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domingo, 23 de novembro de 2014

O QUE É O SIONISMO?

Meïr Weintrater

As palavras "sionismo" e "sionista" som habitualmente utilizadas, de maneira sistemática, em discursos nos que substituem a palavra "judeu". Trata-se dum recurso grosseiro destinado a ocultar o antissemitismo sem designar explicitamente os Judeus, na esperança de safar tanto os rigores legais quanto às condenações morais. Porém, este procedimento possui umha outra significaçom: ao apresentar o judeu como um elemento dum sistema desenvolve-se umha visom conspiracionista baseado no modelo dos "Protocolos dos Sábios de Siom".

Neste contexto, esta breve nota visa precisar o significado da palavra "sionista". Nom se trata de resumir a história do movimento sionista e das suas relações com o mundo, e muito menos descrever nalgumhas alinhas os conflitos israelo-árabe e israelo-palestiniano, mas responder às questões colocadas por pessoas de boa fé no que diz respeito à palavra "sionista" para designar pessoas e organizações.

Inventado na altura de 1890, pouco depois da apariçom do sionismo contemporâneo como corrente de ideias (meados do século XIX) e após o início da emigraçom sionista para a Palestina otomana (na década de 1880), a palavra "sionismo", derivada do nome que designa na tradiçom judaica Jerusalém o pe por extensom o país de Israel, aplica-se a um movimento que tem em comum a aspiraçom judaica do regresso à terra de Israel. Com a criaçom da Organizaçom Sionista Mundial (OSM) em 1897, sob o impulso de Theodor Herzl, o nome recebe a sua definiçom no programa da organizaçom: "O sionismo aspira à criaçom, na Palestina, dum lar para o povo judeu garantido polo direito público".

Porém, esta bela simplicidade terá pouca duraçom. No decurso do meio século que segue, assiste-se a umha verdadeira explosom nos usos desta palavra. Milhares de organizações judaicas engendram muitas declinações possíveis da palavra "sionista". Há sionistas de extrema esquerda (incluido um movimento marxista que se define como o "partido comunista judeu") e sionistas de extrema direita (incluído admiradores  do fascismo mussoliniano na sua primeira etapa), sionistas burgueses e sionistas proletários, sionistas religiosos e sionistas ateus, sionistas culturais e sionistas políticos, sionistas que apenas concebem o seu engajamento no quadro dum reagrupamento de todos os Judeus na terra de Israel e os sionistas que respondem à definiçom clássica do judeu que recebe o dinheiro dum outro judeu para encaminhar para um terceiro judeu na terra de Israel.

A OSM torna-se na casa comum de todos estes sionismos, embora o Partido Comunista Judeu se afaste dela durante um período relativamente breve ou a direita nacionalista rache com ela para criar a sua própria organizaçom internacional. Mas a OSM funciona acima de todo como um Parlamento, onde os partidos se confrontam ou cooperam segundo as circunstâncias. Celebram-se eleições regularmente em todos os países onde os movimentos sionistas estám presentes com base num título de adesom individual através do pagamento dumha quota simbólica. O equilíbrio de forças entre os diversos movimentos, durante muito tempo marcado por umha clara preponderância da esquerda sobre a direita e dos laicos sobre os religiosos, reflete-se na composiçom das instâncias executivas da OSM e da sua organizaçom irmã, a Agência Judaica para a Terra de Israel.
Sede da Agência Judaica para Israel em Telavive. CAEIRO
Durante o período de meio século que vai da criaçom da OSM ao nascimento do Estado de Israel em 1948 o termo "sionista" indica a pertença a umha estrutura fundada num consenso mínimo. O movimento sionista conta com simpatizantes que, como Léon Blum ou Albert Einstein, compartilham globalmente os seus objetivos sem fazer parte nos debates internos. Mas, para os sionistas militantes propriamente ditos, o horizonte de referência é a organizaçom específica à que pertencem. Isto é particularmente verdadeiro quando se trata de se posicionar em relaçom às forças políticas no mundo, para formular um projeto econômico e social para o futuro Estado judeu, para conceber as relações que este estado irá manter tanto com os seus vizinhos árabes quanto com os seus cidadãos árabes. Todos esses temas som objeto de consideráveis controvérsias no seio da grande família sionista, com toda a gama de opções existentes nas sociedades democráticas.

Durante esse período, nom existe "ideologia sionista" no sentido literal do termo, nem linha política ou modo de açom compartilhados por todos os sionistas. Os partidos sionistas som micro-sociedades, primeiro na Diáspora e cada vez mais na Palestina sob mandato britânico. Eles têm os seus movimentos de jovens, os seus jornais e publicações, os seus centros de treinamento para militantes, as suas redes de escolas e clubes desportivos. Eles também têm na Palestina, desde a década de 1920, os seus sindicatos, as suas fazendas coletivas, as suas empresas de seguros de saúde, as empresas que controlam e até os bairros onde constroem habitações para os seus aderentes.

No decênio de 1930, o centro de gravidade do movimento sionista muda para a sociedade judaica na Palestina com o apoio das organizações sionistas. Com a criaçom do Estado de Israel a mudança é consumada. As estruturas formais da OSM e da Agência Judaica continuam a existir, mas sem qualquer poder de decisom sendo gradualmente os seus poderes reduzidos apenas ao trabalho educativo na Diáspora. Em Israel, a palavra "sionismo" entra na história cultural do país, com entonações às vezes heróicas e às vezes irônicas. Nas comunidades da diáspora, as organizações que se definem exclusivamente como "sionistas" esmoreceram, já que o que antes era a sua singularidade (a emigraçom judaica para a Palestina, a ideia dum lar nacional judeu, o apoio à criaçom e a existência do Estado de Israel, a centralidade deste na vida judaica) é hoje inseparável do "mínimo comum" em que se reconhecem os membros de todas as comunidades judaicas.

Essa é a dimensão coletiva. No plano pessoal, quer em Israel, quer nas comunidades judaicas, o termo "sionista" quase nunca é usado de forma significativa como um marcador de opçom espiritual, ideológica ou política. Enquanto alguns judeus individuais se definem como "antissionistas", a sua atividade é de pequenos grupos e nom representam a realidade do ambiente judaico. Além disso, os Judeus (em número muito maior do que o anterior) definem-se como "sionistas", mas é difícil dizer em que se diferenciam doutros israelitas ou doutros judeus. Um judeu "sionista" pode ser religioso ou ateu, de esquerda ou de direita, um defensor da anexaçom da Cisjordânia por Israel ou, polo contrário, em prol dumha retirada de Israel de todos os territórios. Mais geralmente, um "sionista" pode ser um cidadão comum que apoia o direito de existência do Estado de Israel, e, neste sentido, a grande maioria dos europeus som sionistas.

NOTA:
O/a leitor/a que desejar completar as suas informações sobre este assunto poderá consultar as seguintes obras de referência (em francês):
"Histoire du sionisme", Walter Laqueur (trad. fr. Calmann-Lévy, 1973),
«Sionismes. Textes fondamentaux», reunidos e apresentados por Denis Charbit (Albin Michel, 1998)
«Une histoire intellectuelle et politique du sionisme, 1860-1940», Georges Bensoussan (Fayard, 2002)
«Le sionisme dans les textes»,Dominique Bourel e Delphine Bénichou (CNRS Éditions, 2008)
«Le sionisme»,Ilan Greilsammer (PUF, «Que sais-je»?, 2005)
«Qu’est-ce que le sionisme?»,Denis Charbit (Albin Michel, poche, 2007).

Informações tiradas do blogue do autor, traduzidas para o galego-português por CAEIRO.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

DE GAZA A CATALUNHA: A INSOFRÍVEL HIPOCRISIA DA EUROPA

Michael Freund

No passado sábado, Federica Mogherini, a chefa da política exterior da UE estabeleceu um novo recorde mundial de presteza e duplicidade diplomática. Mal sete dias após asumir o seu novo posto, a ex-ministra italiana dos Negócios Estrangeiros apressou-se a realizar umha visita a Gaza e Ramallah, onde apelou para a divisom de Jerusalém, denunciou a construçom de habitações para Judeus em Judeia e Samaria e teimou no estabelecimento dum Estado palestiniano.

Reunindo toda a arrogância moral da que os diplomatas europeus tanto gostam, ela nom hesitou em dar palestras em Israel como se ela conhecesse melhor do que o Estado judeu quais devem ser os nossos interesses nacionais. Enquanto os mortos sírios som jogados como o lixo nas ruas de Aleppo, o Estado islâmico está ocupado na decapitaçom de Curdos e cristãos no Iraque ou as mulheres sauditas devem lutar para serem autorizadas a conduzir carros, Mogherini parece ter apenas um assunto na cabeça quando vem ao Próximo Oriente. Ela apenas se interessa com Israel.

Esta é a hipocrisia de primeira ordem europeia, revoltante no seu escopo e magnitude. É tempo de pará-la!

Como o continente que mais sangue judeu derramou nos últimos 2000 anos, a Europa tem umha responsabilidade especial e umha obrigaçom moral de suportar Israel.

Sim, com certeza! Leu bem: a Europa tem umha dívida com Israel.

Os Europeus têm umha dívida eterna a pagar ao povo judeu polas matanças, massacres, libelos de sangue, antissemitismo, conversões forçosas, expulsões, Cruzadas e Inquisições que cometeram com os nossos antepassados durante dous milénios.

Tudo isso pode soar como história antiga a Mogherini e os seus colegas, que, provavelmente, nom vejam o que isso tem a ver com Israel, convencidos em criar um Estado palestiniano.

Assim, destaquemos um exemplo mais recente da hipocrisia europeia, que está mais perto da casa Europa e que se encontra no próprio quintal da Europa: Catalunha.

No passado domingo, milhões de homens e mulheres na regiom norte-oriental de Espanha realizaram um histórico berro de liberdade. Desafiando corajosamente brutais ameaças e a intimidaçom de Madrid, mais de dous milhões de Catalães participaram num referendo sobre a independência, exercendo pacificamente o seu direito fundamental de decidir o seu próprio futuro.

E os resultados foram decisivos. Mais dos 80% de votantes apoiaram a independência da Catalunha da Espanha, o que incitou o líder catalão Artur Mas para declarar que a votaçom "deixou muito claro que queremos governar-nos nós próprios".

"Merecemos votar num referendo legal e obrigatório", declarou Mas, acrescentando: "Eis o que vamos fazer".

Porém, curiosamente, os anseios de independência dos Catalães nom parece interessar ao resto da Europa tanto como os dos Palestinianos, embora os primeiros possuam umha melhor história para terem o seu próprio estado.

Para começar, existiu um Estado catalão no século XVII, embora por um breve período de tempo, enquanto nunca houve um Estado da Palestina independente em toda a história. Mesmo se considerarmos que os árabes-palestinianos vivem sob ocupaçom desde 1967, a Espanha ocupa a Catalunha desde há 300 anos, tornando-a num conflito mais longo. A justiça atrasada é justiça denegada.

Diferentemente dos árabes-palestinianos, os Catalães podem legitimamente aspirar a ser umha naçom com língua e cultura próprias, os árabes-palestinianos nom.

No entanto, isto nom parece perturbar a ninguém na Europa, que ignora completamente o caso catalão que demanda um Estado enquanto defende o dos árabes-palestinianos.

Para mais ironia, o parlamento espanhol de Madrid, o mesmo que nom tolera a liberdade da Catalunha, prepara-se para votar o reconhecimento da "Palestina" como um país independente!

Isto apenas prova que quando se tratar de Israel a máxima da política da Espanha é: "faz o que nós dizemos, nom o que nós fazemos".

Gostaria de pensar que o novo ímpeto europeu para reconhecer um Estado palestiniano provém da ingenuidade, dalgumha crença errada de que, de algum jeito, isto irá servir para atenuar a ameaça do extremismo islâmico. Mas talvez simplesmente se apiedam na ignorância e na crença certa de que os Palestinianos som a parte aflita no conflito com Israel.

Mas eu sei bem, e espero que o saibam. A hipocrisia é tam parcial e flagrante que nom pode nem deve ser ignorada.

Infelizmente ao que assistimos agora é à continuaçom do maltrato europeu aos Judeus, mas com umha nova focagem. Depois de tudo, durante 2000 anos, os Europeus dizeram aos Judeus para abandonar e "ir para Israel". 

Agora que finalmente estamos cá, querem que o abandonemos e que o entreguemos aos nossos inimigos.

Porém, quando se tratar dumha disputa antiga no coraçom da Europa, nom pensam mesmo em sugerir umha divisom de Barcelona ou a criaçom dum Estado catalão que viva lado a lado com Espanha em paz e segurança.

Entom talvez seja hora de que alguém pegue em Mogherini de lado e educadamente lhe sussurre na orelha: antes de começar a oferecer conselhos nom solicitados em Israel, a senhora deveria talvez de pôr em ordem na hipocrisia da sua própria casa.

Neste artigo de opiniom, Michael Freund, diretor de comunicaçom do Escritório do Primeiro-Ministro de Israel, B. Netanyahu, denuncia a dupla moral da nova comissária europeia de Negócios Estrangeiros, a italiana F. Mogherini, ao promover o reconhecimento do estado palestiniano enquanto ignora o clamor do povo catalão.

Fonte: http://www.michaelfreund.org/15630/europe-hypocrisy

Traduzido para o galego-português por CAEIRO.

domingo, 16 de novembro de 2014

PARLAMENTO ESPANHOL DEBATE RECONHECER O ESTADO DA PALESTINA

O Parlamento do Estado do Reino de Espanha, o mesmo que rejeita o direito de autodeterminaçom de nações como a Galiza ou Pais Basco e que recentemente impediu a celebraçom dumha consulta nom vinculativa sobre a independência na Catalunha, vai realizar umha votaçom simbólica no dia 18 sobre o reconhecimento do Estado da Palestina.

A resoluçom nom vinculativa foi apresentada a 16 de outubro polo PSOE e espera-se que os conservadores do governo (PP) vam apoiá-la. A proposta está a ser debatida nos bastidores entre as forças políticas para conseguir aprovar um texto com o maior apoio possível. Dias antes o grupo da Esquerda Plural (comunistas) apresentava umha  iniciativa semelhante.

A proposta que se está a negociar insta o Governo para "reconhecer Palestina como Estado [...] na conviçom de que apenas a partir da coexistência dos dous Estados, Israel e Palestina, podem alcançar-se através do diálogo e a negociaçom os acordos que garantam a paz e a segurança para ambos, o respeito aos direitos dos seus cidadãos e cidadãs e a estabilidade da zona". Aliás, defende que este reconhecimento se faça "de maneira coordenada com a UE".

O governo espanhol, com maioria absoluta no parlamento, defendeu que a Uniom Europeia (UE) atue de forma conjunta para decidir o reconhecimento da Palestina como Estado, explicaram o ministro de Relações Exteriores e a vice-presidenta do governo.

A vice-presidenta e porta-voz do governo espanhol insistiu após a última reuniom do executivo na sexta-feira na soluçom dos conflitos entre Israel e Palestina, mas disse que só se a negociaçom se tornar difícil ou impossível, o reconhecimento da Palestina deveria ser analisado, sempre de forma coordenada com a UE. Em princípio, explicou a vice-presidenta do governo, o reconhecimento do Estado Palestiniano deve ser uma consequência do diálogo entre as partes em confronto no Próximo Oriente, garantindo a paz, a segurança, o respeito dos direitos dos cidadãos e a estabilidade regional.

Se aprovada, a medida segue a esteira recente doutros países europeus (Reino Unido, Suécia ou a Irlanda) a fim de aumentar a pressom para umha soluçom com dous Estados no conflito entre israelitas e palestinianos. No dia 28 deste mês os deputados franceses votam o reconhecimento do Estado palestiniano na Assembleia Nacional.


Reino Unido

A resoluçom britânica, aprovada pola Câmara dos Comuns britânica em 13 de outubro, por 274 votos contra 12 (o parlamento tem 650 assentos), dizia o seguinte: "Esta Câmara acredita que o Governo deve reconhecer o Estado da Palestina, junto com o Estado de Israel". 

Nessa ocasiom o debate surgiu da iniciativa dum grupo de deputados liberados por Grahame M. Morris, do Partido Trabalhista (257 mandatos). O líder dessa organizaçom, Ed Miliband, de origem judaica, instruiu os seus deputados para votarem em favor. Mas logo a seguir da votaçom o dirigente enfrentou umha "revolta" entre os setores trabalhistas que querem que o reconhecimento se dê apenas no contexto dum amplo acordo de paz para a regiom.

Os deputados conservadores e liberais-democratas tiveram liberdade de voto e esperava-se que alguns do primeiro grupo e a maioria de tories votassem em favor. Os membros do executivo declararam a intençom de abstençom, bem como o primeiro-ministro Cameron, que alertou para o facto de o reconhecimento da Palestina como Estado nom irá mudar a política sobre o conflito palestino-israelita.

As autoridades israelitas e palestinianas têm lamentado o papel do Reino Unido na história do conflito, criticando tanto o seu domínio colonial de três décadas sobre o território quanto a forma em que a sua retirada foi realizada em 1948.


Irlanda

Na sequência do Reino Unido, em 24 de outubro o Senado irlandês aprovou umha moçom nom vinculativa polo reconhecimento dum futuro Estado palestiniano.

Neste caso a proposta fora subscrita previamente por 31 dos 60 membros da câmara irlandesa. Segundo a moçom, "o Senado apela ao Governo para que reconheça formalmente o Estado da Palestina e para que faça a nível internacional tudo o que ajude a garantir umha soluçom viável de dous Estados para o conflito israelo-palestiniano".

A principal proponente, a senadora Averil Power (Fianna Fáil, centro-direita) afirmou que "a Irlanda deve tornar claro que o povo palestiniano tem direito a um Estado e nom a umha moeda de troca para jogar na mesa de futuras negociações fitícias com os israelitas". E acrescentou que "desse modo ajudaremos a aumentar a pressom para que Israel se envolva num processo de paz genuíno,  que é a verdadeira via para garantir paz e justiça tanto a israelitas como a palestinianos". Power também referiu que "quanto mais países reconheçam o Estado da Palestina, maior será a pressom sobre Israel para pôr termo à ocupaçom ilegal e para aceitar um acordo de paz de longa duraçom na regiom".

O embaixador israelita em Dublim comentou que "números de circo como o de reconhecer a 'Palestina' unilateralmente som contraproducentes, porque só dam desculpas aos que, do lado palestiniano, têm a esperança de atingir os seus objetivos sem falar diretamente com Israel".

Suécia

O novo governo socialista da Suécia foi um passo além e reconheceu oficialmente a Palestina como Estado em 30 de outubro. 

O primeiro-ministro sueco, Stefan Loefven, anunciara na sua primeira intervençom parlamentar, no início de outubro, que o seu país seria o primeiro da UE, na Europa Ocidental, a reconhecer o Estado palestiniano. Logo a seguir da tomada da decisom, a ministra dos Negócios Estrangeiros disse que "é um passo importante, que confirma o direito da Palestina à autodeterminaçom", manifestando a esperança de que esta atitude "abra caminho para outros" países fazerem o mesmo.

A decisom provocou um forte protesto de Israel, quàe retirou o embaixador em Estocolmo.

A Uniom Europeia

Um dia depois de o Parlamento britânico aprovar a sua requisiçom ao primeiro-ministro, o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Laurent Fabius, pronunciou-se na Câmara de Paris sobre essas iniciativas europeias nuns termos que resumiam bem, polo menos até agora, a postura mantida polo corpo diplomático da UE: “No momento em que dissermos que existem dous Estados, haverá um reconhecimento do Estado Palestiniano. O que queremos nom é algo simbólico, mas sim algo útil para a paz”. 

A postura tradicional europeia respeitante ao conflito é o fomento dumha soluçom de comum acordo que possibilite a criaçom dum Estado árabe junto ao Estado judeu. Destarte, umha porta-voz do Serviço Europeu de Açom Exterior afirmou, na quinta-feira, que a UE “reconhecerá os dous Estados no momento mais apropriado, ainda que os países-membros do bloco já tenham competência para fazê-lo”.

Porém, estes movimentos políticos som sintomáticos dumha mudança de postura no continente. A UE tenta encontrar uma posiçom que possa contentar a Alemanha, a Holanda e a Dinamarca, mais receptivas às teses israelitas, e a outros países mais inclinados ao lado palestiniano. Antes dos suecos, nações como Polónia, República Checa, Hungria, Romênia, Bulgária, Malta e Chipre já tinham reconhecido o Estado palestiniano, mas o fizeram antes de aderir à UE.

Com a ofensiva israelense lançada na Faixa de Gaza no fim de 2012, sob o nome de Operaçom Pilar Defensivo, a Europa começou a endurecer seu discurso em relaçom ao Governo de Israel. Em dezembro daquele ano, os chefes de Estado e de Governo europeus reforçaram por escrito a necessidade de haver dous Estados, bem como o caráter “ilegal” dos assentamentos judeus nos territórios ocupados, que Bruxelas condena com relativa frequência.

Desde este ano, a UE proíbe que os fundos do bloco destinados a Israel (principalmente para bolsas de estudos e projetos de pesquisa) cubram também entidades radicadas nesses territórios, numha decisom que causou revolta no Executivo de B. Netanyahu. Também se estuda hegemonizar de algumha maneira no bloco a iniciativa já adotada polo Reino Unido de especificar nos produtos israelitas vendidos na Europa se eles procedem ou nom dos territórios ocupados.

O endurecimento da postura europeia reflete umha crescente impaciência internacional com o quase meio século de controlo de Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, além do bloqueio (juntamente com o Egito, o maior estado árabe) na Faixa de Gaza.

ATUALIZAÇOM (18/11)

No dia em que um comando dous militantes da FPLP, armados de pistolas e machados cometaram umha chacinaria numha sinagoga de Jerusalém Ocidental matando quatro pessoas e ferindo outras oito, o Congresso espanhol, numha votaçom quase unânime (319 votos a favor, 2 contra e 1 abstençom) aprovou a resoluçom em que reconhece a Palestina como Estado independente nos termos acima referidos.

A unanimidade alcançada na aprovaçom da proposta foi possível despois de as forças da esquerda espanhola (Esquerda Plural), catalã (ERC) e galega (BNG), contrárias à sua aprovaçom inicial porque nom era suficientemente contundente contra o governo israelita, aceitarem o pedido da Embaixada da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) em Espanha. Com efeito, a diplomacia palestiniana considera o passo do Congresso espanhol "muito importante e simbólico". Musa Amer Odeh, embaixador da ANP no Reino de Espanha, abertamente partidário da unidade espanhola, assistiu ao debate no pleno do Congresso dos Deputados com emoçom, acompanhado com outros embaixadores árabes.

O texto aprovado polo Parlamento espanhol defende que “a única soluçom possível” para o conflito é a coexistência dos estados de Israel e da Palestina.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

AS RELAÇÕES DE AMIZADE DE ISRAEL COM A RÚSSIA DE PUTIN

Apesar de estar muito ligado aos EUA, o declínio da influência estado-unidense no Próximo Oriente, fez com que Israel adopte umha postura multipolar ao construir relações fortes com a Índia, a China ou a Rússia, com a que mantém um diálogo construtivo.


Relações humanas

Por volta de 1 milhom de cidadãos israelitas provêm do espaço russo e ex-soviético, com fluxos entre ambos os paises. Desde o fim da década de 1980 a cidadania com dupla nacionalidade russo-israelita representa aproximadamente 15% da populaçom do Estado judeu.

Desde a independência, os israelitas de origem russa constituem umha comunidade autónoma e muito integrada na vida cultural, política e económica do Estado de Israel.

Desde o início do século XXI Israel tornou-se num destino a cada vez mais visitado polos turistas russos e desde setembro de 2008 foram suprimidos os vistos entre os dous países. Na atualidade os russos representam o segundo coletivo de turistas (603.000 pessoas e 17,4% em 2013), apenas superado polo 18% de turistas norte-americanos.

Moscovo alberga a maior comunidade de expatriados israelitas, com 80.000 cidadãos israelitas a morar na ca capital russa em 2014, a maioria russófonos. Esta comunidade desenvolve muitos eventos culturais israelitas e muitos vivem parte do ano em Israel. Há 60 voos semanais entre Telavive e Moscovo.

Relações comerciais

Entre 1991 e 2013 as trocas comerciais entre Israel e Rússia multiplicaram-se por 300, passando de 12 para 3500 milhões de dólares, com um incremento de 20% entre 2012-13.

As exportações russas para Israel superam os 2000 milhões de dólares, principalmente diamantes em bruto e hidrocarbonetos (46,5%).

As exportações israelitas à Federaçom russa alcançam quase 1.500 milhões de dólares, principalmente produtos agrícolas (16%), produtos eletrônicos manufaturados (10%) e material médico (8,5%).

Em dezembro de 2013 Israel e Russia decidiram, à margem da cimeira da Organizaçom Mundial do Comércio de Bali, a criaçom dumha zona de livre comércio. Desde março de 2014 um grupo de trabalho conjunto avalia a viabilidade de alargar esse acordo entre Israel e a Uniom Alfandegária da Rússia, Bielorrúsia e Cazaquistám.

Cooperaçom técnico-militar
Desde a chegada de Putin à presidência russa, um importante campo de colaboraçom com Israel foi a troca de experiências no combate ao terrorismo e na guerra assimétrica, especialmente ao abrigo dos ataques terroristas chechenos em Moscovo (2002) e na Ossétia do Norte (2004). Em consequência, o primeiro-ministro israelita Ariel Sharom, estimando que a luta russa contra os terroristas era comparável à sua própria luta contra os terroristas palestinianos, apoiou completamente à Rússia no seu conflito violento com os rebeldes wahabitas na Chechênia e procurou implementar medidas de cooperaçom antiterrorista, tais como treino conjunto de forças antiterroristas, o desenvolvimento comum de tecnologias de segurança fronteiriça e a coproduçoom de sistemas de armamento (especialmente no campo da vigilância aérea).

Para corrigir o seu atraso nas tecnologias de alto valor militar, Rússia assinou em abril de 2009 um contrato de 53 milhões de dólares com a Israel Aerospace Industry (IAI) para a compra de 12 veículos aéreos nom tripulados (drone) de vigilância (2 Bird Eye-400, 8 i-View Mk150 e 2 Searcher Mk.2 UAVs). Num segundo contrato de 100 milhões de dólares, nos finais do mesmo ano, a Rússia encargou a compra de mais 36 drones a Israel.

Em 6 de setembro de 2010 a Rússia e Israel assinam um acordo militar por um período de cinco anos em termos de colaboraçom no combate ao terrorismo e a proliferaçom de armamento de destruiçom maciça. .

Em outubro de 2010 a IAI e a corporaçom industrial russa Oboronprom acordaram umha nova venda por um total de 400 milhões de dólares para a compra, durante três anos, de drones Searcher Mk.2 e Bird Eye-400, bem como a construçom dumha fábrica de montagem em Ecaterimburgo. Os primerios drones russo-israelitas foram entregados em 2012, estando agendada a entrega final ao exército russo em 2014.

Adicionalmente, tecnologia israelita foi usada na segurança da organizaçom de vários eventos, tais como nos recentes Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi.

Energia

A descoberta frente à costa israelita dumha grande jazida de gás que poderia albergar 1,4 bilhões de m3 fez aumentar o interesse russo polos recursos do Estado hebreu.

Para nom depender unicamente dos EUA (únicos contratistas para a extraçom de hidrocarbonetos), em fevereiro de 2013 umha companhia filial de GAZPROM assinou um contrato com a israelita Levant LNG Marketing Corporation para a compra, em exclusivo e por um período de 7 anos, de gás natural liquado procedente da jazida de gás de Tamar (face a costa de Haifa).

Israel planeja alargar a importaçom de gás natural russo para os 25% até 2025 através da construçom do oleoduto Blue Stream II.

Conflito israelo-palestiniano 

Apesar de a Rússia continuar apoiar a causa palestiniana na ONU, convidar o Hamas a Moscovo, ajudar o Irám com o seu programa nuclear e vender armamento a Síria que acaba em mãos do Hezbollah, Moscovo nunca estabeleceu limitações às importações procedentes dos territórios ocupados de Cisjordânia ou das Colinas do Golán.

Durante um encontro com umha delegaçom de rabinos em Moscovo a 9 de julho de 2014, dous dias depois do início da operaçom Margem Protetora, o presidente Putin, referindo-se ao sequestro e assassinato dias antes de três adolescentes por terroristas do Hamas disse que "eu apoio a luta de Israel na sua tentativa de proteger os seus cidadãos. Eu também ouvi o chocante assassinato dos três jovens. É um ato que nom pode ser permitido, e peço que transmitam as minhas condolências às famílias".

Apesar do apoio russo à autodeterminaçom do povo palestiniano, Rússia nom aprova umha declaraçom unilateral de independência.

Rússia foi membro do Quarteto, juntamente com os EUA, a UE e a ONU, estabelecido em março de 2002 para agir como mediadores do processo de paz entre Israel e os Palestinianos. Desde a sua constituiçom o Quarteto fez pouco ou nenhum progresso na tentativa de promover negociações substantivas. No entanto, a Rússia está numha posiçom única como um país que tem graus de relações amistosas com a Autoridade Palestina, com o Hamas e com Israel. Pode ser o intermediário que possa convencer os Palestinianos a concordar para iniciar o processo de negociações pacíficas?

Diplomacia

Desde o início da crise Rússia-Ucrânia, Israel adoptou umha posiçom morna e discreta, abstendo-se de condenar a anexaçom russa da península da Crimeia em 27 de março de 2014 na Assembleia Geral da ONU, causando o desgosto do governo norte-americano. 

Umha reprovaçom da anexaçom da Crimeia à Rússia poderia acarretar umha postura menos cooperativa de Moscovo no apoio militar à Síria ou na questom nuclear iraniana. Aliás, Israel suspendeu a exportaçom de drones para a Ucrânia como resposta ao bloqueio na venda de armamento da Rússia para o Irám e Síria. 

Apesar das sanções impostas em julho de 2014 pola UE a Rússia pola sua política imperialista na Ucrânia, Israel irá continuar as suas exportações de produtos agrícolas à Rússia. Em resposta, a Rússia bloqueou as importações agrícolas da Europa e Israel está interessado em expandir a sua produçom agrícola de 325 milhões de dólares por ano para mais de 1000 milhões. A venda de frutas israelitas à Rússia, mormente maçãs e ameixas, pode contribuir a compensar as as perdas derivadas da proibiçom da UE às importações sobre lácteos, carnes, aves e ovos com produtos da Cisjordânia, Colinas de Golã e Jerusalém.

Em junho de 2012 Putin e Shimon Peres inauguraram em Netanya (ver imagem) um monumento em memória do meio milhom de soldados judeus que combateram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra mundial.



Em 1 de junho de 2014 os governos da Rússia e Israel anunciaram a posta em marcha dumha linha encriptada de comunicaçom permanente para "debater questões diversas sobre os principais interesses das duas nações sem umha intervençom direta dos EUA".


Mais do que umha aliança, Israel visa estabelecer com a Rússia umha associaçom que serviria para os seus acordos de diversificaçom estratégica. Como a sua aproximaçom da Rússia, Israel procura compensar as inflexões da política norte-americana na regiom e quebrar o seu relativo isolamento diplomático.

Segundo Avigdor Lieberman, ministro israelita dos Negócios Estrangeiros nascido na Moldávia soviética, "os americanos têm muitos problemas e desafios em todo o mundo que precisam resolver e têm problemas em casa. Necessitamos percebê-los e como isso nos afeta na cena internacional", frisando que "a política exterior israelita durante décadas focalizou-se numha só direçom, para Washington. Mas a minha política é multidirecional".

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

VISTA DO BLOGUE QUESTOM JUDAICA EM ISRAEL

CAEIRO realizou umha estada em Israel durante os últimos dias.


Na imagem pode-se ver o endereço web de acesso que o blogspot mostrava deste blogue desde o Estado de Israel.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

COMPLÓ SIONISTA PARA DESTRUIR O PRÓXIMO ORIENTE

Num discurso retransmitido no passado 8 de setembro no primeiro canal da televisom egícia, o imã de Al-Azhar, o xeque Ahmed al-Tayeb, denunciou um "complô do sionismo mundial para destruir o Próximo Oriente" referindo-se aos jihadistas do Estado Islâmico: "Todos os [grupos terroristas fundamentalistas] som os novos produtos do imperialismo, ao serviço do sionismo mundial na sua nova versom, e o seu complô para destruir o Próximo Oriente e dividir a regiom. A nossa prova disto é a hesitaçom ocidental americana e a sua reticência a enfrentar estas organizações terroristas em relaçom ao assalto do Ocidental ao Estado iraquiano em 2003, por exemplo". Todavia, mais umha vez, a realidade dos feitos, isto é, os ataques aéreos estado-unidenses e franceses, juntamente com aliados árabes (Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Catar) contra as posições do Estado Islâmico no Iraque e na Síria dam cabo dessa nova teoria conspiratória.

Paradoxalmente o autor intelectual dessa asneira, o xeque al-Tayeb, era considerado como um liberal e moderado, antes da sua chegada à chefia da Universidade de Al-Azhar, a mais alta autoridade religiosa do islão sunita.

A questom é que desde a grave crise política originada pola destituiçom do presidente islamita Mohamed Morsi polo exército egício em julho de 2013, é frequente que tanto partidários do marechal Al-Sisi (o atual presidente) quanto simpatizantes da Irmandade Muçulmana acusarem-se mutuamente de conspirar contra o Egito a custa de Israel.

Relativamente ao golpe de estado que deu cabo da primeira experiência de governo -democraticamente eleito- da Irmandade Muçulmana no Egito, surgiram múltiplas teorias.

Para o Movimento de Resistência Islâmica (HAMAS), braço palestiniano da Irmandade Muçulmana, a queda de Morsi responderia a um complô sionista. Em Felesteen, jornal do Hamás, Fayez Abu Shamala alertava "contra o complô através do mundo que abateu o governo democraticamente eleito do Egito" do qual seriam culpados, como habitual, os Judeus. Shamala estipula que o golpe de Estado nom é fruto do povo egício, que está unido e odeia a divisom, mas "o que se passa na terra do Egito é umha iniciativa puramente sionista com o selo judeu e dos EUA". Segundo Shamala, os Judeus "conseguiram encontrar marionetas para ajudar à sabotagem israelita contra a indústria energética do Egito".

Porém, proeminentes arabistas de esquerda consideram que o golpe de Estado no Egito contra o governo da Irmandade Muçulmana respondeu a um movimento popular realizado em contra da vontade dos Estados Unidos. 

Para Santiago Alba Rico, arabista espanhol ligado à organizaçom política Podemos, a esquerda no Egito "faz parte da Frente Nacional de Salvaçom, coaligaçom também da direita neoliberal e dos fulul da ditadura, e o seu máximo representante, Hamdin Sabahi, que ocupou o terceiro lugar nas eleições presidenciais, pediu várias vezes nos últimos dias [na véspera do Golpe militar] a intervençom do exército e saudou os seus "revolucionários" comunicados. O mesmo no caso de Tamarrud, o movimento responsável polas mobilizações de 30 de junho, cujos porta-vozes confessam abertamente ter coordendo os protestos com a cúpula militar, e que responderam à assadiana declaraçom das forças armadas ("daremos as nossas vidas combatendo os terroristas, extremistas e ignorantes") reclamando a imediata detençom do presidente eleito Mohamed Mursi".

Nos mesmos termos se exprimiu Sami Nadir, quem analisou o golpe referindo que "os militares, apoiados por forças civis democratas e mesmo polos islamistas radicais do Partido Nur, perpetraram o seu golpe de Estado e concederam-se oficialmente o poder", alegando que os islamistas "ao tentar islamizar as instituições, nom repararam no carácter maioritariamente laico da sociedade egípcia, provocaram o acordar das forças democráticas e a formaçom ao longo dum ano dum bloco opositor, no que se reagruparom tanto partidários de Mubarak quanto os nasseristas que o rejeitavam, para além dos democratas laicos e umha arte significativa da "maioria" até entom silenciosa".

  
Este artigo realizou-se parcialmente a partir de informações do Conspiracy Watch.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

AS LIGAÇÕES DE HAMAS NO RAPTO E ASSASSÍNIO DE TRÊS ISRAELITAS

O sequestro e posterior assassínio de três adolescentes israelitas (Naftali Fraenkel, Gilad Shaar e Eyal Yifrach) no passado mês de junho, foi atribuída por Israel ao Hamás. O caso provocou grande comoçom em Israel, pois os adolescentes desapareceram e foram procurados durante quase três semanas, sendo enontrados mortos. Como vingança, um grupo de extremistas judeu raptou um palestiniano, que mataram queimando-o vivo. Seguiram-se protestos violentos na Cisjordânia, e o lançamento de milhares de rockets da Faixa de Gaza contra Israel, que, a partir de 8 de julho, acabou por responder com ataques aéreos e umha incursom terrestre.

A nom reivindicaçom da açom por parte do Hamás junto com as dúvidas semeadas sobre a autoria real do crime nom apenas pola media conspiracionista, mas por algum meio convencional (como a ZDF), fizeram com que muitos pensassem que se tratava dumha escusa construída por Israel para atacar a Faixa de Gaza.

O rapto e assassínio dos três jovens polo Hamas causou grande comoçom em Israel

Os acontecimentos

Segundo informações do Estado de Israel, feitas públicas polo Shin Beth em 26 de junho, a responsabilidade alegada desse sequestro e assessinato múltiplo correspondia a três ativistas palestinianos do Hebron ligados ao Hamás.

Em 29 de junho o jornalista israelita Shlomi Eldar revelava em Al-Monitor, um site anglófono especializado no Próximo Oriente, que os dous suspeitos, Marwan Qawashmed e Amar Abu Aisha, pertenciam ao clã palestiniano dos Qawashmed, um dos três clãs mais importantes na regiom do Monte Hebron, na Cisjordânia. Segundo Eldar, o clã idenfitica-se com o Hamás, embora com tendência a ignorar a sua liderança, fazendo com que algumha vez tenham agido contra a linha política oficial da organizaçom islamita.

Conhecidos polas autoridades israelitas (estiveram encarcerados em Israel e foram libertados em 2011 com outros centenares de prisioneiros palestinianos em troca da libertaçom do soldado israelita Guilad Shalit, sequestrado polo Hamás), os dous suspeitos foram no passado militantes da organizaçom islamita. 

Ao abrigo dessa militância ambígua, dez dias após a desapariçom dos três jovens, Khaled Mechaal, chefe político do Hamás, declarou numha entrevista para a Al-Jazeera que nom podia "nem confirmar nem negar" o envolvimento da sua organizaçom no crime. No decurso dessa entrevista Mechaal nom hesitou em referir que "benzia as mãos que raptaram [os três jovens israelitas]", frisando os jovens nom eram estudantes, mas "soldados".

As teorias da conspiraçom


Umha reportagem emitida em 16 de julho polo canal de televisom alemã ZDF provava que o sequestro e as mortes dos três jovens seria na realidade "un crime civil cometido por um cidadão de confissom judaica por razões de tipo económico" (sic). A reportagem, elaborada polo jornalista Christian Sievers para o programa "Auslands Journal", referia que pouco depois da desapariçom dos três adolescentes, os serviços de informaçom israelitas deram-nos por mortos, pois o registo da chamada de auxílio realizada por um dos jovens acabava com uns disparos, e as forças da ordem israelitas encontraram nas redondezas do lugar da desapariçom umha viatura queimada com balas e grandes quantidades de sangue. A reportagem alemã concentra-se sobretodo no silêncio imposto polos serviços secretos à media israelita relativamente a estes elementos determinantes do inquérito e sobre a responsabilidade do governo, que deixou à populaçom esperar o regresso dos três jovens, contribuindo assim para a cólera e exasperaçom popular, "conspirando e manipulando a populaçom civil para justificar as ofensivas contra o povo palestiniano".


Porém, a reportagem nom esclarece nengum dos elementos apresentados como provas: nem a culpabilidade dum "cidadão de confissom judaica" nem diz nada a respeito das "razões de ordem económica", para além de nom apontar em nengures que "o assassinato dos três jovens israeitas no último 12 de junho nom foi cometido por Palestinos". Aliás, o jornalista alemão reprovou dias depois na sua conta pessoal de twitter a instrumentalizaçom que se iria produzir da sua reportagem.

Logo a seguir, estas "informações" foram reproduzidas polo site conspiracionista chileno El Ciudadano, e que serviram de inspiraçom para o artigo, datado a 25 de julho, do site Croah.fr, gerido polo dieudonnista Joe Le Corbeau.

Outros meios conspiracionistas mais precavidos, entre os quais, Chaos contrôlé, Les Chroniques de Rorschach ou LesMoutonsEnragés.fr reproduziram a versom oficial sementando dúvidas sobre a autoria do sequestro e assassinato múltiplo.

Por enquanto, a imprensa convencional fazia-se eco dumha versom branda das elucubrações complotistas. "O Hamás nom está finalmente na origem do sequestro e morte dos 3 jovens israelitas o mês passado", publicava em 26 de julho o Huffington Post Maghreb (ediçom argelina do Huffington Post). "O Hamás responsável da morte dos três jovens israelitas? Nom tam certo" titulava o Rue89. Os dous artigos baseavam-se nos tweets dos jornalistas Sheera Frenkel (Buzzfeed) e Jon Donnison (BBC), os quais revelaram que os dous suspeitos polo sequestro e morte dos três israelitas, embora ligados ao Hamás, nom teriam agido sob a ordem direta da organizaçom militante islamista palestiniana. Mais concretamente, estes jornalistas citavam o porta-voz da polícia israelita, Micky Rosenfeld, quem disse que umha "célula isolada" teria agido de forma autónoma em relaçom ao Hamas. Por outro lado, acrescentou Rosenfeld, se o sequestro tivesse sido ordenado polos dirigentes do Hamás, a polícia israelita teria-o sabido.

O esclarecimento

Em 5 de agosto as autoridades israelitas anunciam ter arrestado um palestiniano, Hussam Qawasmeh, suspeito de estar envolvido no sequestro e morte dos três jovens. Residente na cidade de Hebron, teria jurado ter ajudado a organizar o sequestro assegurando-se o suporte financeiro de "agentes do Hamas da Faixa de Gaza" e comprando as armas que teria fornecido aos seus dous cúmplices, Marwan Qawasmeh e Amar Abou Aycha, para que levassem a cabo o ataque.  Igualmente, ele teria ajudado a enterrar as três vítimas numha courela comprada meses antes.

No dia 7 de agosto o jornal "The Times of Israel" revela que o irmão de Hussan Qawashmed trabalha em Gaza sob as ordens de dous chefes do Hamás, Fathi Hammad (antigo ministro do Interior palestiniano) e Saleh el-Arouri (um responsável instalado em Ancara) que, segundo as informações do jornal israelita, som responsáveis pola organizaçom de dezenas de ataques em Cisjordânia. A ordem de perpetrar o sequestro teria sido dada desde Gaza. Enfim, segundo fontes de segurança palestiniana, existem poucas dúvidas sobre a ligaçom da direçom do Hamás nos acontecimentos.

Em 20 de agosto, durante umha reuniom da Uniom Internacional de Intelectuais Islâmicos (UIMS) em Istambul e horas depois do duro golpe sofrido com a morte de três importantes comandantes do Hamas em Gaza, Saleh el-Arouri, responsável do grupo islamista palestiniano exilado na Turquia, declarou que as Brigadas Izz al-Din al-Qassam (ala militar do Hamás) tinha sido responsável polo rapto e assassínio dos três jovens israelitas: "Tem-se dito que foi umha conspiraçom de Israel, eu digo que nom foi. [...] Foi umha operaçom dos nossos irmãos dos Qassam que a levou a cabo, em sinal de apoio à greve de fome dos palestinianos nas prisões israelitas".

Finalmente, a 22 de agosto, numha entrevista realizada em Doha (Catar), Khaled Mechaal, o líder do Hamás, reconheceu pola primeira vez que os sequestradores e assassinos dos três jovens israelitas eram membros do Hamás embora nom tivessem agido sob o controlo direto da organizaçom terrorista islamista: "Nos nom estávamos ao corrente previamente da açom tomada por este grupo de membros do Hamás. Mas compreendemos a frustraçom das pessoas que vivem sob a ocupaçom e a opressom e eles decidem qualquer tipo de açom".

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PORQUE ISRAEL?

Shlomo Ben-Ami

TELAVIVE - A última guerra de Israel em Gaza tem ecoado através das capitais da Europa dumha forma poderosa e destrutiva. Em Berlim, Londres, Paris, Roma, e noutros lugares, Israel está a ser denunciado como um "estado terrorista". Manifestantes irritados queimaram sinagogas na França e, de todos os lugares, na Alemanha, mesmo alguns cantaram "Gás para os Judeus!" O grotesco acoplamento da legítima solidariedade com a Palestina e as invectivas anti-judaicas parecem ter forjado uma forma politicamente correta de antissemitismo que, 70 anos após o Holocausto, está a levantar o espectro da Kristallnacht sobre as comunidades judaicas da Europa. 

Os israelitas esforçam-se para compreender porque 5 milhões de refugiados e 200 mil mortes na Síria significam muito menos à consciência ocidental do que os 2.000 palestinos mortos em Gaza. Nom podem entender como os manifestantes europeus podem denunciar as guerras de Israel como "genocídio", um termo que nunca foi aplicado à hecatombe síria, à obliteraçom de Grozny na Rússia, às 500 mil mortes no Iraque desde a invasom liderada polos Estados Unidos em 2003 ou os ataques aéreos norte-americanos no Afeganistám e no Paquistám.

Na verdade, a resposta é simples: definir os pecados de Israel em termos emprestados do Holocausto é o caminho correto da Europa para se livrar do seu complexo judaico. "O Holocausto", como Thomas Keneally escreveu n'A Arca de Schindler, é um "problema gentio, nom judeu". Ou, como o famoso psiquiatra Zvi Rex disse brincando: "Os Alemães nunca perdoarám os Judeus por Auschwitz." 

Nom se trata de negar que a agonia de Gaza é um desastre humanitário. Mas este nem sequer se aproxima doutras crises humanitárias das últimas décadas, incluindo as da República Democrática do Congo (RDC), Sudám, Iraque e Afeganistám. Na verdade, desde 1882, todo o conflito árabe-judeu/israelense produziu quase metade do número de vítimas que a Síria em apenas três anos. Desde 1950, o conflito árabe-israelita ocupa o 49º lugar em termos de vítimas.

Isso nom corresponde com o desprestígio global de Israel que está a abafar a crítica legítima. Quando outros países vacilarem, as suas políticas som questionadas; quando o comportamento de Israel é polêmico ou problemático, o seu direito de existir coloca-se sob o fogo. Há mais resoluções das Nações Unidas dedicadas às violações dos direitos humanos cometidos por Israel do que a abusos por parte de todos os outros países juntos.

As histórias sobre Israel focam-se quase exclusivamente no conflito palestiniano. Joyce Karam, o chefe da sucursal em Washington do jornal pan-árabe Al-Hayat, acha que isso acontece porque "muçulmanos matando muçulmanos ou árabes matando árabes parece mais aceitável do que Israel matando árabes". As vítimas sírias, líbias, iemenitas nom tem rosto; a leonizaçom das incomparavelmente menos vítimas de Gaza torna-as únicas.

Isso nom quer dizer que Israel deveria ser consolado pola aritmética macabra de derramamento de sangue. A hipocrisia de alguns dos críticos de Israel de modo algum justifica a sua invasom colonial no espaço palestiniano, o que faz com que seja o último país desenvolvido, "ocidental", a ocupar e maltratar um povo nom-ocidental. A maioria dos conflitos de hoje -na Colômbia, Somália, República Democrática do Congo, Sudám, e agora até mesmo no Iraque e o Afeganistám- som internos. Mesmo umha grande potência como a Rússia enfrenta sanções punitivas por se recusar a pôr termo à sua ocupaçom dumha terra estrangeira.

O confronto de Israel com a Palestina representa um drama particularmente atraente para o Ocidente. A história de Israel estende-se muito além do conflito atual, para recontar umha simbiose extraordinária entre a herança judaica e a civilizaçom europeia que terminou em calamidade. Desde o seu nascimento, Israel tem suportado as cicatrizes do maior crime já cometido em solo europeu. A situaçom dos palestinianos -as vítimas de triunfo do sionismo- toca outro ponto nevrálgico na mente européia.

No entanto, a tragédia Israel-Palestina é única. É umha absorvente odisseia de duas nações com reivindicações mutuamente exclusivas sobre terras sagradas e santuários religiosos que som fundamentais na vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

É também umha guerra de imagens conflitantes, em que ambas as partes reivindicam o monopólio da justiça e do martírio. A perseguição aos Judeus, e o jeito em que o sionismo o utilizou, tornou-se num modelo para o nacionalismo palestiniano. Palavras como "exílio", "diáspora", "Holocausto", "retorno" e "genocídio" som agora um componente indissociável do ethos nacional palestiniano.


É importante notar que o Holocausto nom dá a Israel a imunidade de crítica, e nem todos os ataques às políticas de Israel podem ser descartados como antissemitismo. O Israel do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu é justamente percebido como um estado de status quo que aspira a ter tudo: controlo continuado dos territórios palestinianos e os assentamentos, bem como "calma por calma" dos palestinianos.

Mas o controlo do Hamas dentro de Gaza é igualmente problemático. Para acabar com o seu flerte fatal com o jihadismo e promover a estabilidade, Gaza deve buscar um acordo político e económico com Israel que reprima a tentaçom da guerra. Assim como a reabilitaçom das cidades egípcias ao longo do Canal de Suez em consequência da Guerra do Yom Kippur de 1973 abriu o caminho para umha paz israelo-egípcia, umha próspera Gaza serviria os interesses de todas as partes envolvidas -começando com Israel.

Shlomo Ben-Ami, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, é Vice-presidente do Centro Internacional de Toledo para a Paz. É autor de "Cicatrizes de Guerra", "Feridas de Paz: a Tragédia Árabe-Israelita".

Texto tirado de PROJECT SYNDICATE, traduzido para o galego-português por CAEIRO.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ESCOLHER ISRAEL

Miguel Esteves Cardoso

Israel está cada vez mais sozinho. É fisicamente atacado polos foguetes do Hamas mas é internacionalmente atacado por defender-se. Sim, os foguetes israelitas som mais poderosos e mortíferos do que os do Hamas. Mas se fosse ao contrário acham que o Hamas nom usaria os foguetes mais assassinos para atacar Israel? Acham que o Hamas algumha vez os usaria só para contra-atacar, depois de um ataque israelita?

Há mais de uma guerra. Nesta guerra mais recente, a maioria (mas nunca a totalidade) dos israelitas está de um lado e do outro estám o Hamas e a maioria (mas nunca a totalidade) dos palestinianos.

Na guerra mais antiga, de um lado, está Israel e os aliados democráticos, cada vez mais titubeantes, que tem. E, do outro, estám todos os imensos países árabes mais o Irám e todos os outros países islâmicos.

Israel tem aproximadamente um amigo estrangeiro por cada mil amigos que têm os palestinianos. Nas guerras, é preciso ser-se de um lado ou de outro. Nas guerras polos underdogs, basta fazer contas para perceber que, de todos os pontos de vista numéricos, geográficos e políticos, é Israel que é o underdog.

Por cada cem israelitas que querem um estado da Palestina quantos palestinianos querem Israel ao lado da Palestina? Um. Só os mais inteligentes e humanistas. Felizmente ainda som bastantes. Mas nom som do Hamas.

É preciso escolher Israel –tanto pola causa de Israel como pola nossa.

O resto é cobardia, aldrabice, desprezo e estupidez.

Artigo de opiniom de Miguel Esteves Cardoso publicado no jornal PÚBLICO.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A RATOEIRA DE GAZA

Shlomo Ben-Ami

A "Operaçom Margem Protetora" de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza é o tipo de guerra assimétrica que caracteriza quase todos os conflitos do Proximo Oriente nos últimos anos. As vitórias nesse tipo de guerras som sempre elusivas.
Mahmud Hams / AFP

Quaisquer que forem as realizações do superior exército de Israel e dos seus sistemas anti-mísseis, apesar da espantosa a devastaçom de Gaza, o Hamas vai sobreviver, mesmo apenas porque Israel assim o quer. A alternativa -a anarquia jihadista que iria transformar Gaza numha Somália palestinian- é simplesmente muito insuportável para ser contemplada.

A retórica arrogante do líder do Hamas, Khaled Meshaal, nom pode esconder o facto de que o poder militar do Hamas recebeu um golpe devastador. Mas, a menos que Israel esteja pronto a pagar um preço excepcionalmente elevado em termos da sua posiçom internacional ocupando Gaza e destruindo toda a sua hierarquia militar e arsenal, o Hamas ainda pode reivindicar vitória, depois de ter sobrevivido mais um ataque pola colossal maquinaria militar de Israel. 

O poder superior num conflito assimétrico sempre tem um problema de definiçom dos seus objetivos. Neste caso, Israel aspira alcançar a "calma" com o número suficiente de vítimas civis palestinianas para minimizar as críticas internacionais. Mas o fracasso para alcançar este objetivo é precisamente onde a potência superior é derrotada nos conflitos assimétricos. Além disso, a "calma" nom é um objetivo estratégico; nem também nom parece particularmente convincente o jeito de Israel para o alcançar (umha guerra a cada dous ou três anos).

A verdadeira questom é esta: Supondo-se que Israel tem a calma que quer, o que pretende fazer com a Faixa de Gaza no futuro? E o que pretende fazer com o problema palestino, do qual Gaza é parte integrante? 

A questom da Palestina é a raiz das guerras assimétricas que Israel vem enfrentando nos últimos anos, nom só contra o Hamas, o cliente palestiniano do Qatar, mas também contra o Hezbollah, o aliado do Irã na regiom. Estas guerras estám a criar um novo tipo de ameaça para Israel, acrescentando a dimensom estritamente militar dos conflitos nos domínios da diplomacia, política regional, legitimidade e direito internacional, nos quais Israel nom tem a mão superior.

Como resultado, nos conflitos assimétricos, Israel encontra a sua superioridade militar viciada. Estas som batalhas políticas que nom se podem ganhar por meios militares. A assimetria entre a natureza das ameaças e resposta de Israel acaba colocando a potência militar superior numha posiçom de inferioridade estratégica. O espalhamento da violência para a Cisjordânia -e o apoio do Presidente palestiniano Mahmoud Abbas aos objetivos do Hamas- significa que Israel nom pode evitar as consequências políticas do conflito. O Hamas, um oponente ferrenho da estratégia diplomática de Abbas, está gradualmente a se tornar na vanguarda da luta da Palestina pola libertaçom. 

Contrariamente do que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu acha, a principal ameaça existencial que o país enfrenta nom é um Irã com armas nucleares. O verdadeiro perigo é encontrado em casa: o efeito corrosivo do problema palestino na reputaçom internacional de Israel. A devastaçom causada polos confrontos assimétricos periódicos de Israel, combinado com a ocupaçom continuada de terras palestinianas e a crescente expansom dos assentamentos, tem alimentado umha crescente campanha para minar a legitimidade de Israel. Por exemplo, o aparentemente benévolo movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções, visto por muitos dos seus apoiantes como umha forma legítima de resistência nom-violenta, continua a ganhar terreno. Os oponentes do BDS (eu incluido) consideram o movimento como um subterfúgio político destinado a provocar a implosom do Estado judeu. 

A corrente do movimento palestiniano representada por Abbas tomou a decisom estratégica de optar por um Estado palestiniano com base nas fronteiras de 1967. A resposta estratégica de Israel deveria ser a aspiraçom a ser um "Estado judeu democrático", o que pressupõe umha maioria judaica. Mas se o processo de paz interminável continuar a deixar de produzir umha soluçom de dous Estados, como pode Israel evitar a realidade dum único estado num estado contínuo de guerra civil? 

Apenas existe umha maneira de sair da tragédia de Gaza que pode proporcionar justiça às suas muitas vítimas: as partes envolvidas no conflito e os atores regionais que agora disputam agir como mediadores devem alavancar a calamidade em curso sobre umha grande agenda de paz. Isso significaria o lançamento dum Plano Marshall para recuperar as infraestruturas de Gaza e melhorar as condições sociais. Mas, também, o levantamento do bloqueio e a abertura de Gaza para o mundo. O preço que o Hamas teria de pagar é o completo desarmamento e a desmilitarizaçom de Gaza sob supervisom internacional, com a Autoridade Palestiniana de Abbas a controlar as passagens fronteiriças para Israel e o Egito. 

Ao mesmo tempo, devem continuar as negociações para umha soluçom de dous Estados, com um compromisso inequívoco por parte dos Estados Unidos e que os outros membros do chamado Quarteto do Próximo Oriente (Organizaçom das Nações Unidas, a Uniom Europeia e a Rússia) usem toda a sus possível influência sobre as partes para evitar um novo fracasso. 

Israel está desprovido dumha estratégia convincente; o que há é umha série de improvisações que visam garantir a sobrevivência física da naçom em tanta terra como a comunidade internacional possa permitir. Mas a improvisaçom é simplesmente insustentável a longo prazo. Por exemplo, Israel alicerçou-se nos países árabes que estám dispostos a subordinar o problema palestiniano para umhas relações bilaterais discretas, essencialmente em matéria de segurança. Mas tais "alianças" que Israel possa ser capaz de desenvolver -por exemplo, com a Arábia Saudita e Egito- só podem ser circunstanciais e efêmeras. 

O desafio para Israel é ligar as suas táticas militares e diplomacia a um objetivo político claramente definido. E umha estratégia nacional credível deve reconhecer que, enquanto o conflito palestino continuar por resolver, os fundamentos morais de Israel e prestígio internacional estarám perigosamente comprometidos.

Shlomo Ben-Ami, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, é Vice-presidente do Centro Internacional de Toledo para a Paz. É autor de "Cicatrizes de Guerra", "Feridas de Paz: a Tragédia Árabe-Israelita".

Texto tirado de PROJECT SYNDICATE, traduzido para o galego-português por CAEIRO.