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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

AMEAÇADA INTEGRIDADE DA SINAGOGA BEVIS MARKS EM LONDRES

Para quem interessar, compartilho um apelo da comunidade sefardita de Londres, transladado por Ângela Campos, respeitante à ameaça que paira sobre a integridade da sinagoga londrina de Bevis Marks.

Dear All

We urgently need your help. As most of you know we have been waiting for the planning application to be submitted on 33 Creechurch lane – the building adjacent to our Historical Bevis Marks Synagogue – and the enclosed image shows its effects on our light, and our heritage environment not to mention the building’s structure. Please see below the advice and guidance from our professional team. Can we please call you ALL to action to follow the simple instructions below. The online comments link below is very simple.

This is our synagogue and it’s for us to protect it for our future generations.

ACTION PLAN

A planning application has been submitted to the City of London for a 20 storey tower just a few metres from the Synagogue’s eastern wall. As you will see from the image below, it will tower over the Synagogue. We have been monitoring this and now we need your help.


As a matter of urgency - Please let the City know what you think by submitting comments by the deadline of 12th February - or sooner if you can. We give details of how to do this below. Every objection counts - so please respond quickly. 


In conveying your views you may wish to reflect the Trustees major concerns:

“We are deeply concerned over the major impact that the development would have on the historic setting of the Synagogue along with the reductions in daylight and sunlight into the Synagogue and the much used courtyard. This overbearing presence will change the much loved character and atmosphere of the Synagogue and its immediate surroundings.  We are also worried about disturbance to our services, disabled access and damage to the Synagogue’s fabric during the construction of such a large tower so close to our 300 year old building.”

You can submit comments on the planning application through the City of London online system here.


Alternatively you can email PLNComments@cityoflondon.gov.uk quoting the planning application reference 18/00305/FULMAJ and the address which is 33 Creechurch Lane London EC3A 5E.

You can also write, quoting the same reference number and address, to:
Mrs Annie Hampson
Chief Planning Officer and Development Director
Department of the Built Environment
City of London
PO Box 270
Guildhall
London  EC2P 2EJ

The full planning application documents can be viewed here.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

PRESENÇA JUDAICA NA LÍNGUA PORTUGUESA

EXPRESSÕES E DIZERES POPULARES EM PORTUGUÊS DE ORIGEM CRISTÃ-NOVA OU MARRANA

Jane Bichmacher de Glasman

O objetivo do presente trabalho é apresentar alguns exemplos de influência judaica na língua portuguesa, a partir de uma ampla pesquisa sócio-lingüística que venho desenvolvendo há anos. A opção por judaica (e não hebraica) deve-se a uma perspectiva filológica e histórica mais abrangente, englobando dialetos e idiomas judaicos, como o ladino (judeu-espanhol) e o iídiche (alemão), entre os mais conhecidos, além de vocábulos judaicos e expressões hebraicas que passaram a integrar o vernáculo a partir de subterfúgios e/ou corruptelas, cuja origem remonta à bagagem cultural de colonizadores judeus, cristãos-novos e marranos.

Há uma significativa probabilidade estatística de Brasileiros descendentes de ibéricos, principalmente portugueses, terem alguma ancestralidade judaica. A base histórica para tal é a imigração maciça de judeus expulsos da Espanha, em 1492, para Portugal, devido à contigüidade geográfica e às promessas (não cumpridas) do Rei D. Manuel I, que traziam esperança de sua sobrevivência judaica como tal. Mesmo com a expulsão de Portugal em 1497, os judeus (além dos cristãos-novos e dos cripto-judeus ou marranos) chegaram a constituir 20 a 25% da população local.

Sefaradim (de Sefarad, Espanha, da Península Ibérica) procuraram refúgio em países próximos no Mediterrâneo, norte da África, Holanda e nas recém-descobertas terras de além-mar nas Américas, procurando escapar da Inquisição. Até hoje é controversa a origem judaica ou criptojudaica de descobridores e colonizadores do Brasil, para onde imigraram incontáveis cristãos-novos, alternando durante séculos uma vida como judeus assumidos e marranos, praticando o judaísmo secretamente (fora os que permaneceram efetivamente católicos), de acordo com os ventos políticos, sob o domínio holandês ou a atuação da Inquisição, variando de um clima de maior tolerância e liberdade à total intolerância e repressão.

Comparando apenas sob o ponto de vista cronológico, nem sempre lembramos que, enquanto o Holocausto na Segunda Guerra Mundial foi tão devastador, especialmente nos quatro anos de extermínio maciço de judeus, a Inquisição durou séculos, pelo menos três dos cinco da história “oficial” do Brasil, isto é, após o descobrimento. Tantos séculos de medo, denúncias, processos e mortes, geraram, por um lado, um ambiente psicológico de terror para os judeus e cristãos novos no Brasil; por outro, um antissemitismo evidente ou subliminar que permaneceu arraigado na população, inclusive como autodefesa e proteção.

Uma característica do comportamento de cristãos-novos “suspeitos” foi procurar ser “mais católicos do que os católicos”, buscando sobreviver à intolerância e determinando práticas sócio-culturais e lingüísticas.

A citada alternância entre vidas assumidamente judaicas e marranas, praticando judaísmo em segredo, com costumes variados, unificados pela “camuflagem” de seu teor judaico, gerou comportamentos e aspectos culturais (abrangendo rituais, superstições, ditados populares, etc.) que se arraigaram à cultura nacional. A maioria da população desconhece que muitos costumes e dizeres que fazem parte da cultura brasileira têm sua origem em práticas criptojudaicas. Apresentarei alguns exemplos bem como suas origens e explicações, a partir da origem judaica “marrana”.

“Gente da nação” é uma das denominações para designar marranos, judeus, cristãos-novos e cripto-judeus, embora existam diferenças entre termos e personagens.

Cristãos-novos foi denominação dada aos judeus que se converteram em massa na Península Ibérica nos séculos XIII e XIV; é preconceituosa devido à distinção feita entre os mesmos e os “cristãos-velhos”, concretizado nas leis espanholas discriminatórias de “Limpieza de Sangre” do século XV.

Criptojudeus eram os cristãos-novos que mantiveram secretamente seu judaísmo. Gente da nação era a expressão mais utilizada pela Inquisição e Marranos, como ficaram mais conhecidos. Embora todos fossem descendentes de judeus, só poucos voltaram a sê-lo, e em países e épocas que o permitiram.

O próprio termo “marrano” possui uma etimologia diversificada e antitética. Unterman (1992: 166), conceitua de forma tradicional, como “nome em espanhol para judeus convertidos ao cristianismo que se mantiveram secretamente ligados ao judaísmo. A palavra tem conotação pejorativa” geralmente aplicada a todos os cripto-judeus, particularmente aos de origem ibérica. Em 1391 houve uma maciça conversão forçada de judeus espanhóis, mas a maioria dos convertidos conservou sua fé. Já Cordeiro (1994), com base nas pesquisas de Maeso (1977), afirma que a tradução por “porco” em espanhol tornou-se secundária diante das várias interpretações existentes na histografia do marranismo.

Para o historiador Cecil Roth (1967), marrano, velho termo espanhol que data do início da Idade Média que significa porco, aplicado aos recém-convertidos (a princípio ironicamente devido à aversão judaica à carne de porco), tornou-se um termo geral de repúdio que no século XVI se estendeu e passou a todas as línguas da Europa ocidental.

A designação expressa a profundidade do ódio que o espanhol comum sentia pelos conversos com quem conviviam. Seu uso constante e cotidiano carregado de preconceito turvou o significado original do vocábulo. Em “Santa Inquisição: terror e linguagem”, Lipiner (1977) apresenta as definições: “Marranos: As derivações mais remotas e mais aceitáveis sugerem a origem hebraica ou aramaica do termo. Mumar: converso, apóstata. Da raiz hebraica mumar, acrescida do sufixo castelhano ano derivou a forma composta mumrrano, abreviado: Marrano. Tratar-se-ia, pois de um vocábulo hebraico acomodado às línguas ibéricas. Marit-áyin: aparência, ou seja, cristão apenas na aparência. Mar-anús: homem batizado à força. Mumar-anus: convertido à força. Contração dos dois termos hebraicos, mediante a eliminação da primeira sílaba”. Anus, em hebraico, significa forçado, violentado.

Antes de exemplificar a contribuição lingüística marrana, convém ressaltar que a vinda dos portugueses para o Brasil trouxe consigo todos os empréstimos culturais e lingüísticos que já haviam sido incorporados ao cotidiano ibérico, desde uma época anterior à Inquisição, além de novos hábitos e características; muitas palavras e expressões de origem hebraica foram incorporadas ao léxico da língua portuguesa mesmo antes de os portugueses chegarem ao Brasil. Elas encontram-se tão arraigadas em nosso idioma que muitas vezes têm sua origem confundida como sendo árabe ou grega. Exemplo: a “azeite”, comumente atribuída uma origem árabe por se assemelhar a um grande número de palavras começadas por “al-” (como alface, alfarrábio, etc.), identificadas como sendo de origem árabe por esta partícula corresponder ao artigo nesta língua. O artigo definido hebraico é a partícula “a-” e “azeite” significa, literalmente, em hebraico “a azeitona” (ha-zait).

Apesar da presença judaica por tantos séculos, em Portugal como no Brasil, as perseguições resultaram também em exclusões vocabulares. A maior parte dos hebraísmos chegou ao português por influência da linguagem religiosa, particularmente da Igreja Católica, fazendo escala no grego e no latim eclesiásticos, quase sempre relacionados a conceitos religiosos, exemplos: aleluia, amém, bálsamo, cabala, éden, fariseu, hosana, jubileu, maná, messias, satanás, páscoa, querubim, rabino, sábado, serafim e muitos outros.

Algumas palavras adotaram outros significados, ainda que relacionados à idéia do texto bíblico. Exemplos: babel indicando bagunça; amém passando a qualquer concordância com desejos; aleluia usada como interjeição de alívio.

O preconceito marca palavras originárias do hebraico usadas de forma depreciativa, como: desmazelo (de mazal – negligência, desleixo), malsim (de mashlin – delator, traidor), zote (de zot / subterrâneo, inferior, parte de baixo – pateta, idiota, parvo, tolo), ou tacanho (de katan – que tem pequena estatura, acanhado; pequeno; estúpido, avarento); além de palavras relacionadas a questões financeiras, como cacife, derivada de kessef = dinheiro.

Dezenas de nomes próprios têm origem hebraica bíblica, como: Adão, Abraão, Benjamim, Daniel, Davi, Débora, Elias, Ester, Gabriel, Hiram, Israel, Ismael, Isaque, Jacó, Jeremias, Jesus, João, Joaquim, José, Judite, Josué, Miguel, Natã, Rafael, Raquel, Marta, Maria, Rute, Salomão, Sara, Saul, Simão e tantos outros. Alguns destes, na verdade, são nomes aramaicos, oriundos da Mesopotâmia, como Abraão (Avraham), que se incorporaram ao léxico hebraico no início da formação do povo hebreu.

Podemos citar centenas de nomes e sobrenomes de judaizantes e números de seus dossiês, desde a instalação da Inquisição no Brasil, a partir dos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, e de livros como Wiznitzer (1966), Carvalho (1982), Falbel (1977), Novinsky (1983), Dines (1990), Cordeiro (1994), etc. Sobrenomes muito comuns, tanto no Brasil como em Portugal, podem ser atribuídos a uma origem sefardita, já que uma das características marcantes das conversões forçadas era a adoção de um novo nome. Muitos conversos adotaram nomes de plantas, animais, profissões, objetos, etc., e estes podem ser encontrados em famílias brasileiras, até hoje, em número tão grande que seria difícil enumerá-los. Exemplos: Alves, Carvalho, Duarte, Fernandes, Gonçalves, Lima, Silva, Silveira, Machado, Paiva, Miranda, Rocha, Santos, etc. Não devemos excluir a possibilidade da existência de outros sobrenomes portugueses de origem judaica.

Porém é importante ressaltar que não se pode afirmar que todo brasileiro cujo sobrenome conste dos processos seja descendente direto de judeus portugueses; para se ter certeza é necessária uma pesquisa profunda da árvore genealógica das famílias.

Há ainda algumas palavras e expressões oriundas do misticismo judaico, tão desenvolvido na idade média. O estudo do Talmud e da Cabalá trouxe também contribuições do aramaico, como a conhecida expressão “abracadabra”, que é tida pela nossa cultura como uma “palavra mágica” (num sentido fabuloso), mas que, na realidade pode ser traduzida como “criarei à medida que falo” (num sentido real e sólido para a cultura judaica).

Algumas palavras também designam práticas judaicas ou formas de encobri-las, especialmente observável nos costumes alimentares. Por exemplo: os judeus são proibidos pela Torá de comer carne de porco, porque tem os cascos fendidos e não rumina, sendo, portanto, impuro. Para simular o abandono desse princípio e enganar espiões da Inquisição, os cristãos-novos inventaram as alheiras, embutidos à base de carne de vitelo, pato, galinha, peru – e nada de porco. Após algumas horas de defumação já podem ser consumidos. Da mesma forma, peixes “de couro” (sem escamas) não serviam para consumo.

Passando às expressões, apresento alguns exemplos, sua origem e explicação:


Pensar na morte da bezerra
frase tão comumente dita por sertanejos quando querem referir-se a alguém que está meditando com ares de preocupação: “está pensando na morte da bezerra”. Registram as denunciações e as confissões feitas ao Santo Oficio, a noção popular, naquele distante período, do que seria o livro fundamental do judaísmo: a Torá. De Torá veio Toura e depois, bezerra, havendo inclusive quem afirmasse ter visto em cara de alguns cristãos-novos, o citado objeto, com chifres e tudo.

Passar a mão na cabeça
com o sentido de perdoar ou acobertar erro cometido por algum protegido, é memória da maneira judaica de abençoar de cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto pronunciava a bênção.

Seridó
região no Rio Grande do Norte, tem seu nome originário da forma hebraica contraída: Refúgio dele. Porém, não é o que escreve Luís da Câmara Cascudo, indicando uma origem indígena do nome da região, de “ceri-toh”. Em hebraico, a palavra Sarid significa sobrevivente. Acrescentando-se o sufixo ó, temos a tradução sobrevivente dele. A variação Serid, “o que escapou”, pode ser traduzido também por refúgio. Desse modo, a tradução para o nome seridó seria refúgio dele ou seus sobreviventes.

Passar mel na boca
quando da circuncisão, o rabino passa mel na boca da criança para evitar o choro. Daí a origem da expressão: “Passar mel na boca de fulano”.

Para o santo
o hábito sertanejo de, antes de beber, derramar uma parte do cálice, tem raízes no rito hebraico milenar de reservar, na festa de Pessach (Páscoa), um copo de vinho para o profeta Elias (representando o Messias que virá, anunciado pelo Profeta Elias).

Que massada!
usada para se referir a uma tragédia ou contra-tempo, é uma alusão à fortaleza de Massada na região do Mar Morto, Israel, reduto de Zelotes, onde permaneceram anos resistindo às forças romanas após a destruição do Templo em 70 d.C., culminando com um suicídio coletivo para não se renderem, de acordo com relato do historiador Flávio Josefo.

Pagar siza
significando pagar imposto vem do hebraico e do aramaico (mas = imposto, em hebraico de misa, em aramaico).

Vestir a carapuça
ou “a carapuça serve para ...” vem da Idade Média inquisitorial, quando judeus eram obrigados a usar chapéus pontudos (ou com três pontas) para serem identificados.

Fazer mesuras
origina-se na reverência à Mezuzá (pergaminho com versículos de DT.6, 4-9 e 11,13-21, afixado, dentro de caixas variadas, no batente direito das portas).

Deus te crie
após o espirro de alguém é uma herança judaica da frase Hayim Tovim, que pode ser traduzido como tenha uma boa vida.

Pedir a bênção
aos pais, ao sair e chegar em casa, é prática judaica que remonta à benção sacerdotal bíblica, com a qual pais abençoam os filhos, como no Shabat e no Ano Novo.

Entrar e sair pela mesma porta traz felicidade
bem como o costume de varrer a casa da porta para dentro, costume arraigado até os dias de hoje, para “não jogar a sorte fora” é uma camuflagem do respeito pela Mezuzá, afixada nos portais de entrada, bem como aos dias de faxina obrigatória religiosa judaica, como antes do Shabat (Sábado, dia santo de descanso semanal) e de Pessach.

Apontar estrelas faz crescer verrugas nos dedos
era a superstição que se contava às crianças para não serem vistas contando estrelas em público e denunciadas à Inquisição, pois o dia judaico começa no anoitecer do dia anterior, ao despontar das primeiras estrelas, dado necessário para identificar o início do Shabat e dos feriados judaicos.

Para concluir, gostaria de mencionar um tema polêmico decorrente deste intercâmbio cultural-religioso: sua influência no português, em vocábulos que adquiriram uma conotação pejorativa e negativa. Os mais discutidos são:
- judeu, significando usurário, 
- o verbo judiar (e o substantivo judiação) com o sentido de maltratar, torturar, atormentar. 

Seja sua origem a prática de “judaizar” (cristãos-novos mantendo judaísmo em segredo e/ ou divulgando-o a outros), seja como referência ao maltrato e às perseguições sofridas pelos judeus durante a Inquisição, o fato é que, sem dúvidas, sua conotação é negativa, e cabe a nós estudiosos do assunto e vítimas do preconceito, esclarecer a população e a mídia, alertando e visando à erradicação deste uso, não só pelo desgastado “politicamente correto”, que leva a certos exageros, mas para uma conscientização do eco subliminar de um longo passado recente, Pelo qual não basta o pedido de perdão, se não conduzir a uma mudança no comportamento social.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A LÍNGUA DOS JUDEUS DE PORTUGAL

O Judeu-português ou judeo-português é umha língua extinta, que era falada polos Judeus sefarditas de origem portuguesa. Essa forma linguística era vernacular e de uso corrente aos Judeus de Portugal antes do século XVI, quando as comunidades judias foram expulsas por causa da pressom política exercida polos reis católicos espanhois, e sobreviveu em muitas comunidades da diáspora dos Judeus da Nação Portuguesa.
Judiaria de Castelo de Vide
Embora seja muito desconhecida a língua falada polos Judeus antes do édito de expulsom, o léxico do judeu-português era composto basicamente por palavras portuguesas, acrescentando-se palavras hebraicas. Também recebeu empréstimos do ladino ou judeu-espanhol por influência da língua dos Judeus espanhóis, mas era muito distinta dessa, já que os Judeus lusos nunca foram expulsos do seu país, antes forçados à conversom.

A existência dalguns de textos anteriores à expulsom permite fazer umha análise. Os textos eram escritos em letras hebraicas (aljamiado português) ou latinas. O documento mais antigo conhecido (1262) é um tratado sobre a arte do manuscrito iluminado, escrito em português com caracteres hebraicos, "O livro de como se fazem as cores". Trata-se dum documento de grande importância para a história do iluminismo manuscrito hebraico, sendo utilizadas as instruções contidas no texto para a iluminaçom da Bíblia Kennicott escrita na Corunha em 1476.

O texto litúrgico mais antigo é um Mahzor espanhol escrito em hebraico e publicado em Portugal por volta de 1485 que inclui instruções rituais em português aljamiado. Entre outros documentos, destacam um tratado médico de oftalmologia de 1300, localizado na Biblioteca Pública Municipal do Porto, um livro de pregações espanhol do século XV com instruções em português, localizado na Biblioteca Bodleian de Oxônia e um tratado de astrologia médica que contém umha parte em português do século XV, localizado no Seminário Teológico Judaico de Nova Iorque.

Relativamente a fontes nom judias dos séculos XV-XVI, Gil Vicente, considerado o primeiro grande famoso dramaturgo português, apresenta umha passagem judeu-portuguesa na sua obra o "Auto da Barca do Inferno": "Alça manim dona, o dona, ha", onde "manim" parece umha mistura da palavra espanhola mano com o sufixo habitual hebraico do plural -im. Destarte, Gil Vicente apresentava numha só frase a influência de duas palavras nom portuguesas na língua dos Judeus portugueses.

Muitos dos Cristãos-novos continuaram secretamente a observar o judaísmo e preservar a língua até que Inquisiçom se estabeleceu em Portugal em 1536, provocando umha vaga onda migratória dos conversos para Flandres, o norte da Alemanha, Holanda, França, Itália, Inglaterra e as Américas. 

Assim sendo, o judeu-português na diáspora desenvolveu-se a partir do século XVI nos locais onde os cristãos-novos portugueses regressaram ao judaismo e desenvolveram florescentes comunidades judaicas. O judeu-português foi conhecido como a língua dos Judeus da Nação Portuguesa e foi a língua oficial falada e escrita nas comunidades da Diáspora. Na Europa ocidental foi usado en inúmeros âmbitos: doméstico, transações comerciais, administraçom, cerimónias formais, cumprimentações, pregações, discursos, intercâmbios legais, registos, inscrições funerárias, relatórios comunitários,... Apenas depois de meados do século XIX, com a introduçom das escolas públicas, foi que diminuiu o seu uso, limitando-se ao uso familiar ou às celebrações religiosas.

Em geral, nas comunidades judias portuguesas exiladas as traduções dos textos litúrgicos do hebraico faziam-se para o espanhol. Mas no século XVII apareceram muitos textos seculares judeu-portugueses nos campos da filosofia, literatura moral, drama e poesia. Estes textos foram publicados na Itália e Alemanha, bem como em Amsterdão, que se tornou num centro judeu da actividades literária e científica. Mendes dos Remédios fez umha coletânea dos textos judeu-portugueses publicados em Amsterdão.

Apesar das escassas investigações feitas sobre as características lingüísticas do judeu-português da diáspora, segundo um estudo de Germano realizado aos textos de Amesterdão e Hamburgo entre os séculos XVIII e XX, a variedade judia do português incluia formas mais arcaicas do que o padrom da época. O linguista português B.N. Teesma (1975) chama à linguagem do século XVIII de Mendes-Franco de "português fossilizado". O texto de Mendes-Franco, escrito em letras latinas, inclui numerosos empréstimos hebraicos, mormente nos campos semânticos da tradiçom judaica e vida comunitária. As palavras hebraicas aparecem tanto em caracteres hebraicos quanto em transliterações.

Na América foi a língua habitual das comunidades sefarditas de origem portuguesa em Recife, Nova Iorque, Aruba, Curação, Bonaire e Costa do Estado venezuelano de Falcón. Nos Estados Unidos da América a variante judeu-portuguesa foi apoiada principalmente após a migraçom dos Judeus do Brasil Holandês.

Devido à sua similaridade, o Judeu-Português morreu logo em Portugal, mas sobreviveu na Diáspora como língua do dia-a-dia até os princípios do século XIX. Também sobrevive em forma de substrato no papiamento e saramaca, já que alguns dos donos portugueses de escravos eram Judeus.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O BREXIT FAZ AUMENTAR OS PEDIDOS DE NACIONALIDADE PORTUGUESA ENTRE OS JUDEUS SEFARDITAS

Segundo revelações da Comunidade Israelita do Porto à agência Efe, cerca de 400 descendentes britânicos de Judeus sefarditas portugueses pediram a nacionalidade portuguesa desde a vitória do “Brexit”, contra apenas 5 solicitações em 2015.

A legislaçom portuguesa permite que os descendentes de sefarditas de origem portuguesa possam pedir a nacionalidade. Segundo essa agência noticiosa, a perspetiva da saída do Reino Unido está a fazer com que muitos dos Judeus sefarditas portugueses tentem umha forma de manter os direitos no quadro da Uniom Europeia.

"É inevitável concluir que os Judeus sefarditas que residam na Inglaterra correm o risco de perder os direitos da UE e, por isso, é natural que usem um direito que a lei portuguesa lhes concede", disse um porta-voz da Comunidade Israelita do Porto. A Comunidade Israelita do Porto é umha das entidades autorizadas para expedir o certificado de descendência portuguesa e que é necessário para ativar o processo de acesso à nacionalidade.

Desde que foi anunciado o triunfo do “Brexit”, na sequência do referendo realizado no Reino Unido no passado dia 23 de junho, que a Comunidade Israelita do Porto recebeu 400 petições, contrastando com os 5 pedidos registados desde 2015, altura em que a Assembleia da República aprovou a lei sobre os direitos dos sefarditas de origem portuguesa.

Como qualquer Estado-membro da UE, os cidadãos com nacionalidade portuguesa têm o direito de circular livremente, residir e trabalhar em qualquer país comunitário sem necessidade de fazer accionar o processo de solicitaçom, obrigatório para os cidadãos extracomunitários. Os britânicos vam perder os direitos a partir do momento em que o Reino Unido abandonar a UE e, no contexto do bloco europeu, vam passar a reger-se polas normas que se aplicam à cidadania dos países nom-comunitários.

A Comunidade Israelita do Porto disse à Efe que calcula que, dos 350.000 judeus que residem no Reino Unido, cerca de 50.000 som sefarditas (de ascendência portuguesa ou espanhola), apesar de se desconhecer até ao momento quantos podem utilizar o direito de pedido de nacionalidade em Portugal. A lei portuguesa de acesso à nacionalidade, ao contrário da legislaçom espanhola, que também permite a obtençom da nacionalidade aos sefarditas, nom estabelece um prazo limite para a solicitaçom, polo que o número de pedidos pode vir a aumentar até á saída do Reino Unido da UE.

Em todo o mundo existem, cerca de 3,5 milhões de descendentes sefarditas de origem portuguesa e espanhola. 

Fonte: PÚBLICO e RPT.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

OS JUDEUS PORTUGUESES E OS PIRATAS DO CARIBE

Este post conta como foi que os judeus sefarditas de origem portuguesa foram dar às ilhas da Jamaica e Barbados e como alguns deles se tornaram em corsários ou piratas do Caribe.

Jamaica

A Jamaica foi umha colónia espanhola desde a sua "descoberta" em 1494 até 1655. Sob o domínio espanhol a ilha passou a ser considerada umha propriedade particular da família Colombo. Assim sendo, em novembro de 1509, Diogo Colombo (português, filho de Cristovão Colombo e de Filipa Moniz), autoriza Juan de Esquivel para conquistar e povoar a ilha, o que fez de jeito bárbaro. A maioria dos primeiros cerca de 1.500 habitantes europeus da Jamaica eram portugueses, provenientes sobretodo dos Açores e da Madeira, tendo-se dedicado no inicio à gadaria. 

A partir de 1576 é autorizada a criaçom dumha colónia de Judeus/cristãos-novos, vindos na sua maioria de Portugal. A diferença do resto da populaçom, os Judeus constituem umha comunidade formada principalmente por mercadores e comerciantes. Para ocultar a sua identidade autodenominavam-se como "portugals", independentemente da sua origem portuguesa ou espanhola, forçados a viver umha vida clandestina

Depois de 1580, sob o dominio filipino, os portugueses usaram Jamaica como um ponto de ataque ao Império espanhol, facilitando a penetraçom e os ataques de ingleses, holandeses e franceses nas Antilhas e no continente americano. 

No século XVII as ilhas do Caribe eram conhecidas por "Portugals".

Em 1655 os britânicos tomaram o controlo da ilha constatando os novos ocupantes a presença lá de muitos judeus ("portugueses"), aos que lhe foi concedida a cidadania por Cromwell, sendo confirmada em 1660 polo rei Carlos.

Por conta da perseguiçom na Europa, na altura de 1660 a Jamaica tornou-se um refúgio para os Judeus no Novo Mundo, atraindo também aqueles que tinham sido expulsos de Espanha e Portugal. Depois que os britânicos assumiram o governo da Jamaica, os Judeus da ilha decidiram que a melhor defesa contra umha possível tentativa de reconquista por parte da Espanha era contribuir para que a colónia britânica se tornasse umha base para os piratas do Caribe.

Com os piratas instalados em Port Royal, os espanhóis seriam dissuadidos de atacar. Os líderes britânicos concordaram com a viabilidade desta estratégia para evitar uma agressom externa. 

Os primeiros governadores ingleses da Jamaica enviavam livremente cartas de corso para os bucaneiros, enquanto o crescimento de Port Royal dava a estes bucaneiros um lugar muito mais rentável e agradável para poderem vender o seu espólio. Henry Morgan, um dos mais implacáveis, notórios e bem sucedidos bucaneiros de sempre que assaltava colónias espanholas e conquistou a Cidade do Panamá, foi cavaleiro e governador da Jamaica. Bartolomeu Português foi um dos mais famosos piratas portugueses de todos os tempos. Tinha a patente de corso do governador da Jamaica e na década de 1660 envolveu-se em inúmeras ações contra os espanhóis. Foi responsável polo estabelecimento do primeiro código de regras popularmente conhecido como "O Código da Pirataria".

Moisés Cohen Enriques, conhecido como Don Moisés, sefardita de origem portuguesa, foi o pirata judeu mais afamado que atuou com base na Jamaica atacando os navios espanhóis que ligavam Cuba e Cádis.

O período em que os piratas foram mais bem sucedidos foi de 1660 a 1730, quando começaram a ser combatidos polos britânicos. 

Embora a populaçom judaica da Jamaica nunca foi muito importante, o seu contributo à vida económica e comercial da ilha superou a de qualquer outro grupo étnico e tamanho comparável. Um estudo recente estima que cerca de 424.000 jamaicanos (aproximadamente 15% da populaçom) som descendentes de judeus sefarditas vindos de Portugal e Espanha a partir de 1494. 

A presença portuguesa na Judiaria da Jamaica testemunha-se quer na língua em que estám escritas as lápides dos cemitérios, quer nos registos da sinagoga, quer nos apelidos judaicos comuns, entre os quais, os Lindo, da Silva, Souza, Decosta, Henriques ou Rodriques.

Barbados

Ilha do Caribe descoberta polos espanhóis e batizada em 1538 polos exploradores portugueses, talvez, polo facto de terem entom visto figueiras com longas raízes que lembravam as "barbas".

Colonizada polos britânicos a partir de 1627, logo a seguir produziu-se a chegada dos primeiros judeus sefarditas  de origem portuguesa vindos da Inglaterra, Alemanha ou como refugiados das Guianas ou do Pernambuco (de onde chegaram 300 pessoas a partir de 1654). 

Os refugiados judeus vindos do Brasil trazeram consigo a experiência na produçom e cultivo da cana sacarina e do café, o que contribuiu grandemente para o desenvolvimento de Barbados como um grande produtor de açúcar, fazendo com que a ilha se tornasse num dos territorios europeus mais ricos das Índias Ocidentais. Porém, diferentemente do Suriname (Guiana holandesa), apenas umha pequena parte dos judeus portugueses de Barbados eram proprietários das plantações.  

Dado o pequeno tamanho da ilha, toda a terra disponível já estava ocupada na década de 1660. Em consequência, os Judeus fixaram-se em Bridgetown, a capital da colónia, como mercadores e umha parcela formou umha outra comunidade na vila de Speightstown. Em 1680 os Judeus constituam os 13,3% da populaçom de Bridgetown.

Em 1654 constituiu-se em Bridgetown umha comunidade religiosa, sendo levantada a sinagoga sefardita de Nidhei Israel (Os Dispersos de Israel). Entre os seus rabinos  (1774-77) destaca Rafael Hayyin Isaque Carregal, originário de Hebrom (Palestina).
Esnoga de Bridgetown (Barbados). Wikipédia
Enquanto o governo britânico considerava os Judeus acaídos para o comércio e os negócios, promovendo, de facto, os assentamentos hebraicos, os mercadores britânicos lá fixados nom gostavam dos Judeus, aos que acusavam de comércio ilegal e de preferir os mercadores holandeses em vez dos britânicos.

Em 1661, três comerciantes judeus em Barbados conseguiram travar rotas comerciais com o Suriname (entom colónia britânica e onde tinham redes pessoais). A partir desta empresa os judeus ganharam muita riqueza, mas criou mais irritaçom entre muitos comerciantes britânicos. 

Como no caso da Jamaica, entre os piratas judeus destaca Yacoob Mashaj e a sua esposa Deborah, casal que nos Barbados faziam parte dum grupo de portugueses que mostrava o seu orgulho envolvendo-se em ataques contra os espanhóis. Os seus túmulos no cemitério judaico de Bridgetown ostentam simbolos de piratas.


Logo depois de a colónia britânica do Suriname passar para o domínio holandês em 1667, muitos Judeus deslocaram-se para Barbados a fim de conservar a cidadania britânica. Barbados foi o primeiro território britânico em os Judeus obtiveram igualdade de direitos.

A teor dos atritos entre colonos britânicos e Judeus, em outubro de 1668 os hebreus de Barbados foram proibidos de se envolver no comércio a retalho estrangeiro ou local. Também se proibiu que comprassem escravos e foram forçados a viver num gueto. Todas as leis discriminatórias seriam removidas polo governo colonial de Barbados em 1802.

A comunidade sefardita de origem portuguesa de Barbados esmoreceu grandemente durante todo o século XIX até desaparecer de vez em 1929, altura em que abandonou a ilha o último dos descendentes dos judeus vindos do Pernambuco. Em consequência, a sinagoga da comunidade esmoreceu polo desuso produzido por umha emigraçom maciça para os EUA. 

A presença judaica retomar-se-ia depois da Segunda Guerra mundial com a chegada de 30 famílias de refugiados Judeus asquenazitas vindos da Europa do Leste.

Em 1987, a esnoga de Nidhei Israel foi reedificada num novo local e foi restaurado o velho cemitério judaico de Bridgetown. O antigo edifício do templo Nidhe Israel, considerada umha das sinagogas mais antigas do hermisfério ocidental, é hoje utilizado como biblioteca e museu. O museu exibe um banho ritual (mikveh) do século XVII, descoberto em 2008 durante as obras de construçom dum parque de estacionamento.

O cemitério judaico de Barbados, considerado o cemitério mais antigo do hemisfério ocidental, possui túmulos dos anos 1660 e incluem alguns indivíduos proeminentes, como Samuel Hart, filho de Moisés Hart, e Moisés Neemias (o primeiro judeu a viver na Virginia, EUA).

Umha análise da lista telefônica de Barbados permite testemunhar ainda hoje a presença portuguesa nos apelidos das pessoas descendentes dos judeus sefarditas de origem portuguesa vindos do Pernambuco.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

JUDEUS PORTUGUESES NAS GUIANAS

A regiom denominada das Guianas, "terra de muitas águas" em língua aruaque, estende-se da foz do rio Amazonas à do rio Orinoco. Também conhecida como Costa Selvagem, esta regiom da América do Sul está formada pola atual Guiana (ex-colónia inglesa), por Suriname (ex-Guiana Holandesa) e pola Guiana Francesa, sendo que apenas esta última permanece como umha colónia. As demais ficaram independentes ao longo do século XX. 


A regiom faz parte do continente sul-americano, todavia, as barreiras geográficas, políticas e culturais entre essas colónias e o restante do continente fizeram com que essa regiom se integrasse mais à geopolítica do Caribe. 

Durante os inícios da colonizaçom desta área no século XVII, altura em que se produz a chegada dos Judeus portugueses, as potências europeias (Holanda, Inglaterra e França) disputavam o controlo destes territórios que em consequência mudaram várias vezes de mãos.


Judeus portugueses em Suriname

A primeira chegada de populaçom judaica ao territorio da antiga Guiana Holandesa (hoje Suriname) tem lugar na década de 1620 com Judeus portugueses oriundos da Holanda ou Pernambuco. Este grupo funda em 1629 a cidade de Thorarica/Torarica (de Torá Rica), que se tornaria na capital do território até 1667. Na beira ocidental do rio Suriname esta comunidade fundou várias plantações de açúcar.

Um segundo grupo de Judeus chegou da Inglaterra em 1652 sob os auspícios de Francis Lord Willoughby of Parham, entom governador geral das Índias Ocidentais, que conseguiu ocupar a área e estabelecer alguns colonatos permanentes. Segundo algumhas fontes Willoughby promoveu a chegada de Judeus para reforçar a economia das plantações de cana de açúcar e de tabaco.

Em 1659/60 as autoridades britânicas aceitam criaçom dumha vila judia autónoma em Cassipora abrangendo 5 hectares perto do rio Suriname. A ideia de criar este colonato é promovida por Paulo Jacomo Pinto, representante dos Judeus de Livorno em Amsterdão, com o objeto de albergar os Judeus sefarditas expulsos de Oran polos espanhóis. Embora se desconheça o local desta comunidade, o achado do seu cemitério (o mais antigo cemitério judaico da colónia) permite a sua localizaçom. A lápide mais antiga data de 1666 e conta com várias centenas de túmulos.

Em 1664 chega ao território um terceiro grupo de 200 Judeus portugueses após a sua expulsom de Pernambuco e de Caiena (Guiana Francesa), neste caso liderado por José Nunes de Fonseca, também conhecido de David Cohen Nassi, um abastado judeu português da cidade de Amsterdão. 

Este grupo, juntamente com os Judeus de Torarica e de Cassipora deslocaram-se para um novo assentamento nas margens do rio Suriname, cerca de 50 km a sul de Paramaribo, ao que chamaram de Jodensavanne (A Savana dos Judeus).


Jodensavanne. Desenho de 1830
Em 1665 os Judeus recebem importantes privilégios por parte do governo colonial inglês, desconhecidos nessa altura, tais como a liberdade de judaizarem publicamente e a permissom para construir umha sinagoga, a liberdade de propriedade da terra e de exercer o comércio, o direito a ter os seus próprios órgãos judiciários, um sistema educativo e o direito a contar com umha milícia própria.


Vestígios da sinagoga de Jodensavanne
Com o Tratado de Breda que pôs fim à segunda guerra anglo-holandesa em 1667, Essequibo-Pauroma e o Suriname som entregues à Holanda enquanto a cidade de Nova Amsterdão à Inglaterra. Os holandeses renovam o estatuto acordado aos colonos judeus polos ingleses. Esta política visa nom apenas reter a populaçom judaica, mas também a atrair outros Judeus. Os holandeses parecem estar satisfeitos dos serviços da populaçom judaica, tal como testemunha o governador Cornelis Van Aerssen quem refere: "Devo exprimir a imensa satisfaçom que tiro e continuo a tirar cada dia da diligência, do zelo, da solicitude e da honestidade dos membros da naçom judia [...], e desejaria poder dizer a quarta pare dos nossos cristãos".

Judensavane torna-se desde entom no centro da comunidade judaica da Costa Selvagem. Esta comunidade é por muitos aspetos totalmente inédita e excecional na história do povo judeu. A Savana dos Judeus constitui a mais importante povoaçom agrícola judaica do seu tempo e os seus habitantes usufruiram privilégios desconhecidos no resto de ocidente. Além disso, a comunidade sefardita contou com um governo autónomo (Mahamad).


Sob a infuência de Samuel Nassi, filho de David Cohen Nassi, Judensavane ganha autonomia, obtém umha representaçom no seio das instâncias da colónia e dota-se de navios que permitem desenvolver um comércio fluvial no rio Suriname, a principal artéria de comunicaçom da colónia.

Jodensavane tornou-se no pilar da Guiana holandesa. A populaçom da comunidade judaica passou de 232 pessoas em 1684 para 570 em 1694, que possuiam por volta de 40 plantações e 9.000 escravos. A comunidade continuou a florescer e nos inícios do século XVIII os Judeus possuiam 115 das 400 plantações da colónia. 

Em 1685 foi construída umha sinagoga (Beracha Ve Shalom). Mostra da riqueza alcançada pola comunidade judaica é o cemitério de Jodensavane. O cemitério tem aproximadamente 450 túmulos, muitos dos quais construídos com mármore importado da Europa ou com tijolos. As inscrições estám em português, espanhol, holandês e hebraico.

Cemitério judaico de Jodensavanne
Em 1712 piratas e franceses invadem a Guiana Holandesa, demandando pagamentos muito elevados. Os Judeus tiveram de pagar a maior parte deles em açúcar, dinheiro, perdendo usinas inteiras de açúcar e muitos escravos (96% da populaçom da colónia). Judensavane nunca se recuperou complemamente destes acontecimentos. 

No final do século XVIII Jodensavane é abandonada pola sua populaçom. Os conflitos incessantes com os negros marrons e a crise financeira que afeta à bolsa de Amsterdão arruinam a economia da plantaçom na que se alicerçava a subsistência desta comunidade. Além disso, para este desfecho contribuiu grandemente a reduçom do valor da cana de açúcar pola introduçom do açúcar de beterraba na Europa ou a recusa da banca a financiar a reconstruçom das plantações que foram queimadas polos escravos libertos. Estima-se que por volta do século XVIII e XIX dous terços dos Judeus da Guiana Holanesa viviam na pobreza.

Após o abandono de Jodensavane os Judeus sefarditas deslocaram-se para Paramaribo, principal cidade da colónia. Lá fundaram em 1735 umha sinagoga (Zedek ve Shalom), um teatro, umha sociedade literária em 1785 (Decando Docenur) e outras instituições que testemunham o grande dinamismo desta comunidade da diáspora.

Porém, os Judeus continuaram a retornar a Judensavane para celebrar as suas festas até 1832, altura em que um umha revolta de escravos e o fogo deu cabo da vila, incluindo a sinagoga de 147 anos. Em poucos anos a selva tragou os restos de Judensavane.

A partir de 1998 a Fundaçom Jodensavanne (JSF) promoveu inúmeros projetos e comandou várias expedições com o intuito de proteger e fomentar a herança de Jodensavanne e Cassipora, realizando trabalhos de manutençom e impedir que seja envolvido polo mato. Em 2009 o Governo de Suriname declarou Monumento Nacional a Jodensavanne e o Cemitério de Cassipora. Em 2011 implementou-se um projeto de conservaçom financiado polos Países Baixos a fim de restaurar a sinagoga e 13 túmulos do cemitério.



Judeus portugueses na Guiana Francesa

Em 1654 os Judeus portugueses expulsos do Pernambuco ocupam a regiom de Caiena onde introduzem o cultivo e exploraçom da cana de açúcar.

Em setembro de 1659 produz-se a chegada dum segundo grupo de Judeus portugueses vindos de Pernambuco a partir do acordo travado um ano antes entre David Cohen Nassi e a Companhia das Índias Ocidentais (CIO) para a criaçom dumha vila judaica em Remire-Montjoly ou Irmire, na parte ocidental da ilha de Caiena.


Em julho de 1660 produz-se a chegada dum outro grupo de mais de 150 Judeus sefarditas de Livorno (Itália). A permissom da fixaçom deste grupo e possível a partir das negociações estabelecidas entre Paulo Jacomo Pinto com as autoridades holandesas em Amsterdão.

Nesse território os Judeus tinham liberdade religiosa e podiam aceder à propriedade da terra e, destarte, desenvolver as suas próprias plantações de cana de açúcar, atividade que conheciam a partir da sua experiência em Pernambuco.

De viagem em Caiena, em 1661 o capitão Languillet encontra entre 15 e 20 famílias judias à cabeça de plantações que cultivam a cana de açúcar e o tabaco, plantam o uruco e a erva anil, bem como entre 30-40 cristãos europeus e 120 escravos. A comunidade judaica chegou mesmo a fundar umha sinagoga.

Porém, em fevereiro de 1664 produz-se umha mudança da sua situaçom quando umha frota de cinco navios franceses aporta no território com 1.200 colonos a bordo. Os franceses apossam-se facilmente do território, já que os holandeses se rendem sem combater. Apesar de os Judeus terem recebido a garantia do livre exercício da sua religiom (facto excecional e incomum nas colónias francesas), os dous terços dos Judeus de Remire-Montjoly, isto é, por volta de 300 pessoas, partem rumo para Suriname, nessa altura em mãos dos ingleses. O resto de Judeus partiram ao longo das décadas seguintes.

Em 1667 o resto da comunidade judaica foi capturada polas forças de ocupaçom britânicas e deportada para o Suriname ou Barbados para trabalhar na produçom de cana de açúcar. Assim sendo, nas pesquisas realizadas nos cadastros do Suriname encontram-se muitas famílias hebraicas vindas da Guiana, entre os quais os Nassi.


Judeus portugueses na Guiana

Os primeiros assentamentos judaicos na Guiana tiveram lugar em 1613 durante o período de ocupaçom holandesa do território.

Em 1657, um acordo entre Paulo Jacomo Pinto (em representaçom dos Judeus portugueses de Livorno/Leghorn) e Filipe de Fuentes (em nome dos refugiados judeus do Pernambuco e das cidades holandesas de Middleburgh, Flushing e Vere), permitiu a fixaçom dumha comunidade de judeus sefarditas na colónia chamada de Nova Zeelandia ou Essequibo, na altura dependente da CIO. Aos Judeus vindos de Amsterdão e de Leghorn (Livorno) sumou-se posteriormente um outro grupo de Judeus de Hamburgo e Salé (Marrocos). 

Entre 50 e 60 famílias judias estabeleceram-se na vila de New Middleburg, à beira do rio Pauroma, especializando-se nas plantações de cana sacarina e vaunilha.

Porém, em 1660 um ataque inglês deu cabo do assentamento fazendo com que os Judeus se espalhassem polo Caribe, mormente refugiando-se em Curaçao.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

OS JUDEUS PORTUGUESES DE CURAÇÃO

A chegada dos Judeus portugueses a Curação, ilha pertencente ao conjunto das Antilhas Holandesas situada perto da costa venezuelana, tem lugar no primeiro terço do século XVII, altura em que se produz a expansom colonial da Holanda na América através da Companhia das Índias Ocidentais (CIO).
Curação nos fins do sec. XVII. Wikipedia
Em 1634 é que a CIO, comandada por Johan van Walbeeck para a conquista da ilha aos espanhóis, traz consigo, como intérprete, o judeu português Samuel Cohen (ou Coheno). Samuel Cohen nasceu em Portugal, onde viveu como cristão-novo até a sua fugida para Amsterdão. Em 1630 participou na conquista holandesa de Pernambuco. Ele permaneceu em Curação por cerca de oito anos. Morreu em Angola em 1642 ao serviço da CIO contra a retomada desse entreposto colonial polos portugueses. Embora Samuel Cohen nom chegou a fundar umha congregaçom judaica, parece que durante a sua estada na ilha animou a chegada de mais judeus portugueses de Amsterdão. 

Em 1651 produz-se a chegada dum primeiro grupo Judeus portugueses a estabelecerem oficialmente um assentamento em Curação. O grupo, formado por dez famílias sefarditas de origem portuguesa de Amsterdão, estava comandado por  João d'Yllan e recebera umha carta da CIO para estabelecer lá um colonato agrícola. 

Em 1652 chega um outro grupo de Judeus portugueses holandeses chefiados por David Cohen Nassi após receber a autorizaçom da CIO para que estes colonos cultivassem a terra, reijeitando, todavia, a liberdade religiosa plena bem como a autorizaçom para exercer o comércio. David Cohen Nassi (1612-85), era um cristão-novo português chamado José Nunes da Fonseca e Cristovão de Távora que viveu em Pernambuco antes de se tornar um experiente colonizador ao serviço dos holandeses.

Em 1659/60 Isaac da Costa, judeu português de Amsterdão e parente de Uriel da Costa que estivera no Pernambuco, liderou um outro grupo de 70 Judeus portugueses da capital holandesa. Este grupo trouxe consigo um rolo da Torá da Esnoga de Amsterdão, que é usado ainda hoje na esnoga de Curaçao. 

Na década de 1660 forma-se umha congregaçom religiosa e que ainda existe na atualidade, o que a torna na mais antiga congregaçom judaica de existência continuada e interrupta no Ocidente.

Embora os colonos originalmente tentaram trabalhar na agricultura, os seus esforços frustraram-se pola aridez do solo. Em consequência, os Judeus concentraram-se na cidade murada de Willemstad por volta de 1660 e, aproveitando as suas ligações familiares, abriram lá lojas a partir das quais estabeleceram umha rede de troca comercial entre a Europa e a América do Sul.

A comunidade sefardita portuguesa nom tardou a crescer e em 1674 fundaram umha sinagoga de madeira em Willemstad sob o nome de Snoa (esnoga) de Mikve Israel. O nome escolhido está muito ligado ao nome dado à sua primeira plantaçom "De Hoop" (A Esperança). 

Em 1685 Curaçao serve de território de refúgio após a expulsom dos judeus das colónias francesas de Martinica e da Guadalupe. Entre eles chega Benjamim da Costa de Andrade, judeu nado em Portugal em 1651 que trouxe consigo os conhecimentos do cultivo do cacau e da preparaçom de bebidas. Ele chamava de "chocolate" os derivados comercializados sob forma de pílulas médicas.

A partir de 1693 Curaçao torna-se no centro mundial do comércio do cacau. Nessa altura, num período de trégua entre a Holanda e Espanha, as autoridades coloniais de Venezuela aceitam a fixaçom de judeus de Curação no porto de Tucacas e que efetuem compras importantes de cacau aos Ameríndios do interior.

A partir do enclave de Tucacas os neerlandeses obtinham quantidades consideráveis de cacau e de tabaco, produtos que eram exportados polos Judeus para Amsterdão. Os hebreus também participavam no comércio entre Curaçao e outras partes da América importando têxteis da Holanda, tecidos de linho da Alemanha, vinho da Madeira e de Bordéus, canela e pimenta das Índias Orientais. Os Judeus sefarditas utilizaram os seus conhecimentos de português e de espanhol para comercializar, legal ou ilegalmente, com as colónias espanholas vizinhas. 

A situaçom manteve-se até 1720, altura em que as autoridades coloniais espanholas, sob pressom da igreja católica, decidem varrer os Judeus de Tucacas. Numha ofensiva apossam-se da cidade provocando um êxodo dos Judeus para Curaçao depois de eles próprios destruir as suas casas.

Em 1722 os Judeus portugueses som tolerados, permitindo-se a sua estada em Tucacas apenas nas duas feiras comerciais, participando na colheita nos vales do cacau, sendo acolhidos nas quintas polos populares. Para travar o tráfico de cacau organizado polos mercadores judeus de Curaçao através do porto de Tucacas, em 1728 Espanha cria a Companhia Real Guipuscoana, à que confere o monopólio das importações e exportações, do desenvolvimento, a exploraçom das matérias primas na colónia de Venezuela. Entre 1730-33 os judeus portugueses apoiaram a Revolta de Andresote, um antigo escravo, que conseguiu a adesom de pequenos camponeses brancos, Indígenas e Negros no vale do rio Yaracuy para organizar um contrabando com os navios holandeses. Depois de várias vitórias, a revolta é derrotada em 1733, encontrando Andresote refúgio em Curaçao. 


A comunicade judaica cresceu e em 1703 a sinagoga inicial foi substituida por um templo muito maior, no mesmo local onde a Snoa está hoje. Esta nova sinagoga rapidamente se tornou pequena para abrigar a florescente comunidade, sendo inaugurada umha nova em 1732. Em 1864, os membros da congregaçom Mikve Israel construiram o magnífico Templo Emanuel que abriga a Congregaçom Unida de Mikve Israel-Emanuel. 

Sinagoga Mikvé Israel-Emanuel de Curaçao. Wikipédia
Em 1659, com a chegada do segundo grupo de colonos judeus, consagrou-se o cemitério judaico de Beth Haim, repleto de inscrições em língua portuguesa. A lápide mais antiga data de 1668, tornando-se um dos primeiros cemitérios no Novo Mundo. Para além do português, as inscrições deste cemitério, que contém 2.500 sepulturas, estám redigidas em hebraico, espanhol, inglês, holandês, francês, bem como um em iídiche. Pola sua antiguidade, arte e património histórico trata-se dum monumento extraordinário.

Doravante, os judeus de Curaçao floresceram em atividades como o comércio, transporte, e banca, deixando a sua pegada em praticamente todas as facetas da vida na ilha. Os Judeus chegaram a desenvolver várias empresas multinacionais, proporcionando umha combinaçom de serviços comerciais, marítimos, industriais e financeiros a nível internacional. A partir dessas empresas comerciais iniciais fundaram-se três instituições bancárias comerciais. Hoje, as empresas e lojas comerciais judaicas continuam a ser precursores na economia da ilha, embora o número de entidades comerciais judaicas tenha diminuído ao longo dos anos.

Em meados do século XVIII os Judeus constituiam metade da populaçom branca da ilha. Até 1869 todas as cerimónias judaicas eram inteiramente dirigidas em português. De facto, a língua nacional falada polos indígenas, o papiamento, é um crioulo com umha forte influência portuguesa e que incorpora empréstimos do hebraico.

No início do século XIX os Judeus de Curaçao desenvolveram um papel fulcral na luta do libertador Simon Bolivar pola independência das colónias de Venezuela e Colômbia contra o Reino de Espanha. Assim sendo, em 1812, o Libertador e a familia dele receberam asilo e suporte económico das lideranças da comunidade judaica de Curaçao. O seu primeiro refúgio foi a casa dos irmãos Ricardo e Abraão Mesa. Também era amigo de Mordechai Ricardo, um comerciante judeu, em cuja biblioteca Bolívar passou dias inteiros consultando livros e documentos até escrever o Manifesto de Cartagena. Há mesmo referências a Judeus como Juan Bartolomé de Sola, Benjamim Henriques e Samuel Henriques, que se alistaram no Exército Patriota e lutaram ao lado de Bolívar.

Como agradecimento polas boas relações mantidas com os Judeus de Curaçao,  a Venezuela Livre concedeu o direito de fixaçom de Judeus nas costas do Caribe, especialmente em Coro. Essa cidade recebeu em 1821 o primeiro grupo de Judeus a entrar oficialmente na Venezuela independente. Em 1830, a comunidade judaica de Coro era composta de 19 famílias que, vindas de Curaçao, formaram a primeira comunidade judaica na América Latina libertada.

Em 1832 Joseph Curiel, um outro amigo e colaborador de Bolívar, constrói o Cemitério Judaico de Coro, que se iria tornar no cemitério judaico mais antigo da América ainda em atividade (a última lápide data do início da década de 1990), sendo declarado Monumento Nacional em 2004. Na atualidade o cemitério é aberto diariamente para visitaçom. 
Entrada do cemitério judaico de Coro. Wikipédia
Em 1852 David Abraham Senior, próspero comerciante da cidade vindo de Curaçao, funda na sua casa a primeira sinagoga da Venezuela, que funcionou até a década de 1880. Em 1986 o prédio da Sinagoga de Coro foi adquirido polo governo venezuelano, e desde 1997 funciona nele a Casa de Oraçom Hebraica dentro do Museu de Arte Alberto Henriques.

Porém, em 1855, no quadro dumha crise económica, produz-se um surto de violento antissemitismo. A cidadania, que culpabilizava os judeus pola crise, expulsou toda a populaçom hebraica (168 pessoas), que se refugiou em Curaçao. Trata-se da primeira vez em que um grupo de Judeus som expulsos dum território na América. Após um acordo, em 1858 permitiu-se o retorno dos judeus exilados, regressando um número inferior aos que partiram. Em 1902 houve umha recidiva do surto antissemita em Coro, dando cabo da comunidade judaica dessa cidade que deveu refugiar-se novamente em Curaçao. Apenas ficaram uns poucos para proteger as propiedades dos exilados.


Mais tarde, durante a Segunda Guerra mundial, desempenhou um papel marcante George MaduroComo oficial na reserva do exército holandês, Maduro lutou heroicamente na Holanda. Após à capitulaçom holandesa, ele aderiu à resistência, ajudando os pilotos aliados derrubados para escapar via Espanha. Ele foi finalmente preso pelos alemães e morreu em fevereiro de 1945 no campo de concentraçom de Dachau. Em Haia o parque de Madurodam foi construído na sua memória.

Porém, a influência dos Judeus sefarditas de Curação em Venezuela perdura até hoje. Nas últimas eleições presidenciais venezuelanas enfrentaram-se dous candidatos com apelidos de origem hebraica ligada a Curaçao: Nicolás Maduro Moros e Henrique Capriles Radonski. Enquanto a chegada a Venezuela do apelido Maduro se produziu em 1824 com Judeus vindos de Curação, a chegada do apelido Capriles remonta-se a meados de 1800.

Na atualidade a comunidade judaica de Curação mal alcança as 350 pessoas.