sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

COMO PORTUGAL EXPULSOU OS JUDEUS

Manuel I, rei de Portugal entre 1495-1521
Após a morte do rei João II em 1495, Manuel I (nascido em 1469) acedeu ao trono. Como a sua legitimidade estava ameaçada, decidiu consolidar as suas posições de poder casando com a princesa Isabel de Espanha, filha dos reis católicos. Umha das condições para conseguir essa aliança dinástica foi que Dom Manuel devia expulsar os hereges (Judeus e Mouros) do seu reino. O rei tentou fazer com que a princesa reconsiderasse essa exigência, mas foi tudo em vão. 

Em 30 de novembro de 1496 o contrato de casamento foi assinado incluindo essa cláusula. Cinco depois, a 5 de dezembro, o rei português assinou o decreto forçando que todos os hereges deviam abandonar Portugal, concedendo-lhes prazo até 31 de outubro de 1497. 

Porém, Manuel I nunca esteve contente com esta decisom, principalmente porque ele valorizava a importância económica dos Judeus, já que precisava dos capitais e do conhecimento técnico dos Judeus para o seu projeto de desenvolvimento de Portugal. Destarte, o rei permitiu aos Judeus que opstassem pola conversom ou desterro, esperando assim que muitos se batizassem, ainda que apenas pro forma

No entanto, os Judeus nom se deixaram convencer e a grande maioria optou por abandonar Portugal. O rei, perante o fracasso da sua estratégia, mandou fechar todos os portos do país, salvo o de Lisboa, para impedir a fuga. 

Em 19 de março de 1497, o primeiro dia da Páscoa judaica (Passover), ordenou-se que as famílias judias com filhos de idades entre os 4 e 14 anos levassem as suas crianças para Lisboa. Umha vez lá, respondendo a umha ordem de sequestro, informou-se que as crianças iam ser retiradas das súas famílias e entregues a famílias católicas para serem criadas como boas católicas. As crianças foram literalmente arrancadas dos seus pais e outras foram asfixiadas ou mesmo alguns pais preferiram matar-se junto dos seus filhos antes de serem separados. Enquanto alguns pais concordaram em se batizar junto com os seus filhos, outros nom resistiram e entregaram as suas crianças.

Em outubro de 1497 por volta de 20.000 Judeus chegaram a Lisboa para preparar a sua partida para outras terras. Lá foram concentrados no pátio do Palácio dos Estaus, um palácio localizado no centro histórico da capital, onde foram abordados por sacerdotes com o intuito de os converter. Embora alguns capitularam, o resto preferiu esperar até o momento da partida. Entretanto, a hora da partida tinha passado. Aqueles que nom se converteram perderam a sua liberdade e tornaram-se escravos, sucumbindo a maioria deles. 
O Palácio dos Estaus (hoje local do Teatro Nacional D. Maria II)
foi sede da Inquisiçom portuguesa (1571-1755)
Finalmente, os que ainda resistiam à conversom foram arrastados à pia batismal polo povo incitado por clérigos fanáticos e com a complacência das forças da ordem. Estes "batizados de pé" foram chamados de "cristãos-novos".

Foi desses batismos em massa e à força que surgiram os marranos, ou criptojudeus, que praticavam o judaismo em segredo, embora publicamente professassem a fé católica. O rei outorgou-lhe um período de graça de 30 anos (posteriormente alargado até 1534) no qual nom se realizariam inquéritos sobre a sua fé. Porém, os "cristãos-novos" nunca foram realmente bem aceites pola populaçom "cristã velha", que desconfiavam da sinceridade da fé dos conversos. 

Essa desconfiança evoluiria para a violência explícita em 1506, quando aconteceu o Pogrom de Lisboa. Em abril desse ano, num contexto de peste desde janeiro, mais umha vez insuflados por clérigos fanáticos, que culpavam os "cristãos novos" pola calamidade, o populaçom investiu contra eles, matando mais de 2000-5000 deles, entre homens, mulheres e crianças. Posteriomente Manuel I ordenou a execuçom dos líderes do massacre.

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