro. Ainda hoje existe em Azinhoso, o local de “pelames” que comprova isto mesmo. 


Local de Pelames. ANA PINTO
Existe ainda um edifício onde está localizado o Museu de Arte Sacra, que também apresenta marcas judaicas como as portas em estilo manuelino e os crucifixos rasurados nas paredes, à semelhança do que acontece no Museu de Arte Sacra em Gouveia (Guarda), onde se encontra o símbolo mais importante da presença judaica escrito em hebraico naquela cidade.

No entanto, as marcas visíveis em Azinhoso nom representam certezas científicas se haverá ligaçom ou nom pois, que seja do conhecimento ainda nengum estudo foi elaborado neste sentido.

Nos registos do livro do Abade Baçal estám assinalados dous Autos de Fé, nos anos de 1696 e 1755 pola Inquisiçom de Coimbra contra Branca Lopes, originária de Castela, casada com António Lopes, tratante, natural de Azinhoso e Clara Maria, moradora em Bragança, casada com Francisco José, tecelão, natural de Azinhoso.

Artigo elaborado com base no trabalho JUDEUS, JOIA DA COROA TRANSMONTANA - PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE UMA ROTA CULTURAL DOS JUDEUS EM TRÁS-OS-MONTES de Ana Catarina Pinto (2015)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

XVI DIA EUROPEU DA CULTURA JUDAICA NA PORTUGALIZA

As diferentes vilas e cidades galego-portuguesas comemoram este domingo, dia 6 de setembro, umha nova ediçom do Dia Europeu da Cultura Judaica.


Sob o lema "Pontes", o XVI Dia Europeu da Cultura Judaica vai ser celebrado em 30 países.


BELMONTE

Mercado Kosher
Data: 13 setembro
Local: Largo do Castelo
Comida, artesanato, animaçom, visitas à Sinagoga...


CASTELO DE VIDE

Encontro em Castelo de Vide
Datas: 3-6 de setembro
Local: Pr. D. Pedro V


Visitas guiadas à Judiaria de Monforte de Lemos
Data: 6 de setembro
Horário: 11:30h / 17:30h / 19:00h
Local: Escritório Municipal de Turismo (R. Comercio, 6)

Percursos polas áreas de âmbito judaico de Monforte de Lemos guiados polo historiador Filipe Aira


RIBADÁVIA


Festival Musical "Arteficial"
Data: 5 de setembro
Horário: 12:30-23:00h
Local: Bairro judeu, Pr. da Madalena, Auditório do Castelo e Museu sefardita

Visita guiada à Judiaria de Ribadávia
Data: 6 de setembro
Horas: 12h / 17h
Local: Escritório Municial de Turismo
Percurso polo bairro judeu

Portas Abertas no Museu Judaico da Galiza
Data: 6 de setembro
Hora: 10:30-20:00h
Local: Escritório Municipal de Turismo

Exposiçom "Erensya. Paisagem humana"
Data: 6 de setembro
Horário: 10:30-20:00h
Local: Museu Judaico da Galiza - Escritório Municipal de Turismo

Festival de confeitaria tradicional e judaica
Data: 6 de setembro
Horário: 11:00-21:00h
Local: Pr. da Madalena


TUI

Exposiçom fotográfica "Tedendo Pontes"
Datas: 1-9 de setembro
Local: Área Panorámica

Jornadas gastronómicas sefarditas
Datas: 4 - 6 de setembro
Petiscos de gastronomia judaica nos locais O novo cabalo furado; O vello cabalo furado; Tapas e vinhos; Mesón Adega; Happy Restaurante; Mesón Jauqueyvi

Atuaçom infantil "O cego dos monifates"
Data: 4 de setembro
Hora: 21:00h
Local: Pr. de S. Fernando

Visita guiada à Judiaria de Tui
Data: 4 de setembro
Hora: 22:00h
Local: Porta da Pia
Percurso polos locais da memória judaica de Tui guiado polo historiador Suso Vila