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terça-feira, 16 de setembro de 2014

AUMENTO DAS AÇÕES ANTISSEMITAS NA EUROPA

Slogans antissemitas nalgumhas manifestações pró-palestinianas como nom se ouviam há décadas, violência contra sinagogas e lojas de produtos kosher, ameaças de morte, ataques a Judeus,... Aconteceu na França, Alemanha, ou Reino Unido. A ofensiva de Israel em Gaza originou a ações antissemitas nalguns países europeus, a maioria levadas a cabo por franjas extremistas de populações de origem árabe ou muçulmana.
Manife neonazi na Alemanha. O slogan compara os bombardeamentos israelitas
sobre Gaza com os realizados polos Aliados na Segunda Guerra mundial.

Alemanha

A chanceler alemã, Angela Merkel, coincidindo com a Jornada Europeia da Cultura Judaica, esteve presente no 14 de setembro numha concentraçom em Berlim convocada para denunciar o aumento do antissemitismo na Europa. “Quem atacar alguém por usar uma kipá está a atacar-nos a todos. Quem destruir um túmulo judeu está a prejudicar a nossa cultura. Quem atacar uma sinagoga está a atacar as fundações da nossa sociedade livre”, afirmou.

A manifestaçom, convocada polo Conselho Central de Judeus na Alemanha aconteceu num lugar simbólico, frente à Porta de Brandemburgo e a poucas centenas de metros do Memorial do Holocausto, e juntou milhares de pessoas (5.000 segundo a polícia), entre elas Merkel, o Presidente alemão, Joachim Gauck, ministros e representantes de quase todas as tendências políticas. Todos juntos para repudiar as dezenas de ataques que nos últimos meses visaram diretamente Judeus na Alemanha, mas também em França, Itália e Reino Unido. Crimes de ódio que já existiam mas que se agravaram com a ofensiva, neste verão, do Exército israelita contra a Faixa de Gaza em resposta ao disparo maciço de rockets contra o seu território polos grupos militantes islamistas palestinos que operam nesse território.

Em muitas manifestações de apoio aos palestinianos na Alemanha foram gritados palavras de ordem antissemitas, embora, ao contrário de França, os protestos tenham terminado sem violência. Certo é que os incidentes se têm repetido nas ruas: em julho bombas incendiárias foram lançadas contra umha sinagoga na cidade de Wuppertal e um homem que usava kipá (solidéu) foi espancado numha rua de Berlim. Só nesse mês, as autoridades alemãs registaram 131 ataques antissemitas (entre grafitis escritos nas paredes a insultos a Judeus), num aumento que acompanha o de outros países. “Que haja pessoas na Alemanha que som ameaçadas ou insultadas por causa da sua aparência judia ou pelo seu apoio a Israel é um escândalo que nom podemos aceitar”, afirmou a chanceler, dizendo que o país, pelo seu passado recente, “tem o dever nacional e cívico de combater o antissemitismo”.  

Dos mais de 500.000 Judeus que viviam na Alemanha em 1933, ano em que Adolf Hitler subiu ao poder, restavam apenas 15.000 quando em 1950 voltaram a ser feitos censos. Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, a Alemanha ofereceu aos Judeus dos países da ex-URSS a possibilidade de se instalarem no país e som já hoje 200.000 os que ali vivem, a terceira maior comunidade judaica na Europa, depois da França e do Reino Unido. Merkel afirmou que o renascimento da comunidade judaica na Alemanha “é algo parecido a um milagre” e disse sentir-se “magoada quando ouve que há pais que se perguntam se será seguro criar aqui os seus filhos”.

Na Alemanha, um imã dumha mesquita de Berlim apelou à “destruiçom dos judeus sionistas”, pedindo que fossem “mortos, até ao último”, segundo um vídeo divulgado polo diário hebraico Ha’aretz. Em manifestações pró-palestinianas ouviram-se slogans antissemitas, como “gaseiem os Judeus”, conta a agência norte-americana Associated Press.

Na imprensa alemã também surgiram relatos de slogans ofensivos e violentos, como “judeu, porco cobarde”. O jornal Tagesspiegel nom hesitou em escrever que “desde que a época dos nazis não se ouviam palavras antissemitas ditas tam abertamente como nas manifestações de jovens árabes contra o conflito em Gaza”. Ditas em frente da polícia que, criticava o jornal, “não fez nada”. Ainda em Berlim, um turista israelita que passava perto da manifestaçom foi arrastado por um pequeno grupo, mas salvo pela polícia.

“Nunca nas nossas vidas pensámos na possibilidade de que este antissemitismo tam primário se ouvisse nas ruas da Alemanha”, reagiu Dieter Graumann, presidente do Conselho Central Judaico do país. No caso alemão, um estudo recente mostrou que a maioria (60%) das mensagens de ódio antissemitas enviadas por email ao organismo vinham de alemães com formaçom, incluindo professores universitários (muitos nem hesitavam em usar contas de email em que eram facilmente identificados), e que apenas 3% vinham de extremistas ou neonazis.

França 

Igualmente, segundo o Conselho Representativo das Instituições Judaicas a França (CRIF), as ações antissemitas duplicaram-se nos primeiro sete meses do ano na França. Num comunicado feito público no passado dia 12 de setembro com dados fornecidos polo Serviço de Proteçom da Comunidade Judaica (SPCJ) referindo fontes do Ministério do Interior, o CRIF frisou que se produziram 527 atos (ações ou ameaças) antissemitas entre o 1 de janeiro e 31 de julho de 2014 contra os 276 no mesmo periodo do ano anterior. A França é o país onde vive a maior comunidade judaica a seguir aos EUA e Israel (500 mil pessoas).

Bernard Cazeneuve, o ministro socialista francês do Interior, confirmou este aumento, frisando que "os atos antissemitas estám em aumento significativo desde o início do ano. Temos constatado com os representantes da comunidade judaica, com a que estamos em diálogo permanente. O governo está determinado a combater estes pequenos ódios que corroe a República do interior. No mês de maio decidi o reforço da proteçom de todos os locais de culto. [...] Para que nengum ato racista ou antissemita fique impune, solicitei em julho aos prefeitos de recorrerem sistematicamente ao artigo 40, permitindo-lhes colocar perante a justiça todo ato desta natureza que seja do seu conhecimento sem necessidade de presentaçom de queixa. Já  utilizamos esta alavanca várias vezes recentemente polos atos antissemitas detetados em Marselha e Toulouse, por exemplo, mas também relativamente aos atos islamofobos em Poitiers".

Noutro comunicado postado na sua página de Facebook, o SPCJ, organismo comunitário que peneira o acesso às sinagogas, precisa que as ações antissemitas (violências, atentados ou tentativas de atentados, incêndios, degradações e vandalismo) aumentaram em maior proporçom (126%) do que as ameaças (gestos, correios, inscrições, panfletos,...) que cresceram em 79%.

Segundo este organismo houve dous momentos de pico de ações antissemitas. O primeiro, em janeiro, coincidindo com o "caso Dieudonné"; o segundo, no mês de julho, durante a manifestaçom "Dia de Cólera" e correspondente às manifes anti-israelitas violentas organizadas na França. "Um clima de insegurança para a Comunidade judaica instalou-se fortemente depois das inúmeras violências antissemitas que visaram pessoas, sinagogas e escolas da comunidade judaica durante este período", refere o documento.


As manifes pró-palestinianas/anti-Israel na França foram muito violentas.
PHILIPPE WOJAZER/REUTERS
Com efeito, as tiradas abertamente antissemitas do comediante Dieudonné, personagem ligado à extrema direita, tem alcançado grande sucesso. Aliás na França reside a maior comunidade muçulmana da Europa (entre 3,5 - 5 milhões) e é vista como umha caixa de ressonância do que se passa no Próximo Oriente. Mas representantes da comunidade judaica pediram que nom se repliquem as hostilidades. “O conflito em Gaza acontece no Proximo Oriente, e nós somos os Judeus de França, nom queremos importar este conflito”, disse Laura Nhari, porta-voz do conselho representativo das Instituições Judaicas de França, ao New York Times. 

Na sequência das manifestações anti-israelitas deste verão, em Sarcelles, subúrbio de Paris conhecido como “pequena Jerusalém”, foram atacadas umha farmácia dum judeu e uma loja de produtos kosher, para além do rasto de destruiçom deixado pola violência da manifestaçom proibida polo Ministério do Interior (vidros de carros partidos, etc.) “As pessoas ficaram atordoadas, a comunidade judaica tem medo”, disse o presidente da câmara, François Pupponi. Os políticos franceses estabeleceram a diferença. “Protestos contra Israel som legítimos”, disse o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. “Quando se ameaçam sinagogas e quando se incendeiam mercearias porque o dono é judeu, isso som atos antissemitas, isso é intolerável”, sublinhou. Na zona de Paris foram atacadas já oito sinagogas nas últimas duas semanas do mês de julho.

A França tem especiais preocupações com o antissemitismo, com a Frente Nacional a ter obtido vitórias consecutivas nas eleições municipais, regionais e europeias. Apesar da estratégia de “normalizaçom” de Marine Le Pen, esta por vezes tem sido comprometida polo pai, Jean Marie, que ainda recentemente sugeriu “fazer uma fornada” com críticos do partido de extrema-direita.

Informações tiradas do jornal PÚBLICO (Portugal) e de LE MONDE (França).

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O REGRESSO DO SOCIALISMO DOS IDIOTAS

Rui Ramos
Na Europa das décadas de 1920 e de 1930, entre a grande inflaçom e a grande depressom, vários demagogos sem escrúpulos e com algum carisma pessoal descobriram um ovo de colombo político. Omitamos, por enquanto, o nome da fórmula. Uns eram socialistas e outros nacionalistas. O seu golpe de asa esteve em misturar uma cousa e outra, como na expressom “socialismo nacional”. Combinaram assim a ideia de uma revoluçom social com a ideia da defesa da ordem, e o desprezo pola democracia parlamentar com o entusiasmo pela mobilizaçom das “massas”. Esta fórmula, que venceu em dous dos quatro maiores estados da Europa ocidental, teve muitas variantes. Mas acabou por ser caracterizada por um elemento que nuns casos esteve na sua origem, e noutros apareceu depois, mas apareceu quase sempre: o ódio aos Judeus, apoiado em teorias raciais ou em teorias da conspiraçom. A partir da década de 1930, o antissemitismo levou à exclusom legal da cidadania e à emigraçom de milhares de pessoas. Na década de 1940, justificou um programa de genocídio.
Podem pôr agora os nomes. Em 1946, no Tribunal Internacional de Nuremberga, o programa de extermínio sistemático da populaçom judaica europeia foi um dos quesitos da acusaçom contra os líderes da Alemanha nazi. Mas embora ligado ao horror, o antissemitismo nom desapareceu. Os populismos de tipo nacionalista, mesmo quando precisam de respeitabilidade, quase nunca conseguiram livrar-se dessa marca de água, geralmente revelada através do “negacionismo” do Holocausto. Provavelmente, porque o antissemitismo corporiza muito bem o sincretismo ideológico que está na base dos velhos fascismos e dos novos populismos nacionalistas.
O líder social democrata alemão August Bebel chamou ao “antissemitismo” o “socialismo dos idiotas”. De facto, o antissemitismo recolhe toda a mitologia anti-capitalista, como a que informa as teorias da conspiraçom dos bancos, mas identificando o capitalismo com aquele que, até ao século XX, foi o maior grupo étnico-religioso europeu sem Estado, e que o folclore de quase todos os países associava ao negócio e ao dinheiro. Nom por acaso, a esquerda republicana e socialista europeia foi frequentemente antissemita (pensemos em Wagner), polo menos até ao caso Dreyfus em França, no fim do século XIX. Na propaganda nazi, os Judeus som às vezes comissários bolcheviques, mas mais habitualmente banqueiros de cartola. O antissemitismo funciona, desse ponto de vista, como um anti-capitalismo focado numha minoria específica, excluída da “comunidade nacional”, e portanto aceitável para os demais proprietários e capitalistas.
A rejeiçom do antissemitismo constituiu, na Europa do pós-guerra, um dos mais eficazes antídotos contra este género de movimentos. A história dos populismos ditos de “extrema-direita” está pontuada de momentos em que umha gafe antissemita compromete o demagogo em ascensom, obrigando-o a desdizer-se e tirando-lhe o élan. Ora, esse tempo de higiene pode estar no fim. Porque ao mesmo tempo que ressurgem os populismos, com a sua síntese da ordem e da revoluçom, eis que a contestaçom furiosa a Israel rompe os diques político-culturais que têm contido o antissemitismo.
Na corrente raiva contra Israel, a esquerda anti-capitalista, que desde a década de 1970 viu no ataque ao Estado judaico um meio de atingir os EUA, nom se inibe de marchar com o jihadismo, que herdou do nacionalismo árabe de meados do século XX a fixaçom na destruiçom de Israel. Um dos seus truques mais perversos é confundir Israel com a Alemanha nazi, ou a operaçom contra o Hamas com o Holocausto. Como é óbvio, todas as mortes som para lamentar. Mas deveria talvez ser óbvio que a organizaçom do extermínio sistemático de um povo, por razões ideológicas, nom é a mesma cousa que uma operaçom militar que causa vítimas civis por se desenrolar numa área densamente habitada. Até há pouco, as esquerdas académicas zelavam polo carácter único do holocausto, de forma a evitar comparações com o Gulag comunista. Agora, que o fim é difamar Israel, pode-se banalizar o nazismo.
Um dos truques mais perversos da esquerda chamada anti-capitalista é confundir Israel com a Alemanha nazi.
O primeiro efeito destas marchas comuns de velhos esquerdistas e radicais islâmicos tem sido a “legitimaçom” do antissemitismo, sob o manto hipócrita do “antissionismo”, mas com o mesmo resultado: a perseguiçom das comunidades judaicas. Em França, a 20 de Julho, os protestos por Gaza inspiraram uma espécie de pogrom, na Bélgica, um letreiro proibia a entrada num café aos “sionistas”. Na Alemanha, o governo achou por bem tranquilizar os Judeus perante os slogans antissemitas das manifestações ditas pró-palestinianas. Em suma, da próxima vez que Jean-Marie Le Pen cometer umha gafe antissemita, sentir-se-á menos exposto e isolado. No momento em que os populismos sobem na Europa, será boa ideia isentar o antissemitismo do estigma que, até agora, o refreou? No fundo, talvez o antissemitismo nom seja o único socialismo próprio de idiotas.
Fonte: OBSERVADOR

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

AS LIGAÇÕES DE HAMAS NO RAPTO E ASSASSÍNIO DE TRÊS ISRAELITAS

O sequestro e posterior assassínio de três adolescentes israelitas (Naftali Fraenkel, Gilad Shaar e Eyal Yifrach) no passado mês de junho, foi atribuída por Israel ao Hamás. O caso provocou grande comoçom em Israel, pois os adolescentes desapareceram e foram procurados durante quase três semanas, sendo enontrados mortos. Como vingança, um grupo de extremistas judeu raptou um palestiniano, que mataram queimando-o vivo. Seguiram-se protestos violentos na Cisjordânia, e o lançamento de milhares de rockets da Faixa de Gaza contra Israel, que, a partir de 8 de julho, acabou por responder com ataques aéreos e umha incursom terrestre.

A nom reivindicaçom da açom por parte do Hamás junto com as dúvidas semeadas sobre a autoria real do crime nom apenas pola media conspiracionista, mas por algum meio convencional (como a ZDF), fizeram com que muitos pensassem que se tratava dumha escusa construída por Israel para atacar a Faixa de Gaza.

O rapto e assassínio dos três jovens polo Hamas causou grande comoçom em Israel

Os acontecimentos

Segundo informações do Estado de Israel, feitas públicas polo Shin Beth em 26 de junho, a responsabilidade alegada desse sequestro e assessinato múltiplo correspondia a três ativistas palestinianos do Hebron ligados ao Hamás.

Em 29 de junho o jornalista israelita Shlomi Eldar revelava em Al-Monitor, um site anglófono especializado no Próximo Oriente, que os dous suspeitos, Marwan Qawashmed e Amar Abu Aisha, pertenciam ao clã palestiniano dos Qawashmed, um dos três clãs mais importantes na regiom do Monte Hebron, na Cisjordânia. Segundo Eldar, o clã idenfitica-se com o Hamás, embora com tendência a ignorar a sua liderança, fazendo com que algumha vez tenham agido contra a linha política oficial da organizaçom islamita.

Conhecidos polas autoridades israelitas (estiveram encarcerados em Israel e foram libertados em 2011 com outros centenares de prisioneiros palestinianos em troca da libertaçom do soldado israelita Guilad Shalit, sequestrado polo Hamás), os dous suspeitos foram no passado militantes da organizaçom islamita. 

Ao abrigo dessa militância ambígua, dez dias após a desapariçom dos três jovens, Khaled Mechaal, chefe político do Hamás, declarou numha entrevista para a Al-Jazeera que nom podia "nem confirmar nem negar" o envolvimento da sua organizaçom no crime. No decurso dessa entrevista Mechaal nom hesitou em referir que "benzia as mãos que raptaram [os três jovens israelitas]", frisando os jovens nom eram estudantes, mas "soldados".

As teorias da conspiraçom


Umha reportagem emitida em 16 de julho polo canal de televisom alemã ZDF provava que o sequestro e as mortes dos três jovens seria na realidade "un crime civil cometido por um cidadão de confissom judaica por razões de tipo económico" (sic). A reportagem, elaborada polo jornalista Christian Sievers para o programa "Auslands Journal", referia que pouco depois da desapariçom dos três adolescentes, os serviços de informaçom israelitas deram-nos por mortos, pois o registo da chamada de auxílio realizada por um dos jovens acabava com uns disparos, e as forças da ordem israelitas encontraram nas redondezas do lugar da desapariçom umha viatura queimada com balas e grandes quantidades de sangue. A reportagem alemã concentra-se sobretodo no silêncio imposto polos serviços secretos à media israelita relativamente a estes elementos determinantes do inquérito e sobre a responsabilidade do governo, que deixou à populaçom esperar o regresso dos três jovens, contribuindo assim para a cólera e exasperaçom popular, "conspirando e manipulando a populaçom civil para justificar as ofensivas contra o povo palestiniano".


Porém, a reportagem nom esclarece nengum dos elementos apresentados como provas: nem a culpabilidade dum "cidadão de confissom judaica" nem diz nada a respeito das "razões de ordem económica", para além de nom apontar em nengures que "o assassinato dos três jovens israeitas no último 12 de junho nom foi cometido por Palestinos". Aliás, o jornalista alemão reprovou dias depois na sua conta pessoal de twitter a instrumentalizaçom que se iria produzir da sua reportagem.

Logo a seguir, estas "informações" foram reproduzidas polo site conspiracionista chileno El Ciudadano, e que serviram de inspiraçom para o artigo, datado a 25 de julho, do site Croah.fr, gerido polo dieudonnista Joe Le Corbeau.

Outros meios conspiracionistas mais precavidos, entre os quais, Chaos contrôlé, Les Chroniques de Rorschach ou LesMoutonsEnragés.fr reproduziram a versom oficial sementando dúvidas sobre a autoria do sequestro e assassinato múltiplo.

Por enquanto, a imprensa convencional fazia-se eco dumha versom branda das elucubrações complotistas. "O Hamás nom está finalmente na origem do sequestro e morte dos 3 jovens israelitas o mês passado", publicava em 26 de julho o Huffington Post Maghreb (ediçom argelina do Huffington Post). "O Hamás responsável da morte dos três jovens israelitas? Nom tam certo" titulava o Rue89. Os dous artigos baseavam-se nos tweets dos jornalistas Sheera Frenkel (Buzzfeed) e Jon Donnison (BBC), os quais revelaram que os dous suspeitos polo sequestro e morte dos três israelitas, embora ligados ao Hamás, nom teriam agido sob a ordem direta da organizaçom militante islamista palestiniana. Mais concretamente, estes jornalistas citavam o porta-voz da polícia israelita, Micky Rosenfeld, quem disse que umha "célula isolada" teria agido de forma autónoma em relaçom ao Hamas. Por outro lado, acrescentou Rosenfeld, se o sequestro tivesse sido ordenado polos dirigentes do Hamás, a polícia israelita teria-o sabido.

O esclarecimento

Em 5 de agosto as autoridades israelitas anunciam ter arrestado um palestiniano, Hussam Qawasmeh, suspeito de estar envolvido no sequestro e morte dos três jovens. Residente na cidade de Hebron, teria jurado ter ajudado a organizar o sequestro assegurando-se o suporte financeiro de "agentes do Hamas da Faixa de Gaza" e comprando as armas que teria fornecido aos seus dous cúmplices, Marwan Qawasmeh e Amar Abou Aycha, para que levassem a cabo o ataque.  Igualmente, ele teria ajudado a enterrar as três vítimas numha courela comprada meses antes.

No dia 7 de agosto o jornal "The Times of Israel" revela que o irmão de Hussan Qawashmed trabalha em Gaza sob as ordens de dous chefes do Hamás, Fathi Hammad (antigo ministro do Interior palestiniano) e Saleh el-Arouri (um responsável instalado em Ancara) que, segundo as informações do jornal israelita, som responsáveis pola organizaçom de dezenas de ataques em Cisjordânia. A ordem de perpetrar o sequestro teria sido dada desde Gaza. Enfim, segundo fontes de segurança palestiniana, existem poucas dúvidas sobre a ligaçom da direçom do Hamás nos acontecimentos.

Em 20 de agosto, durante umha reuniom da Uniom Internacional de Intelectuais Islâmicos (UIMS) em Istambul e horas depois do duro golpe sofrido com a morte de três importantes comandantes do Hamas em Gaza, Saleh el-Arouri, responsável do grupo islamista palestiniano exilado na Turquia, declarou que as Brigadas Izz al-Din al-Qassam (ala militar do Hamás) tinha sido responsável polo rapto e assassínio dos três jovens israelitas: "Tem-se dito que foi umha conspiraçom de Israel, eu digo que nom foi. [...] Foi umha operaçom dos nossos irmãos dos Qassam que a levou a cabo, em sinal de apoio à greve de fome dos palestinianos nas prisões israelitas".

Finalmente, a 22 de agosto, numha entrevista realizada em Doha (Catar), Khaled Mechaal, o líder do Hamás, reconheceu pola primeira vez que os sequestradores e assassinos dos três jovens israelitas eram membros do Hamás embora nom tivessem agido sob o controlo direto da organizaçom terrorista islamista: "Nos nom estávamos ao corrente previamente da açom tomada por este grupo de membros do Hamás. Mas compreendemos a frustraçom das pessoas que vivem sob a ocupaçom e a opressom e eles decidem qualquer tipo de açom".

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SOBRE O ANTISSIONISMO ANTISSEMITA DOS ANTI-IMPERIALISTAS

Moishe Postone

UM OUTRO OUTONO ALEMÃO. PARA A MANIFESTAÇOM CONTRA O ANTISSEMITISMO EM HAMBURGO A 13 DE DEZEMBRO DE 2009


Várias dezenas de grupos alemãos aderiram ao apelo de condena dos atos antissemitas feitos por uns grupos de esquerda durante a projeçom em Hamburgo no passado 25 de outubro de 2009 do filme de Claude Lanzmann "Pourquoi Israel": Parar os agressores antissemitas, mesmo os de esquerda! Umha manifestaçom a 13 de dezembro contra estes atos antissemitas teve lugar em Hamburgo.

MOISHE POSTONE
Eu acho que é politicamente importante que o máximo número de pessoas na esquerda leve a sério as expressões de antissemitismo que mostram os grupos que se consideram de anti-imperialistas. Talvez isto possa também levar para um longo e seródio esclarecimento teórico. A questom nom é que se possa ou nom criticar as políticas israelitas. As políticas israelitas deveriam ser criticadas, particularmete aquelas que visam atrancar qualquer possibilidade de criar um Estado palestiniano viável na Cisjordânia e em Gaza. Porém, a crítica do "sionismo" espalhada em muitos círculos anti-imperialistas vai além dumha crítica das políticas israelitas. Esta atribui a Israel e aos "sionistas" umha maldade única e um poder global conspirador. Israel nom é criticado como outros países som criticados, mas como a corporificaçom do que é profundamente e fundamentalmente o mal. Assim sendo, a representaçom de Israel e dos "sionistas" para esta forma de "anti-imperialismo", de "antissionismo", é essencialmente a mesma que a dos Judeus no antissemitismo virulento que encontrou a expressom mais dura no nazismo. Nos dous casos, "a soluçom" é a mesma: a eliminaçom no nome da emancipaçom.

A representaçom convencional estalinista e social-democrata do nazismo e do fascismo como simples ferramentas da classe capitalista, utilizada para quebrar as organizações operárias, omitia sempre umha das suas dimensões centrais: estes movimentos em termos de autocompreensom deles próprios e o seu apelo às massas, eram as revoltas. O nazismo apresentou-se como umha luta pola libertaçom (e apoiou movimentos "anti-imperialistas" no mundo árabe e na Índia). O fundamento desta autocompreensom era umha compreensom fetichizada do capitalismo: a dominaçom abstracta, intangível, global do capital foi entendida como a dominaçom abstracta, global, intangível dos Judeus. Longe de ser simplesmente um ataque contra umha minoria, o antissemitismo dos nazistas é concebido como anti-hegemónico. O seu fim era libertar a humanidade da dominaçom omnipresente e desapiedada dos Judeus. É do facto do seu carácter anti-hegemónico que o antissemitismo coloca um problema particular para a Esquerda. É a razom pola qual há um século o antissemitismo podia ser caracterizado como "o socialismo dos imbécis". Hoje pode ser caracterizado como o "anti-imperialismo dos imbécis".

Infelizmente esta forma antissemita de "antissionismo" nom é nova. Acha-se no centro dos processos espetaculares estalinistas do início dos anos 1930, particularmente na Checoslováquia, quando os Comunistas internacionalitas que amiúde eram os Judeus, foram acusados de "agentes sionistas" e executados por isso. Esta forma codificada de antissemitismo, cujas origens nom têm qualquer relaçom com as lutas do Próximo Oriente, foi entom para lá transportada pola Uniom Soviética e os seus aliados durante a Guerra Fria, particularmente polos serviços secretos da RDA que travalhavam com os seus clientes Ocidentais e do Próximo Oriente (por exemplo, a RDA e os grupos palestinianos "radicais" diversos).

Esta forma de antissionismo "esquerdista" convergeu com o nacionalismo árabe radical e o islamismo radical, que nom é mais progressista do que qualquer umha outra forma de nacionalismo radical, como o nacionalismo radical albanês ou croata, e para que a impulsom eliminadora face os Judeus de Israel se justifique como dirigida contra os colonizadores "europeus". Cada vez que a impulsom eliminadora face os Judeus de Israel for mais forte, a legitimidade de Israel é posta em causa, com argumentos que vam da afirmaçom de que a maior parte dos Judeus europeus nom som biologicamente do Próximo Oriente (umha afirmaçom feita em 1947 polo Alto Comité Árabe e agora retomada como umha "nova descoberta" por Shlomo Sand) à ideia de que eles simplesmente som colonizadores europeus que, como o "pied noir", deveriam ser reencaminhados para casa. É mágoa e surpreendente que estes nacionalistas radicais no Próximo Oriente vejam a situaçom nestes termos. No entanto, isto torna-se perverso quando os Europeus, mormente os Alemãos, identificam os Judeus, o grupo mais perseguido e massacrado polos Europeus durante um milênio, com esses europeus. Ao identificar os Judeus com o seu próprio passado assassino, estes Europeus podem esquivar o tratamento desta pesada carga. O resultado é um discurso que pretende combater o passado, mas que na realidade o continua e prolonga. Esta forma de antissionismo faz parte dumha campanha que ganha em força desde o início da Segunda Intifada, para eliminar Israel. O seu posicionamento sobre a fraqueza dos Palestinianos cobre esta intençom suprema. Esta forma de antissionismo faz parte do problema e nom dumha parte da soluçom. Longe de ser progressista, alia-se com os nacionalistas árabes radicais e os islamistas, quer dizer, a direita radical do Próximo Oriente e, assim, reforça a direita israelita. É constitutivo dumha guerra a cada vez mais definida em termos de suma zero, que mina qualquer soluçom política possível, é a receita para umha guerra infinita. O ódio exprimido por este antissionismo faz quebrar as fronteiras da política, por ser tam ilimitada como o seu objeto imaginado. Semelhante facto de ser ilimitado indica um sonho de eliminaçom. Os Alemãos, como muitos outros Europeus, conhecem muito bem este sonho de eliminaçom. É chegado o tempo de acordar.

Moishe Postone (n 1942) é teórico crítico e professor de história na Universidade de Chicago. Ele é conhecido tanto pola sua interpretaçom do antissemitismo moderno quanto pola sua reinterpretaçom da teoria crítica marxiana. É o autor de "Time, Labor and Social Domination: A reinterpretation of Marx’s critical theory" (1993).

Fonte: PALIM PSAO, traduzido para o galego-português por CAEIRO.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

SNOWDEN, O ESTADO ISLÂMICO E O MOSSAD: A ÚLTIMA INTOXICAÇOM COMPLOTISTA DE MODA NA MÉDIA ALTER

Como umha pura intoxicaçom conspiracionista passou em menos dum mês dum escritório de desinformaçom complotista para um título emblemático da esquerda altermundista italiana próxima de Le Monde diplomatique.

Verão de 2014. Os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), rebaptizado Estado Islâmico (EI), alastram o terror no Norte do Iraque. Formado por salafistas e antigos oficiais baazistas que serviram o regime de Saddam Hussein, estes extremistas sunitas som comandados por um iraquiano de 43 anos, Ibrahim al-Badri al-Samarrai, alias Abou Bakr al-Baghdadi.

Mas nem todo o mundo subscreve esta "versom oficial". Desde o início do mês de junho, a República Islâmica do Irám tenta fazer passar os sucessos militares do EIIL como um complô tramado pola CIA. E desde entom circulam pola Internet textos explicando que uns documentos confidenciais procedentes da NSA e difundidos por Edward Snowden provariam que os serviços secretos americanos, britânicos e israelitas teriam trabalhado conjuntamente para criar o EIIL.

Mais ainda: o Mossad teria dado durante todo um ano a Abou Bakr Al-Baghdadi treino militar intensivo, bem como cursos de teologia e de expressom em público. Esta operaçom ultra-secreta de manipulaçom a grande escala teria por nome "Ninho de vespões". Tratar-se-ia, para o Estado hebreu, de criar um inimigo nas suas fronteiras, mas dirigido contra os Estados muçulmanos hostis à sua presença no Próximo Oriente.

Ainda mais desconcertante: Abou Bakr al-Bahdadi seria "de pai e mãe judeus" e chamar-se-ia, na realidade, "Simon Elliot" (ou Elliot Shimon")!!


A origem destas intoxicações perde-se nos meandros da Rede mas todos parecem vir dos escritórios de desinformaçom iranianos. Assim sendo, o primeiro texto em francês que afirma que Abou Bakr al-Baghdadi foi "formado" polo Mossad apareceu a 9 de julho de 2014 em Al-Imane.org, um site muçulmano que fez apologia do Hezbollah libanês (pró-iraniano) e do Hamás palestiniano. Este basear-se-ia nas novas de Al-Manar, o site do Hezbollah, e da agência de imprensa semi-oficial iraniana Far News, caracterizada por repetidas faltas à deontologia jornalística mais elemental. Um artigo de contido similar deste Al-Imane.org publicou-se em 11 de julho em Algérie1.com e, depois, em versom anglófona, a 15 de julho no site do jornal bareinita Gulf Daily News, desprovido de qualquer referência a Al-Manar ou a Far News. É sobre este texto que se baseia a maioria de sites conspiracionistas para reproduzir a intoxicaçom. Porque nos famosos documentos da NSA que contêm essas estrondosas revelações nom se conseguem encontrar -é preciso precisá-lo? Relativamente às duvidosas referências atribuídas a Edward Snowden, nom se acompanham de qualquer fonte, sendo imposível de verificar a sua autenticidade. Glenn Greenwald, o jornalista americano que publicou as revelações de Snowden, desmentiu estes rumores na sua conta pessoal de Twitter.

A isto é preciso acrescentar que a "informaçom" segundo a qual Abou Bakr al-Baghdadi seria judeu procede da agência de imprensa Mashregh News, outro escritório iraniano filiado aos pasdarans, os Guardiães da Revoluçom Islâmica. Mashregh News difundiu umha captura de ecran presentando um dos participantes num encontro entre o senador americano John McCain e os responsáveis do Exército Sírio Livre em 2013, como sendo Abou Bakr al-Baghdadi (1).

Que semelhantes fabulações se achem nas colunas de publicações complotistas nom sérias ou da extrema direita como Global Research.ca (o site de Michel Chossudovsky), infoWars (de Alex Jones), Croah.fr (de Joe Le Corbeau), Alterinfo (de Zeynel Cekici), UPF.fr (de François Asselineau), Le-Blog-Sam-La-Touch, Wikistrike, Les Moutons Enragés, Allain Jules, Al-Manar, MetaTV, Wikibusterz.com, Liveleak.com,... nom tem nada de singular. Mas que se insiram nas colunas dumha publicaçom histórica da esquerda dita "crítica" é motivo de inquietaçom.

Porque a falsa informaçom aparecida sucessivamente em Al-Imane.org, Algérie1.com e Gulf Daily News é retomada, palavra por palavra (2), em 4 de agosto de 2014, no jornal comunista Il Manifesto (3) sob a pena de Geraldina Colotti, a diretora da ediçom italiana de Le Monde diplomatique. Em definitivo, foi preciso menos dum mês à intoxicaçom complotista para colonizar a imprensa de opiniom convencional.

NOTAS

(1) É um procedimento clássico da retórica conspiracionista. Por exemplo, foi utilizada na teoria do complô sobre o atentado da maratona de Boston onde umha das vítimas que perdeu as suas pernas no atnetado foi acusada, com base numha foto, de representar umha comédia e de ser na realidade um antigo soldado que perdeu as suas pernas no Afeganistám.

(2) No artigo de Il Manifesto pode-se ler: "Segundo os documentos de Snowden, atualmente refugiado na Rússia, a CIA e o Mossad formaram o atual líder do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL). (...) Al-Baghdadi foi prisioneiro em Guantanamo Bay entre 2004 e 2009. No decurso deste período a CIA e o Mossad tê-lo-iam recrutado para criar um grupo capaz de atrair os jihadistas de diferentes países para um só local e assim mantê-los afastados de Israel. Para Snowden, "a única soluçom para proteger o Estado judeu é a criaçom dum inimigo nas suas fronteiras, mas encaminhando-o contra os Estados islâmicos opostos à sua presença". Umha operaçom secreta chamda "Ninho de vespões".



FONTE: CONSPIRACY WATCH, traduzido para o galego-português por CAEIRO.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ESCOLHER ISRAEL

Miguel Esteves Cardoso

Israel está cada vez mais sozinho. É fisicamente atacado polos foguetes do Hamas mas é internacionalmente atacado por defender-se. Sim, os foguetes israelitas som mais poderosos e mortíferos do que os do Hamas. Mas se fosse ao contrário acham que o Hamas nom usaria os foguetes mais assassinos para atacar Israel? Acham que o Hamas algumha vez os usaria só para contra-atacar, depois de um ataque israelita?

Há mais de uma guerra. Nesta guerra mais recente, a maioria (mas nunca a totalidade) dos israelitas está de um lado e do outro estám o Hamas e a maioria (mas nunca a totalidade) dos palestinianos.

Na guerra mais antiga, de um lado, está Israel e os aliados democráticos, cada vez mais titubeantes, que tem. E, do outro, estám todos os imensos países árabes mais o Irám e todos os outros países islâmicos.

Israel tem aproximadamente um amigo estrangeiro por cada mil amigos que têm os palestinianos. Nas guerras, é preciso ser-se de um lado ou de outro. Nas guerras polos underdogs, basta fazer contas para perceber que, de todos os pontos de vista numéricos, geográficos e políticos, é Israel que é o underdog.

Por cada cem israelitas que querem um estado da Palestina quantos palestinianos querem Israel ao lado da Palestina? Um. Só os mais inteligentes e humanistas. Felizmente ainda som bastantes. Mas nom som do Hamas.

É preciso escolher Israel –tanto pola causa de Israel como pola nossa.

O resto é cobardia, aldrabice, desprezo e estupidez.

Artigo de opiniom de Miguel Esteves Cardoso publicado no jornal PÚBLICO.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

ISRAEL, OS JUDEUS E O OCIDENTE

Esther Mucznik

“Morte aos judeus”, este grito que muitos acreditavam definitivamente enterrado, ouve-se de novo em manifestações na Europa contra a “ofensiva” de Israel em Gaza. Uma destas, que teve lugar recentemente em Haia, na Holanda, é mais um alerta dramático para uma realidade que muitos se recusam a enxergar. Permitida polo governo holandês, o que era para ser uma demonstraçom pacífica contra a atuaçom de Israel em Gaza, transformou-se numha manifestaçom de terror de centenas de adeptos do autoproclamado ISIS (Islamic State of Irak and the Levant). Arvorando as bandeiras negras do movimento terrorista, os participantes vociferaram slogans como “Morte aos Judeus” e outros apelando à morte e ao combate contra o Ocidente e especificamente contra os EUA.

Aparentemente os holandeses terám ficado muito “chocados” com o sucedido e apelado à demissom do presidente da câmara que autorizou o desfile. Mas o problema é bem mais grave e recorrente. Setenta anos depois do final da Segunda Guerra Mundial voltam a ouvir-se slogans como “Fora com os judeus”, “Permitido aos cães, nom aos judeus”, “Degolar os judeus” ou, novas versões como “Hamas, Hamas, Judeus para o gás”…. Ataques a sinagogas, a comércios judaicos e a indivíduos, incluindo crianças, sucedem-se num crescendo assustador. Muitos judeus acabam por esconder sob um neutro boné a kipá com que normalmente cobrem a cabeça, ou os fios que usam com a estrela de David.

O problema é que todas estas agressões verbais e físicas som levadas a cabo com relativa boa consciência: afinal nom tem nada a ver com os judeus em si mesmo, claro, trata-se tam-só de punir os apoiantes desse “Israel assassino”. Ouvem-se argumentos tais como: “se quiserem impedir a vaga de anti-semitismo deixem de apoiar Israel…” Na cosmopolita e multicultural Inglaterra, a direçom do London’s Tricycle Theatre que tem albergado ao longo dos últimos oito anos o Festival do filme judaico, impôs aos seus organizadores o corte de relações com a Embaixada de Israel, que o subsidia numa quantia ínfima, como condiçom para continuar a hospedar o festival. Segundo o Guardian, que num excelente editorial do passado dia 8 de agosto critica severamente a decisom do teatro, o Festival já anda à procura de outra casa mais acolhedora… Os argumentos do Guardian som lógicos: uma embaixada, nom é apenas o representante dumha política, mas também dum Estado e dum povo. E para a direçom do Festival, como para a esmagadora maioria dos judeus, muito mais importante do que subsídios ou até festivais, é a indestrutível ligaçom com o povo e com o país que hoje faz parte da sua identidade. E aí nom há chantagem que resulte… cousa que aparentemente a direçom do teatro nom entende.

Mas há uma outra questom de âmbito mais geral: justifica-se que, num Estado de direito, as pessoas nom possam apoiar e defender as suas opiniões politicas ou religiosas – sejam elas quais forem e por qualquer meio, nom violento, – sem serem molestadas? É evidente que nom. Num Estado democrático, o direito à expressom livre das opiniões individuais e coletivas, desde que de forma nom violenta, tem de ser salvaguardado e protegido polas instituições e polos próprios concidadãos. Nom pode ser ameaçado, nem coagido por receio de represálias, venham elas de onde vierem. E é isso que está em questom: devido em grande parte ao laxismo reinante, à cegueira mandriona, à impunidade do extremismo violento islâmico-esquerdista que grassa em numerosos países europeus, o contrato social que sustenta as sociedades ocidentais está a romper-se, tal como está a desmoronar-se a coesom social em torno dos valores que as moldaram.

A forma como a “comunidade internacional” tem lidado com Israel –o único Estado do Médio-Oriente que respeita os valores que aquela afirma defender-, e neste caso concreto com a guerra atual, é disso um claro exemplo: o ênfase desproporcionado centrado na “ofensiva israelita”, omitindo ou branqueando o papel do Hamas e da Jihad Islâmica; a desproporçom entre as demonstrações de ódio contra Israel e os ténues protestos contra a sorte dos Yazidis enterrados vivos, dos cristãos perseguidos e expulsos do Iraque, dos Bahai reprimidos no Irám e dos próprios muçulmanos trucidados na Síria…; a parcialidade desproporcionada de grande parte da informaçom, quase sempre centrada nos números e nom nas origens, nem nas causas… tudo isto é um bálsamo para a violência anti-Israel, anti-sionista e anti-judaica. Mais umha vez, muitos judeus olham para além das suas fronteiras. Desta vez, têm para onde ir. Mas cada judeu que sai forçado do país que como cidadão ajudou a construir é mais umha derrota de uma certa ideia de Europa e umha vitória da ideologia fanática violenta e intolerante que nos cerca cada vez mais.

Artigo de opiniom publicado no jornal PÚBLICO.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

TODA A VERDADE SOBRE A FAIXA DE AUSCHWITZ

João Guisan Seixas

Os Judeus, como todo o mundo sabe, som maus e possuem o domínio dos meios de comunicaçom. Graças a este domínio conseguiram manipular a história em muitos aspectos, mas hoje interessam nomeadamente as suas mentiras acerca do que verdadeiramente aconteceu nos campos de concentraçom nazis, e que só há pouco ficou a descoberto quando esses meios de comunicaçom que eles dominam começaram a propalar o original e bonito pensamento (é tão fácil ser bom e profundo quando se fala na “causa palestiniana”!) de que os Judeus estão a fazer com os palestinianos o mesmo que os nazis tinham feito com os Judeus.

Sim senhores, já nom era sem tempo que se soubesse. Os judeus circulavam polo interior de Auschwitz, Trebinkla e outros campos de extermínio, em potentes 4x4 de importaçom, a disparar metralhadoras ao ar, a pregoar o extermínio dos Alemães de qualquer condiçom, com as cabeças adornadas com fitas com versículos bíblicos que convocam todos os Judeus à guerra santa para imporem a religiom do profeta (Isaías) aos gentis.


No interior destes campos (onde basicamente nom se fazia nada, nom se produzia nada, nom se exportava nada) os Judeus recebiam inúmeros subsídios da Uniom Europeia (em muita maior medida que autênticos refugiados que autenticamente o necessitavam) que eles investiam em armamento e na manutençom da sua actividade criminal. Porque, nos seus tempos livres, os Judeus dos campos de concentraçom se dedicavam a lançar mísseis de forma indiscriminada sobre as cidades alemãs próximas, em conivência com outros estados judeus vizinhos que pretendiam sem disfarces a destruiçom da Alemanha.

Contra o que comummente se afirma, os nazis nom exterminaram sistematicamente as crianças judias mal chegavam aos campos de extermínio, mas foram os próprios Judeus que as utilizaram na sua guerra de propaganda, e na sua guerra sem mais também. Utilizavam-nas por exemplo no contrabando de armas através de túneis subterrâneos ou os mandavam a atirar pedras contra um exército que eles próprios denominavam de assassino e sem escrúpulos.

Quando nas batalhas contra os Alemães morriam crianças judias, como morrem em todas as guerras (sobretudo quando nom se fai nada para as proteger), entom saíam com elas diante das câmaras de televisom que transmitiam diariamente para todo o mundo desde o interior dos campos de concentraçom, e no dia seguinte havia manifestações de boas pessoas na Itália de Mussolini, no Japom imperial, e outros países com regimes semelhantes ao nazi, em que se dizia “Deixem de atacar os Judeus. Coitadinhos, deixem-lhes fazer o que quiserem, mesmo matar Alemães. Estão a morrer muitas crianças!”


De facto, os nazis nom foram assim tão maus como se pensa. Contra o que a propaganda sionista pretende, nom mataram 6 milhões de judeus indefesos em 3 anos, mas apenas uns 60.000 em 60 anos de guerras defensivas, se é verdade o que dizem os meios de comunicaçom “bons e profundos” no sentido de que a situaçom dos palestinianos a respeito de Israel é igual à dos Judeus a respeito da Alemanha nazi. Porque essa é a cifra de cidadãos árabes (nom só Palestinianos, mas Egípcios, Sírios, Iraquianos, Jordanos e Libaneses) que morreram em todas as guerras que os seus dirigentes alimentaram contra Israel.

Porque nom me digam que nom temos que estar até certo ponto agradecidos aos nazis que tivessem contido, com o seu próprio sacrifício, os intentos veementes dos Judeus para estenderem os seus campos de concentraçom a todo o mundo!


João Guisan Seixas é um ator, diretor e dramaturgo galego fundador da Associaçom Galega da Língua (AGAL).

O texto, de plena atualidade, foi redigido em janeiro de 2009 na sequência do conflito entre Israel e os militantes islamistas palestinianos do Hamás e Yihad Islâmica.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

O HAMASSISMO DOS PARVOS

Bernard-Henri Lévy

Sinto muito de voltar a isto.
REUTERS
Mas essas pessoas que vimos na última sexta-feira 25 de julho berrar os seus "Palestina vencerá" e "Israel assassino" onde estavam, no domingo precedente, quando se soube que os combates na Síria acabavam de fazer -num só fim de semana- aproximadamente 700 mortos que se acrescentam aos 150 mil que nom tiveram, ao longo de três anos, a honra dumha verdadeira manifestaçom em Paris?

Por que nom saíram às ruas quando, poucos dias antes, a muito informada Syrian Netword for Human Rights revelou que o exército de Damasco levou a cabo em 2014 polo menos 17 ataques com gás (enquanto era suposto que teria de destruir os seus estoques armas químicas) contra as áreas de Kafrzyta, Talmanas e Atshan?

Como é que nessa concentraçom de 25 de julho nom se ouviu um slogan, nem viram bandeiras relativas aos massacres que ocorreram ao mesmo tempo na regiom de Homs e que causaram em dous dias 720 novas mortes, apanhadas entre os dous fogos do regime de Bashar al-Assad e das tropas do "Estado islâmico" do Levante?

Estes "indignados" de um dia irám dizer que nom sabiam, que eles nom tinham as imagens desses mortos, que é o que faz mobilizar neste tempo. Difícil, porque eles, com certeza, tinham essas imagens. E a prova de que as tinham é que som estas, ou outras mais antigas, que os inspiradores das suas marchas utilizaram,  como revelou, entre outros, a BBC, falseadas e despois retuiteadas sob o hasthtag GazaUnderAttack, fazendo acreditar que procediam de Gaza.

Irám protestar eles que marcharam "contra Hollande" e umha política de apoio a Israel que nom querem que seja feita "no seu nome"? Admitamo-lo. Em primeiro lugar, este jeito de fazer a política exterior com razões internas instrumentalizando umha grande causa para para se sentir bem e a baixo custo nunca foi o mais respeitoso com a situaçom das vítimas. Mas, acima de todo, o mesmo raciocínio nom deveria ter feito com que se saísse nom apenas dez vezes, mas cem vezes, às mesmas ruas para protestar contra umha nom-intervençom na Síria finalmente decidida, no nosso nome também, sob pressom, essa vez, norte-americana, polo mesmo François Hollande?

Dirám que é a desproporçom que choca? O desequilíbrio entre um exército poderoso e civis desarmados? Eu entendê-lo-ia melhor. Mas, também nom nesse caso se trata disso. Porque se esse fosse o motivo, se realmente se importassem com essas crianças palestinianas cuja morte é, de facto, a cada vez mais, umha abominaçom e um escândalo, também suplicariam aos comissários políticos do Hamas para deixar os porões dos hospitais onde eles enterraram os seus centros de comando, deslocar os lança-mísseis que eles instalaram as portas das escolas da ONU ou para ameaçar os pais que tentam abandonar as suas casas logo depois de os folhetos do exército israelita advertirem que o ataque está pronto. E logo, se essa fosse realmente a diligência, se esta preocupaçom com a desproporçom assimétrica fosse o resorte real da sua raiva, nom teriam eles o mesmo pensamento para umha outra impressionante desproporçom que tem lugar muito perto de Gaza: esses condenados entre os condenados, esses desarmados absolutos, como som as multidões cristãs de Mossul às que os "irmãos" do Hamas diziam na altura: "você tem umha escolha: arrumar as suas malas e abandonar a sua casa, nom por alguns dias, mas para sempre, ou perecer pola espada".

Nom.

A verdade é que essas pessoas da "geraçom de Gaza" que consideram estar na última vestir um keffiyeh feito na Palestina acham, no fundo, natural que os Árabes matem outros Árabes. A verdade é que eles nom têm nengumha espécie de objeçom a aprender, mesmo da boca dos responsáveis do Hamas (Institute for Palestine Studies, Vol. 41, No. 4), que a construçom dos túneis custou a vida, apenas no ano 2012, de 160 crianças palestinianas transformadas em pequenos escravos.

E a verdade é que a estes revoltados ocasionais que nunca vimos mobilizar-se em prol nem dos 300.000 Darfurenses massacrados no Sudám, nem dos 200.000 Chechenos que Putin massacrou, segundo a sua própria e elegante fórmula de "rezudir a migalhas até o último terrorista", nem dos Bosniacos sitiados e bombardeados durante três anos na indiferença quase geral, a indignaçom apenas surge quando se tratar dum exército de maioria judia que se pode desafiar e condenar.

Bem, eu sinto muito, sim.

Mas estes duas formas de medir é muito odiosa.

Pretender colocar o título de campeões do humanismo contemporâneo a este acoplamento inaudito vermelho-marrom de amigos de Olivier Besancenot e, segundo os testemunhos concordantes (Le Monde, 26 de julho), os defensores da Alain Soral reagrupados no coletivo Firm Gaza é impressionante.

E para alguém que, como eu, exige desde há quase meio século a criaçom de um Estado palestiniano lado a lado dum Israel plenamente reconhecido; por um homem que, do plano de Geneve à fundaçom de JCall, está ligado a todas as iniciativas que vam no senso do que eu chamo de "paz seca", existe nesta barulheira algo desanimador.

Que existe nas fileiras destes manifestantes homens e mulheres sinceros, eu nom tenho nengumha dúvida. Mas, por favor, que eles pensem duas vezes antes de se deixar manipular e sugar por lutadores cujo motor nom é a solidariedade, mas o ódio, e cuja agenda real nom é "paz na Palestina", mas a "Morte a Israel" e, às vezes, infelizmente, "Morte aos Judeus".

Traduzido para a versom galega da língua portuguesa por CAEIRO.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

JEAN-MARIE LE PEN "NOM SABE" QUEM ENVIA MÍSSEIS CONTRA ISRAEL

No passado 14 de julho Jean-Marie Le Pen, presidente de honra da Frente Nacional, disse o seguinte no seu vídeo-blog "Journal de Bord" relativamente à Guerra de Gaza que enfrenta desde há dias às Forças de Defesa de Israel com o grupo militante islamista palestiniano Hamás:

"Ninguém pode ficar indiferente perante o verdadeiro martírio que padece a populaçom palestiniana. Existe algo que me surpreende: o que provoca estas reações muito violentas de Israel e da sua aviaçom, uns bombardeamentos dos quais os civis som geralmente, como sempre, as primerias vítimas, é o envio de mísseis (rockets). O Hamás teria enviado centenas de mísseis sobre Israel... O que me surpreende, é que nom haja mortos... Existe, portanto, umha desproporçom formidável entre a resposta e os danos causados. Além disso, acho muito surprendente que o Hamás continue a enviar sobre o terreno vagas de mísseis ou de rockets... que nom tem qualquer eficácia. Entom existe algo que me surpreende nisso... que coloca umha questom. Ei-la: quem envia realmente estes mísseis? Nom sei. Seja como for, é um pretexto que é utilizado por Israel para esmagar, com meios ultramodernos, umha populaçom que está praticamente sem defesa e da qual se sabe que já vive numha miséria terrível. Nom, eu acho que este problema vai continuar a envenenar a vida internacional e talvez um algum dia  irá conduzir a excesos de conflitos muito violentos".

O líder histórico da extrema direita francesa tem manifestado em continuadas ocasiões teorias complotistas relativas à alegada subordinaçom do governo francês às ordens do Estado de Israel.

terça-feira, 29 de julho de 2014

MAIS UMHA VEZ, CEGO EM GAZA

Alberto Moyano


Ontem [14 de julho], exatamente na mesma hora em que manifestantes espanhóis se concentravam junto da embaixada israelita em Madrid, ao berro de "nom é umha guerra, é um genocídio", o líder do Hamás, Ismael Haniye, proclamava em televisom: "A resposta política deve estar à altura da resistência para recolher os frutos desta GUERRA".

E entom, nom fica mais remedio que se perguntar a que obedece essa irresistível e fascinante pulsom que alguns sentem na hora de pendurar a palavra "genocídio" a todo o que soar a israelita.

E também, como é possível que os Palestinianos, que sofrem infinitas calamidades, podem ser o único caso na história no que um povo é vítima dum "genocídio" e, à vez, aumentar a sua populaçom ano após ano.

E postos a perguntar, também cabe interrogar-se como é possível que a estas alturas da manhã, Israel tenha aceitado um cessar-o-fogo condicionado unicamente ao cesse de rockets contra o seu território, enquanto o Hamás, vítima do "genocídio", o recusa em cheio, um caso inédito na História dos "genocídios".

E já postos, haverá que perguntar-se como é possível que se tenha chegado a esvaziar de significado as palavras até este ponto e em nome de que nos permitimos fazê-lo. Convenhamos que se realmente estamos perante um "genocídio", haverá que inventar umha nova palavra para dar nome a outros acontecimentos registados ao longo da história. Por que resulta tam complicado posicionar-se em contra do bombardeamento de Gaza sem recorrer a termos como "genocídio", "extermínio" e "nazismo", clamorosamente ausente noutros conflitos tanto ou mais sangrantes, numha espiral endoidecida que obrigaria a qualificar de "genocida" o atentado de Hipercor, por colocar um exemplo?

E até aqui a reflexom "humanitária", Para os "especialistas" fica a análise das catastróficas consequências que para Israel teve a desanexaçom de Gaza e as lúgubres lições que tirará o seu governo da que foi a primeira devoluçom aos Palestinianos de territórios ocupados, um ensaio lamentavelmente falhido do que ninguém, e muito especialmente o Hamás, quer assumir a sua quota de responsabilidade.

Por enquanto, aqui continuaremos a fingir que o antissemitismo, tam presente na Europa durante longos séculos, evaporou-se um bom dia, como se nunca tivesse existido, e no seu lugar, floresceu milagrosamente um angelical sentimento humanitário denominado "antissionismo", e que ambos fenómenos absolutamente nada a ver têm entre si.

Fonte: Diario Vasco
Texto traduzido para o galego-português por CAEIRO.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

AS GUERRAS DE PAVLOV

Jorge Rozemblum
Com a fase terrestre da Operaçom Margem Protetora que o exército israelita pôs em marcha para acabar com as ameaças à vida dos seus cidadãos polo grupo terrorista Hamás a partir de Gaza, desatam-se definitivamente os últimos resortes da maquinaria psicológica coletiva anti-israelita. Embora durante os primeiros dias mesmo as grandes agências noticiosas alertavam contra a falsificaçom de imagens "importadas" doutras guerras muito menos mediáticas (Síria, sem ir mais longe: quando se deu nas televisões as últimas imagens do massacre impune de quase 200 mil pessoas naquele país?), hoje a olhada internacional já pode reforçar a imagem estereotipada com material fresco.

Os estudos de psicologia mostram que a nossa percepçom depende em grande medida do que "esperemos" ver. Nom é tam importante o que desfilar diante das nossas meninas dos olhos, mas o condicionamento para detectar e identificar sinais já conhecidos. Assim sendo, por exemplo, qualquer um jornalista espanhol "sabe" de forma intuitiva que para começar umha reportagem sobre Israel (mesmo em tempos de paz), o mais direto ao cérebro réptil, ao centro das emoções incontroladas ou intuitivas, é colocar a imagem estereotipada dum soldado e um ortodoxo, se fosse possível combinados na mesma pessoa sobre um tanque que enfraqueça a figura dumha mulher árabe de olhada humilhada. Se nom há a mão, tira-se de hemeroteca.

Em tempos bélicos (custa utilizar aqui a palavra guerra pola sua conotaçom de confronto de estados, que nom é o caso, mas dum estado contra um grupo terrorista), porém, nem sequer é preciso apelar para estes preconcebidos. Basta a palavra mágica Israel para desencadear, como os reflexos condicionados ou condicionais que Ivan Pavlov estudou nos cães, a salivaçom de preconceitos e ódios ancestrais, nom apenas nas classes nom ilustradas nem nos mais dogmáticos de distintas religiões, mas na camada mais comum e anquilosada da mente coletiva europeia. Lá, como os espiões hipnotizados dos filmes de série B da Guerra Fria, esperam o chamado ou estímulo que faça com que abandonem as funções superiores da consciência e se mergulham no espírito da matilha e o linchamento.

Ontem derrubaram um aviom comercial malaio, mas foi na Ucrânia. Há três dias morreram dezenas num atentado no Afeganistám, hoje matam bebés na Síria, mas as imagens que veremos nom serám essas ou nom nos deixarám marca porque nom som as que "esperamos" ver. Estamos predispostos, preparados, treinados, programados (Como os cães do experimento de Pavlov) para responder a outra campainha: a que nos promete berros aterradores de dor, caixões abertos e sangrantes envoltos em bandeiras nas que predomina o verde do Islám. A que nos regala olhadas indiferentes dos supostos perpetradores e nos deixará dormir sem complexos depois de "comprovar" que por algo os perseguimos, expulsamos e calamos quando eram aniquilados sistematicamente.

Jorge Rozemblum é diretor de Rádio Sefarad

Texto traduzido para o galego-português por CAEIRO.