Mostrar mensagens com a etiqueta CONCEÇOM MATERIALISTA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CONCEÇOM MATERIALISTA. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

CAPÍTULO 6: AS TENDÊNCIAS CONTRADITÓRIAS DO PROBLEMA JUDEU NA ÉPOCA DO CRESCIMENTO DO CAPITALISMO

Abraham Leon


A Revoluçom Francesa contribuiu para completar os resultados do desenvolvimento económico e social do judaísmo na Europa Ocidental. O desenvolvimento do capitalismo industrial vai acelerar a penetraçom de judeus nas fileiras da burguesia e a sua assimilaçom cultural. Em toda parte, a marcha triunfal do exército de Napoleom foi o sinal para a emancipaçom judaica. A política de Napoleom reflete a vontade da sociedade burguesa para assimilar os judeus completamente. Mas nas regiões ainda dominadas pelo sistema feudal, consideráveis dificuldades surgiram no caminho da emancipaçom. Assim, ao contrário dos judeus de Bordeus, completamente integrados na classe burguesa, os judeus da Alsácia nom eram muito diferentes dos seus antepassados da Idade Média. As revoltas camponesas contra a usura judaica forçaram Napoleom a promulgar leis especiais contra os judeus da Alsácia. As normas jurídicas burguesas mostraram-se inaplicáveis a um estado feudal da sociedade. Aconteceu o mesmo na Polónia, onde a igualdade formal de todos os cidadãos perante a lei, introduzida por Napoleom, nom era aplicável aos judeus "por um período de dez anos" - dizia-se para salvar a face. É necessário acrescentar que a grande maioria dos judeus poloneses, liderados por uns rabinos fanáticos, opunha-se à emancipaçom. Exceto por uma pequena camada de burgueses ricos, os judeus poloneses nom sentiam a necessidade de igualdade cívica.

Mas, em geral, desde o início do século XIX, o judaismo Ocidental entra no caminho da assimilaçom completa. Já no século XVIII, no espaço de trinta anos, a metade dos judeus de Berlim convertem-se ao cristianismo. Aqueles que permaneceram fiéis à religiom judaica resistiam-se vigorosamente para formar uma naçom separada.

"Sem país, sem Estado, sem língua, nom há naçom e é por isso que o judaísmo há muito tempo que deixou de ser uma naçom" (1)

dizia Reisser, um representante dos judeus alemães na primeira metade do século XIX.

"Nós somos alemães, apenas alemães no que respeita à nacionalidade”.

escreveu mais tarde, em 1879, um professor judeu de Berlim.

Enquanto a Europa Ocidental favorecia a assimilaçom, o capitalismo desenraizava os judeus da sua posiçom económica na antiga Europa Oriental, causando assim o influxo de judeus para o Ocidente.

Continuamente, vagas de judeus orientais deslocavam-se para o oeste, dando nova vida para o corpo moribundo do judaísmo. (2)

"As nossas grandes massas populares do Leste, que ainda vivem numha atmosfera de tradições judaicas, constituem um obstáculo para o fim do judaísmo ocidental. " "O judaísmo do Ocidente é mais do que um reflexo do judaismo oriental. "

Basta lembrar que em Viena, no início do século XIX, havia apenas algumas centenas de judeus e no século XX o seu número chegou a 176.000 para compreender a importância da imigraçom judeus da Europa Oriental. (3)

A emigraçom maciça de judeus na Europa Ocidental e especialmente na América foi paralela com uma transformaçom completa da estrutura territorial do judaísmo. Sabemos que o desenvolvimento do capitalismo foi acompanhado por uma tremenda expansom das áreas urbanas. Por meados do século XIX, os grandes centros da vida comercial e industrial tornaram-se um poderoso ímã para os judeus.

A concentraçom de massas de judeus em grandes cidades, ficou evidente tanto nos países de imigraçom como nas regiões donde os judeus vieram. Os judeus deixaram em massa as pequenas cidades que foram os centros da sua vida económica durante séculos e reuniram-se, quer nas cidades industriais e comerciais da Polónia e da Rússia, quer nas grandes cidades do mundo ocidental como Viena, Londres, Berlim, Paris e Nova Iorque.

"Até meados do século XIX, a maioria dos judeus estavam concentrados na Europa Oriental e em consequência da falta de meios de comunicaçom, as pequenas cidades continuam a oferecer grandes benefícios para os concessionários. Durante este período, os judeus viveram principalmente pequenas cidades (e vilas)... De acordo com um estudo estatístico na segunda metade do século XVIII, as províncias polacas de Kiev, Volínia e Podólia, havia, em média, em cada aldeia, sete habitantes judeus, isto é, uma família. Havia inúmeras pequenas aldeias poucas cidades. Na Galícia oriental 27% da populaçom judaica viviam em aldeias e na Galiza ocidental, até 43% ... Condições semelhantes prevaleceram nalguns estados alemães, Hessen e Baden, por exemplo. " (4)

Esta situaçom experimenta uma mudança decisiva no século XIX. Massas consideráveis de judeus concentram-se nos centros urbanos do universo.

Na Rússia, entre 1847 e 1926 a populaçom judaica em comunidades com mais de 10.000 almas, aumentou oito vezes. Em 1847, havia apenas três comunidades judaicas com mais de 10.000 pessoas em todo o Império Russo. Em 1897 já havia 28 e em 1926 eram 38 (no antigo território da Santa Rússia).

A porcentagem de judeus russos que vivem nessas grandes comunidades era:
1847: 5%
1897: 28,2%
1926: 50,2%

Eis os números para a Alemanha:
1850: 6%
1880: 32%
1900: 61,3%

Mais de três quartas partes dos judeus americanso vivem atualmente em comunidades de mais de 10.000 pessoas. As formidáveis aglomerações judaicas de Nova Iorque (2 milhões), Varsóvia (300.000-500.000), Paris, Londres,... testemunham o facto de os judeus se terem convertido no povo “mais gram-urbano do mundo” a concentraçom das massas judaicas nas grandes cidades constitui, com certeza, um dos fenómenos mais importantes da vida judaica na época do capitalismo moderno.

Examinemos a diferença que apresentava a emigraçom judaica até 1880 e o êxodo posterior a esta data. Até 1880 os Estados habitados polos judeus ainda ofereciam grandes possibilidades de penetraçom na econmia capitalista; a emigraçom foi sobretodo interior. Após este período os acontecimentos precipitam-se: a economia feudal é destruída a grandes golpes de maça e com ela desaparecem os ramos artesanais do capitalismo onde os judeus estavam amplamente representados. Os judeus começam a abandonar em grande massa os seus países de origem.

Entre 1800 e 1880 o número de judeus nos Estados Unidos, principal destino dos judeus emigrantes, passa de alguns milhares a 230.000, o que indica umha média de imigraçom anual de cerca de 2000 pessoas. Entre 1881 e 1899, a média anual atinge 30.000 e entre 1900 e 1914,100.000. Se se acrescenta a isto a emigraçom para os países de alta-mar (Canadá, Ingalterra, África do Sul, Palestina,...) e a emigraçom para a Europa Ocidental, a emigraçom total judaica vinda da Europa Oriental, de 1800 a 1880, talvez avaliada em cerca de 250.000 pessoas, isto é, uma média anual de 3.000; a um milhom para o período 1881-1899, isto é, uma média anual de 50.000; e a dous milhões para o período 1900-1914, isto é, 135.000 por ano. Estas cifras colocam os judeus do Leste no primeiro rango entre os povos emigrantes. A meados do período 1881-1914, o seu número na Rússia, Galícia e Roménia era de 6 milhões e médio; comparado a esta cifra, a dos emigrantes equival a quase o 50%. As cifras correspondentes para os italianos, que constituem a emigraçom mais numerosa na Europa, resulta do 15% após deduzir os emigrantes retornados.

Estes forom numerosos entre os italianos mas raros entre os judeus. (5)

Esta grande emigraçom foi favorecida pola natalidade elevada dos judeus. O seu número no mundo elevava-se a:
Em 1825: 3.281.000
Em 1850: 4.764.500
Em 1880: 7.663.000
Em 1900: 10.602.500

Entre 1825 e 1925 o número de judeus quintuplicou-se; superando em 1,5 o crescimento da populaçom europeia.

“O número de judeus deve superar os 18 milhões na atualidade. É importante sublinhar que, apesar as importantes cifras de emigraçom, nom só o número de judeus na Eruopa oriental nom decresceu, mas tem aumentado grandemente”.
“O judaismo da Europa oriental tem enviado para o estrangeiro, no decurso dos últimos trinta anos, perto de 4 milhões de pessoas, e no entanto nom apenas o número dos judues da Europa oriental nom tem diminuido, ms mesmo aumentou em grande medida; passando de 6 a 8 milhões”.(6)

A emigraçom tem contribuido para a diferenciaçom social do judaismo, processo que experimentou um grande progresso durante o século XIX.

Pelo menos 90% dos judeus eram intermediários e comerciantes ao começo da era do capitalismo. No século XX pode-se considerar que na América existem ao redor de 2,5 milhões de trabalhadores judeus, que som perto de 40% de todos os judeus economicamente ativos. (7)

Eis qual era a repartiçom professional do conjunto os judeus em 1932:


O número de operários judeus, relativamente pouco elevado nos países atrasados como na Polónia, onde se situa em cerca de 25% da populaçom ativa, atinge 46% na América. A estrutura profissional da classe operária judaica difere ainda muito do proletariado doutros povos. Assim os empregados formam 30-36% de todos os assalariados judeus, isto é, uma proporçom de 3-4 vezes mais elevada que noutras nações. Os operários agrícolas, que quase faltam nos judeus, formam 15-25% dos operários nom judeus. 60-70% som operários nas fábricas. Enfim, enquanto os operários judeus estám empregados sobretodo nos ramos dos bens de consumo, os operários nom judeus destes ramos apenas formam uma pequena percentagem do proletariado.

As estatísticas comparadas da repartiçom profissional dos operários judeus e “ários” permetem analisar melhor este fenómeno: (8)

Nalguns países europeus:


Na Polónia:


Estas estatísticas mostram claramente que, contrariamente aos trabalhadores “nom judeus” concentardos sobretodo na indústria pesada, os operários judeus emprega-se sobretodo no artesanato. Os judeus som relativamente cinco vezes mais numerosos que os operários nom judeus na indústria do vestuário enquanto que na metalúrgia, a indústria têxtil e da construçom, os operários nom judeus são duas ou três vezes masi numersos que os operários judeus.

Mas se a estrutura profissional das classes operárias judia e nom judia difere ainda mais, a miséria arrasta cada vez mais os trabalhadores judeus, apesar de todos os atrancos, nas profissões que lhe eram inacessíveis até o presente.

Há algumas décadas, à questom de um jornalista a respeito da boicotagem dos operários judeus nas suas fábricas, um grande empresário de Lodz respondeu: “Eu nom quero ter dous mil associados à minha empresa”. Mas antes desta guerra, 15% dos operários judeus acham-se perante as máquinas.

O judaismo sofreu portanto uma transformaçom muito importante na época capitalista. O povo-classe diferenciou-se socialmente. Mas este processo de alcance considerável acompanha-se dumha multidom de tendências contraditórias que ainda nom permitiram a cristalizaçom de uma forma estável do judaismo na nossa época. É muito mais fácil dizer o que foi o judaismo do que definir o que é.

Com efeito, é duma forma diametralmente oposta que evoluiu a questom judaica polo desenvolvimento capitalista. Por uma parte, o capitalismo favoreceu a assimilaçom económica, e por consequência a assimilaçom cultural. Por outra parte, desenraizando as massas judaicas, concentrando-as nas cidades, provocando o desenvolvimento do anti-semitismo, estimulou-se o desenvolvimento do nacionalismo judaico. O “nascimento da naçom judaica”, a formaçom da cultura judaica moderna, a elaboraçom da língua iídiche, o sionismo, acompanham o processo de emigraçom e de concentraçom das massas judaicas nas cidades e acompanham o desenvolvimento do anti-semitismo moderno. Em todas as partes do mundo, em todos os caminhos do exilo, as massas judaicas concentram-se em bairros especiais, criam os seus centros de cultura próprios, os seus jornais, as súas escolas de iídiche. É naturalmente nos países de maior concentraçom judaica, na Rússia, na Polónia, nos Estados Unidos, que o movimento nacional tomou maior força. Mas o desenvolvimento da história é dialético. Ao mesmo tempo que se elaboravam os alicerces dumha nova nacionalidade judaica, criaram-se também todas as condições da sua desapariçom. Enquanto as primeiras gerações judaicas nos países de imigraçom permanecerom firmemente ligadas ao judaismo, as novas gerações perdem muito rapidamente os seus constumes e a sua língua particular.

“Entre os imigrantes vindos da Europa oriental e ocidental, a América,... o iídiche ainda é falado, pelo menos pela primeira geraçom, embora muitas palavras inglessas tenham penetrado, de maneira que está a se distanciar do iídiche polaco ou lituano. A segunda geraçom fala, à vez iídiche e a língua indígena, a terceira já desconhece o iídiche,... A imprensa iídiche desenvolveu-se muito nos EUA durante os últimos cinquenta anos em consequência da chegada de dous milhões de judeus da europa oriental que nom sabiam o inglês... Mas desde alguns anos, o sucesso da imprensa iídiche tem recuado, a imigraçom parou e a nova geraçom americaniza-se rapidamente”.(9)

A percentagem de utentes do iídiche entre a judaria passou de 60,6% em 1920 para 42,7% em 1930 segundo as estatísticas oficiais.

Ao mesmo tempo que se perde o uso do iídiche, assiste-se a um crescimento considerável dos casamentos mistos. Quanto mais desenvolvido for um país, mais frequentes som os casamentos mistos.

Na Boémia, 44,7% dos casamentos, nos que pelo menos um par era judeu, eram mistos. Por outro lado, os casamentos mistos na Rússia subcarpática ou na Eslováquia era insignificante. (10)

Percentagem de casamentos mistos entre judeus e nom judeus dos casamentos puramente judeus:


Também se regista um aumento das apostasias. Destarte, em Viena, a média de apóstatas judaicos passou de 0,4 por mil em 1870 para 4,7 por mil em 1921-22. porém, o enfraquecimento geral da religiom resta a este índice muita da sua importância.

Vê-se portanto a precariedade das bases da “renascença nacional” do judaismo. A emigraçom, antes de mais atranco poderoso à assimilaçom e fator de “nacionalizaçom” dos judeus, converte-se rapidamente em instrumento de fusom dos judeus com outros povos. A concentraçom das massas judaicas nas grandes cidades, torna-se assim umha classe de “base territorial” para a nacionalidade judaica, nom pode impedir durante muito tempo o processo de assimilaçom. A atmosfera dos grandes centros urbanos constitui um cadinho ardente onde se dissolvem todas as diferenças nacionais.

Se o capitalismo criou antes de mais as condições de umha certa “renascença nacional” judaica, desenraizando a milhões de judeus, afastando-os das suas condições de vida tradicionais e concentrando-os nas grandes cidades, contribui para acelerar o processo de assimilaçom. O desenvolvimento do iídiche, por exemplo, está seguido do seu rápido declínio. O desenvolvimento capitalista, embora às vezes por vias inesperadas, conduz à fusom dos judeus entre outros povos. Mas a começar o século XX mostram-se sinais evidentes da degeneraçom capitalista. A questom judaica, que parece evoluir normalmente no século XIX, toma novo desenvolvimento com uma gravidade inaudita em consequência da decadência do capitalismo. A soluçom da questom judaica parece estar hoje mais longe que nunca.

NOTAS
(1) S. M. Dubnow, Die neueste Geschichte des jüdischen Volkes, Berlim, 1920-23, II, p. 35 e seg.
(2) “O afluxo de judeus orientais na Europa oriental parou e provavelmente salvou os judeus ocidentais dumha completa desapariçom que era inevitável”. Lesczinski, O povo judeu no decurso dos últimos anos.
“Sem a imigraçom da Europa oriental, as pequenas comunidades judaicas da Inglaterra, da França, da Bélgica teriam provavelmente perdido gradualmente o seu carácter israelita. Ao igual na Alemanha...” Ruppin, op. Cit., p. 68
(3) J. Klatzkin, Probleme des modernen Judentum, 1930, p. 51
(4) Ruppin, op. cit., p. 38-40
(5) Ruppin, op. cit., p. 52
(6) Di Yiddische Ekonomik (Wilno), janeiro-fevereiro 1938
(7) O percentual dos empregados e operários eram: na Inglaterra de 77% (1923), nos EUA de 75% (1920), na Bélgica de 73% (1910), na Alemanha de 62% (1907), na França de 48% (1906), na Polónia de 24,8% (1921), na Rússia de 15% (1925).
(8) Yiddische Ekonomik, agosto 1938
(9) Ruppin, op. cit., p. 280, 338
(10) Yiddische Ekonomik, abril-junho 1939
(11) Ruppin, op. cit. – Os valores dados por Ruppin, op. cit., p 310, sobre os casamentos mistos som muito diferentes (nota dos editores).

CAPÍTULO 4: OS JUDEUS NA EUROPA OCIDENTAL E ORIENTAL

Abraham Leon


A) Os judeus na Europa Ocidental após a Renascença. A tese de Sombart

A descoberta do novo mundo e o enorme fluxo de comércio que se seguiram, fez soar o dobre de finados do antigo mundo feudal corporativo. A economia de mercado chegou a um estágio superior, quebrando os resíduos de períodos anteriores e prepara, pelo desenvolvimento das manufaturas e da indústria rural, as bases do capitalismo industrial. O lugar dos velhos centros da indústria corporativa e do comércio medieval caiu em decadência e foi tomado por Antuérpia, que se tornou por um tempo no centro comercial do mundo.

Em toda parte, embora em momentos e em diferentes formas, o declínio da economia produtora de valores de uso foi acompanhada pelo declínio da funçom económica e social dos judeus. Uma parte importante dos judeus foi forçada a deixar o país da Europa Ocidental a buscar refúgio em países onde o capitalismo ainda nom tinha penetrado, especialmente na Europa Oriental e na Turquia. Outros som assimilados, fundindo-se na populaçom cristã. Essa assimilaçom nem sempre foi fácil. As tradições religiosas têm sobrevivido à situaçom social em que tinha sido formada. Durante séculos, a Inquisiçom lutou duramente e com barbárie contra as tradições judaicas que se mantinham nas massas convertidas.

Os judeus que se integram na classe comerciante ganharam alguma notoriedade como "cristãos novos", especialmente na América e também em Bordéus e em Antuérpia. Ainda assim, na primeira metade do século XVII, todas as grandes plantações de açúcar estavam nas mãos dos judeus no Brasil. Pelo decreto de 2 de março de 1768, todos os registos de novos cristãos som destruídos pela lei de 24 de março de 1773, os "cristãos novos" som iguais em direitos aos cristãos velhos.

Em 1730, os judeus 115 das 344 plantações do Suriname. Mas, diferentemente de períodos anteriores, a atividade dos judeus na América careciam duma particularidade económica e nom diferiram em nada das atividades dos cristãos. O comerciante “novo cristão" pouco diferia do comerciante "velho cristão". Ele era, como o judeu, dono da plantaçom. E é por isso que as distinções legais, religiosas e políticas rapidamente desapareceram.

No século XIX os judeus da América do Sul eram mais do que um punhado (1). A assimilaçom dos judeus continuou com a mesma rapidez na França e na Inglaterra. Os ricos comerciantes judeus de Bordéus, dos que se dizia que que "tomaram ruas inteiras e faziam um comércio considerável”, consideravam-se totalmente integrados à populaçom cristã.

"Aqueles que conhecem os judeus portugueses da França, Holanda, Inglaterra, sabem que, longe de ter, como diz Voltaire, um ódio invencível a todos os povos com os que vivem, pelo contrário, eles sentem-se tão identificados esses povos que se consideram como pertencendo a eles. A sua origem espanhola ou portuguesa tornou-se uma pura disciplina eclesiástica”.(2)

Os judeus assimilados do Ocidente nom reconhecem qualquer parentesco com os judeus que ainda vivem nas condições de vida feudal.

"Um judeu de Londres assemelha-se tão pouco a um judeu de Constantinopla que este a um chinês mandarim. Um judeu de Bordéus e um judeu alemão de Metz parecem duas coisas totalmente diferentes. "
"O Sr. Voltaire nom pode ignorar a delicadeza escrupulosa dos judeus portugueses e espanhóis a nom se misturar com o casamento, aliança ou de outro jeito com os judeus de outras nações. " (3)

Além dos judeus espanhóis, franceses, neerlandeses e ingleses cuja completa assimilaçom continua lenta e seguramente, ainda achamos na Europa Ocidental, principalmente na Itália e a Alemanha, judeus que vivem em guetos, principalmente desenvolvendo o papel de pequenos usurários e vendedores ambulantes. É uma lamentável relíquia da antiga classe comerciante judaica. Eles som difamados, perseguidos e sujeitos a inúmeras restrições.

Baseando-se particularmente no papel económico muito importante desempenhado pela primeira categoria de judeus Sombart apresentou a sua famosa tese sobre "os judeus e a vida económica". É assim que se resume:

"Os judeus promovem o desenvolvimento económico de países e cidades onde se estabelecem, levando ao declínio económico dos países e cidades que abandonam”.
“Eles som os fundadores do capitalismo moderno. "
"Nom haveria capitalismo moderno, nem cultura moderna sem a dispersom dos judeus nos países do Norte. "
"A marcha de Israel é comparável à do Sol, onde ela chega floresce uma nova vida. Tudo que florescia antes, apodrece nos lugares que abandonaram”. (4)

Assim, poeticamente, como Sombart apresenta sua tese. Eis as provas de apoio:
1. "O grande acontecimento mundial que ante tudo é preciso lembrar é a expulsom dos judeus de Espanha e Portugal (1492, 1495 e 1497). Nom devemos nunca esquecer que na véspera da partida de Colombo de Palos "para descobrir a América", como se diz (3 de agosto de 1492), 300.000 judeus saíram da Espanha. "
2. No século XV, os judeus foram expulsos das cidades comerciais mais importantes da Alemanha: Colónia (1424-25), Augsburgo (1439-40), Estrasburgo (1438), Erfurt (1458), Nuremberg (1448), Ulm (1499), Ratisbona (1519). No século XVI, a mesma sorte bate em muitas cidades italianas, sendo expulsos em 1492 da Sicília, em 1540-1541 de Nápoles e em 1550 de Génova e de Veneza. Aqui também o declínio das cidades coincide com a saída dos judeus.
3. O desenvolvimento económico da Holanda a finais do século XVI caracteriza-se pela ascensom do capitalismo. Os primeiros marranos portugueses estabelecem-se em Amsterdão em 1597.
4. O breve florescimento de Antuérpia como centro de comércio mundial e como bolsa mundial cai exatamente entre a chegada e a partida dos marranos.

Estas provas-chave da tese sombartienne som facilmente refutáveis.

É um absurdo:

1) Ver na partida simultânea de Crostóvão Colombo para “a descoberta da América" e a expulsom dos judeus de Espanha uma prova da decadência do país que deixaram.
"Nom só a Espanha e Portugal nom caiu em decadência no século XVI, sob Carlos V e Manuel, mas atingiu o auge da sua história. Mesmo no início do reinado de Filipe II, a Espanha é ainda a maior potência da Europa e as riquezas do México e do Peru que som transportados som incomensuráveis. " (5)

Esta primeira prova de Sombart é baseada numa mentira descarada.

1) Além disso, os dados que dispõe sobre a distribuiçom de refugiados judeus de Espanha, ajudam a demolir a sua tese. Segundo ele, cerca de 165.000 expulsos, 122.000 ou 72% migraram para a Turquia e países muçulmanos. É portanto lá que o "espírito capitalista" dos judeus teria produzido os maiores efeitos. Cabe acrescentar que, mesmo se se pode falar de um certo desenvolvimento económico do Império Turco sob Suleiman o Magnífico, o país permaneceu até tempos recentes o menos acessível ao capitalismo e que, portanto, os raios do sol mostram-se lá ... muito frios? É verdade que um número considerável de judeus (25.000) estabeleceu-se na Holanda, Hamburgo e na Inglaterra, mas podemos admitir que as mesmas causas produziram efeitos diametralmente opostos?

2) A coincidência que Sombart estabelece entre o declínio das cidades alemãs é facilmente explicada por uma inversom da relaçom causal. A ruína destas cidades nom foi provocada pelas medidas tomadas contra os judeus, ao contrário, estas medidas foram o efeito do declínio dessas cidades. Por outro lado, a prosperidade de outras cidades nom foi o resultado da imigraçom judaica, mas esta última dirige-se para as cidades prósperas.

"É óbvio que a relaçom de causa e efeito é contrária à de Sombart. " (6)

O estudo do papel económico dos judeus na Itália e na Alemanha no final do século XV e XVI confirma plenamente essa opiniom. É claro que os Montes de Piedade, os negócios dos usurários judeus eram toleráveis enquanto a situaçom económica das cidades foi relativamente boa. O agravamento da situaçom fez a carga da usura insustentável e a ira da populaçom dirige-se principalmente contra os judeus.

3) O exemplo da Holanda nom invalida, é verdade, a tese de Sombart, mas tampouco a confirma. Se se admite que a sua prosperidade foi favorecida pela chegada dos marranos, nada ainda nos permite ver nisso a causa da sua chegada. E como explicar, com base nesse critério, o declínio da Holanda no século XVIII? Parece também que exagera o papel económico dos judeus na Holanda. Sobre a Companhia das Índias Orientais Holandesa, cuja importância para a prosperidade da Holanda foi decisiva Sayous disse:
"Os judeus nom tiveram em todo o caso nenhum papel na formaçom da primeira sociedade anónima verdadeiramente moderna: a Companhia holandesa das Índias Orientais; eles apenas subscreveram 1% do seu capital e nom têm desempenhado um papel importante na sua atividade durante o ano seguinte. "

Cabe continuar? Cabe demonstrar o desenvolvimento económico da Inglaterra precisamente no período após a expulsom dos judeus?

"Se a relaçom causal estabelecida por Sombart fosse verdade, porque na Rússia e na Polónia, onde o povo meridional do deserto era numeroso, a sua influência sobre os povos do norte nom tem produzido nenhum desenvolvimento económico? .(7)

A teoría de Sombart é completamente falsa (8). Sombart afirma tratar do papel económico dos judeus, mas ele fez uma história completamente fantasiosa, organizando-a à sua maneira. Sombart apresenta uma tese sobre os judeus e a vida económica em geral, mas só trata de um período muito limitado de sua história.

Sombart construiu uma teoria sobre os judeus em geral e a vida económica, mas trata-se apenas de uma minoria de judeus ocidentais, dos judeus no processo de assimilaçom completa.

Na realidade, mesmo que o papel dos judeus ocidentais têm sido como Sombart apresenta, ele tomou em desrespeito a compreensom da questom judaica no momento presente. Sem o influxo de judeus orientais na Europa Ocidental no século XIX, os judeus ocidentais teriam-se derretido completamente há muito tempo no meio ambiente. (9)

Outra nota sobre a teoria da Sombart: se os judeus foram um benefício económico, se a sua partida causou o colapso económico de cidades e os países que eles deixaram, porque eles continuaram a ser perseguidos continuadamente no final da Idade Média? Explicam-se essas perseguições pela religiom? Mas entom, por que a posiçom dos judeus tinha sido tão forte na Europa Ocidental durante a alta Idade Média e na Europa Oriental até o século XIX? O que explica a prosperidade dos judeus durante muitos séculos nos países mais atrasados da Europa, na Polónia e na Lituânia? A poderosa proteçom concedida pelos reis? Explicar a diferença na situaçom dos judeus pela diferente intensidade do fanatismo religioso? Mas como admitir que o fanatismo religioso tivesse sido mais intenso nos países mais desenvolvidos? Como explicar que seja precisamente no século XIX quando o anti-semitismo esteja a crescer mais fortemente na Polónia?

Trata-se, portanto, de procurar as causas da diferença que existe na intensidade do fanatismo religioso. E isto leva-nos a estudar os fenómenos económicos. A religiom explica a perseguiçom anti-judaica como o sono soporífero explica os sonhos. Se os judeus tivessem realmente desempenhado o papel que Sombart lhes atribui, seria difícil entender por que o desenvolvimento do capitalismo lhes resultou tão funesto. (10)

Por conseguinte, é errado ver os judeus os fundadores do capitalismo moderno. Os judeus têm certamente contribuído para o desenvolvimento do intercâmbio económico na Europa, mas o seu papel económico específico pára justamente onde o capitalismo moderno começa.

B) Os judeus na Europa Oriental até o século XIX

No alvorecer do desenvolvimento do capitalismo industrial o judaísmo ocidental estava em vias de desaparecer. A Revoluçom Francesa, destruindo os últimos obstáculos legais que impediam a assimilaçom dos judeus, simplesmente puniu um estado de coisas existente.

Mas esta nom é certamente uma coincidência que ao mesmo tempo que a questom judaica se extinguia no Ocidente, ela recuperou-se com violência redobrada na Europa Oriental. Na altura em que se massacravam e queimavam os judeus na Europa Ocidental, muitos judeus procuraram refúgio em países onde o capitalismo ainda nom penetrara. No início do século XIX, a grande maioria dos judeus viviam na Europa Oriental, nomeadamente no antigo território da República monárquica da Polónia. Neste paraíso da schliskhta indiferente, a classe comercial judeu tinha encontrado um vasto campo de atividade. Durante muitos séculos, lá o judeu era um comerciante, usurário, lojista, ecónomo nobre, intermediário em todas as coisas. As pequenas cidades judaicas, mergulhadas num mar de aldeias camponesas e muitas vezes insreidas nos castelos dos senhores feudais polacos, representavam a eocnomia cambista no seio dumha sociedade puramente feudal. Os judeus achavam-se, como diz Marx, nos poros da sociedade polaca. Esta situaçom durou o tempo que permaneceu imutável organizaçom social e política da Polónia. No século XVIII, na sequência da turbulência política e de declínio económico, o feudalismo polaco acha-se ferido de morte. Ao mesmo tempo que ele, ficou profundamente abalada a posiçom secular dos judeus na Europa Oriental. O problema judaico, quase desaparecido do Ocidente, salta violentamente na Europa Oriental. As chamas, a ponto de se consumir aqui, tomarom uma renovada vitalidade pelo novo foco de fogo que eclodiu lá. A destruiçom da situaçom económica dos judeus na Europa Oriental irá resultar em uma emigraçom maciça de judeus no mundo. E em toda parte, embora de formas e sob aspetos diferentes, o fluxo de imigrantes judeus vindos da Europa Oriental reavivou a questom judaica. É neste aspeto que a história dos judeus na Europa Oriental foi certamente o fator decisivo da questom judaica no nosso tempo.

As relações comerciais dos judeus da Europa Oriental, Boêmia, Polónia e Ucránia, datam do período carolíngio. Os canais comerciais que os judeus estabeleceram no início da Idade Média entre a Ásia e a Europa prolongaram-se desta forma através dos campos da Polónia e das estepes da Ucrânia. Tal como os seus correligionários, os Radhanitas, os judeus orientais comercializam os produtos de valor na Ásia, especiarias e sedas em troca de produtos brutos da Europa. Eles foram o único elemento comercial numa sociedade puramente agrícola. No período carolíngio, o sistema económico da Europa é substancialmente o mesmo, o papel dos judeus orientais foi semelhante ao dos judeus da Europa Ocidental. Foi só depois que a sua história toma caminhos completamente diferentes.

Os relatórios de viagem de Ibrahim Ibn Ya'kob (965) testemunham o desenvolvimento considerável do comércio judeu na Praga do século X. Os judeus vieram do Extremo Oriente e de Bizâncio, importando diferentes especiarias de mercadorias preciosas, moedas bizantinas, e lá compram trigo, estanho e peles (11). Um documento de 1090, que retrata os judeus de Praga como comerciantes e cambistas de moedas com grandes somas de dinheiro e ouro, apresenta-os como os mais ricos comerciantes de todas as nações. Judeus comerciantes de escravos e doutros provinham do Extremo Oriente e atravessavam em caravana a fronteira, também som citados em documentos de 1124 e 1222. A taxa de juro dos banqueiros judeus de Praga, cuja atividade foi muito extensa, variou entre 108 e 180% (12). O cronista Gallus disse que em 1085, Judith, esposa do príncipe Ladislau Herman da Polónia, tentou resgatar presos cristãos de comerciantes judeus. As escavações realizadas no século passado permitiram destacar a importância económica dos judeus na época na Polónia. Foram descobertas moedas polacas com letras hebraicas que datam do século XII e XIII. Esse fato só comprova que o comércio polaco estava nas mãos dos judeus. As invasões tártaras no século XIII, certamente influenciam os judeus polacos e russos, mas já em 1327, um privilégio do rei polaco Vladislav Lokietek, trata sobre comerciantes judeus húngaros que chegam a Cracóvia. Longe de diminuir, o comércio dos judeus expansiona-se na Polónia durante os séculos posteriores.

Como na Europa Ocidental, o desenvolvimento do comércio ia associado com o desenvolvimento da usura. Novamente, a nobreza, o principal cliente dos usurários judaicos, tentou conseguir limitar a usura judaica, ao contrário dos reis que a promoviam,
"porque os judeus, enquanto escravos da fazenda, devem ter sempre dinheiro pronto para o nosso serviço”.

No Sejm de 1347, a nobreza, que pretendem limitar a taxa de juro, que atingiu 108%, chocou com a resistência determinada da monarquia.

Em 1456, o rei Casimiro Jagellon proclama que, protegendo os judeus, baseia-se no princípio da tolerância que lhe é imposta pelas leis de deus. Em 1504, o rei polaco Alexandre disse ele age com os judeus como deveria
"aos reis e os poderosos que se distinguem pela tolerância nom só a respeito dos seguidores da religiom cristã, mas também a respeito dos membros de outras religiões."

Sob estes auspícios, o negócios dos judeus só poderiam prosperar. Nos séculos XIII, XIV e XV, os usurários judeus conseguiram apossar-se de uma parte das terras pertencentes aos nobres. Em 1389 o judeu Sabetai torna-se proprietário de parte do domínio Cawilowo. Em 1390 o judeu de Cracóvia Iosman recebe como garantia os bens do Príncipe Diewiez de Pszeslawic. Em 1393 o judeu de Posen Moschko apossa-se do domínio Ponicz. Em 1397 as terras do domínio Abiejesz som penhoradas ao judeu de Poznan Abraham. Essas terras da nobreza som atribuídas aos judeus em plena propriedade. Assim, no último exemplo, o nobre que impugnara os bens transferidos a Abraão, o Tribunal confirmou o direito de posse do judeu e pune o autor com uma forte multa. Em 1404 um tribunal afirma que as três aldeias penhoradas ao judeu Schmerlin de Cracóvia som transmitidos em plena propriedade e para sempre (cum omnibus juribus utilitatibus dominium, etc., in perpetuum).

Os “banqueiros” mais importantes moravam em Cracóvia, residência dos reis. Os seus principais devedores estavam com efeito os reis, príncipes, voivodatos e arcebispos. Assim Casimiro o Grande pediu emprestado aos banqueiros judeus a enorme quantia de 15.000 marcos. O rei Luís da Hungria devia ao usurário Levko de Cracóvia 30.000 gunden numa ocasiom e 3000 Gulden noutra. O rei Ladislau Jagellon e a rainha Hedwige também lhe deviam quantias substanciais.

Levko nom era apenas um grande banqueiro, também foi um grande fazendeiro do reino. Ele alugou a Casa da Moeda e a sua cunhagem e o sal de Wieliczka e Bochinia. Ele possuía em Cracóvia casas e uma cervejaria. Como os grandes nobres, ele foi homenageado como "vir discretus”.

A usura dos grandes banqueiros judeus, como Miesko, Jordan de Poznan e Aron, que conseguiram acumular uma riqueza imensa, que se apossaram de aldeias e de terras, levantou uma onda de protestos entre a nobreza. O Estatuto da Warta (1423) limitou severamente a usura judaica. Assim, em 1432, o judeu Alexandre, a quem foram penhoradas em 1427 as aldeias de Dombrowka e Sokolov com parte de seu inventário vivo, é compelido por decisom judicial para tornar esses bens ao seu devedor já que o Estatuto de Warta proíbe o empréstimo sobre penhores imobiliários.

Os judeus e os Reis nom se resignaram facilmente a esta situaçom. Uma batalha feroz permitiu-lhes abolir o estatuto de Warta. Os banqueiros podem continuar a expandir a sua esfera de operações. Assim, em 1444, o rei penhorou ao banqueiro Schina o seu palácio de Lemberg. Este usurário também tinha entre os seus clientes o príncipe Szwidrigiella, o voivodia Chriczka que penhorara com ele a aldeia de Winik, etc.

Mas a nobreza tampouco se deu por derrotada. Ela retornou continuamente à carga e conseguiu forçar o rei a promulgar o Estatuto de Nieszawa em 1454, agravando as disposições do Estatuto de Warta. No entanto, e isto é suficiente para mostrar a diferença fundamental que existia neste domínio entre a Polónia e a Europa Ocidental, as disposições mais draconianas nom foram capazes de pôr fim à usura judaica. Desde 1455, assiste-se a uma renascença da atividade bancária, principalmente devido à imigraçom de judeus da Morávia e Silésia, assim como de outros países. Desde 1460, os atos de Cracóvia refletem uma recuperaçom tão extensa operaçom de usura que recordam os tempos de Levko e Schmerlin. O mais rico banqueiro era um Fischel que casou com a banqueira Raschka de Praga, e que forneceu fundos para o rei polonês Casimiro Jagellon, o seu filho e os futuros reis Albrecht e Alexander. Enquanto a nobreza da Europa Ocidental, com a penetraçom da economia cambista e uma abundância de dinheiro conseguiu livrar-se por toda parte da usura judaica, a persistência da economia feudal na Europa torna-a impotente neste terreno. A banca judaica sobreviveu a todas as proibições.

O atraso do país também tem dificultado o desenvolvimento que nós observamos nos países da Europa Oriental: a expulsom dos judeus de comércio e o seu confinamento na usura. A classe burguesa e as cidades começam a se desenvolver. A luta da burguesia contra os judeus ainda era embrionária e nom conduz a resultados decisivos. Aos comerciantes juntam-se os artesãos que sofrem a usura judaica. Novamente, quanto mais cedo se desenvolvia uma província, mais cedo surgiam os conflitos com os judeus. Em 1403 em Cracóvia e em 1445 em Boêmia, os artesãos provocam massacres de judeus. Mas essas lutas foram episódicas e nom conseguem eliminar o elemento judaico. Em vez disso, nos séculos XVI e XVII, a sua situaçom só se reforçou e o comércio judeu continua a florescer.

Na segunda metade do século XIV fala-se de um "consórcio" de três judeus de Lemberg, Schlomo, Czewja e Jacob, formado para o fornecimento de peles e mercadorias italianas para o conselho da cidade de Lemberg. No início do século XV, os judeus som os fornecedores da corte real. Em 1456 o starosta de Kaminiec Podolsky confiscada umas mercadorias orientais por valor de 600 marcos aos comerciantes judeus se dirigem à Polónia desde os centros comerciais do Mar Negro. Os judeus bizantinos e italianos de Capha realizavam inúmeras viagens à Polónia. O judeu Caleph Judaeus de Capha faz passar por concessom de Lemberg grandes quantidades de produtos orientais. Mesmo após a destruiçom das colónias italianas do Mar Negro (1475), os judeus continuaram a manter relações com o Oriente. Desde 1467, o judeu David de Constantinopla, supre regularmente Lemberg com mercadorias orientais. Produz-se um renascimento do comércio de escravos na Ucrânia em 1440-1450. Em 1449, os livros de justiça russos contam um fato interessante: após ter fugido um escravo pertencente ao judeu Mardoqueu de Galich, o seu proprietário exigiu o seu retorno através dos tribunais.

Os comerciantes judeus de Capha e Constantinopla apenas frequentavam as grandes feiras de Lemberg e Lublim. A elas também assistiam os judeus que estavam espalhados nas cidades e vilas da Rússia e da Polónia para comprar mercadorias orientais para as vender nas regiões donde vieram. Nas estradas que levam de Lemberg para Lublin na Pequena e Grã Polónia para a fronteira da Silésia, andavam os comerciantes judeus.

Os judeus também cruzaram esta fronteira e realizavam um forte negócio com a Boêmia e a Alemanha. Cartas de 1588 diz-nos que transprotam couro e peles de Cracóvia para Praga e que emprestam dinheiro a juros e em troca de penhores.

A feira de Lublim serviu como um ponto de encontro entre os comerciantes judeus da da Polónia e da Lituânia. Os comerciantes judeus exportam da Lituánia peles, couro, madeira, mel e compram nessa feira especiarias da Turquia e bens manufaturados da Europa Ocidental. Os livros da cidade de Danzig referem que os comerciantes judeus da Lituánia exportavam, entre 1423-1436, madeira, cera, peles, couro, etc.

A posiçom do judaria lituana era mais favorável do que a dos judeus poloneses. Até a Uniom de Lublim (Uniom da Polónia e da Lituânia), os judeus desfrutavam os mesmos direitos que a populaçom livre. Nas suas mãos acha-se o grande comércio, a banca, as alfândegas, etc. O arrecadamento de impostos e das alfândegas trouxe grande riqueza. As suas roupas brilhavam com ouro e usavam espadas como os senhores.

Os atos da chancelaria lituana indicam que no período 1463-1494, os judeus tinham alugado quase todas as estâncias aduaneiras do Grão-Ducado da Lituânia: Bielek, Bryansk, Brchiczin, Orodno, Kiev, Minsk, Novgorod e Zhitomir. Documentos do ano 1488-89 indicam alguns judeus de Trock e Kiev como exploradors das salinas do grande ducado. Ao mesmo tempo, começa a haver judeus no papel de estalajadeiros, uma profissom que, no vilarejo polonês e ucraniano, é paralelo com o comércio da usura.

O reforço da anarquia da nobreza na Polónia nom ficou sem efeito sobre a situaçom dos judeus. No século XVI a sua posiçom continua a ser muito forte, mas eles passam cada ez mais sob o controle real dos pequenos e grandes senhores feudais. O enfraquecimento do poder real torna cada vez mais ineficaz a proteçom real e os próprios judeus buscam protetores menos brilhantes, mas mais seguros. O rei Sigismundo queixou-se ao Sejm (Dieta) de 1539: A schliskhta (nobreza), do nosso reino quer monopolizar os lucros de todos os judeus que vivem em cidades, vilas e domínios. Ela exige o direito de julgá-los. A isto, respondemos:

"Se os judeus se resignaram eles próprios os privilégios para uma jurisdiçom autónoma que lhes foram concedidos pelos reis, os nossos antepassados, e que também foram confirmados por nós, eles deixam de fato a nossa defesa e nom tirando mais proveito deles, nós nom temos nenhuma razom para impor pela força a nossa bondade. "

É óbvio que se os judeus rejeitam "estas bondades” é porque a realeza já nom tinha poder real neste país dominado pela nobreza.

No século XVI a situaçom dos judeus tornou-se mais forte. Eles recuperam todos os direitos que lhes tinham tentado roubar durante o século anterior. A sua situaçom económica melhora.

O crescente poder da nobreza (a Polónia tornou-se uma monarquia eletiva em 1569) priva-os da proteçom real, mas os senhores feudais fazem tudo o possível para estimular a atividade económica. Os comerciantes, emprestadores a juros, os administradores das propriedades dos nobres, das suas casas, das suas cervejarias, som extremamente úteis para os senhores feudais que passam o seu tempo no estrangeiro, no luxo e ociosidade.

"As cidades pequenas e áreas pertencentes ao schliskhta todas tinham os seus armazéns e pousadas em mão dos judeus. Na medida em que poderia achar graça aos olhos do Senhor, os judeu moviam-se livremente. " (13)

A situaçom económica dos judeus foi muito boa, mas a sua posiçom subalterna em relaçom à nobreza minou as bases da autonomia judaica altamente desenvolvida que existia na Polónia.

"As condições gerais políticas e económicas da Polónia levou os judeus a viver como um Estado dentro do Estado, com suas instituições religiosas, administrativas e jurídicas próprias. Os judeus eram uma classe especial, gozando uma autonomia interior especial...”. (14)

Um decreto de Segismundo Augusto (agosto 1551) estabelece as seguintes bases de autonomia para os judeus da Grã-Polónia: os judeus têm o direito de escolher, depois de um acordo geral entre eles, os rabinos e juízes para os administrar. O poder coercitivo do Estado pode ser colocado à sua disposiçom.

Cada cidade ou vila judaica tinha um conselho da comunidade. Nas grandes cidades, o Conselho da Comunidade estava formado por 40 membros, 10 nas de pequeno porte. Os membros do conselho eram eleitos por um sistema de voto duplo.

A atividade deste conselho era muito extensa. Devia arrecadar os impostos, gerir as escolas, instituições, resolver as questões económicas e ocupar-se da justiça. O poder de cada conselho (chamado Kahal) estendia-se aos judeus das aldeias vizinhas. Os conselhos de grandes cidades tinham a autoridade nas pequenas comunidades. Desta forma forom criados pacotes de comunidade ou galiloth.

Já falamos da Arba Vaad Aratzoth que foi a Assembléia Geral dos Conselhos de judeus na Polónia (de quatro países, a Polónia, Ucránia, Podólia e Volínia), que se reuniam regularmente e que foi um verdadeiro parlamento.

No século XVII, as bases da autonomia judaica começou a abalar. Isso esteve em relaçom com o agravamento da situaçom de judeus poloneses que começaram a sentir os efeitos desagradáveis do caos que aflige a sociedade polaca feudal. A mudança parcial da situaçom dos judeus após o declínio da autoridade real teve como resultado a posta em contato dos judeus, mais do que antes, com o grosso da populaçom escrava. O judeu, tornado ecónomo do nobre ou estalajadeiro, era odiado em iguais ou até mais do que os senhores pelos camponeses, porque foi ele se tornara no principal instrumento das sua exploraçom. Esta situaçom logo trouxe uma tremenda agitaçom social, especialmente na Ucrânia, onde a autoridade da nobreza polaca era mais fraca do que na Polónia. A existência de vastas estepes permitiu a formaçom de colónias militares cossacas onde os agricultores podem preparar a hora da vingança.

"O mordomo judeu tentar obter o máximo possível dos domínios e explorar o máximo possível o camponês. O camponês ucraniano odiava profundamente ao fazendeiro e polaco pola sua dupla condiçom de senhor e de liach (polaco). Mas ele odiava ainda mais, talvez, o mordomo judeu com quem ele teve a oportunidade de estar em contato constante e no que ve como um detestável caseiro do Senhor e um "nom-cristã" era estranho a ele pela sua religiom e modo de vida. " (15)

A grande revolta dos cossacos de Chmielnicki de 1648 tem o efeito a destruiçom de 700 comunidades judaicas. Esta revolta mostra ao mesmo tempo a extrema fragilidade do reino caótico da Polónia e prepara o seu desmembramento. Desde 1648, a Polónia continua a ser atormentada por invasões e guerras civis.

Com a existência do antigo estado feudal das coisas na Polónia está também a finalizar a situaçom privilegiada do judaísmo. Os massacres mirram a sua populaçom, a anarquia que domina no país faz com que seja impossível qualquer atividade económica normal.

O agravamento da situaçom dos judeus abalou as bases ideológicas do judaísmo. A pobreza e a perseguiçom criam um terreno fértil para o desenvolvimento do misticismo. O estudo da cabala começa a substituir o do Talmude. Movimentos messiânicos como o de Sabetai Zevi tomam uma determinada importância.

Também é interessante lembrar a conversom ao cristianismo de Frank e dos seus seguidores.
"O frankistas exigiram que lhes fosse dado um território especial porque eles nom queriam exploram os camponeses e viver da usura e do funcionamento dos cabarés. Eles querem ante todo trabalhar a terra. " (16)

O movimento nom tomou uma grande extensom pois a situaçom do judaísmo ainda nom estava definitivamente comprometida. Somente no final do século XVIII que a sociedade polaca feudal começou a desmoronar sob os golpes combinados da anarquia interna, do declínio económico e da intervençom estrangeira. Entom começarom a formular-se para o judaismo os problemas da migraçom e da passagem para outras ocupações (produtivizaçom).
<< ANTERIOR

NOTAS
(1) « No século XIX havia, nas Repúblicas da América espanhola, centos de judeus, comerciantes, proprietários de terras e também soldados, mas que desconheciam a religiom dos seus pais. » M. Philippson, Neveste Geschichte des judischen Volkes, 1907-1911, p. 226.
(2) Carta de alguns judeus portugueses ao Sr. De Voltaire. Na Inglaterra, « alguns destes judeus espanhois convertem-se ao cristianismo... Famílias que se tornam célebras no mundo inteiro: os Disraeli, os Ricardo, os Aguilar abandonaram também o judaismo. Outras famílias sefaraditas foram lentamente assimiladas pola sociedade inglesa ». Graetz, Histoire juive, tomo VI, p. 344.
(3) Carta de alguns judeus portugueses ao Sr. De Voltaire.
(4) Werner Sombart, Les Juifs et la vie économique, trad. fr., Paris, 1923.
(5) L. Brentano, Die Anfänge des Kapitalismus, p. 163.
(6) L. Brentano, Die Anfänge des Kapitalismus
(7) L. Brentano, op. cit., p. 163.
(8) « O livro de M. Sombart sobre os judeus comporta umha interminável série de erros graves; diria-se o desenvolvimento rigoroso dum paradoxo por um homem que tem o génio de exposições tam amplas... Como todo paradoxo, apenas contém ideias falsas; a sua parte relativa à época atual merece ser lida, embora deforme amiúde as características do povo semita. A sua parte histórica, em todo o caso, é quase ridícula... O capitalismo modernos nasceu e desenvolveu-se antes de mais no momento em que os judeus, empurrados por quase toda a parte, nom estavam em estado de tornar-se precursores. » (E. Sayous « Les Juifs », em Revue économique internationale, Bruxelas, 24º ano, vol. 1, n° 3, março 1932, p. 533).
(9) Ver mais adiante Capítulo IV, II.
(10) Na história, « a posiçom dos judeus na Idade Média é comparável sociologicamente à dumha casta hindu, num mundo sem castas. ... Nom se encontra qualquer judeu entre os criadores da organizaçom económica moderna, os grandes empreiteiros. O fabricante judeu, por contra, é um fenómeno moderno ». Max Weber, Wirtschaftsgeschichte, pp. 305-307.
(11) Schipper, op. cit., II, p. 78.
(12) Ibid..
(13) Graetz, Histoire des Juifs.
(14) Idem..
(15) Graetz, op. cit..
(16) Idem..

CAPÍTULO 2: DA ÉPOCA DA ANTIGUIDADE PARA A ÉPOCA CAROLÍNGIA, O PERÍODO DE PROSPERIDADE COMERCIAL DOS JUDEUS


Abraham Leon

A) Antes da conquista romana
É através da Síria e da Palestina que foram realizadas, desde um período muito precoce, a troca de mercadorias entre os dois mais antigos centros de cultura do mundo antigo mediterrâneo: o Egito e a Assíria. A natureza essencialmente comercial dos fenícios e dos cananeus (1) decorre da situaçom geográfica e histórica dos países que habitavam. Os fenícios tornaram-se o primeiro grande povo comerciante da antiguidade porque eles viram-se colocados entre os dois primeiros grandes centros da civilizaçom. Som as mercadorias assírias e egípcias que constituiram, no início, o objeto principal do comércio fenício. O mesmo aconteceu com os comerciantes palestinos (2). Segundo Heródoto, as mercadorias assírias foram os bens mais antigos e importantes do comércio fenício. Nom menos antiga foi a ligaçom dos fenícios com o Egito. As lendas da Canaã bíblica, bem como os mitos fenícios, mostram as estreitas relações dos habitantes desses países com o Egito por mar e por terra. Heródoto fala também das mercadorias egípcias, levadas à Grécia desde um período muito distante elos fenícios (3).
Mas se a situaçom geográfica da Palestina foi tão favorável como a da Fenícia ao tráfego de mercadorias entre o Egito e a Assíria (4), as facilidades de navegaçom da Síria, tornavam-na completamente ausente. A Fenícia possuia tudo o necessário para viajar pelo mar, os ciprestes e cedros do Líbano forneciam-na de madeira de construçom, o cobre e o ferro erão igualmente abundantes nas montanhas do Líbano e nas redondezas . No litoral fenício muitos portos naturais ofereciam-se para a navegaçom (5). Entom, nom deve surpreender o facto de os navios fenícios, de forma temperã e carregados pesadamente com produtos egípcios e assírios, começaram a cruzam as rotas do mundo antigo.

« As relações políticas e mercantis da Fenícia com os grandes estados do Nilo e do Eufrates, relacionamentos estabelecidos mais de dois mil anos aC, permitiram a ampliaçom do comércio fenício aos estados costeiros do Oceano Índico ».(6)
Os fenícios aproximaram os povos e as civilizações mais diversas da Antiguidade. (7)

Durante muitos séculos, os fenícios mantiveram o monopólio do comércio entre os países relativamente desenvolvidos do Leste e os países incultos do Ocidente. Na época da hegemonia comercial dos fenícios, a situaçom económica das ilhas do Mediterrâneo ocidental e dos países que fazem fronteira com eles ainda estava muito atrasada.

« Isso nom quer dizer que o negócio tem sido desconhecido para a sociedade homérica, mas foi principalmente para os gregos em importações. Para pagar as matérias-primas ou objetos fabricados que os navegadores estrangeiros estavam a oferecer, os gregos parecem sobretudo ter dado gado ». (8)
Esta situaçom, muito desfavorável para os nativos, nom se mantém a longo prazo. O comércio fenício tornou-se um importante estimulante do desenvolvimento económico da Grécia. A ascensom da Grécia foi também favorecida pela colonizaçom helénica, que teve uma grande extensom entre os séculos IX e VII aC. Os colonos gregos começaram a se espalhar em todas as direções do Mediterrâneo. As cidades gregas multiplicam-se. Tucídides e Platom explicam a emigraçom grega por causa da falta de terra.

O desenvolvimento da colonizaçom grega é acompanhada por uma expansom prodigiosa (relativamente à época) da indústria e do comércio helénicos. O desenvolvimento económico da Grécia irá resultar na diminuiçom do comércio fenício.
« Noutrora nas enseadas gregas os fenícios desembarcavam as suas mercadorias que eles trocavam por produtos indígenas, na maioria das vezes, cabeças de gado. Agora, os marinheiros gregos (9) vão levar eles próprios no Egito, Síria, Ásia Menor, aos povos da Europa como os etruscos, mesmo grosseiros como os scitas, galos, ligures, íberos, os bens fabricados e obras de arte, tecidos, armas, joias, vasos pintados cuja reputaçom é grande e que dos gostam todos os bárbaros ». (10)
O período entre o século VI e IV parece ter sido a época do apogeu económico da Grécia.
« O que caracteriza essa nova era é que os ofícios têm proliferado, organizado, especializado e a divisom especializada do trabalho tem avançado muito longe ». (11)

Na época da guerra do Peloponeso, Hiponicas empregava 600 escravos e Nicias 1000 nas suas minas.
Este desenvolvimento económico importante da Grécia levou a maioria dos estudiosos burgueses a falar de um « capitalismo grego ». Eles até mesmo comparam a indústria e o comércio helénicos ao grande movimento económico da era industrial.
Na realidade, a agricultura continua a ser a base económica da Grécia e suas colónias.
« A colónia grega é quase sempre nom uma colónia de mercado, mas uma colónia militar e agrícola ».(12)
Assim, Estrabom conta de Cumas, uma colónia grega na Itália, que só trezentos anos depois da sua criaçom que os seus moradores perceberam que a sua cidade estava perto do mar. O carácter essencialmente agrícola vida económica do mundo helênico é inegável. Tampouco se pode falar de uma indústria comparável à indústria moderna.
« Os métodos de produçom e organizaçom mantiveram-se artesanais ». (13)

Só as minas parecem apresentar, pelo menos enquanto à força de trabalho, um espetáculo semelhante ao que hoje conhecemos.

O fato de que, apesar de sua grande expansom, a indústria e o comércio se estivessem em grande parte nas mãos de estrangeiros, os metecos, é a melhor prova do seu papel relativamente secundário na economia grega.
« No imenso tráfego do que Atenas é o centro, como na sua indústria, a participaçom dos metecos permanece preponderante ». (14)
Em Delos, o grande centro comercial, a inscrições mostram que quase todos os comerciantes som estrangeiros. (15)
O cidadão grego despreza o comércio e a indústria e é basicamente proprietário. Aristóteles, como Platom, opõem-se à aceitaçom de comerciantes na cidade. (16)
Temos de ter cuidado para nom exagerar a importância do desenvolvimento industrial e comercial da Grécia. Na verdade, a expansom grega era essencialmente agrícola e militar. Porém, foi de mãos dadas com um desenvolvimento industrial e comercial muito importante para a época (17). Os gregos nunca se tornaram um povo comerciante como os fenícios e judeus, mas nas colónias gregas e mais tarde nos reinos helénicos, existe um crescimento comercial e industrial muito importante. Escusado será dizer que os estados gregos, enquanto nom serem realmente mercantis, favoreceram com todas as forças o comércio e a indústria, as fontes de financiamento mais importantes.
Nom é só ao desenvolvimento económico da Grécia e das suas colónias que devemos atribuir o declínio do comércio fenício, há ainda outra questom importante: o antagonismo crescente entre a Pérsia e a Grécia. Juntamente com a extensom da civilizaçom helênica, assiste-se à marcha triunfal dos persas em toda a Ásia. O Império Persa atingiu o seu apogeu no século V. Estende-se sobre uma parte da Ásia e sobre o Egito.
O desenvolvimento paralelo das civilizações grega e persa deu um golpe de misericórdia para o comércio fenício. O comércio entre a Europa e a Ásia viu-se muito dificultado pela divisom do Mediterrâneo entre as duas sociedades, também hostis entre si. Os mundos persa e grego foram criaram cada um tráfego comercial próprio.

Presumivelmente a Palestina, completamente suplantada antes pelos fenícios, começa a desempenhar um papel comercial importante com a decadência fenícia e o desenvolvimento do comércio da Ásia após o período das conquistas persas. A rota entre o Egito e Babilônia recupera o seu valor. Enquanto o comércio fenício perde cada vez mais a sua importância, a tal ponto que no momento de Lucian a salga consittui a principal despesa (18), os judeus desempenham no Império Persa um papel de primeiro plano.
Alguns historiadores atribuem ao exílio babilônico um papel importante na conversom de judeus em povo comerciante.
« Na Babilônia os judeus transformam-se em povo comerciante, tal como nós o conhecemos na história económica do mundo. Eles descobriram entre os babilônios relações económicas muito avançadas. Os textos cuneiformes encontrados recentemente mostram que os judeus exilados foram ativos no comércio. Eles ocupavam-se dos negócios de crédito, altamente desenvolvidos entre os babilônios; eles também foram grandes comerciantes ». (19)
Mas a dispersom dos judeus é, certamente, anterior ao exílio da Babilônia.
« Há sérias razões para admitir a existência de uma diáspora pré-exílica ». (20)
Exagera-se muito a amplidom do exílio judaico sob Nabucodonosor. Apenas uma parte das classes dominantes ficou atingida pelas ações do rei da Babilônia. A maioria dos judeus que viviam na Palestina continuou a permanecer ali. Se assim for, na época persa já já judeus espalhados em todas as partes deste vasto império e o livro de Ester é muito eloquente sobre este assunto, seria pueril ver neste fato a conseqüência do exílio da Babilônia, exílio que durou um total de 50 anos. É infantil acreditar que o povo judeu tivesse retornado à Palestina na época de Esdras e Neemias. A sua obra foi essencialmente religiosa. Tratava-se de reconstruir o templo e de reconstruir uma metrópole religiosa para a judaria dispersa.
« A maioria dos historiadores exageraram extremamente o papel do judaísmo palestino na época persa. Procede-se como se, uma vez restaurada Jerusalém, toda a história de Israel estivesse concentrada em torno da montanha sagrada, como se todo o povo tivesse voltado do exilo e tivesse vivido numa terra de poucas centenas de quilómetros entre Tecoa, Mitspa e Jericó. Na verdade naquela época os judeus da Judeia, apenas erão uma pequena parte do judaismo E talvez nom fosse a mais importante». (21)
O decreto de Ciro dirige-se com estas palavras aos judeus da Diáspora:
«... que todos os outros, onde quer que vivam, ajudam (aqueles que vão para a Palestina) em prata, ouro, bens e em animais, além do que eles oferecem voluntariamente para o templo de Deus que está em Jerusalém ».
Todos os que estavam nas redondezas, diz o Livro de Esdras, colocar nas mãos dos 42.000 judeus que retornavam à Palestina vasos de prata e de ouro, gado e mobiliário. (22)

É óbvio que este nom é um retorno maciço dos judeus à Palestina, mas em especial a reconstruçom do templo. Os principais assentamentos da diáspora estavam localizadas, no período persa, na Mesopotámia, na Caldeia e no Egito, datam do século V aC, mostram a situaçom dos assentamentos judaicos da Diáspora neste momento.
Consoante os registos pertencentes a uma família judia, parece que
« Os judeus faziam o comércio, compravão e vendiam casas e terrenos, emprestavão dinheiro, administravam os armazéns e eram bem versados em matéria de direito ». (23)

É muito interessante constatar que mesmo as canções e as histórias som em aramaico, o que mostra que já no século V aC o hebraico já nom era uma língua comum para os judeus. O aramaico é a grande língua asiática da época, a língua comercial (24). A religiom dos judeus de Elefantina nom está tão avançado como a religiom oficial codificada no tempo de Esdras-Neemias. Numa petiçom ao governador persa, eles solicitam permissom para reconstruir o seu templo. Mas, especificamente, a reforma de Esdras-Neemias visa concentrar todos os judeus da diáspora sobre o único templo de Jerusalém. É realmente a Jerusalém onde chegam, até o ano de 70, os dons dos judeus espalhados pelo mundo.
É essa riqueza do templo de Jerusalém que foi provavelmente a razom principal da empresa de Antíoco contra os judeus.
« Simom disse-lhe que a fazenda pública em Jerusalém estava cheia de enormes somas e que havia enormes riquezas públicas ». (25)
Mais tarde, Mitridates confisca na pequena ilha de Cos 800 talentos para o templo de Jerusalém. Na época romana, Cícero lamentava-se nos seus discursos, as enormes somas que chegavam a Jerusalém.
O período helenístico é o período de apogeu económico da Antigüidade. As conquistas de Alexandre destruiram as barreiras entre o mundo helênico e da Ásia e do Egito. As cidades surgiram como cogumelos em todas as partes do império helênico. Os

« mais grandes fundadores das cidades, nom só nesta época, mas mesmo na história, foram Seleuco I e o u filho Antíoco I ». (26)
Os reis do período helenístico criam novos centros urbanos destinados a substituir as antigas cidades persas e fenícias.
« Nas costas da Síria, o porto de Antioquia faz esquecer as antigas cidades de Sidon e Tyr ». (27)
Seleuco criou na beira do rio Tigre Seleucia para roubar a Babilónia o seu papel central no comércio mundial. Este objetivo foi plenamente alcançado.
Enquanto a Babilónia caiu em decadência, a Seleucia grega tornou-se, provavelmente, a maior cidade naquela época. Segundo Plínio tinha 600.000 habitantes. Junto a Selêucia, Antioquia e Alexandria tornaram-se o centro do mundo helenístico. Todas essas cidades experimentaram durante o período helenístico uma prosperidade indiscutível.

A situaçom dos judeus parece ter-se reforçado ainda mais depois das conquistas de Alexandre.
« Os judeus foram capazes de conquistar o reconhecimento de privilégios especiais, bem como parece, pelos selêucidas e por Lagides. Em Alexandria, onde tinham sido atraídos por Ptolomeu I e onde abundavam, eles formavam uma comunidade distinta que se autoadministrava e estava à margem da jurisdiçom dos tribunais gregos ».(28)
« Os judeus obtiveram na capital da Síria, Antioquia, uma certa autonomia e uma posiçom privilegiada, à semelhança de Cirene ». (29)
A situaçom privilegiada e a posiçom económica específica dos judeus já estão causando sérios conflitos com a populaçom das cidades onde viviam. Os conflitos eclodiram constantemente, tanto nas cidades palestinas como na Alexandria, Selêucia, Cirene e Chipre (30). Estes conflitos nom têm nada em comum com os antagonismos nacionais vigentes. Em vez disso, os impérios helenísticos conhecem uma enorme assimilaçom dos povos que o compõem. O nome grego é usado cada vez menos os membros de uma naçom em particular, é atribuído às partes dominantes e cultivadas da populaçom. Alexandre ordenou a todos, diz um escritor antigo, considerar o mundo como a sua pátria, como os seus pais e aos justos e como os estrangeiros os ímpios.
A crescente importância do judaísmo na vida comercial do mundo helenístico também deve ser atribuída ao deslocamento do eixo da economia para o Oriente. A prosperidade de Alexandria, Antioquia, Selêucia oferece um forte contraste com a pobreza e a decadência na que a Grécia caira na mesma época.
Políbio insiste várias vezes sobre a decadência das cidades gregas. No século II « os visitantes mal podiam acreditar que esta cidade onde a água era escassa, as ruas mal definida, as casas incómodas, era a famosa Atenas » (31). Atenas foi removida do seu papel como o centro do mundo civilizado. O que, com o declínio económico, contribuiu para a ruína da Grécia foram as incessantes lutas de classes (32) que em consequência dum modo de produçom atrasado, nom podia conduzir a nenhum resultado significativo. O triunfo da plebe foi efêmera; a distribuiçom da riqueza só podia levar a novas desigualdades sociais, geradoras de novos conflitos sociais. Assim, o triunfo da Grécia, depois das conquistas de Alexandre, foi ilusório. O deslocamento do centro económico do mundo para o Oriente que se seguiu, levou ao seu rápido declínio (33). As classes proprietárias e aristocráticas, impotentes perante as revoltas plebeias, tiveram que buscar o apoio de Roma (34), mas Roma nom fiz mas que dar o golpe final à Grécia e ao helenismo. Os romanos lançaram-se sobre o mundo helenístico como uma rica presa que deviam saquear e conquistar.
« Entre 211 e 208, conforme informações muito incompletas e que nos chegaram, cinco cidades da antiga Grécia som saqueadas ».(35)
Corinto, a rica cidade comercial, é destruída. « Eu estive lá, disse Polbe, vi os quadros serem pisoteados pelos soldados que se sentam sobre eles para jogar dados ». Roma também trouxe duras pancadas ao helenismo na Ásia (36). O magnífico edifício helenístico foi destruído pelos golpes combinados dos romanos e dos partos.
B) O imperialismo romano e o seu declínio
Ao contrário do imperialismo moderno, baseado principalmente no desenvolvimento das forças produtivas, o imperialismo antigo baseia-se na pilhagem dos países conquistados. Nom se trata, para os imperialistas antigos, abrir o caminho para os seus produtos e o seu capital, mas roubar o país conquistado.
O estado atrasado da produçom na antiguidade só podia assegurar o luxo das classes ricas dos países conquistadores com a ruína mais ou menos rápida dos povos conquistados. O esgotamento desses países conquistados, as dificuldades crescentes de novas conquistas, o abrandamento gradual dos conquistadores, levaria mais cedo ou mais tarde ao declínio do imperialismo antigo.
Roma é o exemplo clássico do imperialismo antigo. Muito se tem exagerado o desenvolvimento comercial e industrial de Roma. O seu comércio sempre foi passivo (37). Roma fez de atrair a exportaçom das províncias sem nada em troca (38). A classe dominante romana tinha um profundo desprezo por qualquer tipo de tráfego. A lei Claudia proíbe os senadores, os seus filho e toda a aristocracia de Roma a possuir navios com mais de 300 ânforas, o que corresponde a menos de 80 hectolitros de grãos ou vegetais. Isto significa proibir a prática do comércio. O César renovou a proibiçom. A política romana nunca foi determinada pelo seu alegado interesse comercial. A melhor prova é que a Roma, após a derrota de Aníbal, proibe a entrada dos Cartagineses no seu mar. (39)

« Em geral, deve-se dizer que os problemas económicos romanos eram muito simples. A conquista gradual da Itália, bem como a das províncias, ocupava o excesso de capital e da populaçom, a necessidade da indústria e do comércio nom se sente », disse Tenney Frank (40).

Os comerciantes em Roma eram geralmente estrangeiros, o que também explica o crescimento continuado do assentamento judaico em Roma desde o tempo do César. Os negociadores romanos nom eram os comerciantes, mas os usurários que pilhavam as províncias (41). O desenvolvimento do comércio no Império Romano deve ser atribuído principalmente à necessidade de aumento de luxo das classes dominantes de Roma. Estrabom explica desta maneira o desenvolvimento do grande mercado de Delos:
« donde vem o desenvolvimento do comércio? Como os romanos, fortalecidos pela destruiçom de Cartago e Corinto, costumaram-se a usar um grande número de escravos ». (42)
Aconteceu o mesmo com a indústria. A indústria romana dependia principalmente das necessidade de luxo da aristocracia. Tenney Frank, depois de perceber que durante o século IV aC nenhum progresso significativo fora feito no domínio da indústria, acrescenta que
« Os dois séculos que se seguiram nom houve alteraçom na natureza da produçom industrial em Roma, que, provavelmente, a quantidade de artefatos aumenta devido a um maior crescimento da cidade, mas nom seguiu com as exportações e que a única mudança visível foi a substituiçom do trabalho escravo pelo trabalho livre ». (43)
Mesmo aqueles autores que acreditam que a Itália era um país de produçom no período republicano, admitem que deixa de sê-lo no período imperial.
« A Itália é cada vez menos um país de produçom ... Várias indústrias de sucesso no final do período republicano estom em declínio .. Assim, o tráfego entre a Itália e do Oriente nom se realizará que numa só direçom e passa a cada cada vez mais nas mãos dos asiáticos, alexandrinos e sírios ». (44)
Assim, a Itália viveu da exploraçom das províncias. A pequena propriedade, a base do poder romano, foi progressivamente eliminada por vastas áreas que servem ao luxo da aristocracia romana e onde predominava o trabalho escravo (45). Toda a gente sabe a conclusom de Plínio: « Latifundia perdidere Italiant ».
O escravo torna-se cada vez mais um luxo e nom um fator de produçom (46). Horácio numa das suas sátiras, disse que pelo menos dez escravos eram indispensáveis para ser um homem. Na verdade, milhares de escravos travalhavam nos grandes latifúndios.
« Nos domínios de Tusculum e Tibre, nas margens do Terracina e de Baia, onde os antigos agricultores romanos tinham semeado e colhido, podia ser vista elevar-se num esplendor vazio, as moradias de nobres romanos, algumas das quais abrangiam o espaço de uma moradia de tamanho médio, com as suas dependências, jardins, aquedutos, reservatórios de água doce e água salgada para a preservaçom e propagaçom de peixes marinhos e de peixes de água doce,criaçom de lebres, coelhos, veados, cervos, javalis e aviários para faisões e pavões ». (47)
Ao mesmo tempo que o trabalho livre foi eliminado pelo trabalho escravo, a Itália tornou-se o centro do esbanjamento da riqueza drenada do Império.
Os impostos esmagadores arruinavam as províncias;
« os custosos e frequentes armamentos navais e as defesas da costa para lutar contra a pirataria, a tarefa de contribuir para as obras de arte, às lutas de animais ou a outros requisitos de luxo absurdos dos Romanos pelo teatro e a caça eram quase tão frequentes como opressivas e incalculáveis. Um único fato pode mostrar até que ponto levaram as coisas. Durante os três anos da administraçom de Caio Verres na Sicília o número de agricultores Leontini passou de 84 para 32; em Motya, de 187 para 86, em Herbita, de 252 para 120; em Argyrium, de 250 para 80, de modo que nos quatro distritos mais férteis da Sicília, 59% dos proprietários preferem deixar os seus campos em baldio que os cultivar sob este regime. Nos estados clientes as formas de tributaçom foram pouco diferentes, mas a carga era ainda maior, se possível, uma vez que aos abusos dos romanos se sumavam os das cortes do país ».(48)

O capitalismo romano, na medida em que o termo capitalismo lhe fosse aplicável, era essencialmente especulativo e nom tinha qualquer ligaçom com o desenvolvimento das forças produtivas. (49)
O comércio e a banca de Roma assemelhavam-se a uma empresa de roubo organizado.
« Mas o que era ainda pior, se possível, e menos ainda sujeito a controle, foi o mal causado pelos homens e negócios da Itália às infelizes províncias. As partes mais produtivas da terra e todos os negócios comerciais e monetários estavam concentrados nas suas mãos ... A usura floresceu mais do que nunca ».
« Todas as cidades, diz um tratado publicado em 684 (70 aC) estão arruinadas » a mesma realidade é especialmente patente no caso da Espanha e na Gália narbonense, províncias que estavam economicamente na mesma situaçom. Na Ásia Menor, cidades como Samos e Halicarnasso, estavam quase vazias; a escravidom parecia um paraíso em comparaçom com o tormento ao que sucumbiram os provinciais livres e mesmo os pacientes asiáticos estavam, de acordo com as descrições dos estadistas romanos, cansados da vida ». (50)
« Os estadistas romanos concordaram publicamente e abertamente em que o nome romano era incrivelmente detestável em toda a Grécia e Ásia ».
É evidente que este sistema de parasitismo e roubo nom poderia ser prolongado indefinidamente. A fonte de riqueza que atraiu Roma secou.
Muito antes da queda de Roma assiste-se a uma diminuiçom continuada do comércio. A base da pilhagem foi diminuindo gradualmente à medida que Roma esvaziava da sua substância os países conquistados.
O facto de a produçom de cereais, especialmente a do trigo caiu, enquanto a vinha e as oliveiras conquistaram vastas regiões no leste e oeste, é uma indicaçom alarmante da situaçom. Os produtos de luxo eliminam os produtos essenciais para a produçom e a reproduçom da força de trabalho.
« A extensom da viticultura e do azeite significou nom só um agravamento das condições económicas na Itália, mas poderia ser como resultado da escassez de trigo e da fome em todo o império ». (51)
Trajano vai tentar contrariar esse perigo, exigindo que os senadores a comprar terras na Itália. Os seus sucessores nom terão muito sucesso. O luxo mata a produçom.

« Logo as excelentes construções nom deixarão terras para o arado do lavrador, exclamou Horácio.

No século II, o declínio do comércio está completo. As relações com os países distantes som interrompidas.
« Nós nom encontramos moedas romanas do século II, nas Índias ».(52)

o que mostra uma interrupçom do comércio entre Roma e Índia. A decadência da agricultura egípcia era tão pronunciada no século II, que foi necessário abrir mão a alguns suprimentos de trigo desta província outrora rica. Foram substituídas as entregas egípcias pelos abastecimentos de trigo da província de África (Argélia e Tunísia atual). (53)
Cómodo foi obrigado a construir uma frota para transportar o trigo da província de África. Vimos que o comércio no Império Romano estava principalmente baseado no fornecimento das classes ricas de Roma. É surpreendente que o esgotamento das províncias fosse seguido pela decadência comercial? Cada vez mais, os imperadores romanos foram forçados a recorrer a requisições em espécie, o que agravou o mal que entrentavam as províncias.
« As requisições multiplicavam-ser: trigo, couros, madeiras e animais domésticos devem ser entregues, e o pagamento foi muito irregular, quando era possível contar com ele ». (54)
A economia puramente natural, produtora exclusiva de valores de uso, substitui-se lentamente pela troca de produtos.
« Enquanto a paz romana já tinha resultado na troca regular das coisas e do nivelamento das condições de vida entre as diferentes regiões do Império, na anarquia do século II, cada país é frequentemente condenado a viver em si, penível e pobremente ». (55)

Tentamos explicar a substituiçom gradual da escravidom pela colonizaçom, quer pela falta de energia dos proprietários de terras, quer pela escassez de escravos provocada pelo fim das guerras exteriores. Provavelmente a principal razom é a destruiçom progressiva das colónias, a cessaçom das remessas de produtos. Os grandes latifundiários, cada vez mais obrigados a viver dos produtos das suas terras, têm interesse em substituir o trabalho escravo, relativamente pouco produtivo, pelo sistema de colonos que se assemelhava ao sistema de servidom que florescerá na Idade Média.
« O colono deve ao seu proprietário tudo o que o vilão vai dever ao seu senhor».(56)
Cada vez mais aumenta o poder dos latifundiários que muitas vezes têm grandes extensões de terra. No Egito, no século V, os camponeses som completamente submetidos. A administraçom do Estado vai passar inteiramente nas suas mãos. (57)
É, certamente, inexato ver na economia natural, que irá florescer no período carolíngio, um resultado do colapso do Império Romano e da destruiçom da unidade económica do Mediterrâneo (58). Sem dúvida, as invasões bárbaras desempenharam um papel muito importante no declínio do comércio antigo, no desenvolvimento da economia feudal. Mas o declínio económico do Império Romano começou bem antes da queda de Roma e vários séculos antes da invasom muçulmana. Outro indicador muito importante da evoluçom para a economia natural é a alteraçom monetária já iniciada sob o governo de Nerom (59). O cobre substitui cada vez mais o ouro e prata. No século II há quase falta total de ouro. (60)
O desenvolvimento da economia natural, a economia essencialmente produtora de valores de uso, está longe de ser um « fenómeno anormal » como alegado por Pireno. O Império Romano arruinou-se economicamente antes de o ser politicamente. O enfraquecimento político do Império Romano só foi possível pelo seu declínio económico. O caos político século III e a invasom dos bárbaros, explica-se precisamente apenas pelo declínio económico do Império Romano.

Conforme as províncias estão em ruínas e desaparece a troca intensiva de mercadorias, assiste-se a um retorno à economia natural e a própria existência do Império perde qualquer interesse para as classes proprietárias. Cada país, cada domínio dobra-se sobre si próprio. O Império, com a sua enorme administraçom e o seu exército extremamente caro, torna-se um cancro, um órgao parasitário cujo peso insuportável pesa a todas as classes. Os impostos devoram as substâncias dos povos. Sob Marco Aurélio, quando os soldados, depois do seu grande sucesso contra os Marcomanos, solicitaram um aumento salarial, o Imperador fez esta resposta significativa:

« Tudo o que você receberia em cima do seu pagamento regular deveria ter sido tomado do sangue dos seus pais ».
A fazenda estava exausta. Para manter o aparelho administrativo e o exército, tinha que atacar o destino dos indivíduos. Enquanto as classes mais baixas continuam a se revoltar, as classes proprietárias afastam-se do império que os arruína. Após a ruína económica do Império pela aristocracia, a aristocracia foi arruinada por sua vez pelo Império.
« Todos os dias podiam-se ver pessoas que ontem ainda estavam entre as mais ricas, tendo que levar a bengala do mendigo », disse Herodes.
A selvageria dos soldados cresceu continuamente. Nom foi apenas a gravidade que os levou a roubar os habitantes, o empobrecimento das províncias e o mau estado dos meios de transporte criam dificuldades para o fornecimento dos exércitos, os soldados foram obrigados a usar a violência para conseguir o que era necessário para a sua subsistência. Caracalla, ao conceder a cidadania romana a todos os habitantes só procura aumentar a base tributária. Ironia da história: todo o mundo se tornou romano quando Roma era nada.
Os abusos da administraçom romana, os excessos das tropas incitavam os habitantes do império para buscar a sua destruiçom.
« A permanência dos soldados teve conseqüências catastróficas. A populaçom da Síria preferiu a ocupaçom do país pelos partos ». (61)

« O governo romano tornou-se cada dia mais odioso para os seus súditos ... A inquisiçom grave que confiscava os seus bens e muitas vezes torturava às pessoas, decidiu aos súditos de Valentiniano a preferir a tirania menos complicada dos bárbaros. Eles rejeitaram com horror o nome de cidadãos romanos tão respeitado e tão invejado dos seus antepassados ».(62)
O escritor cristão Salvio disse em De Gubernatione Dei:
« Uma grande parte da Gália e da Espanha já pertence aos Godos e todos os Romanos só querem uma coisa: nom voltar sob o domínio de Roma. Fiquei surpreso de que todos os pobres e necessitados nom tinham fugido dos bárbaros, era o fato de que eles podem abandonar as suas casas. E nós, os romanos, nom estamos surpresos de nom poder derrotar os godos, enquanto preferimos viver entre eles do que entre nós ».
Longe de ser um fenómeno « anormal", a invasom dos bárbaros foi a consequência natural do declínio económico e político do império. Mesmo sem as invasões, o Império teria tombado.
« Um dos fenómenos mais importantes do desenvolvimento interior da Ásia Menor e da Síria é o retorno gradual ao feudalismo... A revolta dos Isaurios na Ásia Menor é um sintoma da tendência para formar Estados independentes ». (63)
Da mesma forma, a tentativa de estabelecer um Império independente galo-romano, as tentativas de dissidência provam quão frágil era a espinha dorsal do Império. Os bárbaros apenas deram o golpe final ao edifício cambaleante do Estado romano.
A causa essencial do declínio do Império Romano deve ser buscada na contradiçom entre o luxo crescente das classes ricas, entre o constante crescimento da mais-valia e da imobilidade do modo de produçom. Durante o período romano, houve pouco progresso no campo da produçom. As ferramentas do agricultor conservaram a sua forma original.
« O arado, a pá, a enxada, a picareta, a foice,... sobreviveram imutáveis de geraçom em geraçom ».(64)
O luxo crescente da aristocracia romana e os custos da administraçom imperial provinham da exploraçom desenfreada das províncias, que resultou no declínio económico, o despovoamento e o esgotamento do solo (65). Ao contrário do mundo capitalista que morrerá da abundância (relativa) dos meios de produçom, o mundo romano morreu pela sua inadequaçom.
As reformas de Diocleciano e Constantino som uma tentativa de assentar o Império romano sobre a base da economia natural.
« O Estado alicerça-se agora no agro e nos seus habitantes ».(66)
O camponês foi acorrentado à sua terra. Cada proprietário era responsável pelo seu domínio e pelo número de colonos estavam estabelecidos: sobre esta base foi estabelecido o novo imposto.
« As reformas de Diocleciano em impostos e os decretos dos imperadores que se seguiram fizeram do colono, um escravo acorrentado a seus senhores e à sua terra ».(67)
Foi o mesmo com outras camadas da populaçom -pequenos proprietários, artesãos, comerciantes, todos foram acorrentados ao seu ugar de residência e à sua profissom. A época de Constantino é a era da dominaçom ilimitada dos grandes proprietários de terras, senhores incontestáveis de grandes domínios principescos. A aristocracia abandona cada vez mais as cidades decadentes e refugia-se nas suntuosas moradias do campo onde vive rodeada pelos seus clientes e servos.
As reformas de Diocleciano e Constantino som tentativas de adaptar o Império à economia natural. Mas já vimos que nesta base o Império nom tinha nenhuma razom de ser. Nada, salvo a tirania, vinculava as suas várias partes. Além disso, se economicamente e socialmente Constantino abre uma nova era histórica simbolizada pela adoçom do cristianismo, politicamente ele inicia o último ato da história do Império Romano.
C) Judaísmo e cristianismo
A situaçom que os judeus tinha adquirido no período helenístico parece nom ter sofrido mudanças fundamentais após a conquista romana. Os privilégios concedidos aos judeus pelas leis helenísticas foram confirmados pelos imperadores romanos.
« Os judeus desfrutaram uma situaçom de privilégio no Império Romano ». (68)
O facto de que tão só na Alexandria vivesse perto de um milhom de judeus basta para caracterizar o seu papel principalmente comerciais na dispersom que tinha três milhões e meio de judeus vários séculos antes da queda de Jerusalém, enquanto apenas um milhom continuava a viver na Palestina.
« Alexandria, no Egito, sob os imperadores romanos, era o que Tyr fora na época do esplendor do comércio fenício... Sob o reinado dos Ptolomeua estabelecera-se um comércio direto entre o Egipto e a Índia. De Tebas, caravanas que viajam para Meroe, na Alta Núbia, cujos mercados também foram frequentados por caravanas do interior da África. Uma frota romana foi até a foz do Nilo para receber os objetos preciosos e distribuí-los no Império ».(69)
Dois de cinco bairros de Alexandria eram habitados por judeus (70). O papel dos judeus na Alexandria era tão importante que um judeu, Tibério Júlio Alexandre, foi nomeado governador romano da cidade.
Em termos de cultura, os judeus de Alexandria foram totalmente assimilados e apenas falavam o grego. Por isto os livros religiosos hebraicos tiveram de ser traduzidos para essa língua. Comunidades semelhante à de Alexandria foram espalhadas em todos os centros comerciais do Império. Os judeus espalharam-se na Itália, Gália e Espanha. Jerusalém continuou a ser o centro religioso da diáspora judaica.
« Os sucessores de David e Salomom tinham pouco mais significado para os judeus daquela época que Jerusalém para os do nosso tempo. A naçom achava, sem dúvida, pela sua unidade intelectual e religiosa, um ponto de encontro no pequeno reino dos Hasmoneus, mas a própria naçom nom era apenas a dos sujeitos de Hasmoneus, mas uma imensa multidom de judeus espalhados por todo o Império e no Império Romano. Nas cidades do interior de Alexandria e de Cirene os judeus formaram comunidades administrativamente e até mesmo localmente distintas, algo semelhante aos “bairros judeus”, mas com uma mais posiçom mais livre e supervisionado por um “mestre do povo” como juiz superior e administrador... Mesmo nesta época o negócio predominante dos judeus era o comércio ». (71)
Nos livros sibilinos do período dos Macabeus diz-se que
« todos os mares estão cheios de judeus ».
« Eles foram em quase todas as cidades e seria difícil encontrar um lugar na terra que nom tenha visto esta tribo ou que nom tenha sido dominado por ela », diz Estrabom.
« Que a maioria dos judeus na antiguidade se dedicavam ao comércio é indiscutível para os economistas ». (72)
Jerusalém era uma cidade grande e rica de 200.000 habitantes. A sua importância baseva-se principalmente no templo de Jerusalém. Os habitantes da cidade e arredores viviam principalmente da massa de peregrinos que acorriam à cidade santa.

« Deus tornou-se para os judeus da Palestina um importante meio de subsistência ».(73)
Nom somente os sacerdotes viviam do serviço do Jeová, mas também inúmeros merceeiros, cambistas e artesãos. Mesmo os camponeses e pescadores da Galileia tinham em Jerusalém mercados para os seus produtos. Seria um erro acreditar que a Palestina estava habitada exclusivamente por judeus. No Norte houvia várias cidades gregas. "Quase todo o resto da Judeia a apresenta-se dividida entre tribos misturadas de egípcios, árabes e fenícios", diz Estrabom. (74)
O proselitismo judaico assume proporções cada vez mais impressionantes no início da era cristã.
« Para muitos era certamente uma tentaçom fazer parte de uma associaçom comercial tão florescente e extendida ». (75)
Já em 139 aC, os judeus foram banidos de Roma por terem realizado proselitismo. Em Antioquia, a maior parte da comunidade judaica estava composta por convertidos.
É a posiçom económica e social dos judeus da Diáspora que, mesmo antes da queda de Jerusalém, tornou possível a sua coesom religiosa e nacional. Mas se é claro que a maioria dos judeus desempenham um papel comercial no Império Romano, nom todos os judeus eram ricos comerciantes ou empresários. Em vez disso, a maioria estava constituída por judeus que tiravam o seu sustento, direta ou indiretamente, do comércio: vendedores ambulantes, estivadores, pequenos artesãos, etc. É essa pequena multidom de pessoas a primeira em ser atingida pela queda do Império Romano e a que mais sofre com os abusos de Roma. Concentrada em grandes massas nas cidades, é capaz de resistir mais do que as massas de camponeses espalhadas no campo. Também é muito mais consciente dos seus interesses. Além disso, as massas judaicas constituiram um foco continuado de problemas e de revoltas dirigidas contra Roma e contra os ricos.
Tornou-se tradiçom fazer da revolta judaica de 70 um grande “levante nacional". No entanto, se a revolta era dirigida contra os abusos intoleráveis dos procuradores romanos, também era decididamente hostil às classes ricas nativas. Todos os aristocratas declararam-se contra a rebeliom. Por todos os meios, o rei Agripa e outros membros das classes ricas tentaram parar o fogo. Foi preciso que os zelotes primeiro massacraraam as “gentes de bem” antes de atacar os romanos. O rei Agripa e Berenice, após o fracasso dos seus esforços de "reconciliaçom" situam-se nom do lado dos insurgentes, mas do lado dos romanos. Os membros das classes dominantes que, como Flávio Josefo, fingiram querer ajudar os revolucionários, apressaram-se em traí-los vergonhosamente. Por outro lado, a revolta na Judeia nom foi original. Várias revoltas eclodiram em várias cidades gregas durante o reinado de Vespasiano. Uma intensa agitaçom social era liderada pelos filósofos cínicos que Vespasiano teve de expulsar das cidades. Os alexandrinos também mostraram a sua hostilidade a Vespasiano.
« O exemplo de Bitínia, os distúrbios em Alexandria sob Trajano, mostram que a luta de classes na Ásia Menor e Egito nunca parou ». (76)
Mas a agitaçom social nom se limita às massas urbanas, mais atingidas pelo declínio crescente da vida económica. Os camponeses também começam também a se pôr em marcha. A situaçom dos agricultores já era muito ruim nos séculos I e II.
« A situaçom dos agricultores agrava-se cada vez mais no Egito. As condições nas que viviam as massas da populaçom egípcia estão muito abaixo da média normal. Os impostos eram esmagadores e o modo de cobrança brutal e caro... » (77)
Sob Marco Aurélio o descontentamento espalha-se por todas as províncias. Espanha recusou-se a fornecer soldados, a Gália está cheia de desertores. As revoltas espalham-se na Espanha, Gália e na África. Numa petiçom ao imperador Commodus, os pequenos agricultores africanos dizem:
« Vamos fugir para um lugar onde podamos viver como homens livres »
Durante o reinado de Sétimo Severo o banditismo atinge proporções sem precedentes. Bandas de "Heimatlos" assolam várias partes do império. Numa petiçom da que foi recentemente encontrada uma cópia, os pequenos agricultores da Lídia na Ásia Menor dirigem-se nestes termos a Septímio Severo:

« Quando os cobradores de impostos do imperador aparecem nas aldeias, eles nom trazem nada de bom; atormentam os moradores com requisições insuportáveis e multas... ».
Outras petições falam da brutalidade e arbitrariedade desses mesmos empregados.
A miséria das massas urbanas e rurais ofereceu um terreno fértil para a propagaçom do cristianismo. Rostovtzeff justamente vê uma ligaçom entre as revoltas judaicas e as revoltas populares no Egito e Cirenaica durante o reinado de Trajano e Adriano (78). Nas camadas mais pobres das grandes cidades da Diáspora espalha-se o cristianismo.
« A primeira comunidade comunista messiânica acha-se em Jerusalém, mas em breve essas comunidades foram fundadas noutras cidades habitadas por um proletariado judeu ». (79)

« As estações mais velhas do comércio fenício terrestre e marítimo foram as mais antigas sedes do cristianismo ». (80)
Bem como as revoltas judaicas foram seguidas por revoltas das camadas populares nom-judaicas, a religiom comunista judaica espalha-se rapidamente entre as massas pagãs.
A comunidade cristã nom nasceu no terreno do judaísmo ortodoxo, estava intimamente ligada com as seitas heréticas (81). Estava sob a influência duma seita comunista judaica, os essênios "que, disse Filo, nom tem nenhuma propriedade, sem casas, escravos, terras ou gado."
Trabalham na agricultura e o comércio é proibido. O cristianismo no seu início deve ser considerado uma reaçom das massas trabalhadoras do povo judeu contra a dominaçom das ricas classes comerciais. Jesus ao expulsar os mercadores do templo expressava o ódio das massas judaicas contra os seus opressores, a sua hostilidade contra a dominaçom dos ricos comerciantes. Nos seus primórdios os cristãos formam pequenas comunidades sem grande importância. Mas é no século II, época de grande miséria no Império Romano, que eles conseguem tornar-se um partido muito poderoso.
«No século III a Igreja é reforçada de maneira extraordinária » (82)
« No século III os elementos do cristianismo aumentam em Alexandria ». (83)
O carácter popular e antiplutocrático do cristianismo primitivo é inegável.
« Bem-aventurados som os pobres, porque a eles pertence o reino de Deus. Bem-aventurados os que têm fome, pois serão satisfeitos... »
« Mas ai de vós, os ricos. Ai daqueles que estão satisfeitos porque terão fome »,

diz o Evangelho de Lucas. A Epístola de Santiago também é afirmativa:
« E agora, ricos, chorai, uivai pelas misérias que vos esperam. As vossas riquezas estão em ruínas e vossas roupas foram comidas pelos vermes. O vosso ouro e prata estavam molhados e a sua ferrugem testemunhará contra vós e devorará a vossa carne como o fogo ... Os salários dos trabalhadores que seituraram os vossos campos e que nom pagastes, levanta a sua voz e seu rugido penetrou o Senhor dos exércitos ». (V. 1-4).

Mas com o rápido desenvolvimento do cristianismo os seus dirigentes tentam moderar o seu antiplutocratismo. O Evangelho de São Mateus mostra a mudança. Ele diz: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque o reino dos céus vos pertence. Bem-aventurados os que têm sede de justiça, porque serão satisfeitos”. Os pobres tornaram-se pobres de espírito, o reino de Deus nom é mais do que o reino dos céus, os famintos nom têm mais do que sede de justiça. A religiom revolucionária das massas transforma-se em religiom consoladora dessas massas. Kautsky compara este fenómeno com o reviisionismo social-democrata. Seria mais justo comparar esta evoluçom com o fenómeno fascista que conhecemos hoje. O tascismo também tenta usar o "socialismo" para reforçar o primado do capital financeiro. Ele nom hesita perante as falsificações mais flagrantes para enganar as massas, para representar o reino dos magnatas da indústria pesada como o “reino do trabalho”.

Porém, a "revoluçom fascista" também tem um certo conteúdo económico e social. Ela encerra definitivamente a era liberal e inaugura a era do domínio completo do capital monopolista, a antitese do capitalismo de livre concorrência. Da mesma forma, é suficiente dizer que o cristianismo se tornou um instrumento de enganaçom dos pobres. Ele tornou-se a ideologia da classe dos proprietários de terras que tomou o poder absoluto sob Constantino. O seu triunfo coincide com o triunfo completo da economia natural. Ao mesmo tempo que o cristianismo, a economia feudal espalha-se por toda a Europa.
É certamente errado responsabilizar o cristianismo pela queda do Império. Mas ele forneceu a armaçom ideológica às classes que se elevam nas suas ruínas.
« O clero do Oriente e do Ocidente condenou mesmo o mínimo empréstimo a juro » (84)
Ele tomou os interesses da nova classe endinheirada cujas riquezas provêm exclusivamente da terra. A principal razom do fracasso do cristianismo "proletário" e do triunfo do cristianismo "fascista" deve ser procurado no estado atrasado do modo de produçom da época. As condições económicas ainda nom estavam maduras para o triunfo do comunismo. A luta de classe dos séculos II e III nom levaram a nenhum resultado para as massas. (85)

Isso nom significa que as classes mais pobres tivessem aceite o triunfo do catolicismo sem resistência. A abundância de heresias é a melhor prova do contrário. Se a Igreja oficial perseguiu com tanta raiva essas heresias foi porque representavam, pelo menos em parte, os interesses das classes mais pobres. Um autor do século IV escreve de Constantinopla:
« Esta cidade, diz ele, está cheia de escravos e comerciantes, que som todos profundos teólogos que pregam nas lojas e ruas. Peça que um homem vos troque uma moeda de prata, e você vai aprender o diferente que é o Filho do Pai. Pergunte a um outro o preço do pão, ele vai dizer que o Filho é inferior ao Pai. Saiba se o banho está pronto e dirão-lhe que o Filho foi criado a partir do nada ».
Como vimos, o cristianismo foi ao princípio a ideologia das massas judias pobres. As primeiras igrejas foram formadas em torno das sinagogas. Os judeu-cristãos tiveram o seu próprio evangelho que chamavam o Evangelho dos Hebreus. Mas, provavelmente, em breve os judeu-cristãos fundiram-se na grande comunidade cristã. Eles assimilaram-se pela grande massa dos convertidos.
Desde o século II, época da grande expansom do cristianismo, já nom se ouve falar da comunidade judaica de Alexandria. É provável que a maioria dos judeus de Alexandria entraram no colo da Igreja (86). A Igreja de Alexandria consegue durante um certo tempo a hegemonia na nova religiom. No Concílio de Niceia é ela quem dá o tom às outras comunidades cristãs.
Mas se as camadas camponesas da judaria abraçaram com entusiasmo os ensinamentos de Jesus, nom aconteceu o mesmo com as suas classes dominantes e comerciantes. Em vez disso, estas perseguiram zelosamente a religiom comunista primitiva. Mais tarde, quando o cristianismo se tornou a religiom dos grandes proprietários, quando as suas tendências antiplutocráticas iniciais foram limitadas apenas ao comércio e à usura, é claro que entom a oposiçom das classe judias ricas nom perdeu a sua intensidade. Em vez disso, o Judaísmo ganhou cada mais e mais consciência do seu papel. Apesar do declínio do Império, o papel do comércio estava longe de terminar. As classes dominantes ainda precisam de produtos de luxo do Oriente. Se os judeus já desempenhavam um papel importante no comércio das épocas anteriores, eles tornam-se cada vez mais os únicos intermediários entre o Oriente e o Ocidente. Judeu e comerciante tornam-se cada vez mais sinónimos.
O triunfo da economia natural e do cristianismo permite portanto completar o processo de seleçom que transforma os judeus em classe comercial. Na altura do fim do Império Romano, ainda existem alguns grupos de judeus cuja atividade principal é a agricultura ou a gadaria: na Arábia, na Babilónia e no norte da África. Os judeus estão longe de ter desaparecido da Palestina. Contrariamente às opiniões de historiadores e de ideólogos idealistas, os judeus da Palestina nom foram espalhados pelos quatro cantos do universo pelos romanos. Vimos que a diáspora teve outras causas. Em 484 os imperadores tiveram grande dificuldade em sufocar um levante violento dos camponeses samaritanos. No início do século VII, os judeus lançaram-se sobre Tyr e massacram a sua populaçom (87). Em 614 batalhões judeus de Tiberíades, Nazaré e Galileia ajudaram o rei persa a conquistar Jerusalém e exterminaram muitos habitantes. Mesmo no tempo da invasom muçulmana, os judeus eram, segundo Caro, a base da populaçom palestina (88). A conquista muçulmana aqui vai produzir efeitos semelhantes aos que houve em todos os países conquistados.

A populaçom, subjugada, gradualmente assimila-se aos seus conquistadores. Assim como o Egito perdeu todo o seu carácter sob o domínio muçulmano, a Palestina foi finalmente despojada de seu carácter judaico. Ainda hoje, alguns ritos dos camponeses árabes da Palestina recordam a sua origem judaica. Noutros países também, grupos de agricultores ou pastores judeus som submetidos a uma forte pressom para assimiladora e sucumbem cedo ou tarde, e este é o fenómeno essencial cada vez mais evidente pela evoluçom histórica. Somente as comunidades judaicas de carácter nitidamente comercial, numerosas na Itália, Gália, Alemanha, etc. som capazes de resistir a todas as tentativas de assimilaçom. Que fica das tribos judaicas de pastores da Arábia, dos agricultores judeus do norte da África? Nada, exceto as lendas. Em vez disso, os assentamentos comerciais judaicos da Gália, Espanha e da Alemanha, crescem e florescem.

Por conseguinte, nom se pode dizer que se os judeus se têm preservado, nom é apesar, mas precisamente devido à sua dispersom. Se nom tivesse havido Diáspora antes da queda de Jerusalém, se os judeus tivessem permanecido na Palestina, nom há razom para crer que o seu destino tivesse sido diferente do de todas as nações da antiguidade. Os judeus, como os romanos, gregos e egípcios, teriam-se misturado com as nações conquistadoras, teriam adotado a sua religiom e os seus costumes. Mesmo que os atuais habitantes da Palestina continuassem a ostentar o nome de judeus, eles teriam tido tanto em comum com os antigos hebreus que os habitantes do Egito, da Síria e da Grécia com os seus antepassados da antiguidade. Todos os povos do Império Romano foram arrastados na sua debacle. Se os judeus sobreviveram foi porque eles continuaram a levar no mundo bárbaro, o sucessor de Roma, os vestígios do desenvolvimento comercial que caracterizara o mundo antigo. Após a quebra do mundo mediterrâneo eles continuaram a levar entre suas partes dispersas.
D) Os judeus após a queda do Império RomanoÉ, portanto, a transformaçom da naçom judaica em classe o que está na origem da “conservaçom do judaismo”. Na época do colapso do Império Romano o seu papel comercial continua a crescer em importância.

« Se os judeus já participaram antes da queda do Império Romano no comércio mundial, eles atingem uma prosperidade ainda maior após o seu fim ». (89)
É provável que os comerciantes sírios dos que estamos a falar na mesma época fossem também judeus. Esta confusom era comum na Antiguidade. Ovídio fala, por exemplo, do:
“ dia pouco próprio aos negócios, onde se celebra cada semana a festa celebrada pelos sírios da Palestina". (90)
No século IV os judeus pertenciam às camadas abastadas e mais ricas da populaçom ... Crisóstomo diz que os judeus têm grandes somas de dinheiro e que os Patriarcas reunem imensos tesouros. Ele fala da riqueza dos judeus como um fato que os contemporâneos conheciam bem. (91)
Durante séculos os judeus som os únicos intermediários comerciais entre o Oriente e o Ocidente. O centro da vida judaica mudou-se cada vez mais para Espanha e à França. O mestre árabe Ibn Khordâdhbeh (século IX), fala no seu livro das rotas dos judeus radamitas que, segundo ele,
« Falam o persa, latim, árabe, as línguas franca, espanhola e eslava. Eles viajam de Ocidente para Oriente e de Oriente para Ocidente, quer por terra, quer por mar. Eles trazem para o Ocidente eunucos, mulheres escravas, meninos, seda, peles e espadas. Eles embarcam no país dos Francos, no Mar Ocidental e dirigem-se para Faram (Pelusa)... Eles vão para o Sind, a Índia e a China. No seu retorno eles carregam-se de almíscar, aloés, cânfora, canela e outros produtos das terras orientais. Alguns vão a vela para Constantinopla para vender os seus bens, outros vão para a terra dos francos »
É certamente às suas importações que se relacionam os versos de Teodulfo sobre a riqueza do Oriente. Espanha ainda é mencionada no texto de uma fórmula de Luis o Piedoso sobre o judeu Abraão de Saragosa ... Os judeus som os fornecedores de especiarias e tecidos preciosos. Mas segundo os textos de Agobard parece que eles também vendem vinho. Eles ocupam-se do comércio do sal nas ribeiras do Danúbio,. No século X os judeus possuem as salinas perto de Nuremberga. Eles também comerciam com armas. Além disso, exploram os tesouros das igrejas. Mas a sua grande especialidade é o comércio de escravos. Alguns som vendidos no país, mas a maioria som exportados para Espanha. "Judeu" e "comerciante" tornaran-se termos sinónimos. (92)
Assim afirmou um decreto do rei Luís:
« Os comerciantes, ou seja, os judeus e outros comerciantes, donde quer que vierem, deste país ou doutros países, devem pagar uma taxa, quer pelos escravos, quer por outras mercadorias, como era habitual sob outros reis ».(93)
Nom há dúvida de que na era carolíngia os judeus foram os principais intermediários entre o Oriente eo Ocidente. A sua posiçom já dominante no comércio no momento da queda do Império Romano preparou-nos bem para este papel. Foram tratados como cidadãos iguais de Roma. O poeta Rutilius laia-se de que a nação oprimida conquistou os conquistadores. (94)
Em meados do século IV, os comerciantes judeus tinham-se estabelecido em Tongres e Tournai. Os bispos mantiveram as melhores relações com eles e incentivavam fortemente o seu comércio. Sidónio Apolinário pediu ao bispo de Tournai (470) para os receber, dado que “essas pessoas faziam habitualmente bons negócios”.(95)
No século VI Gregório de Tours fala de assentamentos judaicos em Clermont-Ferrand e Orleans. Lyon também tinha naquela época uma grande populaçom de comerciantes judeus (96). O arcebispo de Lyon Agobard na sua carta de Insolentia Judaeorum, queixou-se de que os judeus vendiam escravos cristãos na Espanha. O monge Aronius no século VIII menciona um judeu vivendo na terra dos Francos que trouxe as coisas preciosas da Palestina. (97)
É óbvio que na França, no início da Idade Média, os judeus eram principalmente comerciantes (98). Na Flandres, onde os judeus viveram desde a invasom normanda até a primeira cruzada, o comércio estava nas suas mãos (99). No final do século IX havia em Huy uma grande comunidade judaica. Lá os judeus ocuparam um lugar importante e faziam um comércio florescente... Em 1040 em Liège detinham o comércio nas suas mãos (100). Em Espanha,
« Tudo o comércio exterior era explorado por eles. Este comércio alargava-se a todas as mercadorias do país: vinhos, óleos e minerais. Os tecidos e especiarias, que chegaram no Levante. Acontecia o mesmo na Gália » (101).
Os judeus da Polónia e da Ucrânia também entraram na Europa Ocidental para vender escravos, peles e sal e para comprar todos os tipos de tecidos. Lê-se numa fonte hebraica do século XII que os judeus compravam nos mercados renanos grandes quantidades de tecidos de Flandres para os trocar por peles na Rússia. O comércio judaico entre Mainz e Kiev, "a praça do comércio mais importante da planície do Sul" (102) era muito intensa. (103)
Havia certamente uma importante colónia comercial de judeus neste momento em Kiev, já que se lê numa crónica de 1113 que
« Para decidir Monómaco vier em breve a Kiev, os habitantes desta cidade informaram-lhe que a populaçom preparava-se para pilhar os boiardos e os judeus ».(104)
O viajante árabe Ibrahim Al-Tartoushi também testemunha a dimensom do comércio judaico entre a Europa e o Oriente. Ele escreveu em 973 numa visita a Mainz:
« É maravilhoso que num ponto tão afastado do Ocidenta se achem tantas quantidades de especiarias vindas do Oriente distante ».
Na história sobre o judeu Ben Gourion na obra do geógrafo árabe-persa Qazwini e no relatório da viagem do judeu espanhol Ibrahim ibn Iakov do século X, menciona-se o preço do trigo em Cracóvia e Praga, e as minas de sal pertencentes a judeus (105). Segundo Gumplowicz, os judeus foram os únicos intermediários entre as margens do Báltico e da Ásia. Um documento antigo caracteriza deste jeito os Cazares, tribo mongol do Mar Cáspio convertida ao judaísmo:
« Eles nom têm escravos da terra porque compram tudo com o dinheiro ». (106)
Itil, a capital dos Cazares, foi um grande centro comercial donde partia o tráfego de mercadorias para Mainz.
O converso Herman disse, numa autobiografia escrita, que quando ele ainda era um judeu na idade de 20 anos (cerca de 1127), ele viajava regularmente a partir de Colónia para Mainz para se ocupar de assuntos comerciais porque "todos os judeus estão envolvidos no comércio "(siquidem omnes judaei negotiationi inserviunt).
As palavras do rabino Eliezer Ben Natan som também características da época:
« O comércio, é o nosso principal meio de subsistência ». (107)
Os judeus som
« A única classe cuja subsistência se deve ao comércio. Eles som, ao mesmo tempo, pelo contato que mantêm com os outros, o único elo que restava entre o Oriente e o Ocidente ». (108)
A situaçom dos judeus na primeira metade da Idade Média foi extremamente favorável. Os judeus som considerados parte das classes altas da sociedade e a sua situaçom jurídica nom se afasta significativamente da nobreza. Sob Carlos o Calvo, o edito de Pîtres (864) puniu a venda de ouro ou prata impuro pelo chicote, quando se tratar de servos ou de trabalhadores forçados, e por uma multa de dinheiro quando se tratar de judeus ou de homens livres. (109)
« Os judeus cumpriam entom um papel que respondia a uma urgente necessidade económica, que ninguém mais poderia satisfazer: a profissom comercial ».(110)

Os historiadores burgueses geralmente nom vem muita diferença entre o comércio e a usura antiga ou medieval e o capitalismo na nossa época. No entanto, existe entre o comércio medieval e a usura relacionada a ele, pelo menos tanta distância que entre o grande proprietário capitalista que trabalha para o mercdo e o senhor feudal, entre o proletariado moderno e o servo ou escravo. O modo de produçom dominante na época da prosperidade comercial dos judeus era feudal. Produziam-se principalmente valores de uso e nom valores de troca. Cada domínio era suficiente a si próprio. Apenas alguns produtos de luxo (especiarias, tecidos preciosos, etc) eram objeto de uma troca. Os senhores cediam uma parte dos produtos brutos das suas terras em troca dessas mercadorias raras vindas do Oriente.

A sociedade feudal, baseada na produçom de valores de uso e o “capitalismo” na sua forma comercial e usurária nom som excludentes, mas complementares.
« O desenvolvimento autónomo e predominante do capital como capital comercial corresponde a um sistema de produçom em que o capital nom desempenha nenhum papel e, deste ponto de vista, pode-se dizer que é inversamente proporcional ao desenvolvimento económico da sociedade... Enquanto o capital comercial assegura a troca dos produtos das comunidades menos desenvolvidas, ele criou nom só na aparência, mas quase sempre na realidade, os lucros inflados e manchados pela fraude. Ele nom se limitou a explorar a diferença entre os custos de produçom de vários países, como conduz à equalizaçom dos valores das mercadorias, mas que se apropria da maior parte da mais-valia. Ele consegue isso agindo como um intermediário entre as comunidades que produzem principalmente valores de uso e para os quais a venda destes produtos ao seu valor é de importância secundária, ou lidar com os proprietários de escravos, senhores feudal, governos despóticos, que representam a riqueza... ». (111)
Enquanto o capital comercial e bancário moderno é, economicamente falando, um apêndice do capital industrial e apenas captura uma pequena parte mais-valia criada no processo de produçom capitalista, o capital comercial e usurário faz os seus lucros explorando a diferença entre os custos de produçom de vários países, apropriando-se de uma parte da mais-valia extorquida aos servos pelos seus senhores feudais.

« É sempre a mesma mercadoria na qual o dinheiro se converte na primeira fase e que na segunda fase se converte em mais dinheiro ». (112)
O comerciante judeu nom investe o dinheiro na produçã como irá fazer, alguns séculos mais tarde, o comerciante das cidades medievais. Ele nom compra matérias-primas, ele nom financia os artesãos tecelões. O seu capital comercial é o intermediário entre os produtos que ele nom domina e cujas condições ele nom criou”. (113)
O comércio está intimamente ligado ao empréstimo a juro, a usura. Se a riqueza acumulada nas mãos da classe feudal implica o luxo e o comércio, o luxo, por sua vez, torna-se a marca da riqueza. Inicialmente, o superávit acumulado permete-lhe ao senhor a aquisiçom de tecidos, as especiarias orientais, as sedas e, mais tarde, todos estes produtos tornam-se os atributos da classe dominante. O fato começa a fazer o monge. E quando as rendas ordinárias nom permitem levar o estilo de vida que se tornara habitual para a classe dos proprietários, esta deve tomar emprestado. Uma segunda personagem é adicionada ao comerciante: o usurário. Normalmente, neste momento a segunda personagem é a mesma que a primeira. Só o comerciante tem o dinheiro que precisa o rico perdulário nobre. Mas nom é somente o senhor quem recorre ao usurário. Quando o rei precisa reunir um exército de imediato e o produto normal dos impostos nom é suficiente, ele deve entrar em contato com o homem do dinheiro. Quando o camponês, na sequência de uma má colheita, uma epidemia ou da elevada carga de taxas, impostos e de servidumes, nom pode cumprir a sua carga; quando ele comeu a sua semente, quando nom pode renovar as ferramentas de trabalho utilizadas, entom ele deve tomar prestado o que precisa ao usurário.
A tesouraria do usurário é portanto essencial para uma sociedade baseada na economia natural, é a reserva à que a sociedade se dirige quando se vê envolvida por circunstâncias acidentais.
« O capital produtivo dos juros, o capital usurário, se aplicarmos o nome que corresponde à sua forma original, pertence, com o seu irmão o capital comercial, às formas antediluvianas do capital, às formas muito anteriores à produçom capitalista e encontrar-se nas mais diversas organizações da sociedade ». (114)
« Que os judeus alemães emprestavam dinheiro sob penhores antes mesmo da primeira cruzada, é algo indiscutível. Quando em 1107 o Bispo Herman de Praga penhorou nos judeus de Ratisbona as magníficas tapeçarias da igreja pela soma de 500 marcos de prata, é difícil acreditar que esta fosse a primeira operaçom de crédito deste tipo. Além disso, um documento hebraico reflete os penhores eram habituais nos judeus alemães da época. Mas desta vez, o crédito ainda nom era uma profissom independente, estava intimamente ligado ao comércio ».(115)
Muitas vezes os reis e senhores entregavam aos judeus os produtos dos impostos e taxas. E assim vemos o surgimento de judeus no papel dos arrecadadores de impostos e de cobradores de taxas (116). Os ministros das Finanças dos reis no início da Idade Média muitas vezes eram judeus. Na Espanha, até finais do século XIV, os grandes banqueiros judeus eram ao mesmo tempo arrecadadores de impostos. Na Polónia,

« os reis confiavam aos judeus as funções importantes da administraçom financeira dos seus domínios... Sob Casimiro o Grande e Ladislau Jagellon, nom somente se concede aos judeus os impostos públicos, mas também fontes de renda tão importantes quanto o dinheiro e as salinas reais. Por exemplo, sabe-se que o "Rothschild" de Cracóvia, Levko, o banqueiro de três reis polacos concedeu na segunda metade do século XIV as famosas salinas de Wieliczka e Bochia, e ele também administrava a Casa da Moeda de Cracóvia ». (117)
Enquanto domina a economia natural, os judeus eram indispensáveis para ela. É o seu declínio que vai dar o sinal das perseguições contra os judeus e comprometerá por muito tempo a sua situaçom.

>> seguinte
<<  ANTERIOR


NOTAS

(1) Se calhar a prosperidade comercial da palestina o que fez aparecer a Palestina, sob os olhos dos israelitas, como o país “do mel e do leite”. É provável que a invasom isralelita deu um golpe grave ao comércio palestiniano. Mas com o tempo, os isralitas beneficiaram-se das suas relações com os países do Nilo e do Éufrates.
(2) É, portanto, desde o princípio, umha situaçom geográfica e histórica específica que determina o carácter comercial dos fenícios e dos judeus. É evidente que a proximidade dos centros de cilizaçom providos dumha indústria relativamente importante e a vizinhança do país que já produz para a troca o que permite o desenvolvimento de povos especificamente comerciantes como os fenícios e os judeus. É ao lado dos primeiros grandes centros da civilizaçom que se desenvolvem os primeiros grandes povos comerciantes.
(3) E. C. Movers, Die Phönizier, Bona, 1841-56, p. 17
(4) “Mesmo antes da chegada dos israelitas a Canã, lá o comércio achava-se num alto grau de desenvolvimento. Das cartas que datam do século XV a.n.e., fala-se de caravanas que atravessam Tell-el-Amarna. D. F. Bühl, Die sozialen Verhältnisse der Israeliten, Berlim 1899, p. 76.
(5) Movers, op. cit., p. 19
(6) Movers, op. cit., p. 18
(7) Movers: “Polo seu infatigável entusiasmo comercial e o seu indestrutível espírito empreiteiro, os fenícios adquiriram o nome dum povo comercial sem comparaçom com qualquer pvo da antiguidade. É apenas mais tarde, na Idade Média, que este nome, com todas as más noções a ele ligado, que passa aos seus vizinhos e herdeiros comerciais, os judeus da Diáspora”, op. cit., p. 26
(8) J. Toutain, L’Economie antique, Paris, 1927, p. 24-25.
(9) Estes “marinhos gregos” parecem ter sido sobretodo os metecas, estrangeiros estabelecidos na Grécia. O papel fundamental dos fenícios ligara-se ao desenvolvimento das civilizações egípciaca e assíria; o desenvolvimento da civilizaçom helénica teve por resultado a prosperidade comercial dos metecas.
(10) Toutain, op. cit., p. 40.
(11) Toutain, op. cit., p. 68.
(12) J. Hasebroek, Staat und Handel im alten Griechenland, Tübingen, 1928, p. 112.
(13) Hasebroek, op. cit., p. 78. A produçom dos valores de uso torna-se o fundamento da economia. Todo o que se pode admitir é que a produçom para a troca tomou na Grécia o máximo de extensom possível polo modo de produçom antiga.
(14) Pierre Roussel, La Grèce et l’Orient, Paris, 1928 (coll. Halphen et Sagnac, II), p. 301. Ver também M. Clerc, Les Métèques athéniens, paris, 1893, p. 396. “O comércio marítimo estava, com efeito, em grande parte nas mãos dos metecas”; e H. Francotte, L’industrie dans la Grèce ancienne, Bruxelas, 1900, I, p. 192: “O comércio marítimo na Atenas estava sobretodo nas mãos dos estrangeiros”.
(15-16) “Já nom se pode falar da comercializaçom do mundo, mas da sua industrializaçom. O carácter agrário da economia é predominante mesmo no século IV...” Hasebroek, op. cit., p. 101.
(17) “Toda aproximaçom entre os portos da Grécia antiga e as praças modernas de Génova e de Marselha apenas pode provocar o cepticismo ou o sorriso. Porém, o espetáculo dado por esta troca, estes transportes, estas idas e vindas das mercadorias, era enton novo no Mediterrâneo, diferia profundamente pola sua intensidade e a sua natureza, da que que oferecera o comércio fenício, simples venda ambulante marítima, antes do que um verdadeiro negócio”. Toutain, op. cit., p. 84.
(18) C. Autran, Phéniciens, Paris, 1920, p. 51
(19) L. Brentano, Das Wirtschaftsleben des antiken Welt, Jena, 1929, p. 79
(20) A. Causse, Les Dispersés d’Israël, Paris, 1929, p. 7
(21) A. Causse, Les Dispersés d’Israël, Paris, 1929, p. 54
(22) Esdras, I, 6.
(23) Jüdisches Lexikon, Berlim, 1927, “Elephantine”
(24) A. Causse, Les Dispersés d’Israël, Paris, 1929, p. 79
(25) Segundo livro dos Macabeus, III, 6
(26) Eduard Meyer, Blüte und Niedergang des Hellenismus in Asien, Berlim, 1925, p. 20.
(27) Pierre Roussel, La Grèce et l’Orient, p. 486
(28) Roussel, op. cit., p. 480
(29) L. Brentano, Das Wirtschaftsleben des antiken Welt, p. 78
(30) Ed. Meyer, op. cit., p. 84
(31) André Pigamol, La Conquête romaine, 4ª ed., Paris, 1944 (Col. Halphen et Sagnac, III), p. 207.
(32) Estas lutas de classes estám estritamente limitadas á populaçom livre das cidades gregas. “Umha igualdade mais ou menos grande na posse dos bens parecia necessária para a manutençom desta democracia política. É na origem das guerras sangrentas entre os ricos e os pobres onde começa por surgir a demagogia grega. Mas nunca os escravos, os servos, os metecas, nom fizeram parte destas reivindicações...”. Claudio Jannet, Les Grandes Epoques de l’Histoire économique jusqu’à la fin du XVI siècle, Paris-Lyon, s.d. p. 8
(33) “Com o helenismo, o centro económico do mundo desloca-se para o Oriente” K. J. Beloch, Geschichte Griechenlands (Hellas und Rom), p. 232
(34) Ver Fustel de Coulanges, La Cité antique, Paris, 1863
(35) Maurice Holleaux, Rome, La Grèce et les monarchies héllénistiques, au III siècle av J.-C., Paris, 1921, p. 231.
(36) André Pigamol, op. cit., p. 232.
(37) H. Cunow, Allgemeine Wirtschaftsgeschichte, Berlim, 1926-29, II, p. 61.
(38) Henri Pirenne, Histoire de l’Europe, Bruxelas, 1936, p. 14. “Os produtos afluiam pra o centro sem dar-se umha corrente compensatória de regresso”. G. Legaret, Histoire du développement du Commerce, Paris, 1927, p.13.
(39) Tenney Frank, An Economic History of Rome to the End of the Republic, Baltimore, 1920, p. 108.
(40) Idem, p. 118.
(41) Idem, p. 261.
(42) Estrabom, Geografia, XIV, 5.
(43) Tenney Frank, ibid., pp. 102 s., citado por Toutain, op. cit., p. 300. Toutain nom partilha esta opiniom..
(44) Jean Hatzfeld, Les trafiquants italiens dans l'Orient hellénique, Paris, 1919, pp. 190, 191.
(45) «Na época dos Augusto, a desapariçom dos camponeses foi objeto das preocupações diárias dos círculos dirigentes » Rostovtzeff, Gesellschaft und Wirtschaft im Römischen Kaiserreich, Leipzig, 1931, t. I, p. 56.
(46) K. Kautsky, De Oorsprong van het Christendom, p. 359.
(47) Th. Mommsen, Histoire romaine, tomo VII, p. 233.
(48) Idem., p. 264.
(49) G. Salvioli, Le capitalisme dans le monde antique, trad. fr., Paris, 1906.
(50) Th. Mommsen, Histoire romaine, tomo VII, p. 267.
(51) M. Rostovtzeff, op. cit., I, p. 165.
(52) Idem, II, p. 180.
(53) Wilhelm Schubart, Aegypten von Alexander dem Grossen bis auf Mohammed, Berlim, 1922, p. 167.
(54) M. Rostovtzeff, op. cit., II, p. 135.
(55) E. Albertini, L'Empire romain, (Col. Halphen e Sagnac, IV), 3° ed., Paris, 1939, p. 306.
(56) E. Lavisse e A. Rambaud, Histoire générale du IV° siècle à nos jours, I, Paris, 1894, p. 16.
(57) W. Schubart, Aegypten von Alexander dem Grossen bis auf Mohammed, p. 29. Muito significativa é também a desapariçom gradual da classe dos Cavaleiros, a classe dos « capitalistas” romanos.
(58) « A organizaçom do domínio, tal como aparecia a partir do século IX, é por tanto o resultado de circunstâncias exteriores, nom se produz umha mudança orgânica. Isto significa que se trata dum fenómeno anormal. » « O Imperio francês vai lançar as bases da Europa medieval. Mas a missom que cumpriu teve por condiçom essencial o derrube da ordem tradicional do mundo, nada teria acontecido se a evoluçom histórica nom tivesse mudado o seu curso pola invasom mussulmana. Sem o Islám, o Império franco nunca teria existido e Carlomagno sem Maoma seria inconcebível”. » (H. Pirenne, Les Villes du Moyen Age, Bruxelas, 1927.) Para Pirenne, a economia feudal resulta portanto da destruiçom da unidade mediterrânica provocada principalmente pola invasom mussulmana.
(59) M. Rostovtzeff, op. cit., I, 125.
(60) Salvioli, Le capitalisme dans le monde antique.
(61) E. Gibbon, Histoire de la décadence et de la chute de l'Empire romain, trad. fr., Paris, 1835-1836, t. I, p. 840.
(62) Gibbon, Décadence et chute de l'Empire romain, p. 840.
(63) M. Rostovtzeff, op. cit., II, p. 141.
(64) Toutain, op. cit., p. 363.
(65) Alguns autores vem no despovoamento e esgotamento do solo as causas essenciais da decadência do Império.
(66) M. Rostovtzeff, op. cit., II, p. 213.
(67) M. Rostovtzeff, op. cit., II, p. 232.
(68) Jacques Zeiller, L'Empire romain et l'Eglise, Paris, 1928 (coll. Histoire du monde, V, 2), p. 28.
(69) G.-B. Depping, Histoire du commerce entre l'Europe et le Levant, Paris, 1826.
(70) W. Schubart, op. cit., p. 23.
(71) Th Mommsen, Histoire romaine, tomo VII, p. 274.
(72) W. Roscher, Die Juden im Mittelalter, p. 328.
(73) K. Kautsky, De oorsprong van het Christendom, p. 223.
(74) Estrabom, Géographie, XVI, 2, 34.
(75) K. Kautsky, op. cit., p. 220.
(76) M. Rostovtzeff, op. cit., I, p. 99. Aliás: « Na Mesopotámia, na Palestina, no Egito e na Cirenaica, as revoltas judaicas sangrantes e perigosas eclodiram após a morte de Trajano. A Cirenaica foi fortemente devastada. » Rostovtzeff, II, p. 76.
(77) M. Rostovtzeff, op. cit., II, p. 64.
(78) M. Rostovtzeff, op. cit., II, p. 65.
(79) K. Kautsky, op. cit., p. 330.
(80) Movers, Die Phönizier, p. 1.
(81) Hölscher, Urgemeinde und Spätjudentum (Avhandlinger utgitt av Det Norske Videnskaps Akademie i Oslo, Hist.-filos. klasse, 1928, n° 4), p. 26.
(82) M. Rostovtzeff, op. cit., II, p. 223.
(83) W. Schubart, op. cit., p. 97.
(84) Gibbon, op. cit., tomo II, pp. 196-7.
(85) Elas foram a manifestaçom da decadência da economia romana. Mas as classes inferiores nom estavam em medida de se fazer com o poder. Umha nova classe possuidora serviu-se da sua ideologia para se impor. Umha mudança era necessária; fez-se no eu exclusivo proveito. O mesmo aconteceu, mutatis mutatis, com a « Revouçom fascista ».
(86) W. Schubart, op. cit., p. 46.
(87) Samuel Krauss, Sudien zur byzantinischen-jüdischen Geschichte, Viena, 1914.
(88) G. Caro, Sozial- und Wirtschaftsgeschichte der Juden im Mittelalter und der Neuzeit, 1908-1920.
(89) L. Brentano, Eine Geschichte der wirtschaftlichen Entwicklung Englands, Jena, 1927-1929, p. 361.
(90) Se mesmo estes Sírios nom som judeus, é um facto que já nom se fala nisso na época carolíngea. É possível que se tivessem fundido nas comunidades comerciais judaicas, salvo que tivessem desaparecido completamente por outras causas. Na época carolíngea, « Judeu » é perfeitamente sinónimo de «mercador».
(91) Rabbin Dr. L. Lucas, Zur Geschichte der Juden in vierten Jahrhundert, Berlim, 1910.
«Na Antioquia, são Joám Crisóstomo mostra os judeus ocupando as primeiras posições comerciais da cidade, fazendo suspender todos os negócios quando eles celebram as suas festas. » C. Jannet, Les Grandes Epoques de l'Histoire économique, p. 137.
(92) Henri Pirenne, Mahomet et Charlemagne, 2° éd., p. 237.
(93) Dr. Julius Brutkus, Der Handel der westeuropäischen Juden mit dem mittelalterlichen Kiew (em iídiche), em Schriften für Wirschaft und Statistik, 1928.
(94) De reditu suo, I, 398; cf. G. B. Depping, Les Juifs dans le Moyen Age, Paris, 1834, p. 18.
(95) S. Ullman, Histoire des Juifs en Belgique jusqu'au XVIII° siècle, Anvers, s.d., pp. 9-10.
(96) H. Pirenne, Les villes au Moyen Age, p. 313.
(97) I. Schipper, Anfänge des Kapitalismus bei den abenländischen Juden im früheren Mittelalter,1907.
(98) H. Sée, Esquisse d'une histoire économique et sociale de la France, Paris, 1929, p. 91.
(99) Verhoeven, Algemeene Inleiding tot de Belgische Historie, cité par Ullmann, op. cit.,p. 8.
(100) Ullmann, op. cit., pp. 12-14.
(101) Bédarride, Les Juifs en France, en Italie, en Espagne, p. 53.
(102) H. Pirenne, op. cit..
(103) Dr. Julius Brutzkus, op. cit..
(104) Idem.
(105) Schipper, Anfänge des Kapitalismus bei den abendländischen Juden.
(106) Dr. Julius Brutzkus, Di Geshikhte fun di Bergyiden oyf kavkaz (História dos Judeus montanheses do Cáucaso), em iídiche, em Historishe Shriften fun Yivo (Yivo Studies in History), t. 2, Vílnius, 1937, pp. 26-42, resumo inglês, pp. VI-VII.
(107) I. Schipper, Yidishe Geschikhte (Wirtschaftsgeshikhte), Varsovie, 1930 (em iídiche), tomo II, p. 45.
(108) Henri Pirenne, Mahomet et Charlemagne, p. 153.
(109) Os judeus estám mesmo melhor protegidos que os nobres polo privilégio concedido a eles de Espira Spire por Henrique IV (1090). O cronista polaco do se´culo XII, Vincenti Kadlubek, mostra-nos que a mesma pena, a « septuaginta », que estava fixada por lesa majestade ou por blasfémia, era aplicada aos assassinos dos judeus. Em 966, o bispo de Verona laiava-se que nas batalhas entre cregos e judeus, os primeiros eram punidos dumha multa que triplicava à que deviam pagar os judeus.
(110) W. Roscher, Die Juden im Mittelalter, p. 324.
(111) Karl Marx, Das Kapital, III, Bd., Berlim, 1953, pp. 359, 362-3; cf. a trad. francesa, livro III, t. 1, Paris, Ed. sociais, 1957, pp. 336-339.
(112) Karl Marx, Le Capital, livro III.
(113) Karl Marx, op. cit., livro III, p. 362 (ed. alemá, Berlim, 1953); t. 1, p. 338 (trad. francesa, Paris, 1957).
(114) Karl Marx, Le Capital, livro III (Das Kapital, III, Berlim, 1953, p. 641; trad. franc, livro III, t. 2, Paris Ed. sociais, 1959, p. 253).
(115) Caro, op. cit., p. 197.
(116) « Os banqueiros encarregavam-se também de operar a receita das grandes propriedades senhoriais. Eles cumpriam algumha classe de funçom de gerentes e de intendentes. » G. Davenel, Histoire économique de la Propriété, etc., Paris, 1886-1920, tome I, p. 109.
(117) I. Schipper, Yidishe Geschikhte, tomo IV, p. 224.