sexta-feira, 2 de abril de 2021

CAMPANHA DE VACINAÇOM CONSEGUE TRAVAR OS CONTÁGIOS EM ISRAEL

Logo dumha campanha maciça de vacinações, o Estado de Israel conseguiu controlar a expansom da pandemia de Covid-19: os novos casos diários de contágios diminiuram drasticamente a partir dumha taxa de vacinaçom de 26%.

Segundo os últimos dados fornecidos por Our World in Data, Israel encabeça a campanha de vacinações em nível mundial, com os 60,68% da sua populaçom imunizada logo de administrar 5,21 milhões de doses. Assim sendo, no dia de hoje reportaram os mínimos valores de novos casos (251) e de casos ativos (6581). Ainda restam no país 368 casos graves.


quarta-feira, 31 de março de 2021

539 ANOS DO DECRETO DE ALHAMBRA DE EXPULSOM DOS JUDEUS

 "No mesmo mês em que as suas Majestades [Fernando e Isabel] emitiram o édito de que todos os Judeus deveriam ser expulsos do reino e dos seus territórios, no mesmo mês deram-me a ordem de empreender com homens suficientes a minha expediçom de descoberta das Índias". Assim começa o diário de Cristóvão Colombo. A expulsom a que Colombo se refere foi um evento tam cataclísmico que, desde entom, a data de 1492 foi marcada a ferro na história judaica. Em 31 de julho daquele ano, toda a comunidade judaica, cerca de 300.000 pessoas, foi expulsa dos reinos sob o domínio das Coroas de Castela e de Aragom.

Cópia assinada do édito de expulsom dos Judeus

A expulsom dos Judeus fora o projeto favorito da Inquisiçom castelhana, chefiada polo padre dominicano Tomas de Torquemada. Torquemada acreditava que, enquanto os Judeus permanecessem em Castela, eles influenciariam dezenas de milhares de Judeus convertidos ao cristianismo a continuar praticando o judaísmo.  Mais da metade dos Judeus do Reino de Castela converteram-se em consequência da perseguiçom religiosa, levantamentos antijudaicos e pogroms que ocorreram em 1391. Devido aos contínuos ataques, cerca de 50 000 outros se converteram em 1415. O antissemitismo sempre foi um motor do nacionalismo espanhol pan-castelhano.

Fernando e Isabel rejeitaram a exigência de Torquemada de que os Judeus fossem expulsos até janeiro de 1492, quando o exército castelhano derrotou as forças do Reino de Granada (o último estado muçulmano da Península Ibérica), restaurando assim o domínio cristão no território que controlavam. Com o seu projeto mais importante realizado, a rainha de Castela casada com o rei de Aragom, concluiu que os Judeus eram dispensáveis. Os reis católicos encargarom a Torquemada e aos seus colaboradores a redaçom do decreto de expulsom sob três condições que deveriam ficar refletidas no documento: 

  • que justificassem a expulsom imputando aos Judeus dous delitos suficientemente graves (a usura e a herética pravedade)
  • que se desse um prazo suficiente para que os Judeus pudessem escolher entre o batismo ou o exilo
  • os que se mantiverem fiéis ao Judaismo puidessem dispor dos seus bens móveis e imóveis (salvo ouro, prata e cavalos)

Torquemada apresentou o projeto de decreto aos monarcas a 20 de março de 1492 e os reis assinaram-no e publicaram-no em Santa Fe (Granada) a 31 de março. Existem duas versões: umha assinada polos reis e válida para a Coroa de Castela e outra assinada apenas polo rei Fernando de Aragom e valida para os seus estados da Coroa de Aragom. O decreto nom abrangia o Reino de Navarra, independente nessa altura.

A segunda parte do decreto pormenorizava as condições da expulsom:

  1. A expulsom dos Judeus era definitiva: "acordamos mandar sair todos os Judeus e Judeus dos nossos reinos e que jamais tornem nem voltem a eles nen algum deles".
  2. Nom havia qualquer exceçom, nem por razom de idade, morada ou local de nascença (incluídos tanto os nascidos em Castela e Aragom quanto os vindos de fora).
  3. Dava-se um prazo de quatro meses para que saissem dos domínios dos reis. Os que nom o fizerem dentro desse prazo ou voltassem depois seriam punidos sob pena de morte e a confiscaçom dos seus bens. Aliás, os que auxiliarem os Judeus ou os ocultassem expunham-se a perder "todos os seus bens, vassalos e fortalezas e outras heranças".
  4. No prazo fixado de quatro meses os Judeus poderiam vender os seus bens imóveis e levar o produto da venda em forma de notas promissórias (nom em moeda cunhada ou em ouro e prata porque a sua saída era interdita por lei) ou de mercadorias (sempre que nom forem armas ou cavalos, cuja exportaçom também era proibida.

Com certeza, todos os eventos iriam acontecer por causa da vontade implacável dum homem, Tomas de Torquemada.

Tomás de Torquemada (1420-98)

Em 31 de março, foi expedido o decreto de expulsom, que deve entrar em vigor em exatamente quatro meses (31 de julho), mas por motivos logísticos o prazo foi alargado até o 2 de agosto. O curto espaço de tempo foi umha grande vantagem para os gentios, pois os Judeus foram forçados a liquidar as suas casas e negócios a preços absurdamente baixos. Ao longo daqueles meses frenéticos, os padres dominicanos encorajaram ativamente os Judeus a se converterem ao cristianismo e, assim, ganharem a salvaçom neste mundo e no próximo.

Dezenas de milhares de refugiados morreram enquanto tentavam chegar a um local seguro. Nalguns casos, os capitães de navios espanhóis cobraram somas exorbitantes e depois os Judeus foram jogados no mar no meio do oceano. Nos últimos dias antes da expulsom, espalharam-se boatos por toda a Espanha de que os refugiados em fuga engoliram ouro e diamantes, e muitos Judeus foram esfaqueados até a morte por bandidos na esperança de encontrar tesouros nos seus estômagos.

Diáspora sefardita

Os Judeus que rejeitaram abandonar a sua identidade etno-religiosa rumaram diversos destinos: Magrebe, Estados italianos, o Império Otomano e outros lugares da Europa, entre os quais, Portugal.

Os mais afortunados dos Judeus expulsos conseguiu escapar para o Império Otomano, onde receberam refúgio. Sabendo da expulsom, o sultam Bayezid II despachou a Marinha Otomana para trazer os Judeus em segurança para as terras otomanas, principalmente para as cidades de Salónica (atualmente na Grécia) e Izmir (atualmente na Turquia). Muitos desses Judeus também se espalharam noutras partes dos Balcãs sob domínio otomano, como as áreas que hoje som a Bulgária, a Sérvia e a Bósnia (nomeadamente a cidade de Sarajevo). A respeito desse incidente, Bayezid teria dito "aqueles que dizem que Fernando e Isabel som sábios son realmente tolos; pois ele deu-me, o seu inimigo, o seu tesouro nacional, ls Judeus", frisando que "o mesmo Fernando que empobreceu a sua própria terra e enriqueceu a nossa?" Entre os refugiados mais infelizes estavam aqueles que fugiram para o vizinho Portugal. 

Doravante, os judeus espanhóis expulsos seriam conhecidos como sefarditas. Sefarad era o nome hebraico para a Espanha. Após a expulsom, os sefarditas impuseram-se umha proibiçom informal de os Judeus viverem novamente em Espanha. Especificamente porque a sua estada anterior naquele país tinha sido muito feliz, os Judeus consideraram a expulsom como umha traiçom terrível, e desde entom lembram-se dela com particular amargura. Das dezenas de expulsões dirigidas contra Judeus ao longo de sua história, a operada pola católica Espanha continua a ser a mais infame.

Validade do Decreto de Expulsom

O Decreto de Alhambra foi oficialmente revogado em 16 de dezembro de 1968, no Concílio Vaticano II. Logo a seguir, a 21 de dezembro de 1969, o ditador Francisco Frango derrogou-o oficialmente. Isso foi um século inteiro depois que os Judeus praticavam abertamente sua religiom em Espanha e as sinagogas eram mais umha vez locais legais de culto sob as Leis de Liberdade Religiosa ao abrigo da constituiçom de 1869. Em 1924, o regime de Primo de Rivera concedeu a cidadania espanhola a toda a diáspora judaica sefardita. 

Em 2014, o governo do Estado do Reino de Espanha aprovou umha lei que permite a dupla cidadania aos descendentes de Judeus que se candidatam, para "compensar os eventos vergonhosos do passado do país". Assim, os Judeus sefarditas que podem provar que som descendentes dos Judeus expulsos por causa do Decreto de Alhambra podem "tornar-se espanhóis sem sair de casa ou desistir de sua nacionalidade atual."

domingo, 28 de março de 2021

"O XUDIO" E A "TAFONA DA HERMÍNIA" DE RIBADÁVIA FECHAM DEFINITIVAMENTE

 As restrições por causa da pandemia e Covid-19 estám a provocar o encerramento de muitos estabelecimentos de hotelaria por toda a parte. Ribadávia, vila galega com umha importante herança judaica, nom é imune a essa realidade e nos últimos dias está a sair à tona da atualidade o fecho de dous locais de referência nas judiarias galegas.

O primeiro caso, noticiado a 12 de março polo jornal La Región de Ourense, é o da "Tafona da Hermínia", localizado na Rua da Porta Nova de Arriba, na cerna da Judiaria de Ribadávia. A sua proprietária, Dona Hermínia Rodrigues Carvalhal, anunciava, logo de mais de trinta anos de atividade, o encerramento da sua loja de bolos hebraicos. A loja era ponto de paragem obrigatória nas visitas à capital do Ribeiro.

Dona Hermínia junto do cartaz da sua popular tafona. FOTO: A.CH. | La Región

Até hoje ela comandava a única loja especializada em confeitaria judaica (Mamul, Ghorayebah, Kupferlin, massas de papoila...). Um receituário único que apenas ela conhece. «Quando trabalho nom quero ninguém comigo. Faço-o tudo a mão, mas ninguém sabe como. Nem o meu homem nem os meus filhos», referia ela numha entrevista publicada em 2018. Eu antes dizia, «se me acontecer qualquer cousa deixai tudo em depósito no museu, mas agora digo que nom, que o conservem porque assim sempre terám onde trabalhar».

Logo depois, a 27 de março, conhecíamos que outro local histórico, a taberna "O Xudio" também fecha. O seu propriétario, D. António Alvares Sousa, gerenciava o negócio desde 1987 depois de tê-lo recebido doutra família. Entom decidiu nom mudar o nome do local, "O Xudio" (O Judeu).

D. Antonio Álvarez Sousa, proprietário d'O Xudio. FOTO: MIGUEL VILLAR | La Voz de Galicia

A pandemia acelerou o encerramento e o seu proprietário acordou reformar-se. Sempre aberto no número 10 da Rua da Judiaria (Merelles Caula), este restaurante oferecia todo tipo de petiscos e era um ponto de encontro na celebraçom da Festa da Istória.

Com o habitual desleixo com o seu passado judaico, nom admira que a Câmara Municipal de Ribadávia nada tivesse feito para evitar o encerramento destes locais que mantiveram até hoje a esteira viva da herança judaica na Galiza.


sexta-feira, 26 de março de 2021

VACINAÇOM MACIÇA PROVOCA QUEDA DRÁSTICA DE CONTÁGIOS EM ISRAEL

Antes de os relógios em Israel ser adiantados para o modo de verão às 2 horas na noite de quinta-feira, 26 de março, acontece em meio à saída sustentada de Israel da pandemia de coronavírus. Horas antes, o  ministro da Saúde, Yuli Edelstein, relatou que mais de metade da populaçom de Israel foi vacinada contra a Covid-19 numha campanha rápida desde dezembro (9,90 milhões de doses, o que representa 114,43% da populaçom) . Mesmo assim, a cidadania é incentivada a seguir as diretrizes para se proteger contra outro surto. 

Coincidindo com as eleições, os dados epidemiológicos melhoraram grandemente em Israel, reduzindo-se drasticamente os novos contágios reportados diariamente (538 hoje). O número de pacientes gravemente enfermos diminuiu para 482, dos quais 189 precisam ventiladores. Durante o ano desde a eclosom da pandemia, 6.165 pessoas morreram do patógeno.

Os Palestinianos de Jerusalém Oriental (residentes permanentes do Estado judeu) também foram vacinados como parte da populaçom, bem como os Palestinianos com empregos em empresas israelitas. A Autoridade Nacional Palestina começou a lançar umha campanha de vacinaçom limitada com doses fornecidas por Israel, Rússia, Emirados Árabes Unidos e a iniciativa global de compartilhamento de vacinas COVAX.

EN ANDAMENTO NEGOCIAÇÕES PARA 24º GOVERNO DE ISRAEL

 Com os 99,5% dos votos apurados, a 24 Knesset eleita na última terça-feira ficou constituída em tres blocos: Anti-Netanyahu 57 mandatos, pró-Netayahu 52 e um terceiro, chamado de "neutro", com 11.

O Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "Bibi",  nom conseguiu chegar às 61 cadeiras e terá dificuldade em formar o novo governo. O "Bibi",  na chefia do governo de Israel desde 2009 (mas tendo também servido na posiçom entre 1996-99), é o premier mais antigo na história do Estado Judeu e o primeiro a nascer em Israel após a sua Declaraçom de Independência em 1948. 

Fonte: CONEXÃO ISRAEL
https://www.facebook.com/conexaoisrael.org

Bloco pró-Netanyahu

O partido dele, o Likud, sai destas eleições como saiu das três anteriores: sem conseguir maioria para armar a coaligaçom. No entanto, desta vez a derrota foi mais significativa, desde que nom havia um grande partido para lhe fazer frente como o Azul e Branco, e o partido dele perdeu mais de 300 mil votos em comparaçom com as eleições passadas (6 cadeiras a menos). Surpresivamente, o atual primeiro-ministro nom tirou qualquer proveito eleitoral da  campanha maciça de vacinaçom para a Covid-19 levada a cabo sob a sua liderança (Israel é hoje líder mundial com 114,43% da populaçom imunizada).

Netanyahu está mais perto da linha da maioria absoluta (61 lugares), já que o Likud e os partidos religiosos (9 Shas, 7 de Judaísmo da Torá e 6 de Sionismo Religioso) constituem um bloco ideológico sólido de direita de 52. 

Para além dos partidos ultra-ortodoxos, Sionismo Religioso (5,1%), partido extremista criado para concorrer nestas eleições, atingiu umha bancada expressiva, contando com o apoio de Netanyahu que chegou a pedir votos para o aliado.


Bloco anti-Netanyahu

O partido de centro Yesh Atid, de Yair Lapid, com 17 mandatos e 13,9% de votaçom, é o rival mais próximo do Likud e nom terá umha tarefa mais fácil do que Netanyahu para formar umha coaligaçom de governo, já que terá de travar umha aliança com cerca de dez fações imcompatíveis num governo de maioria para a mudança. Com pouco em comum, a aversom a Netanyahu e a determinaçom de afastá-lo do poder é o único que liga estes grupos.

As forças deste bloco variam de Nova Esperança, de Gideon Saar, ex Likud, com 6 mandatos (4,7%), Israel Nossa Casa/Israel Beitenu de Avigdor Lieberman, com 8 mandatos (5,6%) de Azul e Branco/Kachol Lavan de Benny Gantz, com 8 mandatos (6,6%), o Partido Trabalhista, com 7 lugares (6,1%) e Meretz, com 6 cadeiras e 4,6%.

O partido Azul e Branco, o segundo maior bloco da última Knesset, também saiu muito enfraquecido (perdeu 9 mandatos), mas curiosamente é visto como um grande vencedor nestas eleições. O motivo: o partido abeirava a cláusula de barreira (3,25% dos votos) e por fim conseguiu compor a quarta maior bancada da casa.

Os partidos de esquerda, Trabalhista e Meretz, dobraram a suas bancadas, mas compõem, juntos, apenas cerca de 10% da Knesset atual.

O partido Nova Eperança, de recente criaçom e comandado por Gideon Saar, ex-Likud, lançou como candidato o seu líder para a substituir Netanyahu. Porém, apesar das boas sondagens iniciais, perdeu muita força na campanha e formou umha bancada pequena. Como primeira tarefa o seu líder, juntamente com A. Lieberman, os dous mais ferrenhos oponentes de Netanyahu, propõem aprofundar no processo com um projeto de lei destinado a desqualificá-lo como primeiro-ministro devido ao seu julgamento por corrupçom em andamento. Para conseguir isso, eles precisam dum voto maioritário para destituir o presidente do Likud.

Os partidos árabes da Lista Unificada (6 mandatos e 4,8%) som contados no bloco contra Netanyahu, mas também nom estám no campo de Lapid, embora o líder oposicionista os agrupe no seu grupo. A sua estratégia é nom envolver-se na política estatal do Estado Judeu. Os políticos árabes foram os maiores derrotados desta eleições, sendo vítima dumha rutura que enfraqueceu a coaligaçom em quase 50% e pagou um alto preço pola baixa participaçom do eleitorado árabe na votaçom.


Bloco neutro

Este bloco está formado por 11 mandatos: 7 do Yamina, direita liberal-conservadora ortodoxa, e os 7 do partido Lista Árabe, de tendência islamita.

O Yamina (6,2%) foi umha outra força derrotada nas eleições logo depois de o seu líder, Naftali Bennet, ter lançado umha campanha alvejando substituir Netanyahu. Apesar de aparecer bem nas primeiras sondagens, finalmente perdeu muito fôlego na reta final e formou umha bancada pequena.

A Lista Árabe/Ra'am (3,8% de votaçom) concorreu em solitário após sair da Lista Unificada por desavenças com a estratégia dos partidos árabes de permanecerem ideologicamente distantes da política estatal de Israel e do seu governo e por travarem conversas com o Primeiro-ministro Netanyahu.

Possíveis alianças

Ao abrigo dos resultados, mais umha vez, as possibilidades de governo sem Netanyahu som muito pequenas, além de envolverem grupos antagônicos cuja única semelhança é a oposiçom ao primeiro-ministro.

Na dialética de blocos, o Likud, na hipótese de, por proximidade ideológica, aliar-se com o Yamina (7 mandatos), poderia comandar um bloco de direita de 58 lugares. Porém, nom é suficiente, ficando a 3 da maioria absoluta. Nesta hipótese, os dous grupos rivais estám isolados 58 contra 57, com um pequeno partido árabe (o Ra'am) segurando o equilíbrio dumha maioria de 61.

Pola primeira vez na história parlamentar de Israel, o resultado desta eleiçom deu a chave para determinar o vencedor umha força árabe. Com certeza, as quatro cadeiras conquistadas por Ra'am de Masoud Abbas transformaram-se em ouro. Por enquanto, o líder árabe ainda nom desvendou a sua escolha.

Além disso, partidos aliados dos dous blocos recusam-se a cogitar a possibilidade de travar umha aliança com partidos árabes. Esse é o caso tanto de Israel a Nossa Casa de Lieberman quanto do Sionismo Religioso, cujo líder, Bezalel Shmotrich, descartou a participaçom de qualquer forma do partido Ra'am de Abbas Mansour num futuro governo nos seguintes termos: “Um governo de direita baseado no apoio de Mansour é inaceitável, ponto final; seja de dentro ou de fora, por abstençom ou por qualquer outro blefe”.

Depois que o Comitê Central de Eleições publicar os resultados oficiais, na próxima quarta-feira, a bola passa para o Presidente de Israel, Reuven Rivlin, cujo trabalho é selecionar, em consulta com os líderes dos partidos, o membro do Knesset mais apto para estabelecer um governo estável.

Quintas eleições em dous anos?

Segundo o DEBKA, as difíceis negociações da coaligaçom já estám em andamento e prometem os exercícios mais repreensíveis de política mesquinha e destruiçom pessoal. Ainda falta ver um governo estável. Umha quinta eleiçom nom é mais mencionada como umha piada. Para o analista João Koatz Miragaya, da Conexão Israel, "agora resta-nos observar se haverá umha coaligaçom em Israel, ou se iremos a novas eleições em agosto, pola quinta vez em pouco mais de dous anos".

quarta-feira, 24 de março de 2021

AS ELEIÇÕES EM ISRAEL DECORREM COMO SE NOM TIVESSE ACONTECIDO A PANDEMIA

 Com os 99,5% de votos apurados [25/3/2021], o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nom tem o governo nas mãos, como mostravam as sondagens israelitas (preliminares de boca das urnas). Os resultados das eleições de ontem decorreram como se a pandemia da Covid-19 nom tivesse acontecido e o governo nom tivesse promovido umha campanha de vacinações extraordinária e única no mundo.


No total, o bloco pró-Benjamin Netanyahu (Bibi)  conseguiu 52 mandatos contra 57. A continuidade do atual primeiro-ministro na chefia do governo vai depender, portanto, dos 11 mandatos do bloco neutro conformado nom apenas polo Yamina e do seu líder, Naftali Bennett, mas também do Ra'am (Lista Árabe islamita) que abandonou a Lista Unificada na sequência dumha mudança de estratégia desta parcela dos representantes da comunidade árabe-isrelita.

As chances de novas eleições dentro de quatro meses nom som pequenas.  E aí? O que vai ser?, pergunta-se a Conexão Israel.

Porém, estes resultados som provisórios, já que faltam cerca de 12% dos votos por apurar, os conhecidos como envelopes duplos, que devem ser contabilizados até esta sexta-feira. Estes votos som de pessoas que nom puderam comparecer às urnas por razões justificadas, como pessoas internadas em hospitais, soldados, presidiários, funcionários do Estado no exterior...

ATUALIZAÇOM (25/3/2021): Com os 99,5% de votos apurados, a distribuiçom por blocos fica: 52 pró-Netanyahu contra 57 e 11 "neutros".

segunda-feira, 22 de março de 2021

O ISRAEL START-UP NATION APRESENTA A SUA EQUIPA DA VOLTA À CATALUNHA COM UMHA BANDEIRA INDEPENDENTISTA

 O Israel Start-Up Nation é a primeira equipa profissional israelita que, após a sua fundaçom em 2015, procura preparar jovens ciclistas de Israel e outros países sem umha tradiçom de ciclismo, tenham a oportunidade de ser parte da família do ciclismo profissional.

No dia 21 de março a apresentaçom da equipa do Israel Start-Up Nation para a Volta Ciclista à Catalunha de 2021 tornou-se viral por causa do cartaz de promoçom escolhido pola organizaçom. Numha imagem nas redes sociais e também no seu site, a fotografia dos ciclistas aparecia com umha estelada (bandeira do movimento independentista catalão) de fundo.



A equipa israelita estreia Chris Froome (Reino Unido) na nova equipa. Froome é a sua estrela e a grande esperança para a volta catalã.

A Volta a Catalunha faz agora 100 anos, umha ediçom que deveu ter chegado em 2020, mas a pandemia de coronavírus impediu a sua realizaçom. A Covid-19 adiou a Volta e em 2021 regressa com mais força. A organizaçom mantém o mesmo percurso planeado para o 2020.

A equipa israelita tem o seu campo de treinamento em Girona e Goldstein (Israel), Impey (África do Sul), Hollenstein (Suíça) e Cataford (Canadá) acompanham Froome. Também Woods (Canadá) e Martin (República da Irlanda) para as etapas de montanha.

A imagem da estelada foi polémica, provocando todo tipo de comentários (negativos entre os espanholistas e positivos entre os independentistas), e o Israel Start-Up Nation acabou removendo-a e publicando umha outra com a senyera (bandeira oficial da Catalunha).


Nesta ediçom tormar-se-ám medidas por causa da pandemia, realizando testes de PCR a toda a organizaçom e aos 120 voluntários. "As empresas e todos os trabalhadores que vierem à Volta têm de levar um teste PCR negativo e as equipas e corredores som controladas pola UCI", referiu Rubèn Peris, o diretor da Volta.

Saiba mais sobre as relações entre Israel e a Catalunha:

> Israel perante a independência da Catalunha

> As relações entre a Catalunha e o Estado de Israel




domingo, 21 de março de 2021

SONDAGENS PERANTE AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS ISRAELITAS DE 23 DE MARÇO

A tabela de abaixo mostra os resultados (em mandatos) das sondagens eleitorais publicadas no mês de março para as eleições legislativas. Os partidos que ficam abaixo do limiar eleitoral de 3,25% som denotados por 0 lugares.

Som necessários 61 mandatos para a maioria no Parlamento israelita (Knesset).


A seguir mostra-se a distribuiçom de mandatos do XXIII Knesset saído das eleições de 2 de março de 2020, as terceiras no espaço dum ano após dous falhanços consecutivos para ser formado governo.
*Em negrito os partidos da coaligaçom governamental.


LIKUD
O Likud é um movimento nacionalista liberal fundado em 1973 por Menachem Begin e é influenciado diretamente pola ideologia sionista de Theodor Herzl e Ze’ev Jabotinsky.  Autodefinido como direita nacional, atualmente detém a titularidade do poder executivo em Israel. Desde de 1977 até os dias de hoje, o Likud é o partido que mais vezes ocupou a chefia do governo de Israel.

Acredita que o povo judeu possui um direito eterno e incontestável ao Estado de Israel. Considera que este direito de existência é indissociável a outros direitos fundamentais, como o direito à paz, segurança, liberdade e bem-estar num regime democrático. Destarte, entende que a existência de Israel como um Estado judeu independente no Próximo Oriente depende em primeiro lugar, e acima de tudo, da sua capacidade política e militar. Portanto, as políticas acerca da segurança e da política externa deverám ser classificadas como prioritárias no país.

Benjamin Netanyahu, ocupa a cadeira de primeiro-ministro do país desde 2009 exercendo o seu quinto mandato (foi primeiro-ministro também em 1996-1999). 

O programaapresentado na eleiçom geral em 2009, indicava que o Likud estaria “disposto a fazer concessões para a paz”. Em paralelo foram estabelecidas “linhas vermelhas” para possíveis acordos com os Árabes, incluindo a preservaçom da integralidade e indivisibilidade de Jerusalém como capital do Estado Judeu e a negativa a demanda palestiniana para o regresso dos refugiados ao país. Embora líderes do Likud já terem declarado a sua oposiçom à criaçom dum Estado Palestiniano ao lado de Israel, Bibi declarou num famoso discurso de 2009, na universidade Bar-Ilan “Se os palestinianos reconhecerem Israel como um Estado judeu, será possível a criaçom dum Estado palestino desmilitarizado lado a lado de Israel”. Apesar de ter repetido esta frase noutras oportunidades em discursos na ONU, esta nom é umha posiçom pacificada no partido e enfrenta duras críticas internas.

YESH ATID
Partido liberal criado em 2012 a partir da liderança de Yair Lapid, um jornalista que tinha um próprio programa no prime time do principal canal da televisom israelita e a sua coluna no jornal de maior circulaçom até optar pola política. É filho de Yossef “Tommy” Lapid, sobrevivente do Holocausto e líder do antigo partido centrista israelita Shinui. 

Nas eleições seguintes, o Yesh Atid recebeu 11 cadeiras, compondo a quarta maior bancada da casa. Em 2019 o Yesh Atid concorreu em conjunto com o partido Resiliência a Israel (Chossen LeIsrael). A lista chamava-se Azul e Branco (Kachol-Lavan). Após as terceiras eleições consecutivas, Benny Gantz, líder do Azul e Branco, decidiu ingressar no governo Netanyahu, rompendo a sua aliança com Yair Lapid, que passou a ser o líder da oposiçom. O Yesh Atid, entom, voltou a existir como umha lista independente.

Propõe umha rediscussom do status-quo, a fim de garantir a liberdade de todos os cidadãos. Para isso visa a instituiçom do casamento civil, a flexibilizaçom da conversom, liberaçom dum transporte público restrito e regulamentado no Shabat, permissom para as mulheres rezarem no Muro das Lamentações, criaçom de cemitérios laicos, presença feminina no rabinato central e oposiçom à lei que proíbe a abertura de estabelecimentos comerciais no Shabat.

O Yesh Atid também visa a inserçom da populaçom ultraortodoxa no mercado de trabalho, na universidade e no serviço militar obrigatório, além de instituir a obrigaçom das escolas ultraortodoxas a cumprirem com as determinações do Ministério da Educaçom e ensinarem as disciplinas básicas.

O partido vê o aumento da populaçom palestiniana como umha ameaça ao Estado judeu, por isso é necessária a separaçom dos povos em dous Estados, sem que a segurança de Israel seja ameaçada. Para isso o Yesh Atid propõe umha conferência regional com a presença doutros países árabes, com iniciativa israelita, mas opondo-se à unilateralidade de açom, a fim de encontrar umha soluçom, tal qual a normalizaçom de acordos com outros países. O partido propõe que Israel mantenha os grandes blocos de assentamento sob soberania israelita, e nom aceita negociar Jerusalém.

YAMINA
Yamina (à direita) foi a lista criada para reunir os partidos A Casa Judaica, Uniom Nacional e A Nova Direita para as segundas eleições de 2019 e as de 2020. Hoje os partidos Uniom Nacional e A Casa Judaica retiraram-se da corrida eleitoral e sobrou somente o terceiro partido, que herdou o nome “Yamina”.

O partido classifica-se como de direita liberal, mas nom tem muito sucesso em desvincular-se da forte relaçom com a populaçom sionista-ortodoxa, fortemente conservadora, devido ao passado do seu líder Naftali Bennett como líder do partido A Casa Judaica e como presidente do lobby pró-assentamentos Conselho de Judeia e Samária. Apesar disso, todos os esforços som feitos para atingir o público secular israelita.

Como foi formado há pouco tempo, o partido nom tem programa de governo. 

Para este partido a Terra de Israel pertence ao povo judeu desde os tempos bíblicos, e somente nesta terra pode o povo judeu existir e cumprir o seu destino. Opõe-se à concessom de qualquer pedaço da Terra de Israel para a criaçom dum Estado palestino. Posiciona-se a prol da expansom dos assentamentos, e pretende mudar o status militar dos assentamentos da Cisjordânia para o controlo civil, sobretudo nos Territórios C, onde a maioria da populaçom é judia. Jerusalém, na sua condiçom de capital eterna e indivisível do Estado de Israel, nom deve ter qualquer restriçom para a construçom de habitações para a populaçom judaica.

NOVA ESPERANÇA
O Nova Esperança é um partido criado polo ex-Likud Gideon Saar a fim de concorrer para estas eleições de 2021. O partido define-se como de direita sionista liberal e estadista, e reúne umha grande quantidade de ex-membros do Likud insatisfeitos com a liderança de Netanyahu. Saar prometeu diversas vezes nom fazer parte dumha coaligaçom com Netanyahu de forma algumha.

Gideon Saar hoje é avaliado como o nome com maior aceitaçom por parte da populaçom para exercer o cargo de primeiro-ministro depois de Benjamin Netanyahu.

Sem posiçom partidária sobre a questom da Palestina, sabe-se que Gideon Saar posiciona-se de forma contrária à criaçom do Estado palestino. No seu partido há membros mais moderados neste aspecto (como Ze’ev Elkin, que chegou a ser parte do partido Kadima), e mais radicais, como Dani Dayan, ex-presidente do Conselho de Judeia e Samária, o lobby dos colonos da Cisjordânia. 

LISTA UNIFICADA
A Reshima Meshutefet (רשימה משותפת – Lista Unificada) é a coligaçom dos cinco partidos de eleitorado fundamentalmente árabe, que uniram forças nas eleições de 2015. Os partidos eram Ra’am, Ta’al, Mada, Bal’ad e Hadash. Os cinco partidos nom possuem visões político-ideológicas semelhantes, mas viram-se obrigados a juntar-se após a cláusula de barreira aumentar para 3,25%, maior do que qualquer um deles atingiu individualmente nas eleições de 2013.

Para 2021, o partido Ra’am (Movimento Islâmico do Sul) nom entrou em acordo com os três principais partidos da lista, e decidiu concorrer separadamente. O Ra’am tem relações mais fluidas com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do Likud, o que nom é aceite polos outros partidos árabes da lista.

Os partidos Ra’am (Lista Árabe Unida), Ta’al (Movimento Árabe de Renovação) e Mada (Partido Democrata Árabe) já concorrem num bloco, conhecido como Ra’am-Ta’al, desde 2006. O bloco recebeu 13 cadeiras na Knesset, compondo a terceira maior bancada da casa.

Ta’al/Partido Democrata Árabe: Foi fundado polo médico Ahmed Tibi nos anos 1990. É visto como um braço político do Fatah (partido do Presidente da Autoridade Palestiniana Mahmmoud Abbas) em Israel. O Ta’al também defende a criaçom dum Estado palestiniano nas fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Oriental. O partido luta para que os árabes-israelenses tenham status legal de minoria étnica, e é um dos mais progressistas em relaçom aos direitos da mulher entre os partidos de eleitorado árabe.

Balad/Uniom Democrática Nacional: Partido nacionalista árabe que rejeita o sionismo e tem partidos-irmãos em todo o mundo. O partido deseja que os árabes-israelitas sejam declarados umha minoria nacional, além da criaçom dum Estado palestiniano nas fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Oriental e o retorno de todos os refugiados de 1948. O principal nome do partido é o historiador Sami Abu Shehadeh.

Hadash: É a junçom do Maki (o histórico Partido Comunista Israelita) com movimentos menores. O partido define-se como umha lista árabe-judaica, e por isso o termo “árabe” nom intitula a Lista Unificada. O partido conta com o número 1 da lista (Ayman Odeh). O Hadash há tempos abandonou a ideia dum Estado binacional, mas rejeita o sionismo. O partido crê que Israel deve ser um Estado democrático e nom judaico, onde todos os seus cidadãos gozem dos mesmos direitos. O partido foi um dos principais prejudicados com o aumento da cláusula de barreira, pois pode perder parte dos seus eleitores judeus (algo em torno de 15% do total).


SHAS
Fundado em 1984 polo rabino Ovadia Yossef (ex-rabino chefe de Israel), Shas (ש”ס) é umha sigla que significa “Guardiões da Torá Sefaraditas”. O partido foi fundado treze anos após tensões recorrentes entre a comunidade judaica sefardita (judeus de origem oriental) e o governo trabalhista de Golda Meir, acusado de negligenciar os judeus orientais (mizrahim) em detrimento dos imigrantes vindos da URSS.

As principais bandeiras do Shas som cuidar da populaçom judaica de baixa renda e garantir um Estado judaico em Israel.  Como partido religioso, o Shas acredita num Estado judeu baseado nos valores democráticos da Torá.

Para o Shas, Israel deve-se esforçar para viver em paz e segurança com os seus vizinhos árabes a partir de resoluções próprias, ou seja, sem interferência internacional. Para o Shas, Jerusalém nom se divide nem se negocia. Os assentamentos em Judéia e Samária (Cisjordânia) devem seguir sendo desenvolvidos de acordo com decisões da Knesset e do governo atual.


ISRAEL A NOSSA CASA
O Israel Beiteynu (Israel a Nossa Casa) é um partido fundado em 1999 por deputados insatisfeitos do Likud e conduzido por imigrantes judeus oriundos da ex-URSS. Em 2009 elegeu a maior bancada desde a sua fundaçom, com 15 assentos e dous chefes de comissom na Knesset, mais cinco ministros, entre os quais o seu líder e fundador, Avigdor Lieberman.

Apesar de considerado radical, o Israel Beiteynu, nom se opõe à criaçom dum Estado palestino e ultimamente tem levantado a bandeira da luta contra os privilégios ultraortodoxos (como a dispensa do serviço militar) e a favor da separaçom de religiom e Estado (instauraçom de casamento civil e transporte público no Shabat), o que tem mudado o perfil dos seus eleitores.

Prometem trabalhar para conseguir um acordo regional. Em contraste com o conceito estabelecido dos outros partidos, o Israel Beiteynu entende que o conflito do Estado de Israel nom é apenas umha disputa territorial com os vizinhos palestinianos, mas um conflito tridimensional: um conflito com os Estados árabes, palestinianos e árabes-israelitas. Portanto, o acordo com os palestinianos deve fazer parte dum acordo abrangente que incluirá acordos com os Estados árabes e a troca de territórios e populações de árabes israelitas.

JUDAISMO UNIDO DA TORÁ
Judaísmo da Tora (Yahadut HaTora) é umha lista conjunta formada polos partidos, Agudat Israel (chassídico) e Degel HaTora (lituano). Os dous partidos concorrem às eleições em conjunto desde 1992. A lista atua para a promoçom dos interesses do público ultraortodoxo asquenazita, no que diz respeito a educaçom e bem-estar social, e também em temas específicos como alistamento no exército.

Os representantes da Judaísmo da Tora nom costumam ter cargos de ministro, para nom dar respaldo às ações dum governo sionista e nom se responsabilizar por políticas com as quais discordam. Nom obstante, o Judaísmo da Tora aceita cargos de vice-ministros e busca sempre ter a chefia da comissom de orçamento para poder controlar o orçamento do estado.

Como partido religioso acha que devia haver umha total fusom entre assuntos religiosos e estatais. A sua aspiraçom é resolver por meio do espírito da Tora e dos preceitos (mitzvot) toda questom que surgir no dia a dia do povo de Israel, com o objetivo de um dia reunir o povo de Israel sob o governo da Tora e impor a Tora sobre a vida espiritual, econômica e política em Israel.

A Terra de Israel foi dada aos Judeus polo criador e será para sempre sua, através do cumprimento da Tora, juntamente com o princípio da halacha de que a vida está acima de tudo. O delicado equilíbrio entre os dous será determinado na prática polos grandes sábios da Tora. O governo deve promover iniciativas para a determinaçom de acordos de paz.

PARTIDO TRABALHISTA
Mifleget HaAvoda (Partido Trabalhista) é um partido de centro-esquerda que se autodefine como social-democrata. O Avoda foi fundado em 1968 como resultado da fusom entre três partidos: Mapai (o principal partido israelita até entom), Achdut HaAvoda e Rafi.  O partido tem como principal discurso a retomada das negociações do processo de paz com os palestinianos e outros países árabes (sem porém abrir mão dos grandes blocos de assentamentos e de Jerusalém como capital indivisível de Israel), e a volta dum Estado de bem-estar social.

Ao longo dos anos, o partido conseguiu eleger sete de seus líderes como primeiros-ministros do país, tendo o seu auge nas eleições de 1949 quando recebeu 56 mandatos na Knesset. Muitos dos maiores líderes do sionismo socialista da história do país pertenceram ao Avoda, como David Ben-Gurion,  Itzhak Rabin, Shimon Peres e Golda Meir. Após sucessivos resultados negativos nas últimas eleições, o Avoda tenta reconstruir-se como alternativa num cenário virado à direita nom muito favorável e de baixas expectativas se comparado aos seus resultados eleitorais históricos.

A sua proposta é a separaçom dos palestinos a partir do princípio de dous Estados para duas nações, como parte da construçom dumha ampla ordem regional e com a participaçom dos Estados árabes “moderados”. A iniciativa chama-se “Caminhos para a Separaçom”, que inclui a cessaçom da construçom de assentamentos fora dos grandes blocos, a promulgaçom dumha lei de evacuaçom voluntária e um referendo sobre os campos de refugiados em torno de Jerusalém. Também propõe o implemento de medidas práticas para impulsionar a economia palestiniana, o que geraria maior confiança entre as partes. Também está atento ao que chama de “ameaça iraniana”, e para isso propõe o fortalecimento das relações com países árabes “moderados”.

MERETZ
O Meretz (Energia em hebraico) é um partido de esquerda sionista, criado em 1991 a partir da fusom dos partidos Mapam (sionista socialista), Ratz (pacifista pró-direitos humanos) e o Shinui (de orientaçom secular). O partido autodefine-se como social-democrata, a favor da separaçom total entre religiom e Estado e tem como prioridade o fim da ocupaçom nos territórios palestinianos ocupados em 1967.

O Meretz diz levantar três bandeiras interligadas: pró-acordos de paz, pró-social e pró-democrática. O partido acredita que umha sociedade justa nom pode existir dentro dumha economia corrupta e desigual, numha realidade de ocupaçom e sem umha democracia forte que combata o racismo e a discriminaçom. Recentemente o partido escalou dous candidatos árabes entre seus cinco primeiros, tentando demonstrar à sociedade árabe-israelita que pode representá-la.

Meretz acredita que Israel deveria adotar a iniciativa da Liga Árabe, que propõe umha reconciliaçom abrangente entre o mundo árabe e Israel, como consequência do estabelecimento dum Estado palestiniano na Cisjordânia e na Faixa de Gaza com base na Linha Verde, com umha troca territorial acordada de 1:1 entre assentamentos fronteiriços por territórios desocupados próximos à fronteira. Além disso, prevê a divisom da soberania em Jerusalém para a capital de dous Estados – Israel e Palestina -, e umha soluçom de comum acordo para o problema dos refugiados. 

RAAM
A “Lista Árabe Unida” (sigla de Ra’am, em árabe) é também chamada de “Movimento Islâmico”, por ser herdeiro da seçom sul do Movimento Islâmico em Israel. O Ra’am é um partido religioso mas nom radical, que representa sobretudo os beduínos do Neguev e os islamistas moderados. O Ra’am concorre desde os anos 1990, normalmente em conjunto com outra lista. Fez parte da Lista Unificada até janeiro de 2021, e optou por separar-se por nom entrarem em acordo sobre a relaçom com o governo Netanyahu – enquanto os outros partidos nom abrem mão do seu lugar de oposiçom, o Ra’am admite cooperar com o governo do Likud, ainda que nom integre a coaligaçom.

Representado sobretudo pola figura de seu líder, Mansour Abbas, que rompeu com a Lista Unificada e decidiu lançar-se sozinho. O partido, que apoia umha pauta conservadora nos costumes, tem como principais bandeiras a criaçom dum Estado palestino nas fronteiras de 1967 incluindo o retorno dos refugiados, a legalizaçom das aldeias beduínas nom reconhecidas polo Estado e um aprofundamento dos direitos dos cidadãos árabes-israelitas como minoria nacional.

SIONISMO RELIGIOSO
Partido formado por Betzalel Smotrich, ex-ministro dos Transportes e líder do partido Uniom Nacional, em conjunto com o partido kahanista Força Judaica. Smotrich aproveitou o vácuo de liderança do partido A Casa Judaica, tradicional partido do público sionista religioso, e lançou-se como expoente da corrente, ainda que seja visto como radical por umha grande parcela da população israelita. Até o fim de janeiro, no entanto, o partido de Smotrich nom ultrapassava a cláusula de barreira, e o deputado foi convencido por Netanyahu a formar uma lista conjunta com o ainda mais radical Itamar Ben-Gvir, unificando a representaçom do segmento sionista ortodoxo da populaçom – Naftali Bennett, do partido Yamina, é mais um membro desta corrente, mas que tenta desvincular-se dela para atrair o eleitorado nom religioso.

Smotrich e Ben-Gvir, ambos advogados, som vistos como representantes dos colonos judeus da Cisjordânia (em especial dos movimentos mais radicais, como a Juventude das Colinas), som totalmente contrários a qualquer ideia dum Estado palestino. Ben Gvir apoia, inclusive, a expulsom de todos os Árabes que nom aceitem que Israel é um Estado judeu e cooperem com ele. Os dous partidos som em favor da anexaçom da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.

PARTIDO DA ECONOMIA
Mais um outro novo partido formado em janeiro de 2021 polo economista e académico Yaaron Zelicha, tem como principal proposta reformar a política econômica israelense. Zelicha foi acessor econômico de Netanyahu no início dos anos 2000, quando o atual primeiro-ministro era ministro das Finanças, e, recentemente, escreveu o projeto econômico do Meretz para as eleições de 2015. A lista conta com umha série de acadêmicos de diversas áreas, jamais ligados à política partidária. Zelicha lançou-se como candidato à ministro das Finanças e afirma que o Israel de Netanyahu, de quem discorda profundamente, está caminhando rumo a um futuro autodestruidor, e que ele é a pessoa mais indicada para mudar esta direçom. Embora o partido nom passava a cláusula de barreira em nengumha sondagem até o início de fevereiro, agora tem algumha chance.

Atualizaçom (21/3/2021)
No Questom Judaica divulgamos as últimas sondagens prévias as eleições israelitas, que acontecerám amanhã  23de março. Os blocos de Netanyahu (aqueles partidos que anunciaram ou dos quais se espera que formem o governo com o primeiro-ministro) e anti-Netanyahu (os que já anunciaram que nom se sentarám num governo chefiado por ele) estám empatados, com 60 cadeiras cada. Dessa maneira, há poucas opções de formaçom de uma coaligaçom, e caso este resultado se confirme, o mais provável é que em alguns meses haja outro processo eleitoral, segundo a Conexão Israel.

O Likud lançou umha campanha associando o fim das restrições por causa da Covid-19 ao sucesso da empreitada de Netanyahu na busca polas vacinas. O slogan é: "Voltamos à vida". A organizaçom "Responsabilidade Nacional" sabotou os out-dooors com um adesivo na frente do rosto de Netanyahu, escrito: "Com exceçom dos 6000 mortos", em alusom aos que morreram de Coronavírus no país.

Fonte: CONEXÃO ISRAEL | Eleições 2021 Conheça os partidos 

sexta-feira, 19 de março de 2021

INFEÇOM POR CORONAVIRUS CONTINUA A CAIR EM ISRAEL

O Ministério da Saúde de Israel registou 1047 novos casos de Covid-19 no dia de hoje, com aproximadamente 2,3% de casos positivos e o coeficiente RO em 0,6. Os casos graves cairam de 586 para 557 desde a quarta-feira e os doentes que precisam ventiladores para 214. Durante esta semana o número total de mortes por causa da pandemia superou as 6000 pessoas.

Já foram administradas as duas doses da vacina a 4,401 milhões de israeitas, com 5,153 milhões com a primeira dose. Ao total, os 111,27% da populaçom do Estado judeu estám imunizada.

sexta-feira, 12 de março de 2021

CONTÁGIOS POR CORONAVIRUS CONTINUAM A CAIR EM ISRAEL

 Os novos casos de Covid-19 registrados na quinta-feira totalizaram 2.509, com apenas 3,1% de testes positivos. O número de casos graves no hospital caiu para 613, com 212 que precisam ventiladores. As mortes agora totalizam 5.975 desde o surto da pandemia há agora um ano. 



A campanha de vacinaçom espera inmunizar 6 milhões de adultos em abril

Com otimismo incomum, o Diretor do Ministério da Saúde, Prof. Hezi Levi, elogiou na segunda-feira a desaceleraçom atual da taxa de infeçom por coronavírus devido à vacinaçom em massa altamente eficaz. As violações generalizadas das diretrizes de saúde em Purim, há duas semanas, deixaram poucas marcas nos números da infeçom, frisou ele. Ele previu que 6 milhões de pessoas seriam vacinadas até abril, abrangendo quase toda a populaçom adulta, deixando cerca de 3 milhões de crianças nom vacinadas. No entanto, ele previu a imunizaçom de crianças de 12 a 16 anos a partir de maio ou junho. Questionado se o Seder da Páscoa no final de março seria restrito às “famílias nucleares” da mesma forma que no ano passado, o Dr. Levi sorriu e disse: “Se a tendência atual persistir, 20 pessoas podem se reunir ao redor da mesa do Seder e 50 ao ar livre".

 Até agora, 5.120 milhões de israelitas (59,1%) receberam as suas primeiras doses das vacinas e 4.070 milhões ambas (47,0%). Ao todo, 9,18 milhões de pessoas foram imunizadas, isto é, 106,5% da populaçom do Estado Judeu.

sexta-feira, 5 de março de 2021

PACTO TRILATERAL ISRAEL-ÁUSTRIA-DINAMARCA PARA REFORÇAR CAMPANHA DE VACINAÇOM PARA A COVID-19

 O número de doentes em estado grave devido ao coronavírus caiu na quarta-feira para 699, com 229 que precisam respiradores. O número de novas infeções atingiu 4.143. Os óbitos no ano passado aumentaram para 5.825. 



Campanha de vacinaçom

Ao todo, os 98,85% da populaçom de Israel está vacinada: 4,9 milhões de israelitas receberam polo menos umha dose da vacina para a Covid-19 e 3,6 milhões ambas as doses.

Rompendo fileiras com a UE, o chanceler austríaco Sebastian Kurtz e a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen anunciaram numha visita a Israel o estabelecimento dumha pesquisa conjunta e desenvolvimento e instalações de produçom para vacinas Covid para atender às suas necessidades de suprimentos de longo prazo. Eles disseram que nom queriam mais depender de entregas lentas de vacinas da UE, mas estavam a agir unilateralmente para aumentar a sua própria capacidade. O pacto trilateral, disse Kurtz, incluiria o investimento em fábricas na Europa e em Israel, com cada país a contribuir com o melhor que pudesse. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu acrescentou: “Assim que superarmos este ciclo da doença, nom temos garantia de que nom voltará. Nom sabemos quanto tempo -ninguém sabe- o efeito dessas vacinas vai durar. Devemos, portanto, proteger o nosso povo do ressurgimento da pandemia ou mutações. ”

Surto de Coronavírus no ensino

Outros 20.000 escolares foram enviados para 14 dias de quarentena na quinta-feira, elevando o total nacional para 80.000 crianças isoladas que estiveram em contato com pessoas infectadas com o coronavírus. Quase 480 classes de creches foram fechadas e as crianças mantidas isoladas em casa.

As autoridades de saúde prevêem que os testes atuais de vacinas polos fabricantes permitirám que jovens de 12 a 15 anos sejam imunizados pola primeira vez até o final de abril. O Ministério da Saúde começou a vacinar essa faixa etária sem a aprovaçom padrom do FDA dos EUA, depois que testes bem-sucedidos foram realizados num grupo piloto de 200 adolescentes.

Um novo estudo do Ministério descobriu que nem todas as vítimas do coronavírus som imunes à reinfeçom, aconselhando-os a aceitar a oferta de umha única dose da vacina três meses após a sua recuperaçom.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

ISRAEL VAI A OVERDOSE DE ELEIÇÕES EM TEMPOS DE PANDEMIA

 Segundo o acordo de coligaçom assinado entre o Likud e o Azul e Branco em maio de 2020, as eleições deviam ser realizadas 36 meses após a posse do 35º governo, tornando 23 de maio de 2023 a última data eleitoral possível. O acordo de governo foi aprovado polo Knesset e Benjamin Netanyahu, com o apoio de 72 parlamentares, foi formalmente encarregado de formar um governo. Este foi formado em 17 de maio logo depois de dias de adiamentos ligados às divergências dentro do Likud e o seu bloco de direita para a alocaçom de pastas ministeriais.

Segundo o acordado, B. Netanyahu devia permanecer como primeiro-ministro por 18 meses, antes que Benny Gantz, líder do Azul e Branco, o suceda por 18 meses sob um acordo de rotaçom legalmente vinculante. Nesse ínterim, seria Ministro da Defesa. Finalmente, a rotaçom ocorre automaticamente sem um novo voto e, no caso de eleições antecipadas, Gantz seria investido como Primeiro-Ministro provisório.

Porém, a lei israelita estipula que se o orçamento do estado para 2020 nom for aprovado até 23 de dezembro de 2020, o Knesset será dissolvido e as eleições serám realizadas em 23 de março de 2021. Em 2 de dezembro de 2020, o Knesset, com o apoio de Gantz aprovou a leitura preliminar dum projeto de lei da oposiçom para dissolver o atual governo por umha votaçom de 61 contra 54. Em 21 de dezembro de 2020, o Knesset nom conseguiu aprovar um projeto de lei de Azul e Branco para separar os dous orçamentos e diferir a sua adopçom por uma votaçom de 47 contra 49. Umha vez que o Knesset nom aprovou o orçamento do estado para 2020 no prazo exigido, à meia-noite em 23 de dezembro de 2020 a coaliçom de governo tombou e o 23º Knesset foi oficialmente dissolvido. 

De acordo com a lei que estabelece que a eleiçom deve ser realizada dentro de 90 dias após a dissoluçom do Knesset, a data para as eleições para o 24º Knesset foi automaticamente marcada para 23 de março de 2021, as quartas em dous anos!!


Devido à pandemia de Covid-19 em Israel, medidas especiais estám a ser tomadas para garantir um voto seguro: deve ser possível votar enquanto do carro e seções eleitorais especiais serám oferecidas aos doentes e aos cidadãos colocados em quarentena. O número de assembleias de voto deve ser aumentado em cerca de 30% para reduzir o número de pessoas. Haverá duas cabines de votaçom em cada assembleia de voto para agilizar o processo.


No quadro da pré-campanha eleitoral e do combate à pandemia, B. Netanyahu levou à TV um divertido vídeo contra as fake news sobre a vacina. Com certeza, Netanyahu é um dos líderes da direita mundial que tratam a pandemia com rigor seriedade; de facto, Israel lideriça a campanha mundial de vacinaçom, com mais de 90% da populaçom imunizada.

Fonte do vídeo: Eixo Político

As legendas do vídeo foram feitas por @SamPancher

ISRAEL VÍTIMA DO SEU PRÓPRIO SUCESSO: RESTRIÇÕES SOM CONTESTADAS

 Na quinta-feira 25 de fevereiro foram registados 3782 novos casos de Covid-19, com 5,6% de testes positivos, bem como um nível decrescente de 738 pacientes graves (238 com ventiladores). O número de mortes subiu para um total de 5.694. 


Um total de 7,92 milhões de Israelitas, os 91,55% da populaçom, já foram vacinados (4,650 com a primeira dose e 3,2 milhões as segundas). Na quarta-feira o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, delineando os próximos estágios do programa de vacinaçom para a Covid-19 de Israel, previu que toda a populaçom adulta deveria ser vacinada durante março ou início de abril. “Acho que as vacinas para crianças serám aprovadas entre os meses de abril a maio”. As duas grandes empresas estám a trabalhar numha versom para crianças de no mínimo 12 anos a em tipos adaptados às mutações da Covid-19”, disse ele. “Há umha boa chance de que durante as férias de verão as crianças sejam vacinadas”, disse o primeiro-ministro, acrescentando que "estamos a negociar dezenas de milhões de vacinas”.

Hoje pesquisadores da Inteligência Militar (AMAN) alertaram contra permitir que a recém-descoberta variante do coronavírus “Nova Iorque” chegue a Israel. A nova estirper é descrita como sendo rapidamente transmissível em comparaçom com outras variantes e ligada a casos de doentes reinfetados após se recuperarem do vírus. Os extensos laços entre Nova Iorque e Israel tornam esta ameaça substancial e todos os esforços som aconselhados para excluir a sua entrada.

Setores da populaçom contestam as restrições contra a pandemia

O estágio 2 da saída de Israel de seu terceiro confinamento no domingo 21 de fevereiro e a queda nos contágios foram saudados por umha avalanche aos shoppings reabertos enquanto as escolas se precipitaram para reabrir mais aulas. Pola primeira vez em semanas os novos casos caíram para menos de 2000, com umha taxa de positividade de 6,5%. Piscinas, academias e teatros voltaram, embora apenas para portadores de certificados de vacinaçom ou comprovante de recuperaçom da infeçom viral.

Mas as autoridades de saúde, embora encorajadas, estavam severamente preocupadas com a festa de Purim, que decorre na quinta, sexta e sábado, temendo que o bom trabalho realizado polo confinamento e pola vacinaçom fosse estragado polas tradicionais celebrações para crianças e adultos e as reuniões em sinagogas para a leitura cerimonial do Livro de Ester. Esses mesmos eventos de Purim desencadearam o primeiro surto sério de coronavírus em Israel há exatamente um ano. No entanto, os lojistas, embora ainda com os negócios fechados, foram pegos no domingo por clientes à procura dumha guloseima após meses de restrições.

Para evitar aglomerações o Gabinete do Coronavirus propôs restringir o recolher obrigatório noturno de quinta a domingo para evitar as aglomerações. Em consequência, na quinta-feira 25 de fevereiro, a polícia publicou um mapa dos seus planos para fazer cumprir o toque de recolher nos três dias de Purim. Dezenas de contróis policiais devem monitorar o tráfego de fim de semana nas estradas e nas cidades durante o recolher noturno. Para evitar o toque de recolher, dezenas de grandes festas ao ar livre foram realizadas em praias, mercados e locais naturais na quarta-feira à noite. Vários organizadores foram presos e multados.

Prevê-se, portanto, a apariçom dum surto durante os estágios finais da campanha eleitoral, impulsionado, também, polo motim montado polas autoridades locais e polas crianças contra o impedimento do seu retorno à escola.

Embora mais de um milhom de alunos do ensino primário pudessem voltar às aulas no domingo, os alunado intermediário de 7ª a 10ª nível, que ficaram confinados em casa o ano todo, nom puderam. Descontentes, promoveram marchas contra o regresso às aulas previsto para 7 de março, no quadro do estágio 2 da saída do confinamento. Isso deixaria apenas duas semanas de aulas antes do final do semestre e do feriado da Páscoa.

Em protesto, alguns alunos apareceram com os seus professores nos shoppings reabertos no domingo, onde deram aulas. Entom, na noite de domingo, os presidentes de 15 câmaras municipais, incluindo os presidentes das cidades mais ricas de Israel, declararam que também estariam de volta à escola na quarta-feira, duas semanas antes da data programada, em consideraçom às “dificuldades pedagógicas, sociais e mentais” causadas por umha teledocência prolongada. Essas aulas som lecionadas de acordo com as regras de saúde de pequenos grupos, duas ou três vezes por semana.

Outra forma de desafio foi diretamente responsável pola trágica perda de vidas. Umha mulher de 32 anos, mãe de quatro filhos, estava em gravidez avançada quando foi contagiada polo coronavírus e morreu no hospital. Os médicos nom puderam salvar seu bebê. Este foi o terceiro caso desde outubro. Descobriu-se mais tarde que ela fora influenciada por um movimento antivacinaçom estabelecido polo seu cunhado, que sustentava que os ensaios clínicos das vacinas dos fabricantes de medicamentos nom cobriam mulheres grávidas. Após a morte dela, ele abandonou o movimento. Enquanto isso, cerca de 70% das mulheres grávidas optaram por evitar a vacinaçom e 50 estám hospitalizadas com o vírus e 10 em estado crítico. Elas desafiaram o conselho das autoridades de saúde para que as gestantes fossem inoculadas, umha vez que o coronavírus é imediatamente perigoso, enquanto os possíveis efeitos colaterais da vacina som hipotéticos ou inexistentes.

O desafio e a quebra das regras também foram registados no Aeroporto Internacional Ben Gurion, onde apenas 35% dos 2.000 israelitas que retornavam permitidos por dia obedeciam à diretriz de dirigir para os hotéis em quarentena. O restante foi direto para casa, pagando aos inspetores a multa de 5000 shekels. O painel do Knesset disse que a diretriz de quarentena em hotéis, que se tornou umha zombaria, deveria ser anulada. O Ministério da Saúde recusou, sustentando que as chegadas do exterior estavam trazendo um novo zoológico de variantes Covid-19, após o plantio da cepa britânica que agora respondia por 90% da infeçom no país.

As comunidades ultraortodoxas, que geralmente se submetem aos seus rabinos, som um caso especial. Desde o início da pandemia, eles apresentaram umha resposta mista às diretrizes de saúde emitidas polo governo. Enquanto alguns obedeceram, outros mantiveram as suas escolas e seminários abertos como de costume, sofrendo altos níveis de infeçom e mortalidade. Os seus líderes rejeitaram as reclamações de que som focos de infeçom em todo o país, enquanto ao mesmo tempo voltaram recentemente para se vacinar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

CONTINUA O DECLÍNIO DE INFEÇÕES DA COVID-19 EM ISRAEL

 O centro médico de Sheba publicou um estudo inovador mostrando que a vacina Pfizer é 75% eficaz após a primeira dose, com grande impacto perante a escassez de vacinações em muitos países. 

O estudo, publicado na Lancet, monitorou a equipa do centro médico de 7.214 pessoas e descobriu que apenas a primeira injeçom proporciona umha reduçom de 86% na doença coronavírus sintomática e umha reduçom de 75% na infeçom. O Ministério da Saúde está a considerar administrar umha única injeçom da vacina a pacientes que recuperados do vírus.

Por enquanto, na quinta-feira 18 de fevereiro, registaram-se 3.011 novos casos, 858 pessoas ainda estavam hospitalizadas em estado grave. Os óbitos aumentaram para 5.521. Ao todo, 4.226 milhões de pessoas receberam as primeiras injeções da vacina (81,78%) e 2.900 a segunda (56,12%).



terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

"O JUDEU É O CULPADO. O INIMIGO É SEMPRE O MESMO"

 Cerca de 300 neonazistas marcharam por Madrid para prestar homenagem à Divisom Azul, os voluntários fascistas espanhóis que lutaram ao lado dos nazistas na Segunda Guerra Mundial na frente da Rússia.

O evento foi convocado pola Juventude Patriótica, uma organizaçom neonazista de Madrid, e foi apoiado por diferentes grupos neonazistas e fascistas de toda a Espanha, entre os quais, España2000 ou La Falange, cujo líder, Manuel Andrino, participou da marcha.

Isabel Medina Peralta, neonazista espanhola que arengou contra os judeus


Grupos neonazistas de toda Espanha reúnem-se em Madrid todos os anos para realizar este ato, que coincide com o aniversário da Batalha de Krasny Bor em 1943.

A marcha, que percorreu várias ruas da capital espanhola até o cemitério de Almudena da cidade, ocorreu atrás dumha bandeira do escudo da Divisom Azul com a legenda "Honra e glória aos caídos". Os participantes fizeram a saudaçom nazista e cantaram canções fascistas.

Uma rapariga, identificada como a neonazista Isabel Medina Peralta, dirigiu-se ao acontecimento vestida com umha camisa azul e foi gravada dizendo: “É nossa obrigaçom suprema lutar por Espanha, lutar pela Europa, agora fraca e liquidada pelo inimigo. O inimigo será sempre o mesmo, embora com máscaras diferentes: o Judeu. [...] O judeu é o culpado e a Divisom Azul lutou contra ele. Quis libertar Europa do comunismo, umha invençom judaica destinada a enfrentar os operários e as nações [...]”

Perante a denúncia realizada polo site La Marea (em espanhol), Isabel Peralta reafirmou-se nas suas afirmações em declarações à imprensa e tuitando "tendes medo da verdade. Mas o bom e verdadeiro sempre triunfa neste mundo" [Twitter apagou o perfil dela a 17 de fevereiro].

O ataque nom apenas aos Judeus, como faziam os velhos antissemitas, mas ao sionismo, faz parte do discurso do neonazismo espanhol. Na sua conta de Twitter, a referida rapariga fascista tuitou em 22 de julho de 2020 que "o fascista nom odeia as raças, o fascista ama-as. ama a variedade do mundo, a diversidade de raças, costumes e culturas e quer conservá-las. O fascista odeia aos verdadeiros culpados desta invasom e suplantaçom racial. Ao antirracista, ao sionista".

No seu perfil encontram-se mais acusações contra o sionismo e os Judeus. Assim sendo, a 27 de maio de 2019 postou umha imagem de José António Primo de Rivera, fascista espanhol fundador da "Falange Espanhola", acompanhada pola seguinte mensagem:


A seguir reproduzimos umha traduçom da mensagem onde esta mostra do nazi-fascismo espanhol expressa o velho antissemitismo em termos de antissionismo:

"Nom. Nom passamos. Passou um grupo liberal, um cinto de Judeus camuflados trás as cores vermelha e amarela [da bandeira espanhola]. Um fato de ignorantes, falsos letrados demoburgueses que apenas se importam com os votos e sentar os seus nojentos cus nesse mausoléu podre chamado parlamento.

"Se nom querem que apoiemos o separatismo nom apoiem a Palestina" [em referência à alegada ameaça que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu fez ao ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol na sequência do movimento independentista da Catalunha]

O sionismo é um movimento diabólico, engendrado para dominar. Para acabar com a entidade das nações e, em silêncio, implantar umha nova ordem, como levan tentando desde que o homem é homem.

Mas a morte de Espanha nom chegará esta vez enérgica, predicadora e ruidosa. Chega às caladas, subtil, invisível. Chega empunhando umha bandeira de Espanha, agitando-a toscamente como instrumento para recrutar adeptos, para engrossar as suas fileiras com todas aquelas gentes que de verdade querem voltar a ver a Espanha unida, forte e resolta.

Por enquanto comprazem-se no seu engano, enquanto pactuam com sionistas acordos monstrosos, enquanto jogam o comércio nacional, a loja de frutas do velho senhor que viu em primeira fila a degeneraçom de Espanha e para travá-lo de boa fe vota-os [refere-se ao partido Vox e aos resultados das eleições gerais de 28 de abril de 2019]. Que nom acreditam na justiça, porque nom acreditam na verdade. Porque nom acreditam em nada. Todo, mesmo as cousas essenciais do destino pátrio estám sujeitas à livre discusom, porque nisso baseia-se o seu jogo democrático de guerrilhas estúpidas entre estúpidos.

E nom passaram. Quando passarmos, quando passar Espanha, fá-lo-á de forma alegre e juvenil, passará a Primavera e as bandeiras vitoriosas de Fe, grandez e honra. E passaremos, com certeza que passaremos. Nom terá sido esta vez e provavelmente também nom será a seguinte. Mas seguiremos a fazer a revoluçom como os últimos 90 anos. porque nós sempre estaremos aqui embora um estúpido conjunto de papéis nos digam que nom estejamos. Si estaremos. Nós sabemos que um boletim de voto nom vai salvar Espanha. Como sabemos que nom se pode falar ao povo em pátria se nom conhece a justiça. Como sabemos que é preciso fazer a revoluçom agrária e a revoluçom nacional, para que todos os povos se sintam harmonizados numha irrevogável unidade. 

Porque Espanha apenas e isso: umha unidade de destino no universal. E os meus camaradas e eu nom vamos permitir nunca que essa unidade se veja enfraquecida polos separatismos locais, pola luta de classes, dos partidos ou dos gêneros.

Porque Espanha é apenas tudo. E os que de erdade passaremos gastaremos as nossas vidas em realizar a grande empresa que se merece que realizemos a nossa Naçom. Porque se passarmos, passaremos".

O evento contou com um serviço religioso em frente a um monumento à Divisom Azul, no qual foi colocada umha coroa de flores com umha suástica. Um padre dirigiu-se ao público dizendo: “O marxismo, como ontem [...] continua a tentar perturbar a paz da nossa sociedade, perturbar a paz dos espíritos e, acima de tudo, remover o príncipe da paz, nosso Senhor Jesus Cristo”.

Também se dirigiu aos presentes Ignacio Menéndez, advogado do extremista de extrema direita Carlos García Juliá, coautor do massacre de Atocha em 1977, que foi recentemente libertado da prisom.

Menéndez pediu aos presentes que nom cumprissem as medidas contra a Covid-19: “Precisa violar o toque de recolher, que se reúna com a sua família e amigos e com mais de seis pessoas como estamos aqui hoje; e que se abraçem, e que cantem e que vivam com alegria. Porque fascismo é alegria. ”

A Federaçom das Comunidades Judaicas da Espanha (FCJE), afiliada do país ao EJC, condenou o incidente nos termos mais veementes. “Exigimos que o Ministério Fiscal de Crimes de Ódio investigue este incidente e, quando apropriado, processe e condene esses atos criminosos. Além disso, a FCJE, em conjunto com a Plataforma contra o Antissemitismo e o Movimento contra a Intolerância, vai atuar com todos os instrumentos legais ao nosso dispor.”