sábado, 10 de agosto de 2019

PRESENÇA GALEGA NO SEGUNDO CONGRESSO TERRA(S) DE SEFARAD

Entre os dias 19 e 23 de junho decorreu no município transmontano de Bragança a segunda ediçom de Terra(s) de Sefarad-Encontros de Culturas Judaico-Sefarditas.

Durante o evento desenvolveram-se atividades ligadas à cultura sefardita: exposições, seminários, cinema judaico, música sefardita, mercado kosher, foro económico e um congresso internacional.

O projeto aproveita os equipamentos culturais da cidade de Bragança, nomeadamente o Centro de Interpertaçom da Cultura Sefardita do Nordeste Transmontano, dependente da Câmara Municipal de Bragança, Memorial e Centro de Interpretaçom Documentaçom "Bragança Sefardita", mas também a herança material e imaterial com vestígios e referências à cultura judaica na regiom transmontana.

A coordenaçom científica foi responsabilidade da Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste da Faculdade de Artes da Universidade de Lisboa.

No quadro das atividades agendadas, sob o título Herança Longínqua, no dia 19 teve lugar um concerto de música e canções sefarditas com Magna Ferreira (voz e percussom), Jed Barahal (violoncelo), a voz da cantora galega Uxia Senlle e a guitarra e percurssões de Sérgio Tannus, músico brasilego de ascendência libanesa.

Sérgio Tannus (1º à esquerda) e Uxia Senlle (2ª à esquerda)

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A ORIGEM JUDAICA DE CRISTÓVÃO COLOMBO


Poderia ter sido Colombo judeu?*
Guillermo García de la Riega

O tema da possível origem judaica de Colombo tem sido estudado extensivamente por vários autores, entre os quais, Celso García de la Riega. Provavelmente pode haver tantos argumentos em prol do seu judaísmo quanto tantos outros contra, isto é, que nom está absolutamente esclarecido.

Entre os autores que defendem que Colombo era judeu estão: Salvador de Madariaga, Menéndez Pidal, Blasco Ibáñez, José María Lacalle, Simon Wiesenthal... Há referências muito anteriores desta origem judaica de Colombo, a primeira referência escrita que o Almirante era judeu aparece num documento diplomático. Cinquenta anos depois de sua morte, o embaixador francês na Espanha, Burdau, escreve ao seu país sobre "Colombo judeu".

Há duas possibilidades do judaísmo de Colombo: que ele era um converso, isto é, que ele se juntou ao cristianismo abandonando toda a prática judaica, ou que ele era um marrano, ou seja, aqueles Judeus que se convertiam mas que ainda continuavam a praticar escondidamente alguns ritos judaicos.

Relativamente aos apelidos utilizados polos Judeus galegos, nos séculos XIII, XIV e XV, podiam-se diferenciar vários grupos, mas entre eles temos os documentos em que aparece a extensom "O Velho" implicando que com o mesmo nome é documentada a existência doutra pessoa mais nova. Nos documentos fornecidos por Celso García de la Riega havia dous que eram: Domingo de Collón o velho e Domingo de Collón "o moço", isto é, conforme o antedito, Domingo de Collón o moço e o velho seriam judeus.

Apoio de Judeus em favor de Cristóvão Colombo

Os esforços dos Judeus sefarditas para ajudar Colombo foram manifestos; no começo, ele teve o apoio mal sucedido de Isaac Abrabanel e Abraham Sênior, vultos importantes dentro do judaísmo e cuja influência e riqueza eram tam reconhecidas que os seus correligionários encarregaram-nos de negociar com os Reis Católicos para nom serem expulsos.

A situaçom melhorou para Colombo quando se envolveram Judeus conversos como Luis de la Cerda, o duque de Medinaceli. Quando ele conheceu Colombo, interessou-se com os seus projetos e alojou-o na sua casa durante dous anos. Juan Cabrero, o camareiro de Fernando, um dos amigos mais próximos do rei, repetidamente recomendou os planos de Colombo. Juan Coloma, Secretário de Estado do Reino de Aragón de origem judaica pola linha materna, assinou a Capitulaçom de Santa Fe e a Carta de Privilégios de 1492. Luis de Santángel, notário da Ración do Reino de Aragón. Gabriel Sánchez, tesoureiro-mor do reino de Aragão. Frei Diogo de Deça, ilustre teólogo, apresentou-o ao astrônomo hebreu Abrahám Zacuto, professor de astronomia na Universidade de Salamanca. De Deça sempre apoiou Colombo, de modo que o almirante escreve aos Reis: "Desde que cheguei a Castela, esse prelado aumentou o meu prestígio. A ele, junto com Chamberlan Cabrero, suas majestades devem a posse das Índias". Beatriz Fernández de Bobadilla e o seu marido Andrés Cabrera, Marqués de Moya. Juana de Torres, confidente da rainha Isabel e aia do príncipe herdeiro D. Juan.

Colombo deliberadamente adiou a partida de sua expediçom até 3 de agosto de 1492, apesar de todo estar pronto para a véspera, que era o dia do jejum no dia 9 de Ab, dia que comemora a destruiçom dos Templos de Jerusalém por Nabucodonosor e também por Tito, porque ele esperou até o dia seguinte, 10 Ab, meia hora antes do abrente? Se calhar porque o dia anterior era de azar para os Judeus, e nengum judeu iria começar nada. Estava Colombo ciente desse aniversário e dessa tradiçom?

Factos e escritos que podem ligar Colombo ao judaísmo

A um conhecido converso, Diego Rodríguez Cabezudo, encarregou Colón o cuidado do seu filho Diogo quando chegou a Castela, em 1485.

Numha carta de Hernando de Talavera, entom prior do mosteiro de Prado e depois arcebispo de Granada, na véspera da descoberta, escreveu à rainha pedindo-lhe a cancelaçom da viagem projetada por Colombo. No final da carta Talavera despachava-se escrevendo: "Se Vossa Alteza confiar Colombo às mãos da Inquisiçom, posso assegurar-lhe que seu destino nom será um navio"

A lista de nomes bíblicos na toponímia colombina é outro factor a levar em conta, exemplos: a enseada de Abrahám na Isabela, a ponta de Isaque na ilha de Santa Maria a Antigua, o Cabo Salomom em Guadalupe, a enseada de David em Jamaica e o Monte Sinai em Granada. Esse conhecimento bíblico era, nessa altura, suspeito e perigoso para umha pessoa cristã.

O almirante estava possuído por uma ideia fixa: a conquista de Jerusalém e a reconstruçom do Templo. A reconstruçom do templo tam desejada por Colombo é umha crença que nom se ajusta à ortodoxia cristã, mesmo que seja parte da escatologia da Igreja, umha vez que o construtor do Templo deve ser o Anticristo, o Messias judeu.

Na biblioteca de Colombo há livros sobre o judaísmo como "A Guerra dos Judeus" de Flávio Josefo, obra do ex-rabino Samuel Ibn Abbas, do qual ele copiou capítulos, e de "Nativitatibus", do erudito Abraham Ibn Esras. Nas suas leituras preferia "O Livro dos Profetas", que ele copiou em parte e que cita no diario e nas suas cartas.

Chama a atençom o seu extenso conhecimento do Antigo Testamento e das escrituras sagradas; num dos seus livros, "Historia rerum ubique gestarum" do papa Pio II, mostra que está familiarizado com a cronologia hebraica. Depois de se referir ao ano de 1481, aquele em que ele estava a escrever o comentário, logo a seguir regista o correspondente do cálculo hebraico, 5421, a idade que o mundo tinha entom de acordo com a Bíblia e daí passa a referir que Adám morreu aos 130 anos, e que a destruiçom do segundo templo que ele chama -segunda casa-, denominaçom tipicamente hebraica, nunca usada por nom-judeus teria acontecido 1413 anos atrás. Como essa nota conservam-se muitas outras. Prova que Colombo dominava a história hebraica.

Colombo, que cita e medita com fruiçom os textos sagrados, nunca usou a palavra Jesus Cristo; ele falou do Senhor e, nas suas interjeições e comentários, cita nomes bíblicos como: Israel, David, Jerusalém, Judá e o Rei de Israel. Numha carta a Diogo Deça, o preceptor do príncipe Juan, escreve: "dê-me o nome que quiserem, que David, o rei muito sábio, guardou ovelhas e depois tornou-se Rei de Jerusalém; eu sou servo daquele mesmo Senhor que colocou David neste estado" e noutro escrito: "Eu sou um servo do mesmo Deus que criou David".

O diário da primeira viagem contém umha página muito significativa, datada de 23 de setembro de 1492. A viagem demorava-se e ainda nom havia terra. Entom Colombo comenta: "de modo os altos mares foram muito necessários para mim, que nom pareceu, salvo o tempo dos Judeus quando deixaram o Egito contra Moisés, que os tirou do cativeiro".

Poderia um cristão da época ter escrito todas as anotações de Colombo sobre os seus conhecimentos judaicos? Seria mais fácil para um judeu converso exagerar o seu zelo católico, mencionando amiudadamente a Santíssima Trindade, nas suas variadas expressões, do que para um católico escrever abertamente sobre factos ou eventos judaicos.

Por outro lado, apesar da religiosidade do almirante e de sua constante observaçom dos deveres religiosos, tanto próprios como alheios, umha das acusações mais sérias que cairam contra foi a de ter-se recusado a batizar numerosos povos indígenas ou ter colocado todos os atrancos possíveis para realizar esses batismos, contrariando seriamente umha das principais razões da conquista e colonização: a expansom do cristianismo em terras desconhecidas. Porque seria isso? Talvez por querer ter mais Judeus do que católicos nas terras descobertas por ele.

*Fonte: PontevedraViva (1/08/2018)
Original em espanhol traduzido para o galego-português por CAEIRO.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

ENCONTRO DE ESCRITORES E JORNALISTAS PORTUGALEGOS


No próximo dia 13 de julho realiza-se o IX Encontro de Escritores e Jornalistas do Alto Tâmega, Barroso e Galiza, em Chaves, no Auditório do GATAT.

No quadro desse encontro, o Prof. Jorge José Alves Ferreira, a convite da Direção do Fórum Galaico Transmontano, apresentará a comunicaçom "Judeus, Cristãos-novos e Marranos no Alto Tâmega", conforme programa.
A participação é livre e gratuita.

terça-feira, 12 de março de 2019

III SIMPÓSIO SOBRE JUDAISMO EM TRÁS-OS-MONTES

Nos próximos dias 15-16 de março celebra-se em Chaves e Valpaços o III Simpósio sobre judaismo em Trás-os-Montes sob o título Os Judeus, cristãos-novos e marranos em (de) Trás-os-Montes: História e património.

Inscriçom grátis, mas obrigatória através deste link ou email para: rotary.cejat@gmail.com

Consulte aqui o programa.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

AMEAÇADA INTEGRIDADE DA SINAGOGA BEVIS MARKS EM LONDRES

Para quem interessar, compartilho um apelo da comunidade sefardita de Londres, transladado por Ângela Campos, respeitante à ameaça que paira sobre a integridade da sinagoga londrina de Bevis Marks.

Dear All

We urgently need your help. As most of you know we have been waiting for the planning application to be submitted on 33 Creechurch lane – the building adjacent to our Historical Bevis Marks Synagogue – and the enclosed image shows its effects on our light, and our heritage environment not to mention the building’s structure. Please see below the advice and guidance from our professional team. Can we please call you ALL to action to follow the simple instructions below. The online comments link below is very simple.

This is our synagogue and it’s for us to protect it for our future generations.

ACTION PLAN

A planning application has been submitted to the City of London for a 20 storey tower just a few metres from the Synagogue’s eastern wall. As you will see from the image below, it will tower over the Synagogue. We have been monitoring this and now we need your help.


As a matter of urgency - Please let the City know what you think by submitting comments by the deadline of 12th February - or sooner if you can. We give details of how to do this below. Every objection counts - so please respond quickly. 


In conveying your views you may wish to reflect the Trustees major concerns:

“We are deeply concerned over the major impact that the development would have on the historic setting of the Synagogue along with the reductions in daylight and sunlight into the Synagogue and the much used courtyard. This overbearing presence will change the much loved character and atmosphere of the Synagogue and its immediate surroundings.  We are also worried about disturbance to our services, disabled access and damage to the Synagogue’s fabric during the construction of such a large tower so close to our 300 year old building.”

You can submit comments on the planning application through the City of London online system here.


Alternatively you can email PLNComments@cityoflondon.gov.uk quoting the planning application reference 18/00305/FULMAJ and the address which is 33 Creechurch Lane London EC3A 5E.

You can also write, quoting the same reference number and address, to:
Mrs Annie Hampson
Chief Planning Officer and Development Director
Department of the Built Environment
City of London
PO Box 270
Guildhall
London  EC2P 2EJ

The full planning application documents can be viewed here.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

PARLAMENTO GALEGO APROVA DECLARAÇOM NO DIA INTERNACIONAL DA LEMBRANÇA DO HOLOCAUSTO

Em 1 de novembro de 2005, a Assembleia Geral das Nações Unidas, na sua 42ª sessom plenária, reafirmou que o Holocausto, que teve como resultado que um terço do povo judeu e inúmeros membros de outras minorias morreram assassinados, será sempre um aviso para todo o mundo dos perigos do ódio, do fanatismo, do racismo e dos preconceitos.

E também decidiu designar em 27 de janeiro como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, todos eles vítimas do nazismo, entre as som contados galegos e galegas.


O Holocausto é o resultado dum programa de perseguiçom, aprisionamento e extermínio realizado polo nazismo que matou mais de seis milhões de pessoas. Teve a sua origem na tentativa de eliminaçom da dissidência política e ideológica e resultou num genocídio que contou com a colaboraçom da Ditadura franquista e que perseguiu milhares de homens e mulheres que fugiram do Estado espanhol depois da derrota da República em 1939 e após a instauraçom dum regime fascista

Em particular, este Parlamento quer lembrar os mais de 10.000 republicanos espanhóis que foram deportados nos campos nazistas pola colaboraçom do ditador Francisco Franco com o nazismo alemão e o fascismo italiano. Segundo algumhas fontes historiográficas, cerca de 200 deles eram originários da Galiza e morreram lá ou foram libertados, mas nunca puderam regressar porque a ditadura franquista, que tinha retirado previamente a sua nacionalidade, lhes negou o direito de regressar ao seu país de origem.

Por tudo isso, o Parlamento da Galiza faz sua a declaraçom da Assembleia Geral das Nações Unidas em que rejeitou qualquer negaçom, parcial ou total, do Holocausto como um facto histórico. E condenou sem reservas, condena também este Parlamento faz sua, todas as manifestações de intolerância religiosa, incitaçom, assédio ou violência contra as pessoas ou comunidades com base na origem étnica ou nas crenças religiosas, tenham lugar onde tenham lugar.

O Parlamento da Galiza acha, com a Assembléia Geral das Nações Unidas, que a ignorância e o desprezo dos direitos humanos originam atos de barbárie que ofendem a consciência humana.

O Parlamento da Galiza, mais um ano e de acordo com a letra e o espírito da Declaraçom de 1 de novembro de 2005 da 42ª Assembleia Geral das Nações Unidas, chama à Junta da Galiza para trabalhar arreu contra os possíveis surtos de racismo, xenofobia, antissemitismo e outras discriminações com base na origem étnica ou crenças religiosas, e aos cidadãos e às suas organizações para permanecem vigilantes para que, nunca mais, um regime como o que produziu o Holocausto possa estabelecer-se entre nós e em qualquer lugar do mundo.

Santiago de Compostela, 30 de janeiro de 2019

Fonte: Parlamento da Galiza

domingo, 6 de janeiro de 2019

CHAVES

Cidade portuguesa da regiom de Trás-os-Montes erguida no vale do rio Tâmega.

À época da invasom romana da península Ibérica, os romanos construíram fortificações, aproveitando alguns dos castros existentes pola periferia. Tal era a importância desse núcleo urbano, que foi elevado à categoria de município no ano 79 d.n.e., advendo daqui a antiga designaçom Aquæ Flaviæ da atual cidade de Chaves, bem como o seu gentílico de flaviense. 

A partir do século III a chegada de Suevos, Visigodos e Alanos deu cabo da colonizaçom romana. O domínio bárbaro durou até que os mouros, oriundos do Norte de África, invadiram a regiom no início do século VIII.

Com os árabes, também o islamismo invadiu o espaço ocupado polo cristianismo, o que causou umha azeda querela religiosa e provocou a fuga das populações residentes para as montanhas a noroeste, com inevitáveis destruições. As escaramuças entre mouros e cristãos duraram até ao século XI. A cidade começou por ser reconquistada aos mouros no século IX, por D. Afonso, rei de Galécia-Leom que a reconstruiu parcialmente. Porém, logo depois, no primeiro quartel do século X, voltou a cair no poder dos mouros, até que no século XI, D. Afonso III, rei de Galécia-Leom, a resgatou, mandou reconstruir, povoar e cercar novamente de muralhas.

Já aqui prosperava umha importante Judiaria, cuja Sinagoga se situava num edifício entre a Travessa da Rua Direita, e a Rua 25 de Abril, onde se lê em antiga inscriçom na soleira da porta o nome "Salomom". O edifício existe, de grande portal encoberto e em degradaçom (aqui chamado "casa de rebuçados da espanhola"), em lugar cimeiro do típico casario das "muralhas novas". Porém, judiaria de Chaves ainda nom foi definitivamente localizada.

Em 1434 a comunidade de Chaves recebeu umha carta de privilégios e pagava à coroa umha taxaçom de 31.000 reis.

Depois da expulsom dos Judeus de Portugal existiu umha importante comunidade "Marrana" em Chaves.

Quando os Marranos de Portugal retomaram o contato com o judaismo no século XX, alguns cripto-judeus de Chaves regressaram ao judaismo. Em 1930 estabeleceu-se um comité de "Novos Judeus" comandado polo antigo marrano Augusto Nunes. Porém, com o estabelecimento da ditadura em 1932 a atividade judaica entre os marranos locais esmoreceu.

Em 25 de julho de 2013 foi apresentado mais um número da revista "Aqua Flaviae" subordinado à temática "A presença cristã-nova em Chaves no período filipino (1580-1640)" autoria de Jorge José Alves Ferreira. Este trabalho fornece umha valiosa informaçom sobre a presença da comunidade judaica em Chaves, retirando-a da penumbra para a tornar atrativa na sua Judiaria da zona histórica onde estaria localizada. Mais concretamente a investigaçom diz respeito a um conjunto de conhecimentos sobre a comunidade judaica de Chaves relativamente à localizaçom geográfica, ao Tribunal do Santo Ofício, à vivência quotidiana dos cristãos-novos, com destaque para práticas religiosas, teias relacionais, família ou mundo do trabalho.


Recentemente a câmara municipal de Chaves estabeleceu um protocolo com entidades israelitas para a fundaçom dum Centro de Estudos Judaicos do Alto Tâmega (CEJAT) que, desde 2015, dependente da Associação Rotary Club de Chaves, se dedica ao estudo da presença judaica nesta regiom transmontana.

Atualizaçom:
A partir do ciclo de investigações levadas a cabo polo historiador Jorge Alves Pereira e do referido CEJAT pudo-se localizar de delimitar a judiaria de Chaves na época medieval. 

Assim sendo, embora se desconheça a abrangência total da judiaria, esta localizar-se-ia na área da Rua Direita, Pr. da República, R. de Santa Maria, Rua do General Sousa Machado (antiga Rua Nova), R. do Poço, Largo do Cavaleiro,  R. Luís de Viacos, Rua do Postigo das Manas e Travessa das Caldas.

A partir da expulsom dos Judeus o arruamento onde se localiza a atual R. do General Sousa Machado passou a chamar-se Rua Nova em alusom à presença judaica existente nessa área, conservando este nome durante quase quatro séculos. Nela localizar-se-ia a escola de estudo das sagradas escrituras, célebre na comunidade científica dessa altura e que tornou a Chaves num centro de irradiaçom de cultura em nível regional.

Na judiaria de Chaves achar-se-ia também uma das capelas à que posteriormente se dirigiriam os cristãos-novos para fazer os seus rituais. Trata-se dum prédio que se distingue dos demais pola fasquia da sua fachada e existência dumha janela para permitir a entrada de luz. 
Edifício onde se localizaria a sinagoga de Chaves
O local da sinagoga de Chaves teria sido por embaixo deste edifício ou nas suas imediações.

A Rua de Luis de Viacos é a única que na toponímia flaviense alude à presença judaica.

Foi a partir de fontes indiretas que se pude delimintar a judiaria flaviense. Em documentos do Abade de Baçal refere-se que no Largo do Cavaleiro teria morado um fidalgo cavaleiro que foi representante das povoações de Chaves nas Cortes e que moraria "em frente da judiaria".

Na atualidade nom existe na toponímia de Chaves qualquer elemento que aluda à presença judaica ou cristã-nova apesar da importância da comunidade judaica para a defesa da cultura na cidade. De facto, com a publicaçom de Sacramental em 14 de abril de 1488, os judeus de Chaves contribuiram para a impresom do primeiro livro em língua portuguesa.


Em Monforte de Rio Livre, antiga vila localizada na atual freguesia de Águas Frias do município de Chaves e que foi sede de concelho até 1853, existem vestígios de presença judaica.